Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > MÍDIA & MUDANÇA CLIMÁTICA

Auto-engano global

Por Eduardo Guimarães em 06/02/2007 na edição 419

O ‘auto-engano’ que flagela o homem já foi catalogado pelo economista conservador uspeano Eduardo Gianetti da Fonseca (Companhia das Letras, 1997). Veja o que diz a tese dele sobre um artifício que criamos para mitigar as dores em que o ato de viver importa:

‘Mentimos para nós o tempo todo: adiantamos o despertador para não perder a hora, acreditamos nas juras da pessoa amada, só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças. Além disso, temos a nosso próprio respeito uma opinião que quase nunca coincide com a extensão de nossos defeitos e qualidades. Sem o auto-engano, a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto.’

E assim é. O ser humano sofre o assédio irrefreável de uma tendência meio que irracional de negar as ameaças que surgem em seu caminho. É por esse prisma que se deve olhar as discussões que vêm sendo travadas em torno do tema aquecimento global. Apesar de aterradores, os resultados do estudo do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), que projeta um cenário de calamidade para o meio ambiente até 2100, serão pouco eficazes em impedir a ação predatória do homem sobre o planeta.

Fórmulas de convivência

Um ponto não está sendo devidamente sopesado nessas discussões que começam ser travadas sobre o assunto, discussões que não sobreviverão à passagem do tempo: custaria muito dinheiro combater decididamente essa emissão de poluentes que exacerba o efeito estufa da Terra, uma fortuna incalculável que pouquíssimos governos envolvidos nessas discussões terão condições de cobrar do reduzido contingente de beneficiários exclusivos dessa conseqüência do capitalismo predatório que se abateu sobre a humanidade.

Independentemente de não se desistir das tentativas de alertar a humanidade e, em especial, os poucos seres humanos que comandam nossas vidas do fato de que estão destruindo o futuro (o que, tenham certeza, pouco lhes importa), seria bom que os estudiosos e a mídia não descuidassem de propor fórmulas de convivência com o desastre ambiental que, em alguma medida, virá, queiramos acreditar nele ou não.

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Comerciante, São Paulo, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/02/2007 Rosa Sart

    Teólogo Leonardo Boff disse, recentemente, em entrevista à tevê Câmara, que diferentes cientistas vêm afirmando a situação desastrosa do planeta Terra, e um deles, (não me recordo o nome), disse que existe uma espécie de cefalópode, de duas cabeças, que está evoluindo rapidamente. Possivelmente este ser vivo poderá vir a substituir a espécie humana que se auto-destruirá. E, para nosso desconforto, Leonardo falou em, no máximo, 10 a 15 anos! Não serão mais as armas atômicas, mas o egoísmo, a arrogância dos mandatários de plantão, os responsáveis por ‘fechar’ as portas da nave Terra. Será necessário, então, que o Brasil desapareça sob as águas? Há uma outra teoria sobre desaparecimento de 3/4 da espécie humana, sendo que a outra parte deverá ‘reconstruir’ o que fizeram de errado no passado. Haverá indescritível fome e doenças. Muitos que se salvarão, desejarão ter morrido. De um lado, e de outro, todas catástrofes têm significado e significâncias. Já deveríamos ter aprendido com os sinais e sintomas do organismo vivo Gaya que está exibindo, a olhos abertos, os estertores do sofrimento. Mas as imagens estão nas telas das tevês, o carnaval se aproxima, é verão ao sul do Equador, por favor, me deixe aproveitar meus últimos dias de férias no maior balneário nacional, xô! A propósito, você se habitua a ver o nascer e o por do sol? Não? Você não sabe o que está perdendo…

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