Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

IMPRENSA EM QUESTãO > THE NEW YORK TIMES

Crise na imprensa tradicional

Por Luciano Martins Costa em 19/01/2009 na edição 520

Está em todos os jornais de segunda-feira (19), e em praticamente toda a imprensa internacional relevante, a notícia de que a New York Times Company pode ser socorrida pelo bilionário mexicano de origem árabe Carlos Slim Heluf.


Carlos Slim, considerado o segundo homem mais rico do mundo, é dono da empresa de telefonia celular America Movil, de redes de comunicação e de TV por assinatura. No Brasil, onde investiu quase 6 bilhões de dólares, é controlador da Net, além da Claro e da Embratel.


Trata-se de um investidor agressivo e centralizador, o que começa a estimular especulações sobre o futuro do New York Times, ainda considerado o melhor jornal dos Estados Unidos e símbolo da imprensa livre.


Segundo os comentaristas citados pelos jornais de segunda-feira, o socorro de Carlos Slim poderia representar o oxigênio que permitiria ao tradicional diário juntar forças para voltar a investir em qualidade, e com isso afastar a ameaça do Wall Street Journal, que pertence ao controverso empresário australiano Rupert Murdoch.


Será o fim?


Hostilizado pelo New York Times e pela imprensa tradicional dos Estados Unidos desde que se lançou ao objetivo de se tornar um dos principais empresários do setor de mídia, Murdoch se empenha em colocar o Wall Street Journal no topo das melhores reputações.


O problema financeiro da empresa que edita o New York Times não pode ser solucionado com recursos próprios. O valor da companhia caiu 70% em relação ao seu melhor momento em doze meses. Ao mesmo tempo, suas dívidas passam de 1 bilhão de dólares, para um patrimônio avaliado em 60 milhões de dólares.


A especialidade de Carlos Slim é fazer apostas arriscadas em empresas falidas ou em dificuldades. Seu dinheiro será bem-vindo na tradicional casa da Times Square. O que se discute é se ele vai se contentar em apenas entrar com o dinheiro ou se vai exigir uma participação no conselho. Para alguns analistas citados pela imprensa, esse seria o ponto de inflexão para o fim do jornal.


***


Carlos Slim pode injetar dinheiro no New York Times


Reuters, Nova York # reproduzido do Estado de S.Paulo, 19/1/2009


A empresa editorial americana New York Times Co. está em negociações para receber centenas de milhões de dólares do multimilionário mexicano Carlos Slim, segundo revelou uma fonte à agência Reuters. A medida daria à empresa recursos necessários para saldar dívidas.


Um investimento de Slim, o segundo homem mais rico do mundo, também poderia representar um voto de confiança na família Ochs-Sulzberger, que controla a New York Times há mais de um século e se vê ameaçada pelas mudanças que afetam as bases do negócio jornalístico nos Estados Unidos.


A empresa, que é proprietária dos jornais The New York Times e Boston Globe, além de vários outros nos EUA, enfrenta uma queda de receita com publicidade em um nível jamais visto por alguma empresa do setor.


Segundo a fonte, a Times poderá dar a Slim, que já possui uma participação de 6,4% na empresa, ações preferenciais sem direito a voto, mas com um dividendo anual. A empresa planeja uma reunião especial nesta semana para tratar do investimento, segundo a fonte. A notícia foi informada inicialmente pelo jornal The Wall Street Journal. O porta-voz da New York Times não quis comentar.


O dinheiro poderá ajudar a Times a saldar uma dívida de US$ 400 milhões de um empréstimo que vence em maio. Empresas editoras jornalísticas têm apresentado dívidas em seus balanços, mas isso não se converteu num tema até que suas receitas publicitárias começaram a cair, assim como as margens de lucro.


Isso se deveu, em parte, a uma queda da circulação, pois muita gente está acessando a internet em busca de notícias grátis. A queda da publicidade foi agravada pela crise financeira. Jornais das cidades de Denver e Seattle poderão fechar neste ano porque suas empresas já não conseguem mantê-los e não encontram compradores.


As ações da Times caíram 70% em relação ao máximo alcançado há 12 meses, de US$ 21,14 em abril de 2008 a US$ 6,41 na sexta-feira (16/1). Desde aquela época, seu valor encolheu para cerca de US$ 58 milhões. Ao mesmo tempo, Slim descreveu seu investimento na Times como uma medida mais financeira que estratégica.


Slim, de 68 anos, converteu-se em um dos homens mais ricos do mundo ao realizar apostas arriscadas em companhias falidas. No ano passado, ele aumentou sua participação na varejista americana de artigos de luxo Saks Inc. a 18%, convertendo-se no maior investidor.


Sua corretora Inbursa, no México, adquiriu pelo menos US$ 150 milhões em ações do Citigroup, enquanto os papéis do banco caíam a mínimos que não se viam desde 1992. Não está claro se a Inbursa adquiriu as ações para Slim ou para outros clientes.


A Times se viu obrigada a pensar em vender propriedades para fortalecer sua posição de caixa. Entre os ativos que procura vender está a participação de 17,5% na empresa proprietária do time de beisebol Boston Red Sox.


A pergunta definitiva é quanto tempo a família Ochs-Sulzberger permanecerá no negócio. Muitas reportagens da mídia e comentaristas se perguntaram se a família tem coragem para continuar envolvida apesar da queda no valor das ações.


Até agora, contudo, o presidente e editor da Times, Arthur Sulzberger Jr., disse que a companhia não está à venda. A Times também enfrenta renovada ameaça do Wall Street Journal, propriedade da News Corp., cujo presidente executivo, Rupert Murdoch, não oculta seu objetivo de tirar o New York Times de sua posição de melhor jornal dos EUA.


Executivos da Times viram o investimento inicial de Slim como um bom desdobramento.


Passaram-se vários meses desde que o fundo de hedge Harbinger Capital Partners comprou cerca de 20% das ações da Times, exigiu que a companhia vendesse ativos que não eram centrais para seu negócio para fortalecer o valor de suas ações e conseguiu colocar dois representantes no conselho, contra as objeções iniciais da Times.


O império de Slim inclui a gigante de telefonia celular America Movil, lojas de departamentos, restaurantes e fábricas de cigarros, farinha, cerâmica e autopeças.


***


The New York Times pode receber injeção de recursos de Slim, diz jornal


Reproduzido da Folha de S.Paulo, 19/1/2009


O bilionário mexicano Carlos Slim negocia um investimento milionário que pode ajudar o New York Times a solucionar seus problemas financeiros, segundo reportagem do Wall Street Jounal. O principal diário norte-americano possui uma dívida de US$ 1,1 bilhão.


Não se sabe o quanto Slim estaria disposto a investir, mas fontes ouvidas pela reportagem falam em centenas de milhões de dólares.


A opção mais provável é a compra de ações preferenciais do jornal, sem direito a voto, algo similar a um empréstimo. Para tanto, Slim receberia dividendos anuais do jornal. O Times se recusou a comentar a questão, mas admitiu que prepara uma reunião de seu conselho, nesta semana.


Slim, o segundo homem mais rico do mundo no ranking da revista Forbes, é dono da empresa telefônica Telmex, no México, e da companhia de telefonia celular América Móvil, proprietária da Claro.


O empresário mexicano já possui uma participação de 6,4% no Times, que valia US$ 128 milhões antes de a crise se agravar, em setembro. Hoje, as mesmas ações valem US$ 60 milhões.


Além de Slim, há rumores de que o fundo de hedge Harbinger Capital Partners, que já possui 20% das ações do jornal, possa fazer mais investimentos no Times.


A crise que abate o Times fez o jornal, pela primeira vez, aceitar um anúncio publicitário na primeira página, no início do mês. As negociações acontecem às vésperas do vencimento de uma linha de crédito de US$ 400 milhões, em maio. Em 2010, vence outra fatura, de US$ 250 milhões, e, em 2011, uma de US$ 400 milhões.


Para obter fundos, o jornal considera uma operação de venda e leasing de seu prédio, em Manhattan, que poderia render US$ 225 milhões.

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