Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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CADERNO DO LEITOR >

Cadela bastarda

13/04/2004 na edição 272

Diz Cortázar em seu Valise de cronópios, em frase que não lembro de cor, que maus tradutores estão corrompendo a língua castelhana. Acho que o mesmo se passa por aqui. Traduzem-se ao pé da letra expressões idiomáticas, que soam muito mal em português, e passam a ser adotadas, na suposição de que seriam formas mais cultas de falar. ‘Estarei enviando’, por exemplo. Ou então, quem já ouviu em português do Brasil chamar uma mulher de ‘cadela’? Por que não xingar de ‘vagabunda’, como faria qualquer brasileiro num caso assim? E por que ‘seu bastardo’, em vez de ‘seu filho da mãe’? Jamais ouvi alguém ser xingado de bastardo em plagas brasileiras. Mas também, pagando-se o que se paga aos tradutores, queriam o quê? Esquecem-se os editores que o tradutor tem que ser um pouco escritor. Assunto vasto, vastíssimo, que não cabe todo ele aqui.

Sonia Sant’Anna, escritora, Rio de Janeiro



Tarefa difícil

Jô, falando de colega para colega, proponho-lhe uma tarefa mais difícil, mais árdua, porém mais benéfica e mais original (talvez menos sensacional – lamento): fazer um levantamento – tão competente quanto esse – das boas soluções encontráveis em tradução no nosso país. Que acha? Abraço.

Ivone Benedetti, tradutora, São Paulo

Nota do OI: O Observatório acolherá com igual prazer um artigo da leitora sobre o tema que propõe.



Cigana acesa

Vejam esta: ‘O pé preto acendeu uma cigana’. Como a frase não fazia sentido, foi vertida para o original, em francês, e transformou-se em ‘O argelino acendeu o cigarro’. Pied noir = argelino; Gitane = marca popular de cigarro na França.

Maria Luiza de Andrade, jornalista, Rio de Janeiro



Jaqueta categórica

Dizer que ‘jacket em hipótese alguma seria ‘paletó’’ parece-me uma afirmação no mínimo categórica demais. Nasci há 63 anos, sou escocês, moro há três décadas no Rio, e ainda hoje chamo todos os meus paletós de jackets.

James Mulholland, tradutor, Rio de Janeiro



Jô Amado responde

Caro amigo, sinto que você não tenha compreendido a ironia: o que quis dizer é que, para o nosso ‘tradutor’, jacket não poderia ser senão jaqueta… (J.A.)

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