Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > DIREITOS HUMANOS

Debate para esquentar a campanha

Por Luciano Martins Costa em 08/01/2010 na edição 571

De repente, como se tivesse surgido de um passe de mágica, eclode na imprensa um debate que deverá ocupar os jornais nos próximos meses e alimentar o bate-boca que caracteriza as campanhas eleitorais.


Trata-se de um pacote de medidas que, segundo se pode abstrair dos textos publicados pela imprensa, resume o que deve ser o legado do atual presidente da República no que se refere aos direitos civis.


Muito provavelmente, poucos jornalistas foram capazes de ler as pouco mais de 70 páginas do decreto, composto com as contribuições de quase todos os ministérios. Ali se encontra uma cornucópia de medidas, desde a legalização do casamento homossexual até a reestruturação dos sistemas de Justiça e de segurança pública.


Antes mesmo de ser completamente entendida, a proposta já soma importantes opositores, pelo menos a se julgar pelas opiniões selecionadas pelos jornais.


Tema complexo


Batizado de ‘Programa Nacional de Direitos Humanos’, o decreto provocou o descontentamento tanto de representantes da igreja católica como de militares da reserva e acaba colocando no mesmo lado – contra – a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e os ruralistas representados pela Confederação Nacional da Agricultura.


Acrescente-se que o texto foi publicado no mês passado, ou seja, houve tempo para os editores se debruçarem sobre as propostas. Sua leitura não ocupa mais tempo do que o necessário para consumir um livro de bolso.


Os defensores da medida, ministros e especialistas que participaram de sua elaboração, argumentam que se trata de uma consolidação de direitos que vêm sendo definidos esparsamente na legislação, e que buscam atender em conjunto a uma série de demandas da população e determinações de tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil nos últimos anos.


Interessante observar que, mesmo antes de apresentar a proposta à opinião pública, com reportagens amplas detalhando a complexidade do tema, os jornais já publicam artigos e entrevistas de representantes dos setores que se manifestam contrariados com o decreto.


Ou seja, a imprensa pode nem ter entendido ainda o alcance da proposta. Mas já é contra.

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/01/2010 Flavio Salles

    Pronto. Agora o Brasil não é mais dos brasileiros. Só resta um ‘campo’ ilusório de batalha entre pobres e ricos, latifundiarios e sem terra, cristãos e ateus, militares e civis, etc…
    Bem ao gosto maniaco-opressivo de mentes detonadas por ideais esquerdopatas. Este é o sonho de uma esquerda corrompida e corruptora comandada por neopatrões de um sindicalismo cínico e dissimulado. Por onde andará um conceito já tão esfarrapado que se chama patriotismo. Não aquele dos canalhas sem pátria do marxismo globalizante mas o dos cidadões que sofrem diuturnamente o assédio dessa súcia de pseudos populistas que só querem uma coisa: O poder a qualquer preço. E o povo ? Sifu ?

  2. Comentou em 08/01/2010 Marcelo Ramos

    Golpe? Como assim? Atentado à liberdade de expressão? Totalitarismo? Rapaz, alguém aqui leu o decreto que não fosse por lentes de olhos azuis? Taxação de grande fortunas? Ah, cumpadre, tem alguma grande fortuna aqui? Controle das concessões dos meios de comunicação é golpe sim, mas nos ladrões que pensam que as concessão são deles, não do Estado. Mas esses podem tirar o cavalinho da chuva. A mídia e a direita não possui mais o monopólio da opinião. Daqui há algum tempo, essa questão vai estar muito bem esclarecida. E as medidas de controle social da mídia também serão esclarecidas. E vão prosperar. Há um tempo atrás, um engenheiro postou uma opinião muito interessante. Falava sobre quando ele conversou com alguns pedreiros de uma obra que ele vistoriava. O engenheiro perguntou aos pedreiros o que eles achavam do Caixa 2 (chamado de mensalão). Os pedreiros responderam que era perseguição dos donos dos jornais com um presidente que veio do povo. Essa imprensa golpista e manipuladora está com os dias contados. E os incautos que nela acreditam vão ter um surto psicótico.

  3. Comentou em 08/01/2010 José Barbosa

    Pois é. Fica complicado sem conhecimento simplesmente atacar ou defender. Eu não vou pautar minha opinião pelo o que lerei em simples comentários de mídia nenhuma. Já foi o tempo em que eu lia um articulista e podia confiar a ponto de fazer da dele minha opinião sobre um documento qualquer . Enquanto não puder compreender e debater com meus amigos e pessoas do meu dia a dia vou me abster. Com o passar dos anos a expressão ‘formador de opinião’ ficou cada vez mais distante de mim.

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