Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

IMPRENSA EM QUESTãO > FOLHA DE S. PAULO

Crítica diária

Por Mário Magalhães em 04/09/2007 na edição 449

30/8/07

É isso aí

Vinho tinto, branco ou rosé, questão de gosto, de apelo ao paladar, à escolha do freguês na combinação de casa de pasto e loja de bebidas eleita pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski e a jornalista da Folha Vera Magalhães para cear, em mesas separadas, na noite da capital.

Em relação à informação, à repórter não cabia outra escolha. Ao ouvir o ministro conversando ao celular no jardim da parte de trás do estabelecimento, com a voz a um volume que não indicava preocupação com o sigilo do diálogo, era dever jornalístico relatar o que ouviu, na hipótese de ser relevante o conteúdo e haver legítimo interesse público nele.

O magistrado não tratou de temas pessoais, da vida estritamente privada, pelo menos nada se leu sobre isso. Pelo contrário, comentou episódio importante para a Corte Suprema e a nação, o julgamento no qual foi aberto o processo do mensalão. Havia, portanto, conteúdo relevante e interesse público.

Estão de parabéns Vera Magalhães e a Folha por jogar luz em uma decisão sobre cujos bastidores ainda há muito por esclarecer e sobre a instância máxima de um Poder que, reafirmo, é o menos sujeito ao escrutínio dos cidadãos e do jornalismo.

O que é afinal, o ofício do repórter? Sair da Redação, farejar as informações na rua, voltar e contar aos leitores (ou outros consumidores de notícias) o que viu e ouviu. Foi o que se fez. Rendeu manchete em duas linhas, ‘Supremo votou com a faca no pescoço, afirma Lewandowski’.

Com a revelação pelo Globo de diálogos entre ministros via computador na primeira sessão do julgamento, na semana passada, e da conversa telefônica de Lewandowski, o jornalismo permitiu que a sociedade soubesse de fatos dignos de conhecimento. É esse o seu papel.

Há uma série de aspectos no bate-papo veiculado hoje que merecem atenção. O primeiro, não em ordem de valor: assim como há juízes do STF preocupados com grampo, Lewandowski parece tranqüilo. Não é do seu feitio se inquietar com interceptação ilegal de comunicação. (A reportagem da Folha, não custa sublinhar, nada tem de ilegal. Narrou-se o que se escutou.)

Assim como merecia investigação jornalística a insinuação de ministro do STF sobre possível ‘troca’ de recusa de denúncia por nomeação ao Supremo, cabe apurar agora se a publicação das conversas eletrônicas teve impacto na decisão dos magistrados.

Divulgar os fatos não diminui nem questiona a imprensa no episódio. O problema não é dela nem da sociedade. Grave seria o Supremo se dobrar a pressões, sem considerar a letra fria da lei.

Será que o acompanhamento sistemático e crítico da Justiça não contribui para golpear a impunidade?

É direito dos brasileiros saber que um ministro se sentiu ‘com a faca no pescoço’. Que, de acordo com ele, o tribunal tendia a ‘amaciar’ com o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. As afirmações foram feitas em local público, não bisbilhotadas dentro de residência particular.

Lewandowski disse que a imprensa ‘acuou’ o Supremo. As atitudes do jornalismo foram públicas e sobre elas recomenda-se discussão. Cabe saber também se o STF se sentiu acuado por outras atitudes, estas não públicas.

Especulação: o que teria sido o julgamento do STF sem a revelação dos diálogos na primeira sessão? Conforme Lewandowski no celular, a história poderia ter sido outra.

Contam-me que não é a primeira vez que a Folha publica conversas ouvidas de modo parecido com o que ocorreu na da noite de anteontem. Acertou.

É inescapável, contudo, a reflexão a respeito da demora do jornal em divulgar a apuração fotográfica semelhante, embora não tão completa, à do Globo. Na quarta retrasada, havia prova material: as imagens (que na Folha não saíram na quinta, somente na sexta). Agora, há testemunhal. Mesmo assim, o jornal agiu corretamente. Errado esteve antes.

Observações finais: a narrativa foi muito bem construída; Lewandowski deveria ter sido ouvido, ou no restaurante ou durante todo o dia de ontem; é ruim o Painel do Leitor sair, sob a rubrica Mensalão, apenas com mensagens contra os réus.

Pergunta ainda não feita

É direito de Fernando Henrique Cardoso dizer o que bem entender sobre as questões do país. Em caso de relevância jornalística, cabe à Folha publicar, como fez hoje.

O jornal, porém, segue sem indagar o ex-presidente sobre como ele compara o mandato do seu ‘engavetador-geral da República’ com o do procurador-geral escolhido por Lula.

Se não houve oportunidade de perguntar ontem, o jornal deveria deixar claro que FHC falou, mas não permitiu indagações.

Seria bem-vinda reportagem comparando as ações de Brindeiro e Souza.

Seis letras do barulho

O jornal subestimou a importância da troca de comando na Abin e na PF. Chama atenção como, para noticiar possibilidades, não faltaram altos de página. Quando se anuncia a decisão, o fato é informado em meio de página.

Erramos: Abin quer dizer Agência Brasileira de Inteligência, e não de Informação.

O fascínio do poder

A reportagem sobre o lançamento do livro que conta crimes da ditadura militar não fala de gente, de lágrimas, de sofrimento. Só dá voz às autoridades, às suas disputas, declarações e interesses.

Linguagem boleira

A reportagem ‘STJD entra em campo e pune com rigor’ (pág. D1) conta que um jogador foi suspenso por 120 dias.

Sei que é isso o que diz a legislação esportiva. Só não entendo por que não se traduz para terminologia jornalística: quatro meses.

Promotor assassino

A Folha minimiza hoje, a despeito de informar em alto de página, a decisão que permite que o promotor assassino de um rapaz siga a receber salário e a ocupar função no Ministério Público.

O texto ‘Réu confesso, promotor mantém cargo’ (pág. C7), incrivelmente, não informa nem de raspão quais foram os argumentos pró e contra o promotor na reunião do órgão especial do Colégio de Procuradores do Ministério Público de SP. O placar foi 16 a 15.

Mangueira

A nota ‘Globo veta ‘velha-guarda’ no júri do ‘Faustão’’ (pág. E10) fala de um diretor veterano de nome Mário Manga. Não seria Carlos Manga?

29/8/07

Ataques à pirataria e um convite ao debate

Foi uma pena a Folha não romper as amarras da cadernização e editar conjuntamente duas reportagens que, unidas, contribuiriam muito mais para conhecer e entender a pirataria de CDs e DVDs: ‘Fabricante de CDs usará patente de cantor sertanejo’ (pág. B13, Dinheiro) e ‘Pirataria do filme ‘Tropa de Elite’ preocupa governo’ (pág. E5, Ilustrada).

Na Ilustrada, o governo promete repressão a vendedores e compradores do DVD ilegal do filme ‘Tropa de Elite’, à disposição nas melhores calçadas do país meses antes da estréia nos cinemas.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, também presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, afirmou que vai ‘trabalhar com a força da lei’ e espera ‘punição exemplar de quem vendeu [a cópia que originou a pirataria], por R$ 5.000, e de quem comprou’.

O jornal não tipificou o crime nem disse a que penas estão sujeitos os que forem condenados ‘com a força da lei’.

O governo prepara uma campanha que ‘ridiculariza o consumo de DVDs piratas’, relacionando-o ‘ao mico de comprar produtos que não prestam e são operados por crime organizado’, nas palavras de Barreto.

No mundo real, de quem sabe que muitos consumidores compram pirataria não pela tentação de transgredir, mas por causa do bolso vazio, o cantor Ralf vendeu ao maior fabricante de CDs, DVDs e games da América Latina uma tecnologia que permite comercializar esses produtos por preços mais baixos, menores até que os dos camelôs.

Os caminhos propostos não se excluem, mas representam opções diferentes.

Tenho a impressão de que o jornalismo, na cobertura da pirataria audiovisual, costuma se associar acriticamente à visão do empresariado cultural.

No caso em questão, o cineasta José Padilha (e não ‘Pandilha’, como saiu em legenda) tem razão em seu protesto contra os prejuízos ao seu trabalho.

Criativa e engenhosa, a coluna de Artur Xexéo hoje no Globo vale a leitura. A rigor, o jornalista faz uma crítica de filme só conhecido até agora por pirataria. Como admitir que viu o DVD ilegal de ‘Tropa de Elite’ pode render problemas, Xexéo brinca: não o assistiu, mas pensa isso e aquilo do filme.

A propósito: seria um sacrilégio publicar uma crítica cinematográfica formal de obra vista em DVD pirata?

Convido ao debate.

Cravo e ferradura

Na votação de 9 a 1 do STF por acatar a denúncia contra José Dirceu pelo crime de formação de quadrilha, a previsão da Folha de votação acirrada no julgamento do mensalão novamente não se confirmou.

Em compensação, o jornal foi feliz em bancar, com exclusividade, que Carlos Alberto Direito seria o indicado pelo presidente Lula para o Supremo.

13 ou 12?

A primeira página (muito boa, das melhores das últimas semanas) afirma que 13 deputados e ex-deputados se tornaram réus no processo do mensalão. Quadro da pág. A4 sustenta que são 12.

Qual o número correto?

Sabatinas do Senado

Seria importante comparar a sabatina às pressas do Senado com o indicado ao STF às sabatinas lenientes com postulantes a dirigir agências reguladoras como a Anac. Manteve-se a postura?

Incompreensível

Não dá para entender o texto-legenda da pág. A13, ‘Lá e cá’. Por que o TSE declarou Direito ‘incompatível’ para votar recurso da senadora Rosalba Ciarlini? Que recurso é esse? O que significa ‘incompatível’ nesse contexto? Qual o problema da senadora de Mossoró com a Justiça Eleitoral?

Clube do Bolinha

Não sugiro nada do tipo cota de gênero ou algo assemelhado. Apenas constato: os quatro entrevistadores de Delfim Netto na sabatina da Folha foram homens.

Vulgarização da assinatura

É impressionante como até texto pequeno, de uma coluna, relatando jogo de basquete distante, assistido pela TV (como os leitores interessados na modalidade fizeram), é assinado no alto.

Foi o que voltou a ocorrer novamente hoje em ‘Brasil bate México e hoje pega Argentina’ (pág. D4).

A partida ocorreu em Las Vegas, para onde não foi enviado repórter da Folha.

A assinatura é ainda mais constrangedora porque o Estado, com jornalista na cidade americana, fez uma cobertura incomparavelmente melhor, contando o racha da equipe.

Repito: a assinatura em texto noticioso deveria valorizar o esforço de reportagem, a interpretação original e a abordagem diferenciada, não o relato burocrático do que se viu pela TV.

28/8/07

Resultado contradiz previsão

A principal reportagem de Brasil no domingo 19 de agosto, no alto da pág. A4 da Folha, tratou do julgamento do mensalão e da acusação contra o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu: ‘Quatro ministros não veriam provas suficientes na denúncia para justificar uma ação penal contra Dirceu. Seriam: Gilmar Mendes, Celso de Mello, Eros Grau e Cezar Peluso. Eles poderiam excluir outros acusados sob o mesmo argumento. Outros quatro ministros do STF, de acordo com a cúpula do governo, teriam propensão a aceitar a denúncia: Ellen Gracie, Joaquim Barbosa, Carlos Brito e Marco Aurélio Mello. A maior incerteza é em relação aos votos de Cármen Lúcia Rocha e Ricardo Lewandowski’.

Pois ontem a decisão do STF contra José Dirceu foi unânime, 10 a 0.

Há duas possibilidades: ou a previsão da Folha estava errada ou, retrato certeiro daquele momento, os votos foram sendo mudados em virtude de um ou mais fatos.

Ressalto que falo em previsão do jornal porque só se remete a personagens não identificados do governo como fonte para os quatro votos contra Dirceu. A Folha assume como seu o prognóstico dos quatro a favor.

Se a previsão estava incorreta, cabe ao jornal avaliar os tropeços na apuração para que eles não se repitam.

Caso estivesse correta, caberia ter investigado que razões teriam mudado a convicção dos magistrados, já que não houve novidade no processo nos últimos dias. Ou seja, o jornal deve informações e esclarecimentos.

Registro: em resposta à reportagem da Folha de nove dias atrás, sem citar o jornal, o STF emitiu nota. Trecho: ‘A tentativa de antecipar o voto dos ministros é especulação gratuita, sem base em fatos reais. É não menos falsa a versão registrada nos jornais de que os ministros do STF teriam sido procurados por emissários do governo supostamente interessados em obter um prognóstico da decisão’.

Acabamento

No sábado, a manchete empregou a fórmula ‘viram réus’.

É o que voltou a acontecer hoje na manchete, ‘Dirceu, Genoino e Delúbio viram réus do mensalão’.

E no título principal de Brasil (pág. A4), ‘Dirceu e ex-cúpula do PT viram réus por corrupção’.

A repetição cansa, não custa variar.

Questão jurídica

Um leitor observou que a descrição dos crimes de peculato e corrupção passiva praticamente se repetem (quadro ‘Os oito crimes imputados aos 40 denunciados’, pág. A4), embora o Código Penal deixe claras as diferenças, que são muitas, entre eles.

Revisitei o Código Penal e concordei com o leitor.

Aula de informação

Os quadros sobre os crimes pelos quais os agora réus do mensalão são acusados (pág. A4) e principalmente sobre o voto de cada ministro do Supremo (pág. A10) são de grande utilidade, das melhores coisas da Folha na cobertura do julgamento.

Sugestão: pôr em ordem alfabética a lista de réus da pág. A10. Facilita a vida do leitor.

O nome do preterido

A nota ‘Na fila 2.’ (pág. A4 e hoje) grafa como Luiz ‘Fucs’ o nome do integrante do STJ que aparentemente não será indicado ao STF.

No sábado, na pág. A6, o jornal escreveu Luiz ‘Fux’.

Qual a grafia correta?

Virtual monopólio

O importante furo sobre a intenção do governo de enviar a presidente do STF, Ellen Gracie, para a Corte de Haia merece levantamento histórico: algum presidente do Brasil já conviveu com uma Corte Suprema com tantos ministros indicados por ele próprio?

Não há almoço (e jantar) de graça

A reportagem ‘Petistas fazem jantar de desagravo a acusados’ (pág. A6) informa que o PT não vai contribuir com nenhum tostão para bancar o evento de apoio aos acusados pelo mensalão.

A informação estimula a curiosidade: quem paga os advogados de Delúbio Soares, Silvio Pereira e outros denunciados que não aparentam ter renda para bancar as despesas com alguns dos melhores (e mais caros) criminalistas do país?

Não se trata de assunto que diga respeito somente a cliente e defensor. Há interesse público na informação.

Piada quicando: um dos pratos do jantar dos colegas de Jacinto Lamas na denúncia será pizza!

Prescrição

Não encontrei na cobertura de hoje informação sobre o prazo para julgar o processo. Em outras palavras, quando a ação prescreve.

A prescrição não pode ser uma das apostas das defesas? Por quê?

Erro histórico 1

Ao contrário do que informa duas vezes o texto ‘Aliança Aécio-Serra tornará oposição favorita, afirma Ciro’ (pág. A12), a Primeira República não se encerrou em 1929.

Como se sabe, ela se estendeu até 1930, quando a gauderiada apeou dos cavalos no Rio-capital.

Erro histórico 2

O texto ‘Livro que acusa a ditadura por torturas irrita militares’ (pág. A13) se refere à ALN como ‘Aliança’ Libertadora Nacional.

O nome correto é ‘Ação’ Libertadora Nacional.

A organização fundada e fechada em 1935 era a ANL, Aliança Nacional Libertadora.

Dominó

A primeira página ‘traduz’ o cargo do demissionário secretário de Justiça dos EUA como ‘equivalente ao de ministro da Justiça no Brasil’.

É uma descrição limitada. Como dizem as boas reportagem e análise em Mundo, Alberto Gonzales é também o procurador-geral da República.

Não é bem isso

A chamada na pág. A14 para reportagem na A16 afirma que Nicolas Sarkozy ‘defendeu ingresso do Brasil […] no G8’. A fórmula foi adotada pelo conjunto da imprensa, mas é um tanto imprecisa.

O que o francês propôs foi a entrada do Brasil em um G13, como informa o texto ‘Sarkozy defende ampliação do G8’ (pág. A16).

Informação omitida

O texto da capa de Dinheiro (‘Crise freia queda nos juros ao consumidor’) afirma que desde fevereiro houve queda de juros nos empréstimos bancários.

Não responde, no entanto, a uma pergunta essencial para avaliar o que ocorre: qual era o ritmo da queda?

A informação que falta à reportagem aparece três páginas adiante, na coluna de Vinicius Torres Freire.

Linguagem do ‘mercado’

Sei que faz parte da terminologia do ‘mercado’, mas a Folha deveria evitar o emprego da expressão taxas, juros ou preços ‘praticados’.

Quase sempre a substituição pode ser dispensada. Basta suprimir.

Exemplo 1: ‘A média [da taxas de juros] praticada na quinzena foi de 35,9% ao ano, idêntica à vista em julho’ (capa de Dinheiro).

Basta escrever: ‘A média na quinzena foi…’.

Exemplo 2, na mesma retranca: ‘Os números são iguais aos praticados em julho’.

Ficaria bem melhor: ‘Os números são iguais aos de julho’.

Mudando, nada se perde. Ganha-se em concisão e elegância.

Esforço recompensado

A reportagem ‘Bolívia rompe contrato com brasileira’ (pág. B10) oferece muito mais informações do que o jornal já publicara sobre o confronto entre o governo Morales e a empreiteira brasileira Queiroz Galvão.

Trecho: ‘A Queiroz Galvão tem uma péssima reputação com o governo boliviano, sobretudo depois do desmoronamento, no início do ano, de parte de um túnel em outra estrada construída por ela, concluída meses antes’.

Há uma série de questões a esclarecer, mas o evidente esforço de apuração foi recompensado com uma reportagem muito boa. Sorte dos leitores.

Policial bem-sucedido

É muito boa a reportagem ‘Fuzis e pistolas são furtados de Nissan de policial em SP’ (pág. C7).

De fato, o policial, a considerar o seu salário, dá lição de poupança.

De certo modo (possivelmente mais do que aparenta), o texto de hoje é suíte da reportagem que motivou o ombudsman a escrever uma coluna dominical, ‘Estorvo da pauta, maldição dos antolhos’.

Português derruba matemática

Um leitor observou, com razão, que a redação da questão 7 do teste do Anglo no caderno Fovest impede (ou prejudica) a compreensão.

Muro de Berlim

A propósito, uma dúvida: os testes do Anglo são publicidade ou material editorial?

Se forem material editorial, devem ser fiéis aos padrões gráficos da Folha, o que não ocorre.

Se são publicidade, o jornal tem a obrigação de deixar claro, o que também não acontece.

27/8/07

Novo status

Por experiência própria, sei que entre os leitores que mais conhecem sobre os assuntos do seu interesse estão os de esporte. E, como se sabe, o Corinthians é o clube de futebol mais popular do Estado onde a Folha é editada. Em comentários passados, apontei erros graves na cobertura sobre a agremiação. É o que volto a fazer.

Chamada na capa do caderno Cotidiano 2, incluindo Esporte, do sábado: ‘Com Carpegiani mais forte, Corinthians pega o Cruzeiro’.

Título da primeira página de Esporte, sobre o fortalecimento do técnico: ‘Carpegiani chia, e Corinthians ganha vice de futebol’.

Abertura do texto: ‘A vida de Paulo César Carpegiani no Corinthians ganhou novo status. A ponto de o técnico pedir a nomeação de um vice-presidente de futebol e ser atendido’.

A reportagem conta a ‘aproximação’ entre o treinador e o presidente em exercício do clube.

No final, a lição: ‘‘O preço do jogador é X, mas, quando falamos que temos interesse, é X+1, ou seja, dobra’, disse Carpegiani, enrolando-se na matemática’.

Se X for igual a 1, o raciocínio do treinador estaria correto, salvo engano (2 sobre 1). Quem se enrolou?

A soma, aqui, quase nada importa. O importante é que a Folha estava mal informada. No fim do dia, após a derrota de 3 a 0, Carpegiani foi demitido e ganhou de fato um ‘novo status’: o de desempregado.

Acusado, não suspeito

A chamada da manchete do sábado (‘Gushiken e Valério viram réus; Dirceu escapa de uma acusação’) afirma que Marcos Valério é ‘publicitário suspeito de operar o mensalão’.

Ele é mais do que isso, desde a denúncia do ano passado: é acusado.

Paraíso não paradisíaco

Parece questionável a manchete de domingo, ‘Brasil vira paraíso de megatraficantes’. Um lugar onde os traficantes começam a ser presos não pode ser um paraíso. Paraíso é onde eles vivem sem problemas.

Vêem e não vêem

O título de primeira página dominical ‘Senadores vêem indícios para cassar Renan’ poderia ter outra formulação: ‘Senadores não vêem indícios para cassar Renan’.

A propósito, a coluna de Elio Gaspari afirma: ‘Pelas contas de hoje, o plenário do Senado absolverá Renan Calheiros’.

Boa notícia

A coluna ‘Outro Canal’, agora também aos domingos, como queriam muitos leitores. E turbinada, ocupando meia página.

Hospitais

O caderno especial Hospitais que circulou com a edição dominical é um bom serviço.

Muitos leitores reclamaram da não-publicação dos 343 hospitais da cidade de São Paulo e pediram uma lista maior que a dos cinco primeiros colocados nas categorias específicas.

Embora não fosse esse o seu propósito, o caderno poderia ter mostrado o contraste com a excelência, investigando como é um dos piores hospitais, comparando o atendimento que oferece e a quem.

Espelho meu

Título na Folha de sábado: ‘Obra de João Cabral de Melo Neto começa a ser relançada’.

Do Estado: ‘Arquiteto da poesia – Reedição da obra de João Cabral de Melo Neto, que começa com ‘O Cão sem Plumas’ e o novo ‘O Artista Inconfessável’, comprova a vitalidade da sua poesia calculada’.

Do Globo: ‘A redescoberta de Cabral – Obra do poeta chega às livrarias em novas edições pela Alfaguara’.

A Folha foi o jornal que deu menos espaço à novidade. E o seu título, de notícia, não corresponde ao espírito do texto analítico do colunista Nelson Ascher.

Chama atenção a coincidência da agenda e do timing dos cadernos de cultura dos principais jornais do país.

Espelho meu 2

As capas da Ilustrada e do Caderno 2 tratam hoje do mesmo assunto, uma exposição fotográfica sobre a capital paulista.

República de Santa Maria

No vai-e-vem sobre a permanência de Paulo Lacerda no comando da Polícia Federal, a Folha noticia hoje que ‘Lacerda diz que vai deixar a direção da PF’ (pág. A4).

É uma informação relevante. Sugiro que nas reportagens sobre o tema se lembre que o ministro Tarso Genro e o delegado Luiz Fernando Corrêa, cotado para substituir Lacerda, são da cidade gaúcha de Santa Maria. Pode não significar nada, mas talvez indique proximidade ainda maior entre o ministro e o chefe da Senasp. O secretário de Segurança do Rio de Janeiro é também delegado da PF e também de Santa Maria –município onde nasceu o ministro Eros Grau.’

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