Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Bíblia da moda restringe gastos

Por Gustavo Chacra, de Nova York em 06/10/2009 na edição 558

VOGUE

A Vogue é uma revista diferente. Poucos, mesmo dentro do jornalismo, saberiam dizer o nome dos editores das revistas The Economist e New Yorker, duas das mais influentes publicações do planeta. Já Anna Wintour, a ‘rainha’ da Vogue, se tornou estrela de documentário em cartaz nos EUA, além de ter sido alvo de uma caricatura interpretada por Meryl Streep em um filme há três anos. Mulheres e muitos homens de todo o planeta são capazes de descrever de cor a sua biografia.

Mas a Condé Nast, que publica a Vogue, também integra a economia mundial e a crise chegou até o reinado de Wintour. Cortes foram anunciados depois de um estudo da consultoria McKinsey, que viu enormes desperdícios na editora. A Condé Nast decidiu levar adiante as reduções, mas, conforme diz a imprensa especializada americana, tomando cuidado para não afetar o glamour de publicações como a Vogue. Segundo escreveu o New York Times desta semana, ‘não dá para imaginar Anna Wintour usando o cartão de metrô e descendo na estação do Times Square’. O jornal cita, entre as reduções, a exigência para que os funcionários de Nova York consumam no máximo US$ 1 mil em uma festa em Washington. Antes, não havia limites.

Wintour, considerada a mais poderosa figura da bilionária indústria da moda, sinaliza bem os novos tempos. Em 2007, gravou um documentário chamado The September Issue, sobre a edição com o maior número de páginas da história da revista – 840 ao todo, sendo 727 de publicidade. Todos os anos, o exemplar de setembro é o que tem o maior número de anunciantes. Na época, a Bolsa de Valores de Nova York estava no seu ponto mais elevado em toda a história.

Surge uma nova estrela

No filme, Wintour é apresentada como uma profissional séria, com as tradicionais características de uma dama da aristocracia americana e do Reino Unido, onde nasceu e cresceu. Algumas cenas se passam em sua casa nos Hamptons, o balneário da elite próximo a Nova York.

A imagem difere um pouco do extremismo a que chega a falta de educação da personagem de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada, de 2006. A filha de Wintour, Bee Shaffer, uma menina que sonha em estudar Direito, nada tem a ver com os mimados de Meryl Streep, que queriam ler uma cópia inédita de Harry Potter. Em comum, as duas tomam café da Starbucks o tempo todo.

A presença de Wintour, com todos os gastos, seu salário e viagens, sempre foi considerada fundamental pela Condé Nast. Seu visual, de cabelo Channel e óculos escuros, passou a ser copiado por jornalistas de moda de todo o mundo.

Mas publicações já especulam que os dias de Wintour podem estar contados, mesmo com ela achando que o seu único defeito é o backhand no tênis. Não pela crise econômica ou por causa da internet – afinal, é difícil de imaginar ler as 700 páginas da Vogue em um computador –, mas pelo surgimento de uma nova estrela.

Segundo recente artigo de Peter Aspden no Financial Times, Carine Roitfeld, editora da Vogue francesa, já está sendo preparada para substituir Wintour. Seria o fim de um dos maiores reinados no jornalismo e na moda mundial.

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