Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > LANCES PELA DISNEY

Chrystiane Silva

17/02/2004 na edição 264

‘‘Os Roberts têm faro para sangue mais apurado que o dos tubarões.’ Assim diz a lenda no mundo empresarial americano a respeito dos controladores da Comcast, que se tornou a maior operadora de TV a cabo dos Estados Unidos comprando empresas em dificuldades. Brian Roberts, filho do fundador e seu principal executivo, farejou sangue na Disney. Na semana passada, a Comcast lançou um torpedo na direção da lendária companhia de entretenimento criada por Walt Disney em 1923. Brian Roberts fez o que em inglês se chama ‘hostile bid’, ou ‘proposta hostil’, o primeiro passo para a compra de uma empresa mesmo contra a vontade de seus atuais executivos. Ele mandou uma carta à direção da Disney oferecendo 66 bilhões de dólares pela empresa, cujo valor de mercado é 48 bilhões de dólares. Por enquanto, a resposta foi negativa. O passo seguinte de uma abordagem como a feita pela Comcast é partir para o ataque direto sobre os acionistas da Disney, deixando de lado sua direção. Essa manobra é conhecida como ‘posse hostil’ (‘hostile take-over’, em inglês). Caso um número de acionistas suficiente para exercer o controle da empresa aceite vender suas ações, a Comcast se tornará dona da Disney. Até a semana passada, ainda era uma incógnita o rumo que tomariam as negociações dos Roberts com a empresa criadora do Mickey e do Pato Donald.

Se o negócio for concretizado, será criado um dos maiores grupos de mídia do mundo. Ao preço do mercado, valerá 125 bilhões de dólares e terá 179.000 funcionários. A iniciativa da Comcast foi motivada pela crescente concorrência que ela vem sofrendo dos canais de televisão por satélite, que oferecem uma variedade infinitamente maior de conteúdo. Com a aquisição, a empresa dos Roberts teria a sua disposição a programação de cinema e televisão da Disney e poderia enfrentar a competição. Pega de surpresa, a direção da Disney esboçou uma reação defensiva. Para muitos analistas, ao ataque da Comcast se seguirão outros até mais fortes. Não seria surpresa se a Microsoft, de Bill Gates, entrasse na briga. Dá-se como certo que o atual chefão da Disney, Michael Eisner, não sobreviverá no cargo seja qual for o desfecho da proposta recebida na semana passada. A gestão de Eisner tem sido criticada pela ineficiência e por seu estilo imperial e perdulário à frente do império criado por Walt Disney. Antes mesmo da oferta hostil, Eisner já enfrentava uma campanha para derrubá-lo movida por dois ex-conselheiros, um deles sobrinho do velho Walt. Depois de dois anos perdendo dinheiro, a Disney lucrou 1,27 bilhão de dólares em 2003. O resultado, porém, ficou ainda abaixo do obtido em 1999, que foi considerado um péssimo ano. O inferno astral de Eisner se aprofundou quando a empresa perdeu, no mês passado, a lucrativa parceria com a Pixar. A produtora de filmes de animação digital da Califórnia significara um sopro de criatividade na Disney, com produções de sucesso como Procurando Nemo, que bateu recorde de vendas de DVD nos Estados Unidos.

A empresa sofreu muito com o desaquecimento da economia americana. Após os atentados de 11 de setembro, as visitas aos parques diminuíram 30%. Premida para cortar custos, a Disney reduziu em 20% os salários e demitiu 4.000 funcionários. Mesmo com os cortes, a rentabilidade foi comprometida. O imenso prestígio da marca permanece intacto. Apesar dos problemas, a Disney é um tesouro. Num ano normal, o grupo fatura cerca de 25 bilhões de dólares, dinheiro que vem da produção de filmes, dos canais de televisão, do licenciamento de marcas, da rede de hotéis e agências de viagens. Seus dez parques temáticos representam 20% do faturamento.

À luz da desastrosa fusão da America Online com o grupo Time Warner feita com estardalhaço há três anos, faz sentido para a Comcast ficar dona da Disney? ‘A experiência mostra que mesmo associações que parecem fazer enorme sentido freqüentemente acabam em desastre’, diz Tom Wolzien, analista de mídia da Sanford C. Bernstein, em Nova York. Wolzien diz que a curto prazo certamente a Comcast saberá extrair mais valor da Disney, que vem sendo mal administrada por Eisner. Mas ele alerta: ‘O que parece natural hoje, a combinação de produtores de conteúdo com companhias de distribuição, pode parecer uma aberração dentro de alguns anos, com a rápida digitalização de filmes e músicas e sua distribuição pela internet’.’



Folha de S. Paulo

‘Operadora de TV propõe compra da Disney’, copyright Folha de S. Paulo, 12/02/04

‘A Comcast, maior operadora de TV a cabo dos EUA, apresentou uma proposta de aquisição da Walt Disney por aproximadamente US$ 66 bilhões. A eventual fusão criaria um dos maiores grupos de mídia do planeta, com o maior faturamento do setor.

Pela proposta, não haveria pagamento em dinheiro. A Comcast oferece US$ 54,1 bilhões em ações, além de assumir as dívidas da Disney, de US$ 11,9 bilhões.

A oferta da Comcast foi agressiva, ou seja, sem a solicitação da Disney. A empresa decidiu apresentar a proposta por causa do insucesso nas conversas sobre a fusão das duas companhias.

A Comcast tenta se aproveitar de um momento de debilidade da Disney, cujos diretores enfrentam uma crise de credibilidade. A família Disney critica a gestão do presidente-executivo do grupo, Michael Eisner, e está tentando retirá-lo do comando da empresa.

De acordo com a operadora de TV a cabo, Eisner recusou, no início da semana, discutir uma eventual fusão das companhias. Diante da negativa, a Comcast decidiu apresentar a ‘oferta hostil’.

‘A bola agora está no campo da Disney’, disse ontem, numa teleconferência, o presidente-executivo da Comcast, Brian Roberts, 44. De acordo com Roberts, a fusão criaria ‘uma das principais empresas de comunicações e entretenimento do mundo e recuperaria a marca Disney’.

O conselho dos acionistas da Disney emitiu um comunicado no qual afirma que analisará detalhadamente a proposta.

De acordo com o analista do setor de mídia Paul Kim, da corretora Tradition Asiel Securities, Roberts, da Comcast, está ‘indo na jugular’ da Disney. ‘Ele está aproveitando este momento de vulnerabilidade para pressionar a Disney’, comentou.

Ainda de acordo com Kim, a Comcast é basicamente uma empresa de TV a cabo e, provavelmente, ‘pode estar mordendo algo que não poderá mastigar’. ‘Penso que eles estão subestimando as complexidades de ser uma grande empresa de mídia.’

A Disney atua em vários ramos dentro do setor de mídia. Possui canais de TV (como a ABC e a ESPN), estúdios de filmes (o próprio Disney e a Miramax) e dez parques temáticos. A Comcast conta com 21 milhões de assinantes nos EUA.

O negócio, se concretizado, lembraria a compra da Time Warner pela America Online, que uniu uma empresa da nova mídia com um grupo de mídia tradicional. A fusão acabou se transformando num grande fracasso.

No ano passado, os faturamentos somados da Comcast e da Disney foram de US$ 45 bilhões. A Time Warner, hoje o maior grupo de mídia do planeta, faturou no período US$ 39,6 bilhões.

Para alguns analistas, a proposta de fusão é improvável. A Comcast teria de elevar sua oferta para ficar com a Disney.

Ágio

A operadora de TV a cabo ofereceu um ágio de 10% para o preço das ações da Disney ante o valor de fechamento da terça-feira. Para os especialistas, o prêmio é muito baixo, porque as ações da Disney estariam depreciadas.

O ágio, na verdade, acabou evaporando ontem, ao longo do dia, por causa da queda no preço das ações da Comcast e da alta no valor dos papéis da Disney.

Na terça-feira, as ações da Disney eram cotadas a US$ 24,08. A notícia da possível fusão fez o preço das ações saltar para US$ 27,57, numa alta 14,5%, atingindo assim o maior valor dos últimos. As ações da Comcast caíram 7,3%, para US$ 31,44.

Preço baixo

A Comcast ofereceu o equivalente a 0,78 de uma ação sua com direito a voto para cada ação da Disney. Os acionistas da Disney ficariam com 42% do capital da nova empresa.

‘Acho que a Disney vale muito mais’, disse Knox Fuqua, administrador de fundos de investimento da AAM Equity Fund.

O que torna o negócio ainda mais improvável é a melhora nos resultados da Disney. A companhia apresentou ontem o seu balanço do último trimestre do ano passado, e os lucros subiram para US$ 688 milhões.

‘Estamos no caminho da recuperação, estamos indo bem’, comentou Eisner, o presidente-executivo do grupo. ‘Todos os nossos parques, nossos filmes, estão indo muito bem.’’



O Globo

‘Diretor da Disney luta por seu cargo’, copyright O Globo / Bloomberg News, 13/02/04

‘O diretor-executivo da Walt Disney Co., Michael Eisner, está tentando convencer os investidores de que é o melhor nome para dirigir a empresa, em uma conferência de dois dias que termina hoje, em Orlando. Mas a tarefa é difícil. O Institutional Shareholder Services, um órgão de vigilância da governança corporativa, recomendou ontem que os investidores não apóiem a reeleição de Eisner na próxima Assembléia Geral, em 3 de março. Isso deu força aos ex-diretores Roy Disney – sobrinho do fundador da empresa, Walt Disney – e Stanley Gold, que querem Eisner fora da empresa.

Vic Hawley, diretor do fundo de investimentos Reed Conner & Birdwell, que tem 1,5 milhão de ações da Disney, defende uma mudança na empresa:

– A Disney como é hoje não pode continuar.

Eisner tem enfrentado críticas de vários acionistas, liderados por Roy Disney e Gold, que o acusam de má administração e de ter afastado parceiros importantes, como o estúdio de animação Pixar. Graças a ‘Procurando Nemo’, da parceria com a Pixar, a Disney lucrou US$ 688 milhões no primeiro trimestre fiscal.

Em resposta ao relatório do Institutional Shareholder Services, a Disney disse que excedeu as metas de governança corporativa estabelecidas pela Bolsa de Nova York.

‘Consideramos essa posição inexplicável e injustificada com respeito a Michael Eisner, já que foi ele que conduziu as mudanças que resultaram em um Conselho de Administração dominado por diretores independentes’, disse a empresa em comunicado.

Mas vários investidores disseram que levarão em conta as recomendações do Institutional Shareholder Services.

‘BusinessWeek’ defende fusão Disney/Comcast

Com toda a oposição a Eisner, dificilmente o Conselho rejeitará a oferta hostil de US$ 66 bilhões feita quarta-feira pela Comcast Corp. A revista ‘BusinessWeek’ publicou ontem em seu site um artigo defendendo o negócio. ‘Trata-se da muito esperada convergência de comunições e mídia’, diz o editorial. Segundo a revista, a fusão vai criar um novo modelo para esses dois setores.

Para a ‘BusinessWeek’, a Comcast, uma gigante do setor de telefonia e TV a cabo, não tinha outra saída senão adquirir uma empresa que lhe forneça conteúdo, o que vai reduzir seus custos. ‘No futuro, a mídia e as comunicações serão dominadas por híbridos como a News Corp., que recentemente comprou a operadora de TV por satélite DirecTV’, diz a revista, apostando em novas fusões no setor. (*) Com agências internacionais’

***

‘Comcast oferece US$ 66 bilhões pela Disney’, copyright O Globo, 11/02/04

‘A Comcast, maior operadora de TV a cabo dos Estados Unidos, anunciou ontem que ofereceu cerca de US$ 66 bilhões – US$ 54 bilhões em ações e outros US$ 11,9 bilhões em dívidas assumidas – pelo controle da Walt Disney. Os US$ 54 bilhões em ações oferecidos pela Comcast incluem um prêmio de 10% em relação ao preço das ações da Disney no fechamento do pregão de terça-feira.

Se for bem sucedido, o negócio vai transformar a Comcast, com 21 milhões de assinantes nos Estados Unidos, em uma da maiores empresas de mídia do mundo, com receita total anual de US$ 45,4 bilhões, passando a incorporar os estúdios Disney, o canal de televisão ABC, a rede de canais de esportes ESPN e os parques de diversões da Disney.

Além disso, a aquisição seria um passo estratégico para a Comcast no concorrido setor de mídia dos EUA. A empresa ficaria em patamar de igualdade com a Time Warner e a News Corp., pois passaria a ter ativos importantes nas áreas de programação e distribuição.

A Comcast informou que estava fazendo uma oferta hostil (oferta pública, feita diretamente aos acionistas), devido à recusa do presidente-executivo da Disney, Michael Eisner, em discutir o assunto. Em carta enviada a Eisner, o presidente e principal-executivo da Comcast, Brian L. Roberts, explica a opção por uma oferta hostil.

‘Querido Michael’, diz um trecho da carta. ‘Escrevo-lhe após nossa conversa telefônica, onde discutimos a fusão entre a Disney e a Comcast. É uma pena que o senhor não esteja disposto a isso. Assim, a única maneira de prosseguir nesse propósito é fazer uma oferta pública ao senhor e ao seu conselho. Temos uma excelente oportunidade de combinar distribuição e conteúdo de uma forma que nem a Disney nem a Comcast individualmente podem fazê-lo.’

Dissidentes podem aceitar proposta de aquisição

A carta, tornada pública ontem, aproveita a atmosfera de disputa interna na Disney. Os ex-diretores Roy Disney, sobrinho do fundador Walt Disney, e Stanley Gold tentam tirar Eisner do comando da companhia alegando má administração na última década. Roy Disney tem feito lobby junto aos acionistas institucionais para que eles votem contra a reeleição de Eisner e de outros três diretores da companhia na próxima reunião de acionistas, no mês que vem.

Eisner, por sua vez, contra-atacou com uma campanha lembrando que a Disney foi líder nas bilheterias no ano passado e que espera aumentar seu lucro por ação em 30% neste ano fiscal.

– O conselho da Disney está sob uma tremenda pressão dos dissidentes Roy Disney e dos que o apóiam. Isso pode indicar que eles estarão receptivos à oferta – disse Timothy Ghriskey, gerente de portfólio da Ghriskey Capital Partners.

Empresa começou com apenas 1.200 assinantes

A Comcast foi fundada em 1963 por Ralph Roberts, com apenas 1.200 assinantes. Desde novembro de 2002, no entanto, a empresa ocupa o primeiro lugar entre as operadoras de TV a cabo do país, graças a sua fusão com a AT&T Broadband. A empresa também oferece serviços de banda larga e participa ativamente do mercado de comércio eletrônico e emprega atualmente cerca de 60 mil pessoas.

O volume de negócios em 2003 chegou a US$ 18,34 bilhões, 9,1% a mais que o ano anterior. Seu lucro líquido alcançou US$ 3,24 bilhões em 2003. Já a Disney faturou US$ 27,06 bilhões em 2003.’

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PRIMEIRAS EDIçõES > ***

Chrystiane Silva

Por lgarcia em 30/09/2003 na edição 244

PROPAGANDA / TV

“Sexo e bichinhos ficam de fora”, copyright Veja, 1/10/03

“O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), órgão que regulamenta a publicidade, decidiu ser mais rigoroso sobre propaganda de bebidas alcoólicas. Criado e formado por entidades privadas representantes de agências de publicidade, anunciantes, imprensa e TV, o Conar resolveu que bonecos e qualquer coisa que lembre o universo infantil n&atatilde;o podem mais ser usados em peças publicitárias para vender cerveja, cachaça, uísque e vinho. As mudanças nos outdoors serão as primeiras e deverão ser feitas até 15 de outubro. Para as revistas, jornais e cartazes de rua o prazo é até 15 de novembro. Os comerciais de televisão terão até 15 de dezembro para se adaptar às regras. Os anúncios não poderão mais exibir atores tomando bebida alcoólica e, em todos os casos, eles deverão ter e aparentar 25 anos ou mais. Será permitido aos publicitários continuar mostrando mulheres de biquíni ou com pouca roupa, mas apenas em anúncios e comerciais feitos na praia ou na piscina. A idéia do Conar é se antecipar às medidas governamentais que estão em gestação no Ministério da Saúde com o objetivo de coibir a venda de bebidas para menores. No Brasil, o consumo começa cada vez mais cedo. Segundo as estatísticas oficiais, entre os estudantes do ensino médio e fundamental, 74% já experimentaram bebidas alcoólicas. Cerca de 30.000 pessoas morrem por ano no Brasil vítimas de acidentes de trânsito em que houve o uso de álcool pelos motoristas.

Alguns fabricantes de cerveja já estavam preocupados com a questão e haviam tomado providências. A Skol, líder em vendas com 31,7% do mercado, acabou de lançar uma campanha que prega o consumo com responsabilidade. Até o fim do ano, todas as cervejarias, que juntas gastam 600 milhões de reais por ano em anúncios publicitários, seguirão a mesma linha. As medidas anunciadas pelo Conar se antecipam e em alguns casos são mais rigorosas do que a quase centena de projetos que tramitam no Congresso Nacional com o objetivo de regular a publicidade de bebidas alcoólicas. O Conar é um órgão eficiente. Ouve consumidores, empresas e agências de publicidade e tem real poder para mudar as campanhas publicitárias. ?As novas regras dão mais força ao Conar?, diz João Fernando Vassão, diretor-geral da Fischer América, que tem a conta da Nova Schin.”

 

TV RECORD, 50 ANOS

“Aos 50, Record comemora e fala em superar audiência do SBT”, copyright Folha Online (www.folha.com.br), 26/09/03

“O aniversário de 50 anos da TV Record não será apenas uma data simbólica e cercada de comemorações com programas especiais. Poderá ser um marco para que a emissora finalmente cumpra o que vem prometendo há alguns anos: passar para o segundo lugar na preferência do espectador. É nisso que acredita Dennis Munhoz, 42, presidente da emissora.

Terceira maior do país em audiência (ficando atrás da Globo e do SBT), a Record pretende investir pesado no seu objetivo em 2004. O carro-chefe desta prometida ?arrancada? desta vez é a teledramaturgia. Depois de sucessivas tentativas fracassadas, a emissora anuncia a volta das novelas em sua grade de programação a partir de março do próximo ano.

O investimento será feito em parceira com a produtora Casablanca –a mesma do seriado multirracial ?Turma do Gueto?. ?Estamos procurando os melhores profissionais e os melhores recursos para fazer uma novela com padrão muito próximo ao da Globo?, diz Munhoz.

Apesar de apostar no que pode ser a proximidade com o padrão Globo, a Record pretende se precaver de eventuais acidentes de percurso. Após o fracasso de ?Um Amor de Babá? –exibida pela emissora no início deste ano e que saiu do ar com pouco mais de um mês–, o contrato com a Casablanca para exibir ?Beleza Artificial? (título provisório) prevê um pagamento mínimo e um acréscimo a este valor conforme o desempenho do programa junto à audiência.

Munhoz não cita números, mas aponta os investimentos da emissora nos eventos esportivos e em um pacote de filmes competitivos como seus dois outros trunfos para superar o rival SBT na audiência em 2004.

Especulações sobre novas contratações e, mais especificamente, o ?assédio? sobre a apresentadora Hebe Camargo, estão ?oficialmente? descartadas, por enquanto. ?A Hebe, como todos que não vinham aqui há muito tempo, ficou surpresa com o tamanho e com a estrutura da emissora. Daí surgiu a conversa de que ela gostaria e que se sentiria honrada em trabalhar na Record. Mas a Record não está assediando a Hebe Camargo como não está assediando nenhum profissional ligado ou com contrato em qualquer outra emissora?, afirma.

Leia trechos da entrevista à Folha Online:

Folha Online – Por que a emissora desistiu das minisséries e resolveu voltar a fazer novelas?

Dennis Munhoz – Analisando custos e produção, os da minissérie ficariam muito próximos aos da novela, então não seria vantajoso investir em minissérie se novela já é um produto mais acolhido e o brasileiro está mais acostumado. Por isso nós optamos por partir diretamente para novelas, o que não impede de termos seriados semanais.

Folha Online – A Record teria perdido um ponto na média de audiência geral entre 2001 e 2002. A emissora está apostando nessa novela para recuperar os índices que tinha?

Munhoz – Nunca ninguém trouxe um número que me provasse essa perda. A Record manteve a média de audiência de 2001 em 2002. Nós pretendemos chegar perto do SBT. Hoje, não nos preocupa as emissoras que estão atrás porque a diferença continua igual. Não houve nenhum ajuste, nenhum aperto da concorrência. Nós é que estamos tentando ir pra cima do SBT. 2004 será um ano em que a Record poderá conquistar o segundo lugar e, chegando lá, nós não vamos nos contentar e vamos conquistar o primeiro.

Folha Online – Quais elementos a novela vai apresentar para atrair os espectadores, já que será exibida em horário nobre.?

Munhoz – O tema, que vai ser polêmico, e o elenco. Estamos procurando os melhores profissionais e os melhores recursos para fazer uma novela com estilo muito parecido com o da Globo.

Folha Online – Que tema será esse?

Munhoz – É sobre a beleza e de como as pessoas se relacionam com isso.

Folha Online – Os textos das novelas da Globo, principalmente das oito, tentam reproduzir diálogos e situações que estão presentes no cotidiano. Que tipo de orientação os produtores da novela estão recebendo com relação a isso? Há algum tipo de veto relacionado à religião ou expressões?

Munhoz – A Record não exerce nenhum tipo de censura. Simplesmente o que nós não concordamos é com a apologia a qualquer religião, seja ela qual for, porque nós temos a televisão como emissora comercial. Nós não estamos aqui pra discutir religião. Quanto ao nosso conceito ético e moral, ele também independe de religião. É o que eu sempre falo: você pode ser ateu, mas não gosta que uma filha sua de seis ou sete anos veja uma cena de sexo às oito da noite em uma novela.

Folha Online – A emissora pretende investir na criação de um núcleo de telenovela?

Munhoz – O normal seria esperarmos o resultado desta novela, mas como acreditamos que vai ser positivo, eu acho que o próprio Honorilton [Gonçalves, superintendente executivo de produção] e o Luciano Callegari [superintendente artístico e de programação] já estejam aí bolando uma segunda novela pra 2004, mas não há nada confirmado. Um núcleo de produção não está fora de cogitação, esta pode ser uma alternativa para uma segunda novela.”

***

“?Nós gostaríamos que o ?Cidade Alerta? nem precisasse existir?”, copyright Folha Online (www.folha.com.br), 26/09/03

“O presidente da Rede Record, Dennis Munhoz, garante que não há vetos na programação da emissora. Para ele, programas como o ?Cidade Alerta? existem para mostrar a realidade.

Há 12 anos o controle acionário da TV Record passou para as mãos do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Desde então, a emissora vem sendo alvo de críticas sobre vetos relacionados a expressões religiosas ou letras de músicas, entre outros.

Apesar de veementemente negados pelos diretores da casa, as especulações sobre os vetos ganharam força em 1995, depois que o bispo Sergio von Helde chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, mobilizando a opinião pública em torno do assunto e reforçando a ligação da emissora com a Universal. No mesmo ano, a emissora colocou no ar o programa ?Cidade Alerta?, que logo ganhou destaque pelos imagens de violência que exibia.

Dennis Munhoz, presidente da Record, nega qualquer orientação dentro da emissora relacionada a vetos e diz que o conceito moral e ético da emissora independe de religião. ?É o que eu sempre falo: você pode ser ateu, mas não gosta que uma filha sua de seis ou sete anos veja uma cena de sexo às oito da noite em uma novela.?

Munhoz diferencia os programas com apelo sexual dos que exibem cenas de violência e justifica a existência destes, alegando que eles apenas mostram a ?realidade das ruas? e prestam serviço à população. ?Seria bom que programas do tipo ?Cidade Alerta? nem precisassem existir?, afirmou.

Leia trechos da entrevista:

Folha Online – O senhor disse que o padrão de qualidade da próxima novela que a Record vai produzir será próximo da Globo, mas que os diálogos e as imagens serão condizentes com o conceito moral e ético da emissora. E os programas da emissora que mostram violência?

Dennis Munhoz – Vamos ser diretos. Você está falando do ?Cidade Alerta?. É um programa policial, que mostra a realidade das ruas. A gente não dá tiro em ninguém e a gente não simula assalto. Aliás, nós gostaríamos que o ?Cidade Alerta? nem precisasse existir. Mas se você sair com uma filmadora ou uma máquina fotográfica nas ruas provavelmente vai pegar uma cena de violência no trajeto da sua casa pro trabalho.

Infelizmente é a realidade que se vive hoje em São Paulo e nos grandes centros do país. Nós não acrescentamos nada, nós não insuflamos a violência, não fazemos apologia, simplesmente apresentamos para o público o que a população está tendo que enfrentar quando sai de casa ou até mesmo dentro de casa. Nós procuramos evitar as imagens violentas que podem marcar, mas nós temos que dar a notícia.

Folha Online – O aniversário de 50 anos é um marco para a adoção de novas estratégias para substituir o SBT no segundo lugar da audiência?

Munhoz- Os especiais de 50 anos foram muito bons institucionalmente para a Record e para os artistas. Recebemos muitas pessoas aqui que não tinham idéia do crescimento da emissora e que guardam ainda uma afinidade com a casa. Acho que valeu institucionalmente. Valeu em termos de audiência e valeu em termos de realização profissional.

Folha Online- A Record continua a ser vista como uma emissora com programação muito voltada para o público evangélico e atrelada à Igreja Universal do Reino de Deus, já que seu acionista majoritário é o bispo Edir Macedo, fundador da igreja…

Munhoz – Não sei porque existe isso no mercado. Eu venho de outra emissora e há muito tempo existe isso daí, sem motivo, na minha opinião. A Record tem a Igreja Universal como uma cliente importante, mas nada além disso. É uma igreja que paga para ocupar um espaço dentro da emissora, mas existe esse estigma. Não consigo captar por que o mercado, em alguns setores, tenta fazer esse tipo de ligação. Mas hoje, o telespectador da Record, ao contrário do que se pensa, não é, em sua maioria, evangélico.

Folha Online – Existe uma intenção da emissora em quebrar essa visão?

Munhoz – Na programação não existe nada a ser quebrado. A Record nunca teve tão poucos programas religiosos quanto agora. Os programas religiosos ficaram restritos exclusivamente às madrugadas, coisa que não acontece em outras emissoras, que têm programas de manhã, à tarde e em horário nobre. Das 7h até meia-noite a Record tem uma programação estritamente comercial. Hoje, depois de 12 anos, a presidência da Record é exercida por uma pessoa que não tem o cargo de pastor ou de bispo da igreja. Todo o profissionalismo está totalmente desvinculado da igreja. Então eu acho que o preconceito só continua em quem não quer enxergar uma realidade.

Folha Online – A Record pretende aproveitar o aniversário de 50 anos para resgatar conceitualmente algum programa consagrado pela emissora em sua primeira fase?

Munhoz – Saudades dá, mas eu acho que pela diversidade de formação e número de emissoras já não tem espaço para um certo romantismo. Tentaram reeditar os festivais, mas não deu certo.”

***

“Acervo da Record tem imagens raras dos anos 60”, copyright Folha Online (www.folha.com.br), 26/09/03

“Os especiais dos 50 anos da Record têm despertado o interesse do espectador. Apesar de contar com a presença de apresentadores da casa e de outras emissoras, cantores e humoristas consagrados, o maior trunfo dos programas, exibidos sempre aos sábados à noite, são os programas antigos, produzidos pela emissora em seus primeiros anos de vida.

Cenas dos grandes festivais de música da década de 60, que consagraram nomes como Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, ou a rivalidade entre os programas musicais como ?O Fino da Bossa? e ?Jovem Guarda?, são imagens que a emissora vem levando ao ar ao longo deste ano.

Contudo, se as imagens dos festivais são as mais exibidas, a importância do acervo da emissora não pára aí. Apesar de ter perdido parte de sua memória em quatro incêndios, a Record detém registros de fatos importantes da história brasileira e da própria TV brasileira.

Terceira emissora a ser criada no país, o acervo da Record guarda imagens registradas a partir da década de 60, como reportagens filmadas em película 16mm.

No ano em que comemora 50 anos, a emissora investe R$ 2 milhões na recuperação deste acervo.

Entre as imagens a serem restauradas estão as da construção da ponte Rio-Niterói e da avenida 23 de Maio. Shows de artistas internacionais realizados no palco da emissora e coberturas internacionais como a da Guerra do Vietnã também estão no acervo.

Os programas humorísticos também estão no acervo, como ?Praça da Alegria?, de 1960, com Ronald Golias, Manoel da Nóbrega, Borges de Barros e Renato Aragão, e ?Família Trapo?, de 1967, com Ronald Golias, Jô Soares, Otelo Zeloni e Nair Belo.A primeira versão de ?Os Trapalhões? também pertence à Record, que possui as imagens de ?Os Insociáveis?, de 1973, com Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum.

Obviamente, além das raridades e de programas memoráveis, a emissora guarda também sua história mais recente a exemplo de atrações como ?Leão Livre? e ?Cidade Alerta?.

Veja a seguir os principais fatos da história dos 50 anos da TV Record.

1953 – Às 20h do dia 27 de setembro a emissora vai ao ar com um programa musical apresentado por Sandra Amaral e Hélio Ansaldo.

1954 – Foi criado o programa ?Mesa Redonda?, apresentado por Geraldo José de Almeida e Raul Tabajara.

1956 – Record foi a primeira emissora a transmitir, ao vivo, o Grande Prêmio de Turfe do Brasil, direto do Jóquei Clube do Rio de Janeiro.

1965 – A emissora lança ?O Fino da Bossa?, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues. O programa consagrou nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Zimbo Trio e Maria Bethânia

1966 – Em julho deste ano, um incêndio destruiu os estúdios e a central técnica das instalações, quando foram destruídos mais de 300 mil filmes. No mesmo ano é realizado o 2? Festival da Música Popular Brasileira, dirigido por Solano Ribeiro. O primeiro foi realizado em 1965, pela TV Excelsior.

1967 – Vai ao ar ?A Família Trapo?, escrita por Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares. No elenco estavam Renata Fronzi, Otelo Zeloni, Cidinha Campos, Ricardo Corte Real, Sônia Ribeiro, Jô Soares e Ronald Golias.

1969 – Um segundo incêndio, que atinge o Edifício Grande Avenido, onde estava instalada a torre de transmissão do canal, deixou a emissora fora do ar por algumas horas e destruiu parte do patrimônio da emissora.

1970 – Em março, um terceiro incêndio atinge o Teatro Record, na rua da Consolação, em São Paulo. Em julho, o Novo Teatro Record é destruído com um quarto incêndio.

1972 – O jornalista Hélio Ansaldo estreou o telejornal ?Tempo de Notícias?. Anos depois o programa passaria a se chamar ?Record em Notícias?, sendo apresentado por Murillo Antunes Alves até 1996. A emissora exibe imagens da Festa da Uva, realizada em Caxias do Sul. É a primeira transmissão em cores da TV brasileira.

1973 – Estréia o humorístico ?Os Insociáveis?, com Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum, que depois ficou conhecido como ?Os Trapalhões?.

1983 – Estréia o programa feminino ?A Mulher dá o Recado?

1985 – A atriz Dina Sfat, que tinha participado das novelas da emissora na década de 60, volta para apresentar o programa ?Dina, Mil e Uma Noites?.

1991 – O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, assume o controle acionário da emissora.

1993 – Ana Maria Braga começa a apresentar o programa feminino ?Note e Anote?.

1995 – Emissora muda de sua antiga sede, no bairro do Aeroporto, para o novo prédio no bairro da Barra Funda, em São Paulo.

1996 – Record se consolidaria no terceiro lugar em audiência.

1997 – Boris Casoy, Carlos Massa, o Ratinho são contratados e a emissora implanta um núcleo de teledramaturgia, que produziu minisséries e novela.

1998 – Estréiam os programas ?Fala Brasil?, ?Repórter Record?, com Goulart de Andrade, o ?Disque Record? e ?Leão Livre?, com Gilberto Barros e o infantil ?Vila Esperança?.

2000 – Claudete Troiano e Adriane Galisteu reforçam o time de apresentadores da emissora.

2001 – Netinho de Paula estréia o ?Domingo da Gente? e Milton Neves assume o comando dos programas ?Terceiro Tempo? e ?Debate Bolta?.

2002 – Estréiam o seriado ?A Turma do Gueto?, idealizado por Netinho de Paula, e ?A Hora da Verdade?, com Wagner Montes.

2003 – Emissora comemora 50 anos de existência.”

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