Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

IMPRENSA EM QUESTãO > THE WASHINGTON POST

Confusão entre plataformas

13/02/2007 na edição 420

Deborah Howell, ombudsman do Washington Post, afirmou em sua coluna de domingo [11/2/07] que muitos leitores ainda não entenderam que a equipe do jornal trabalha de maneira separada – ainda que interligada – da equipe do sítio, tanto fisicamente quanto sob diferentes administrações.

Para exemplificar, Deborah cita a polêmica gerada após uma coluna que nunca foi publicada no jornal, mas pela qual o diário impresso recebeu críticas dos leitores. William M. Arkin, que escreve uma coluna online sobre segurança nacional e o blog Early Warning (Alerta Antecipado, tradução livre), criticou os soldados que expressaram sua frustração com opositores da guerra. ‘Estes soldados deveriam agradecer ao público americano, que, segundo pesquisas, desaprova a guerra do Iraque e a maneira como o presidente Bush lida com ela, mas que ainda assim oferece apoio a eles, além de respeito. Mesmo com incidentes como os de Abu Ghraib ou Haditha, assassinatos ou estupros, o público americano aceita que tais episódios sejam produto de alguns indivíduos ou até mesmo de alguma ordem superior’, escreveu.

Influência

‘Uma coluna online prejudica o jornalismo sobre segurança nacional do Post?’, questiona Deborah. ‘Não, mas mostra que uma coluna online interfere no jornal impresso’. Arkin divide as opiniões entre jornalistas do Post que escrevem sobre temas militares e segurança nacional: alguns respeitam seu trabalho, outros acreditam que ele prejudica a reputação do jornal. O colunista não é inexperiente no assunto. Ele já escreveu livros sobre o tema e foi consultor para a Força Aérea e para grupos de defesa de direitos humanos, é analista militar da NBC-TV e deu furos em várias matérias sobre segurança nacional.

‘Se eu tentasse escrever o blog, que é altamente pessoal, sem minha voz e meu sarcasmo, ninguém o leria’, opina Arkin. Mesmo assim, ele se desculpou por ter usado o termo ‘mercenário’ para se referir aos soldados, por ser ‘um termo pejorativo e que poderia passar por um insulto, e não descreve de maneira precisa a condição do soldado americano’. ‘Eu peço desculpas sinceras por qualquer um que tomou minhas palavras de maneira literal’, disse.

O papel da edição

Deborah acredita que um editor deveria ter dito ao colunista para que ele não usasse tal palavra, pois os editores tem como uma de suas funções evitar que a opinião dos colunistas gere situações deste tipo. Jim Brady, editor-executivo do sítio do jornal, afirmou que, se tivesse lido a coluna, teria pedido por mudanças. Arkin afirmou que as teria feito. Os editores são mais rígidos na versão impressa do que no sítio, diz a ombudsman. Em relação aos blogs, reconhece Brady, há mais liberdade de escrita.

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