Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 27 E 28/01

Comunique-se

30/01/2007 na edição 418

MÍDIA & RELIGIÃO
Comunique-se

Editora Globo terá que indenizar casal Renascer, 29/01/07

‘O Superior Tribunal de Justiça (STJ) não acolheu medida cautelar da Editora Globo, que continua obrigada a indenizar em R$ 410 mil o casal Estevam Hernandes e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo. O Tribunal ordenou que a editora pague a indenização em até 15 dias. Os dois processam a Globo pelas reportagens ‘Os Caloteiros da Fé’ e ‘Onde esta o dinheiro’, publicadas na revista Época, que denunciaram vários crimes que o casal teria cometido por meio da Igreja.

A Editora Globo tentava suspender a execução da sentença até que o caso fosse julgado em definitivo. Porém, o ministro Francisco Peçanha Martins, presidente em exercício do STJ, afirmou que o efeito suspensivo só pode ser dado em casos excepcionais para evitar danos irreparáveis ou em situações completamente ilegais, o que não seria o caso.

As reportagens da Editora Globo foram publicadas nas edições de números 209 e 210. Nesta segunda-feira (29/01), foi adiada, pela segunda vez, a audiência que definiria o indiciamento do casal na justiça dos Estados Unidos por contrabando de dívidas e não-declaração na alfândega. Se condenados, os dois cumprirão pena nos EUA e depois serão extraditados para responder aos demais processos movidos no Brasil.’



O DIA vs. VEJA
Comunique-se

Grupo O Dia processará Veja, 29/01/07

‘A coluna ‘Radar’ da Veja de 28/01 trouxe a informação que o grupo O Dia de Comunicação está à venda e por isso deve render mais um processo contra a semanal da Editora Abril. Lauro Jardim, que na nota ‘À venda’ informou que o grupo está para ser vendido, foi prontamente desmentido por Gigi Carvalho, diretora-presidente de O Dia de Comunicação. Ela divulgou dois comunicados retificando as alegações do colunista, um na primeira página d´O Dia desta segunda (29/01) e outro ocupando todo o espaço inicial de visualização da versão digital do veículo. No meio da tarde, o site foi reformulado e o comunicado retirado.

O diretor jurídico do jornal, Eduardo Sergio Souza, afirmou que a alegação de Veja foi leviana e que sua equipe está estudando o rumo a seguir, mas é certo que o grupo irá tomar medidas legais contra a revista e sua editora. Também afirmou desconhecer qualquer atrito prévio entre as empresas, alegando que as relações entre O Dia e Veja sempre foram cordiais.

No comunicado intitulado ‘O Dia não muda’, publicado na capa do jornal, Gigi classificou o texto de Jardim como ‘uma nota descabida, leviana e sem qualquer rigor na apuração’, contrariando o que considera ‘uma regra primária do jornalismo’. E prosseguiu, categórica: ‘Não estamos em negociação com qualquer representação religiosa, empresários ou arrivistas e aventureiros que, de passagem, vivem hoje no e do mundo da comunicação’.

O texto de ‘À venda’ afirma que a compra do grupo, avaliado em R$ 70 milhões pela coluna, já havia sido sondada por um advogado da Igreja Universal, que controla a TV Record; pelo pastor R.R. Soares, que apresenta o Show da Fé na TV Bandeirantes; e pelo empresário Nelson Tanure, que controla, entre outros, a Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil.

Lauro Jardim foi procurado pelo Comunique-se diversas vezes na tarde desta segunda para esclarecer como apurou as informações que publicou. Seu secretário informou que, após uma longa reunião, Jardim saiu atrasado para um jantar de negócios e que ele não atende o celular.

Abaixo, segue a íntegra dos textos publicados pelo grupo de comunicação, veiculados, respectivamente, no O Dia Online e no jornal O Dia.

Comunicado

Ao contrário do que noticia a coluna Radar da revista Veja desta semana, assinada pelo jornalista Lauro Jardim, o Grupo O Dia de Comunicação – jornais diários, rádio e revistas – não esteve e nem está à venda. Não fomos procurados por grupos ligados a entidades religiosas, empresários ou aventureiros que atuam no ramo da imprensa. E, caso fôssemos, a nossa resposta seria não. O Grupo O Dia de Comunicação, de larga tradição, credibilidade e intensa atuação no mercado do Rio de Janeiro e estados vizinhos, continuará e avançará no seu processo de crescimento sob a direção dos atuais controladores, manterá a política de investimentos traçada em seu planejamento estratégico e buscará ampliar sua participação nos mercados de leitores e de anunciantes. Quanto ao equívoco da nota e seus efeitos, caberá ao Poder Judiciário se pronunciar. Já nesta segunda-feira, o Grupo O Dia ingressará na Justiça para que seja feito o devido reparo em todas as suas formas.

Gigi Carvalho, diretora-presidente, Grupo O Dia de Comunicação.’

O Dia não muda

Práticas escusas no mundo dos negócios tentaram atingir no último fim de semana o Grupo O Dia de Comunicação. Uma nota descabida, leviana e sem qualquer rigor na apuração – como recomenda uma regra primária do bom jornalismo – dava conta de que o jornal O Dia e outras empresas do grupo estariam à venda. Mentira! Nem sequer fomos procurados pelo colunista Lauro Jardim, da Veja, para negar o fato. O grupo O Dia de Comunicação – jornais diários, rádio, revistas e online – continua e continuará em poder de seus atuais controladores. A política de investimentos e a busca do crescimento são irreversíveis. Não estamos em negociação com qualquer representação religiosa, empresários ou arrivistas e aventureiros que, de passagem, vivem hoje no e do mundo da comunicação. Aos nossos colaboradores e parceiros, internos e externos, reafirmamos a nossa missão: jornalismo responsável, de qualidade, ético e que ofereça alto retorno comercial para os anunciantes e informação isenta, completa e profunda para o leitor. Notas irresponsáveis dessa natureza podem causar danos institucionais. E, em busca do reparo devido, ingressaremos ainda hoje com uma ação na Justiça.

Gigi Carvalho, diretora-presidente, Grupo O Dia de Comunicação’



ABRIL vs. GUSHIKEN
Comunique-se

Gushiken denuncia suposta conspiração da Abril, 29/01/07

‘O ex-secretário de comunicação do governo Luiz Gushiken enviou e-mail na sexta-feira (26/01) ao delegado Paulo Lacerda, diretor geral da Policia Federal, solicitando a investigação de uma suposta operação que envolveria escutas ilegais e a divulgação de informações falsas para atingi-lo. Gushiken já teria feito uma denúncia em setembro de 2006. Ele chega a citar uma matéria da revista Veja e seu colunista Diogo Mainardi como parte do plano. ‘As referidas matérias induziram os leitores a uma falsa idéia sobre o meu patrimônio e sua origem. E como minha honra e imagem pessoal foram afetadas, estou tomando as providências cabíveis no âmbito da Justiça’, afirma o ex-secretário.

Gushiken cita texto da Veja de janeiro de 2007 em que Mainardi insinuaria que objetos roubados teriam sido alvo de sonegação fiscal. ‘Em verdade, os recursos roubados têm origem legal, jamais foram objeto de sonegação fiscal’, defende-se no e-mail, publicado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog. O ex-ministro lembra que o jornalista Leonardo Attuch, da IstoÉ, foi acusado pela Veja e pela Carta Capital como um dos repórteres que receberia suborno para atacá-lo em matérias.

Em artigo, Attuch defende-se afirmando que o próprio Gushiken não expõe nenhuma evidência de conspiração ou de pagamento indevido. ‘Tão grave quanto o pedido esdrúxulo é o fato de Paulo Lacerda acatá-lo. Ao que parece, já está em andamento uma investigação sobre os jornalistas que incomodam Gushiken’. O profissional da IstoÉ lembra que é o ex-ministro quem deve explicações já que foi um dos 40 denunciados no esquema do mensalão.

Medidas cabíveis

Para o ex-funcionário do governo Lula, as supostas ações contra sua pessoa devem continuar já que ‘parecem articuladas, possivelmente em face dos desafetos gerados e de grandes interesses contrariados’ de quando ele foi ministro. O texto encerra com um pedido para que ocorram ‘as medidas policiais cabíveis’.

O Comunique-se procurou a assessoria de imprensa da Editora Abril e o colunista Diogo Mainardi, mas eles não foram encontrados até o fechamento desta matéria.’



JORNAL DA IMPRENÇA
Ou dá ou desce

Moacir Japiassu, 25/01/07

‘que o mundo era um cão

e nos acuava

em olhos e dentes,

eu já sabia

(Astier Basílio in Antimercadoria)

Ou dá ou desce

A considerada Anita Delmonte, da Trama Comunicação, de São Paulo, despacha de seu escritório de assessora de imprensa, à R. Sud Menucci, na Vila Mariana:

Ao divulgar um press-release ontem, dia 22 de janeiro, recebi resposta do jornal O Estado RJ, em que o veículo oferecia um custo para publicar a ‘matéria’. Achei que deveria compartilhar com os colegas.

A mensagem que a moça recebeu é esta:

Anita Delmonte,

Para cada nota ou matéria publicada em nosso jornal O ESTADO RJ, no tamanho 2 col x 20 cm incluindo tí¬tulo, sub-tí¬tulo, foto e chamada na capa, custa R$ 500,00.

Mais informações: (21) 3852-1742/ 8134-4710 .

Nossos apreços,

Guilherme da Franca

Diretor Geral

Janistraquis, veteraníssimo de tantas redações, imaginava que estivesse extinto o velho costume de se cobrar por notas e matérias, algo que jamais ungiu jornal algum:

‘Ledo engano, considerado, ledo engano; a ingerência do departamento comercial sobre a Redação está vivíssima, infelizmente.’

Augusto se foi

A coluna lamenta a morte matada do consideradíssimo Augusto, título do suplemento literário do Jornal da Paraíba. Dirigido pelo excelente jornalista e poeta Astier Basílio, prestava um serviço fundamental neste país que não dá a mínima para a inteligência e a cultura. Segundo Janistraquis, fã de Astier e do falecido, era de se prever o passamento do Augusto:

‘Considerado, que se pode esperar de uma nação onde abundam analfabetos em todos os setores e muitos deles têm poder de contratar e demitir, prender e mandar soltar?’

(Leia no Blogstraquis a íntegra do poema de Astier Basílio, cuja primeira estrofe epigrafa esta coluna.)

Nota dez

O Mestre Sérgio Augusto, estilista dos textos mais cultos e divertidos, lançará hoje a partir das 20 horas, na livraria Argumento, do Leblon (rua Dias Ferreira), seu novo livro, As Penas do Ofício. Lançamento da Editora Agir, esta coletânea de ensaios de jornalismo cultural tem 310 páginas e custa R$ 34,90.

O lançamento de hoje tem tripla comemoração: é aniversário do autor, de Tom Jobim, que estaria fazendo 80 anos, e o heróico empate do Botafogo com o Madureira, ontem, na abertura do Campeonato Carioca.

Leia no Blogstraquis o texto de apresentação do livro, um dos ensaios nele contidos, mais a orelha escrita por Moacir Scliar e algumas opiniões sobre o livro anterior de Sérgio Augusto, Lado B, inseridas na contracapa.

Fundo do poço

A considerada Daise Cristina Moraes, de Curitiba, mergulhou naquela lagoa de sabedoria que é o site do Terra e de lá resgatou esta informação, soçobrada sob o título SP: mãe pula em poço para salvar filho:

Um garoto de sete anos foi salvo de morrer afogado pela mãe em um poço nesta segunda-feira em Franca, no interior de São Paulo. Gabriel Marcos Campos caiu no reservatório de água de aproximadamente quatro metros de profundidade enquanto sua mãe, Maria Jerônima Campos, 36 anos, pegava água de uma mina próxima ao local.

Após momentos de pânico, Maria Jerônima pulou no poço e retirou o garoto com a ajuda de moradores. Gabriel e a mãe passam bem.

Daise se fez a seguinte perguntinha:

Afinal, a mãe queria afogar o filho ou salvá-lo? Do jeito que redigiram a notícia, a impressão que dá é péssima. Acho que o texto ideal seria: ‘Um garoto de sete anos foi salvo, pela mãe, de morrer em um poço nesta segunda-feira…’, né não?

É sim, considerada, é sim. E o não menos considerado leitor pode conferir tudo aqui.

Alhos e bugalhos

O considerado Marcelo Tavela (não confundir com Crivela), jovem talento aqui do C-se, conta o que aconteceu:

Abro o Globo Online e deparo com o seguinte título: Chávez primeiro assume TV, depois paga donos. Ao ler a matéria, confirmei o que já tinha me deixado ressabiado: a CANTV não é um canal de televisão, mas uma empresa de telecomunicações. Chávez recentemente não renovou a concessão da RCTV. Este foram os alhos e bugalhos misturados pelo Globo.

Janistraquis, que não é versado nas intrigas venezuelanas, repassa também a recomendação de Tavela e envia o considerado leitor (se estiver habilitado) ao seguinte endereço: http://oglobo.globo.com/economia/mat/2007/01/21/287502181.asp.

Exagero

Chamadinha de capa do UOL:

Cidade sofre com greve de ônibus e maior congestionamento do ano.

Janistraquis não se deu o trabalho de ler o texto:

‘Ora, considerado, se estamos na segunda-feira, 22 de janeiro de 2007, São Paulo não enfrenta o ‘maior congestionamento do ano’, mas o maior congestionamento do mês…’.

Ameaça

Deu na coluna Zapping, da Folha Online:

Chitãozinho e Xororó podem voltar com programa na Globo

A dupla gravou Xororó piloto de programa, que seria exibido na afiliada da Globo em Minas Gerais, mas há uma negociação para que a atração fique em rede nacional. Chitãozinho e Xororó estão esperando a aprovação da Globo, que ficou de dar resposta até fevereiro.

Janistraquis, que anda mais funéreo do que Ronaldo Esper, exalou:

‘Espero que não seja no lugar do Jornal Nacional…’

Sabedoria

‘As Mulheres são como o vinho: com passar dos anos umas refinam o sabor, outras azedam. Estas que azedam, são por falta de uma boa rolha…’

(‘Infelizmente não sei de quem é a frase’, lamenta o considerado Fausto Osoegawa, que nos enviou esta obra-prima do pensamento conservador.)

Barra pesada

Janistraquis viu, ouviu e leu tudo sobre o infortúnio da bela Leila Schuster, assaltada e esfaqueada numa rua do Rio de Janeiro, e concluiu, obviamente pesaroso:

‘Considerado, a barra anda tão pesada que antigamente iam-se os anéis e ficavam os dedos; agora, nem isso…’

Viva Boris Casoy!

A coluna festeja a volta do considerado Boris Casoy à televisão, o que certamente há de garantir considerável audiência à TVJB (CNT). A respeito do apresentador, percorre a internet uma entrevista nossa a jornal de estudantes, na qual está escrito que o estilo de Casoy desagrada ao colunista. Pois acreditem, tais palavras jamais foram pronunciadas.

Aliás, a frase espúria contraria inteiramente o pensamento deste velho jornalista, o qual, quando apresentava o programa Imprensa no Rádio, na CBN, teve em Casoy um de seus primeiros entrevistados e ali mantivemos uma hora inteira de honesta conversação.

Buracão

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo varandão debruçado sobre a fantasia deu para ver a ministra Dilma Zélia Rousseff Cardoso de Mello a emPACotar o pessoal, pois Roldão abriu o Correio Braziliense de 23/1 e tropeçou no seguinte título, soterrado na página 8 do vibrante matutino:

BUSCAS NO METRÔ ENCERRAM SEXTA-FEIRA.

Mestre Roldão reprovou:

O português está ruim. ‘Buscas no metrô encerram-se na sexta-feira’ seria a redação para uma leitura perfeita.

Reforma Política

O considerado Gilson Caroni Filho, professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), escreveu na Carta Maior:

(…) A eleição para a Mesa Diretora da legislatura que se inicia em 1º de fevereiro tem mobilizado grupos de parlamentares e analistas políticos dos mais variados matizes ideológicos. O denominador comum é a crença ingênua, ou nem tanto, de que mudanças formais teriam o dom de imprimir moralidade e austeridade ao exercício dos mandatos parlamentares. Mudanças são necessárias, mas que tipo de reforma política precisamos de fato?

Leia aqui a íntegra do excelente artigo desta jovem inteligência cujo único defeito (embora imensamente enorme, se me permitem) é torcer pelo Flamengo.

Errei, sim!

‘PERDIZ E PERDIGOTO – O caderno Mundo, da Folha de S. Paulo, fez sensacional revelação na inesquecível data de 24 de setembro: a peste pneumônica que assola a Índia é transmitida por filhotes de perdiz!!! Leitores de todo o país nos escreveram, perplexos; mais petrificado ficou o próprio ombudsman do jornal, Marcelo Leite, que até reprisou a questão em sua coluna dos domingos: ‘(…) Filhotes de perdiz. Bem, é este, com efeito, o primeiro sentido da palavra perdigoto, mas certamente a transmissão (da doença) ocorria por gotículas de saliva’. (janeiro de 1995)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).

(*) Paraibano, 64 anos de idade e 44 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu oito livros, dos quais três romances.’



INGLATERRA
Comunique-se, 29/01/07

Jornalista preso por grampear telefones de funcionários da família real

‘O jornalista Clive Goodman, 49, editor para assuntos da monarquia do jornal inglês News of The World, foi preso nesta sexta-feira (29/01) por ter grampeado os celulares de pessoas vinculadas a família real inglesa. Ele era capaz de ouvir recados da caixa postal da assessoria de imprensa do príncipe Charles e de dois funcionários de seus filhos, William e Harry. O detetive particular Glenn Mulcaire, 36, foi cúmplice do crime. Ambos cumprirão, respectivamente, quatro e seis meses de prisão.

Os dois admitiram que a espionagem ocorreu em novembro de 2006. O detetive confessou outros cinco casos de escuta clandestina de caixas postais telefônicas. O esquema teria sido montado em dezembro de 2005. ‘Não se trata de um caso de liberdade de imprensa. Trata-se de uma grave, indesculpável e ilegal invasão de privacidade. Os alvos eram membros da família real, que detém uma posição única na vida deste país’, afirmou o juiz responsável pelo caso.

Além da família real, a operação criminosa também grampeou o telefone da modelo Elle McPherson, de um membro do parlamento inglês e do presidente da Associação de Jogadores Profissionais de Futebol da Inglaterra. O caso só foi descoberto porque várias notas publicadas no jornal só poderiam ter sido apuradas por meio de família. O News of The World suspendeu Goodman, que deu vários furos na década de 1990 sobre a princesa Diana, embora fosse conhecido por seus colegas como um repórter que nunca saía da redação.

(*) Com informações do Globo Online.’



VENEZUELA
Comunique-se

Hugo Chávez pede que funcionários da RCTV ‘não se deixem manipular’, 29/01/07

‘O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou que a oposição planeja ações violentas em maio, quando expirar a concessão da Radio Caracas Televisión (RCTV). ‘Querem montar um show e fazer feridos, se possível mortos’, afirmou Chávez no sábado (28/01) no seu programa ‘Alô, presidente!’.

Chávez disse também que não será mais ‘permissivo’ e solicitou aos profissionais da RCTV que não se deixem manipular pelos donos da empresa. No sábado (27/01), funcionários da empresa protestaram contra a decisão de não renovar a licença da emissora. ‘Qualquer empresa, seja as que recuperemos, nacionalizemos, compremos ou como esta (RCTV), da qual simplesmente acabou a concessão, nós garantimos os direitos dos trabalhadores’, declarou o presidente venezuelano.

(*) Com informações da Agência Efe.’



INTERNET
Bruno Rodrigues

Quem procura… Não acha, 25/01/07

‘A situação é comum ao dia-a-dia do redator: você está elaborando uma matéria e precisa pesquisar sobre um tópico determinado. Santa internet! Basta acessar um mecanismo de busca – ou buscador, para os iniciados – e pronto, resolvido o problema. O tópico foi encontrado – mas a resposta exata para a sua dúvida pode estar entre centenas de milhares de páginas listadas…

Não, dessa vez a culpa não é do internauta. Se somos engolfados por tsunamis de sites ao procurar uma simples informação, é porque fomos abandonados em um ambiente para lá de complicado de se explicar, entender e principalmente usar. E a tarefa de trazer o usuário para a superfície está – ou estaria – nas mãos de quem menos se esforça: os próprios buscadores.

Pegue o Google como exemplo. O incensado buscador é um primor de tecnologia, mas um fracasso na missão de entender o internauta. Falta a noção (pasmem) de que buscar uma informação não é tarefa fácil, e nunca foi. Jamais foi realidade, desde os primórdios da Rede, um usuário digitar a palavra ‘casa’ e um buscador retornar apenas meia dúzia de páginas, a maioria atendendo as expectativas do solicitante. Se foi sempre assim, imagine hoje, com mais de 100 milhões de sites na web… Por isso, falta ao Google e seus amigos explicar aos internautas como fazer para encontrar uma agulha no palheiro.

A maioria dos buscadores lida com a idéia de que se você deseja achar algo específico, basta acessar o item ‘busca detalhada’, ‘pesquisa avançada’ ou semelhante. Resolvido? Longe disso. Para sentir o tamanho do problema, faça uma visita à área de refinamento de qualquer um dos mecanismos de busca. O Google nos apresenta um formulário capaz de deixar a análise combinatória dos tempos de colégio no chinelo – e digo isso porque a base de tudo é, de fato, a análise combinatória. O triste, o ‘x’ da questão, é *como* tudo isso é mostrado ao usuário e como explicam (mal) como usar…

‘Ser simples’ é a pedra de toque de muitos sites e portais há tempos, mas a onda parece que ainda não chegou à praia dos buscadores. Mas eu tenho uma teoria.

A tecnologia existe para ser usada, não compreendida – e ponto. Nós, que incluímos cada vez mais o ‘tecno’ no dia-a-dia, deveríamos apenas exigir o ‘como’, e não nos deixar afogar nos ‘porquês’ da cada aparelhinho ou novidade web que surge.

Quando alçamos um iPhone ao posto de maravilha da engenhosidade, é preciso tomar cuidado: o smartphone da Apple estava lá, em um redoma de vidro, ao ser lançado há duas semanas, porque merece. O iPhone, assim como o iPod, não joga o ‘porquê’ no nosso colo, mas nos oferece apenas o ‘como’. Porque isso basta.

Afinal, por que o Google não deixa explícito seu ‘modo de usar’ e nos libera de enxergar e entender o que é interessante apenas para quem é técnico? Não precisa ir longe: o que falta aos buscadores é Comunicação, pura e simples, despida de tecnologia ou raciocínio apurados.

Falta ao Google & cia. descer do pedestal, conversar com o internauta e entender que ele não deseja ‘viver uma experiência’ no buscador, mas apenas pescar uma informação. Porém, para isso, é preciso criar uma forte empatia com quem o utiliza, e dedicar tempo à tarefa.

Para o Google e seus amigos, já é complicado lidar com o oceano infindável de sites que se alarga a cada dia na Rede. Criar mecanismos que consigam fisgar o que pode é útil e devolver ao mar o que não interessa já é uma tarefa hercúlea.

Fica a sugestão, então, que os buscadores deixem de lado, ao menos em alguns momentos, a persona ‘Einstein’ tão necessária ao mais complicado do dia-a-dia, e encarnem o bom e velho ‘João da Silva’, singelo, prático e objetivo como ninguém.

Afinal, na busca de uma informação, estamos mais para ‘gente que rala’ do que para nosso amigo cientista.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’



MÍDIA & POLÍTICA
Milton Coelho da Graça

O que Collor está planejando?, 25/01/07

‘O Brasil poderá ser cenário em 2010 e/ou 2014 de uma disputa inédita, pelo menos se o roteiro construído na cabeça do senador Fernando Collor desenvolver-se na realidade. Ele está indo para o PTB, dirigido por seu mais fiel escudeiro, Roberto Jefferson. Tem planos de já em 2010 participar da eleição presidencial, com uma plataforma de amplas reformas (todas com o objetivo central de reduzir impostos e gastos do governo, com o que espera obter forte apoio empresarial).

Espera que a absolvição em todos os processos ateste sua inocência e lhe dê, junto ao eleitorado, a mesma benevolência que o governador José Roberto Arruda obteve para conquistar o governo de Brasília. Sua previsão em relação ao segundo mandato de Lula é que, aprisionado pela contradição entre as limitações financeiras e as demandas dos eleitores mais pobres, o presidente perderá a popularidade, a credibilidade e a capacidade de escolher o sucessor.

Tudo isso veio da boca, ou melhor, da alma de um antigo e fiel admirador de Collor. Usei a palavra ‘inédita’ lá em cima, mas Getúlio Vargas, também escorraçado do poder, voltou cinco anos depois pelo voto popular. Marx dizia que a História só se repete como farsa. Mas como Marx já errou em tanta coisa…

Cuidado com truques de números

No blog de José Dirceu está a longa entrevista que concedeu a três repórteres da revista Rolling Stones. Embora não tenha grandes novidades, a entrevista revela a facilidade com que Dirceu e os políticos em geral usam números para empulhar jornalistas e público.

Dirceu repete várias vezes como grande mérito do primeiro governo Lula a criação de 5 milhões de empregos em quatro anos. O número é interessante, dá idéia de um grande resultado. Mas, na verdade, se o compararmos com o aumento da população brasileira nesse mesmo período (aí por volta de 1,5% ao ano), o conseqüente aumento da força de trabalho e o índice de desemprego (por volta de 10%), ele se mostra abaixo das necessidades do país.

A idéia deste comentário não é criticar o pronunciamento de Dirceu. É mais para alertar jovens repórteres a sempre procurar colocar números em um contexto mais compreensível para o leitor.

O Bradesco não acredita em mim

O crédito consignado está a caminho de sérios problemas, arrisquei eu na coluna da semana passada. Mas o Bradesco me contesta com a veemência de 800 milhões de reais! Foi com esse mundo de dinheiro que ele comprou nesta quarta-feira (24.1) o BMC, cujo patrimônio líquido é de 278 milhões! Ou seja, o Bradesco pagou quase três vezes mais por tudo que o BMC possui para poder crescer na área do crédito consignado onde o banco médio de origem cearense é um dos pioneiros e é fortíssimo.

Se o futuro continuar cor-de-rosa nessa área, vocês terão todo o direito de dizer: o Milton não entende nada de crédito consignado.

Todos a bordo? Lá vai o PAC?

A China estréia neste domingo, 28.1, 15 novos trens de alta velocidade (250 km/hora) em estradas que ligam três grandes cidades. O interessante é que esses ‘balas’ são os primeiros ‘made in China’. Em menos de 30 anos, o país, que tinha, na época, um PIB menor do que o nosso, passou a ter o terceiro do mundo. Esses trens de alta velocidade são fabricados por duas empresas, ambas com 50% de capital estrangeiro. Numa delas, a canadense Bombardier (rival global da nossa Embraer) é a sócia. Na outra, a parceira é a japonesa Kawasaki.

Nosso PAC é modesto mas, pelo menos, já expressa o desejo de um projeto nacional de desenvolvimento. Quem sabe, daqui a 30 anos, teremos parado de falar mal da globalização e estaremos indo do Rio a São Paulo sobre trilhos em apenas uma hora?

(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’



JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio

O achismo que nos atrapalha, 24/01/07

‘Olá, amigos. No início desta semana tive uma reunião com alguns editores, e um deles, com uma quilometragem de seis dígitos, disse duas coisas que fizeram um imenso sentido:

1) As crônicas de jogos praticamente não existem mais;

2) Estamos opinando mais do que informando nas matérias.

Lendo a princípio, estas duas afirmações aparentam ser de extremo desconhecimento da função principal do jornalista, que é apurar e saber redigir crônicas interessantes. Mas, analisando os textos que vão para as bancas e para os sites, percebe-se que o autor das frases não está errado. Pelo contrário, está certíssimo.

Abordando a primeira frase, é preciso que se faça uma ressalva: as crônicas COMO ERAM FEITAS HÁ 20 ANOS, não existem mais. A necessidade de horário e velocidade na divulgação da informação (resultado de um jogo) acabou com o tempo que o jornalista tinha para analisar uma partida, eleger um personagem e escrever um texto interessante sobre o assunto. Hoje, o que interessa é a informação ser dada antes dos concorrentes. Isso fez com que os textos esportivos ficassem telegráficos, especialmente os da internet.

A segunda frase, sobre sermos cada vez mais opinativos e menos informativos, também soa estranha a princípio, mas tem total sentido. Não é raro termos matérias em que os autores constróem os textos baseados em seus conceitos de bom e ruim, certo e errado, falha ou acerto.

Dificilmente ouvimos o parecer de um engenheiro para matérias sobre atrasos em obras, ou advogados para o matérias sobre contratação ou imbroglios legais sobre compra e venda de jogadores pelos clubes de futebol. O achismo impera em muitos casos (felizmente não em todos), e acabamos desinformando mais do que informando.

Um exemplo é o orçamento do Pan. Todos dizem que ele estourou, mas ninguém busca se informar do porquê. Poucos sabem que houve mudança no projeto, que inicialmente era apenas para o Pan, e que acabou sendo para uma candidatura olímpica, que exige muito mais investimentos, por conta da diferença entre os níveis de exigência da Odepa e do COI. A busca por este tipo de informação faz toda a diferença na hora de ser escrever sobre o assunto.

Confesso que saí da tal reunião com a certeza de que existe um caminho certo a seguir para que seja melhorado o nível da informação prestada por quem tem a caneta e o papel nas mãos.

(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’



COMUNIQUE-SE
Cassio Politi

C-se erra na grafia; leitor vai corrigir e paga o pato, 29/01/07

‘A redação deveria publicar erratas quando o leitor alerta para um deslize. O primeiro comentário na matéria sobre atrasos de salários faz uma correção: ‘O nome correto é Tribuna DA Imprensa’. Um outro enfatiza: ‘O Tribuna da Imprensa é do Rio de Janeiro e não de Alagoas, vocês erraram na identificação entre parênteses’. Quando se vai ler a reportagem, a grafia está correta. De modo sorrateiro, a redação corrigiu o erro.

Quem lê o texto conclui: ‘esses comentários são lunáticos; apontaram um erro que não existe’. Mas não é assim. Nas matérias anteriores, abordando o mesmo caso, ainda persiste a grafia ‘Tribuna de Imprensa’. Essas retrancas sobreviveram à correção na surdina e geraram a prova de algo que lembra um crime com ocultação do cadáver. Faltou, no rodapé da matéria, uma errata. E até um agradecimento aos usuários pela advertência.

Já existe

Uma outra reportagem, publicada em 24/01, mostra que nenhuma regra da redação impede que observações no rodapé sejam inseridas para que haja transparência na relação com o leitor. A matéria ‘Mino acusa FSP de fazer doação política’ esclarece os horários de atualização e cita a ajuda de um leitor. Esse espírito deveria estar presente sempre.

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Copiar conteúdo de terceiros tira a credibilidade do Comunique-se. A matéria que informa os assaltos a duas equipes de reportagem foi retirada do site G1, conforme esclarece o crédito. No lide, porém, falta um item óbvio, flagrado por um leitor: ‘quais os nomes das pessoas da equipe, minha gente?!’. De fato, os profissionais assaltados não foram citados.

Retirar informações de um outro site e dar o crédito não basta. É preciso checar as informações, ainda que elas venham de um veículo sério, como o G1. Se a redação do Comunique-se checou a informação, o erro é dela, pois checou mal. Se a redação não checou, o erro também é dela, por razões óbvias.

Colunista ou dono?

Seguindo a mesma linha: na matéria ‘Supremo extingue ação contra Sarney’, retirada do Consultor Jurídico, Sarney é apontado como colunista de O Estado do Maranhão. Na realidade, o jornal pertence à família Sarney. Ou seja, ele não é apenas colunista, mas também o dono do jornal, o que pesa bastante num caso como esse. O leitor só tem acesso a essa preciosa informação se clicar em um link da reportagem.

Um telefonema

Oportuno foi o comentário postado na reportagem sobre a prisão dos suspeitos de seqüestrar um repórter da TV Globo: ‘Desculpem-me os colegas do Comunique-se. Sempre que vejo esse asterisco no rodapé dos textos, indicando ‘Com informações’, percebo que a tão preconizada REPORTAGEM vem sendo esquecida em muitos portais da internet. Sou um pouco receoso com esta história de Clipping – uma verdadeira praga internacional. Não daria para ter conseguido alguma fonte nem que fosse por telefone?’. Assino embaixo. Leitor não engole qualquer coisa.

Mais bolas nas costas

Já fiz essa crítica anteriormente e a repetirei quantas vezes puder: o Comunique-se toma bola nas costas e, o que é pior, às vezes nem fica sabendo. Famosa apresentadora de programas esportivos, Renata Fan trocou a Record pela Band. A Folha de S.Paulo deu essa notícia na quarta-feira (24/01). O portal nada noticiou. Barrigada!

A manchete era outra

A última matéria da série sobre faculdades de Jornalismo trouxe informações importantes sobre a realidade da Região Norte. Uma delas: os jornais naquela região se dividem em situação ou oposição ao governo. O pior: o jovem jornalista é obrigado a entrar na dança. Ora, essa deveria ser a manchete. Mas o título é pouco atraente: ‘Cursos de jornalismo do Norte ainda começam a se consolidar no mercado’. É uma informação um tanto quanto óbvia.

Uma observação bem-humorada de um leitor merece destaque. É, de fato, excêntrico o que disse um entrevistado: ‘Os profissionais [no Acre] são muito amadores’.

Segundo ou sétimo

O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, é o segundo colocado em vendas avulsas no País, conforme informa o Comunique-se. Um leitor passou o link do Blog do Moreno. Lá, existe uma tabela que traz números diferentes dos que a reportagem levantou.

Neste caso, não considero que o Comunique-se tenha errado, pois a reportagem se refere à venda avulsa enquanto a tabela publicada no blog traz a circulação numa contagem geral. De qualquer forma, teria sido interessante a matéria do Comunique-se trazer a tabela com os números dos primeiros colocados. E, ainda, informar que existe mais de uma forma de se medir circulação.

Editora Abril

Um leitor afirmou que o Comunique-se é sempre favorável à Editora Abril. O próprio debate entre leitores indica que não há unanimidade, nem para um lado nem para o outro, no litígio entre Leonardo Attuch e Veja, o que exige cuidado redobrado por parte da redação do Portal, para que não se cometam injustiças. Nesse ponto, considero que o Comunique-se tem sido imparcial em sua cobertura. O mesmo leitor questiona se o Comunique-se pertence à Editora Abril. Não, não tem nenhuma ligação com aquele grupo.

De toda forma, a redação deve ficar atenta às impressões dos usuários. Recomendo aos repórteres e ao editor interino do Comunique-se que leiam especialmente o comentário postado por esse leitor, uma vez que matérias anteriores foram mencionadas.

Clique

O Comunique-se utilizou os serviços da EFE para publicar, na íntegra, a matéria em que a agência de notícias informa que o novo site do Museu do Holocausto está no ar. Acontece que a matéria não tinha um link para o site. Eis que surge a salvação: um leitor informou a URL do tal site (www.yadvashem.org).

Abordagem

A restrição imposta a atletas que participarão dos Jogos Pan-Americanos de 2007 foi bem noticiada pelo Comunique-se. A reportagem foi bastante consistente, pela abrangência. Ouviu atletas e especialistas. Gerou, com isso, um curto e saudável debate entre os usuários.

(*) Cassio Politi é jornalista. Trabalha com Internet desde 1997. Esteve em projetos pioneiros em jornalismo na Web, como sites da Zip.Net, e no site UOL News, do Portal UOL. Ministra cursos de extensão sobre Jornalismo On-Line e Videorreportagem desde 2001. Deu aulas em 25 estados brasileiros para mais de 2 mil jornalistas. Em janeiro de 2007, tornou-se o primeiro ombudsman do Comunique-se, empresa na qual também ocupa o cargo de diretor de Cursos e Seminários.’



TELEVISÃO
Antonio Brasil

A TV JB vem aí…De novo!, 29/01/07

‘Nos últimos dias, a mídia brasileira deu grande destaque às promessas do lançamento da Nova TV JB, em março. Em clima de otimismo exagerado, podemos estar diante de mais uma grande jogada do polêmico megaempresário das comunicações, Nelson Tanure. Pelo jeito, a grade de programação da TV está em fase final de montagem, mas já começa mal. Destacamos aqui algumas das principais manchetes:

Boris Casoy vai comandar telejornal na TV JB

Boris e Clodovil na TV JB

Paquita Andréa Veiga faz sucesso na TV JB

A arquiteta Flávia Santoro, irmã de Rodrigo, será apresentadora na TV JB. Ao lado dela, sua sócia, Dani Parreira, filha do ex-técnico da seleção brasileira Parreira. Elas farão um programa sobre decoração. Isabel Wilker, filha do ator e cinéfilo José Wilker, vai apresentar o ‘Cine Revista’, para os que amam o cinema.

‘Com a grife da TV JB, Emissora aposta nas idéias que fazem o diferencial da programação criativa’

Será mesmo?

Para mim, essas manchetes representam mais uma trajetória certa rumo ao fracasso inevitável. Uma mistura de tudo que há de pior, mais antigo e decadente na televisão brasileira. A formula não muda. De um lado, velhos, caríssimos e decadentes âncoras com muitos bordões e poucas noticias. Do outro, jovens cujo único talento reconhecido é serem filhos de celebridades.

A Nova TV JB nem entrou no ar e já consegue cometer os mesmos erros que condenam ao fracasso as demais rivais da emissora líder. Pelo jeito, a Globo não precisa se preocupar. Imitar a formula global é o melhor caminho para o fracasso. A Nova TV JB, mais uma vez está condenada sem mesmo ter ido ao ar. E dizem que a história não se repete.

Talvez você não saiba, mas essa tal Nova TV JB não tem absolutamente nada de nova.

Recordar é viver

No início dos anos 70, o Jornal do Brasil era uma das principais e raras vozes de oposição ao regime militar. Apesar do enorme prestígio, lutava com dificuldades para sobreviver. O clima de repressão, a tradicional e antiquada gestão familiar se somavam a um mercado cada vez mais competitivo. Enquanto isso, seu principal rival, o ascendente O Globo, usufruía dos privilégios de um relacionamento próximo ao governo e dos altos lucros de uma poderosa rede de TV. Naquela mesma época, o JB cometeu graves erros.

A história mais uma vez se repete. Seus responsáveis comprometeram todo o seu futuro ao investir milhões em uma nova, enorme e suntuosa sede na decadente zona portuária do Rio de Janeiro. Esse foi o primeiro de muitos outros erros.

O Jornal do Brasil tinha grande prestígio nacional, mas sua tiragem diária era pequena.. Obviamente, o grande investimento no novo prédio gigantesco não fazia o menor sentido. Outros jornais internacionais de enorme prestígio e tiragem muito maior como o Le Monde na França jamais comprometeram suas receitas com novas grandes sedes. Mas no Brasil, sempre vivemos sob a ameaça de empresários ou governantes com complexo de faraó. Fazem sempre questão de construir pirâmides, capitais desnecessárias ou comprar caríssimos aviões mesmo ao custo da falência quase certa.

Mas havia uma justificativa espetacular para o investimento milionário na sede suntuosa: a TV JB estava nascendo.

Parecia inacreditável, mas Deus sabe como, o Jornal do Brasil tinha ganho a concessão de uma televisão no Rio de Janeiro, o canal 9 da então recém-falida TV Continental. Naquela mesma época, no início dos anos 70, poucas emissoras conseguiriam resistir à crescente competição com a TV Globo e seus poderosos aliados americanos do grupo Time-Life. Muitas redes poderosas como a Excelsior simplesmente desapareciam no ar.

Em clima de grande entusiasmo, muito otimismo e algum segredo, o JB formava uma equipe de profissionais que lançaria uma emissora para enfrentar o poder da ditadura e o poder ainda maior da Globo.

Ao contrário das demais emissoras brasileiras, a TV JB seguiria um modelo europeu com ênfase no jornalismo de qualidade. Naquela época, a nova emissora também representava uma grande promessa de inovação e criatividade. Vários profissionais foram contratados e já estavam na Europa fazendo estágios em grandes redes públicas como a BBC da Inglaterra e a ZDF na Alemanha.

Para nós, jovens produtores independentes, a TV JB também representava uma grande promessa e ainda maior oportunidade. Cheguei a participar de diversas reuniões no famigerado prédio da Avenida Brasil 500, visitei os espaços destinados à TV JB e até conheci o heliporto que seria utilizado pelas equipes de reportagem da nova emissora.

Quantas promessas e esperanças. A grife JB ainda era mágica e garantia até mesmo os sonhos mais impossíveis.

O final dessa história é facilmente previsível. Os planos megalomaníacos dos aristocratas donos do JB se transformaram em dívidas impagáveis. O sonho de uma televisão diferente, inovadora, quase revolucionária virou pesadelo. Com o passar dos anos, o velho jornal foi se afundando, seus donos aristocratas foram morrendo e o grande jornal virou um pequeno e insignificante tablóide. E a TV JB nunca foi ao ar.

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Trabalhou no escritório da TV Globo em Londres e foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’ e ‘O Poder das Imagens’. É torcedor do Flamengo e não tem vergonha de dizer que adora televisão.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

Veja

Terra Magazine

Comunique-se

Agência Carta Maior

Revista Consultor Jurídico

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