Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Como cultivar o mau jornalismo

Por Alberto Dines em 31/03/2008 na edição 478

Seja dossiê ou banco de dados, qualquer nome que se dê ao conjunto de documentos vazados da Casa Civil para a revista Veja sobre gastos com cartões corporativos no período FHC, a esta altura o que importa é saber como um material necessariamente sigiloso foi parar nas mãos de uma revista oposicionista.


É evidente que os jornalistas beneficiados pelo vazamento jamais revelarão a fonte. Mas os vazadores têm a obrigação de acabar com este contrabando que está convertendo Brasília na capital da contravenção jornalística.


Depois da façanha dos ‘aloprados’ em 2006, flagrados ao tentar vazar o forjado Dossiê Vedoin, imaginava-se que o procedimento seria abandonado. É obsoleto, não funciona, equivale a um tiro no pé. Vazamento só prejudica o vazador porque a primeira reação que provoca é saber a quem beneficia a divulgação. Por isso não ‘colou’ a desculpa inicial da ministra Dilma Rousseff ao alegar que o dossiê – ou banco de dados – era forjado. As suspeitas eram tantas que a Casa Civil preferiu seguir outra linha de argumentação e optou pelo eufemismo: o dossiê não era dossiê, era uma base de dados.


O jornalismo de vazamentos, sem investigação, é mau jornalismo. Cultivar o mau jornalismo prejudica a todos – prejudica as autoridades, a oposição e, sobretudo, prejudica os jornalistas.

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