Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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Breve análise da televisão no Brasil

Por Rackel Cardoso Santos em 10/03/2009 na edição 528

A televisão chegou ao Brasil em 18 de setembro de 1950, trazida por Assis Chateaubriand. Naquela época, a população vivia em sua maioria na zona rural, correspondendo a 75% da população, e 25% vivia na área urbana.

Por ser um aparelho com o preço elevado, a televisão era considerada um sinônimo de status e um ‘brinquedo de elite’.

A TV Tupi de São Paulo foi a primeira da América Latina, mas era tudo em preto e branco, a TV a cores só chegou em nosso país em 1972.

No início era bem complicado fazer um programa de TV, pois era tudo feito ao vivo, não havia edição nem cortes, os erros eram inevitáveis e eram exibidos. Por isso, o máximo de cuidado e concentração era exigido. Além disso, para fazer uma chamada ao vivo era preciso deslocar todo o equipamento pesado para o local da filmagem e isso demorava muito e precisava ser feito com antecedência para que desse tudo certo.

Com a evolução da produção de TV, em 1963 passou-se a utilizar o vídeo tape (VT), que facilitou bastante a gravação de programas; a partir daí, foi possível fazer cortes e editar erros.

Antes da telenovela, o teleteatro era o atrativo principal da programação. Foi do rádio que a TV pegou a idéia da telenovela (tele de televisão e novela, que em espanhol é o mesmo que romance em português).

Um aparelho de valor acessível

O Brasil foi o 5° país do mundo a ter TV. Desde então, a televisão cresceu no país e hoje representa um fator importante na cultura popular moderna da sociedade brasileira. Hoje, nosso país é o 4° melhor do mundo em termos de produção.

A TV Digital no Brasil teve início as 20h30 do dia 2 de dezembro de 2007, inicialmente na cidade de São Paulo, pelo padrão japonês.

No início eram os patrocinadores que faziam os programas, mandavam no conteúdo e supervisionavam tudo. As propagandas ocupavam a maior parte da programação. Hoje, a TV funciona de forma mais independente do que naqueles tempos, mas não a ponto de ser completamente imparcial como deveria. Ela ainda depende dos seus patrocinadores e não pode nem deve ferir a imagem deles – por isso, a parcialidade que, infelizmente, mantém os programas de TV no ar.

Segundo o IBGE, 98% da população brasileira possui uma televisão em sua residência. Por isso, hoje ela é a principal fonte de informação e diversão do país. Até as residências mais carentes possuem o aparelho, pois o valor se tornou muito acessível se formos comparar ao valor de quando ele chegou aqui.

Busca da informação

Hoje em dia, além do aparelho convencional, você pode assistir à programação televisiva em seu próprio celular e pelo computador. Além disso, você pode voltar a programação, gravar e até assistir o programa que você perdeu. Antes, isso só ocorria em sonho, era praticamente inimaginável algo desse tipo.

Mas, infelizmente, a televisão no Brasil não respeita o interesse público como deveria, não busca uma formação que sustente o senso crítico dos telespectadores. Não estou afirmando que a televisão no Brasil funciona apenas como um instrumento de completa alienação, mas acredito que se a programação fosse voltada para a cultura local, os acontecimentos noticiosos que nos rodeiam, sem sensacionalismo, mas que fizesse algo ou pelo menos estimulasse a quem assiste um interesse maior pelo fato, uma busca de soluções para os problemas sociais.

Uma indagação bem simples: ‘O que eu posso fazer para mudar a situação do meu país?’. A resposta deveria estar bem na nossa face, naquele aparelhinho o qual passamos horas em frente a ele.

Estamos vivendo em um século marcado pelo uso e pela busca da informação. No Brasil, o telejornalismo assume o papel de maior fonte dessa busca. A televisão é um dos meios mais atrativos, acessíveis e cômodos.

Diversas influências

O modo de se fazer televisão no Brasil copia os modos norte-americanos quase fielmente. Inclusive na forte visão de lucro dos empresários. Há alguns anos, os investidores não viam os telejornais como fontes de lucros e não investiam neles por causa de sua baixa audiência.

Porém, o público desses programas está aumentando, tanto por causa da necessidade que as pessoas estão tendo de se manterem informadas, quanto por causa da diversidade de temas e dos infográficos que auxiliam o jornal a ganhar uma linguagem mais leve e acessível.

Mas isso não quer dizer que as emissoras de TV brasileiras vêm qualificando seus telejornais.

O telespectador é um ser social exposto a diversas influências. A forma como se faz jornalismo e a intenção do jornalista ou da empresa, ao optar por determinado tema ou ponto de vista, acaba por influenciar o telespectador.

O senso crítico do povo

A maioria das redes de TV nascem ou nasceram por influências ou investimentos político-partidários (como a Rede Globo). Isso implica que alguns temas são silenciados ou transmitidos como sem importância para não agredir a imagem de seus ‘padrinhos’ ou até mesmo de seus patrocinadores atuais. Deixando de cobrir um fato importante e pondo em seu lugar algo de menos relevância. Fixando-se apenas na audiência.

Além disso, o formato do telejornal brasileiro é aquele que intercala notícias chocantes e notícias leves, para que haja um ‘alívio de tensão’ em quem assiste, o que não deveria ocorrer porque infelizmente as ‘coisas’ só vão para a frente no nosso país quando há pressão popular. Sendo assim é papel da mídia pressionar e provocar o senso crítico do povo.

Questiono então se o telejornalismo no Brasil é feito para o povo e se realmente é dito nele o que o povo precisa saber.

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Bacharelanda em Comunicação Social, pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, 3° ano – Campina Grande, PB

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