Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Contradições nas pesquisas

Por Luciano Martins Costa em 29/09/2010 na edição 609

Na véspera do último debate antes do primeiro turno, a maré de escândalos parece recuar alguns quilômetros, como acontece antes do tsunami. Na primeira página da edição de quarta-feira (29/9), o Globo afirma em manchete que a candidata governista, em queda nas pesquisas, convoca os militantes do PT para a campanha nas ruas e informa que ‘tucanos já comemoram possível segundo turno’.


O Estado de S.Paulo também noticia a convocação dos militantes petistas, mas afirma que a média das últimas pesquisas feitas pelo Datafolha, Ibope e Vox Populi ainda aponta uma provável vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno.


Há uma evidente contradição nas análises feitas pelo Estadão e pela Folha de S.Paulo quanto à tendência das intenções de voto. Segundo a Folha, o Datafolha indica que Dilma Rousseff perdeu 6 milhões de votos na nova classe C, justamente a camada da população mais beneficiada pela política econômica do atual governo. Os textos da Folha tendem a reforçar a tese de que vai haver segundo turno.


Para o Estadão, no entanto, a pesquisa do Ibope revela que a candidata governista sofreu um refluxo apenas nas áreas mais ricas do país, e que segue com vantagem suficiente para decidir a eleição já neste domingo.


Qual dos dois está certo?


Sob medida


Independentemente dessas contradições, os jornais voltam a destacar outros assuntos que não os escândalos na área federal.


A Folha, que já havia noticiado, na edição de domingo (26) que o governo Serra em São Paulo havia sofrido ressalvas no Tribunal de Contas, traz na edição de quarta-feira (29) números negativos sobre o governo anterior, do também tucano Geraldo Alckmin.


Segundo o jornal paulista, durante a gestão de Alckmin houve aumento das reprovações e queda no número de matrículas nas escolas públicas de ensino médio.


Embora possa parecer errática, a edição de um jornal sempre obedece a uma estratégia. Não se deve esquecer que, mesmo tendo suas preferências políticas, declaradas ou dissimuladas, a imprensa precisa de vez em quando cuidar de sua reputação e tem que evitar a debandada de assinantes que não concordam com exageros da linha editorial.


Alguns leitores podem estranhar os recentes ataques da Folha, por exemplo, a políticos que na maior parte do tempo são claramente favorecidos pelo jornal. Mas dificilmente essas reportagens negativas aparecem em manchete.


Manchete escandalosa, só para os desafetos.

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