Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Delegados do Pará proibidos de falar com a imprensa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 26/08/2008 na edição 500

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 26 de agosto de 2008


 


PARÁ
João Carlos Magalhães


Polícia proíbe delegados de falar com imprensa sem autorização


‘Um ofício do chefe da Polícia Civil do interior do Pará, Miguel Alves, proibiu há cerca de um mês todos os delegados do Estado de falar com a imprensa sem a anuência de um superior e sem passar pela assessoria de imprensa do órgão.


Segundo o delegado-geral do Pará, Justiniano Alves, a idéia não é ‘impedir’ a publicação de informações, mas ‘controlar coisas que podem prejudicar a instituição’.


A medida teve como principal motivo declarações feitas à Folha pela delegada Liane Martins, corregedora da Polícia Civil que investigou o caso da adolescente L., presa em cela com mais de 20 homens em 2007, quando foi torturada e estuprada. A delegada jogou a culpa na vítima. ‘A partir daquele momento já pensamos em [impedir] que se fizesse [entrevistas]’, disse Alves. Martins está afastada.


Segundo a Secretaria da Segurança, o documento reafirma a lei orgânica da Polícia Civil paraense e o Código de Processo Penal. Mas o ofício não se refere a nenhuma das normas. Diz que ‘qualquer notícia’ deve ser autorizada pela assessoria, que por sua vez fará ‘o controle das informações’, repassando à ‘superior administração’ da Polícia Civil para que ela tenha ‘ciência’ da apuração.’


 


 


CAMPANHA
Folha de S. Paulo – Editorial


Efeitos da máquina


‘OS PRIMEIROS dias de campanha maciça coincidiram com uma alteração no quadro da sucessão paulistana. As duas candidaturas que contam com maior estrutura material, a de Marta Suplicy (PT) e a de Gilberto Kassab (DEM), foram beneficiadas. A chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) perdeu pontos.


Os números mais recentes do Datafolha fortalecem algumas hipóteses formuladas antes de a campanha começar. A fratura na situação, com democratas e tucanos lançando chapas próprias, favoreceria o PT. A falta de apoio em máquinas de governo e o menor tempo de exposição no rádio e na TV dificultariam o desempenho de Alckmin. Os bons índices de avaliação da gestão Kassab acabariam por melhorar as chances eleitorais do prefeito.


Marta Suplicy ganhou cinco pontos percentuais, chegou a 41% das intenções de voto e abriu 17 pontos de margem sobre o tucano. Pela primeira vez, a ex-prefeita surge à frente de Alckmin numa simulação de segundo turno, embora a diferença ainda esteja dentro da margem de erro.


A gestão de Gilberto Kassab, que em maio de 2006 era considerada ótima ou boa por apenas 10% dos paulistanos, atingiu 40% de aprovação. A intenção de voto no prefeito também oscilou três pontos percentuais para cima -no limite da margem de erro. Com 14% da preferência, Kassab viu diminuir em 11 pontos percentuais a sua diferença para Alckmin, que tem 24%.


Ocorreu com o ex-governador a alteração mais brusca apurada na pesquisa. A perda de oito pontos percentuais resultou de uma deterioração generalizada da opção pelo candidato tucano. O movimento não poupou estratos, como os de maior renda e escolaridade, em que o apoio a Alckmin tem sido mais firme.


Prestação de contas parcial das candidaturas divulgada pela Justiça em meados do mês mostra grande desvantagem de Alckmin na arrecadação de fundos. Para cada R$ 8 declarados por Kassab, o ex-governador informa R$ 1. A prática de contratar cabos eleitorais para fazer visitas de porta em porta, disseminada nas campanhas do DEM e do PT, não tem sido imitada pelos tucanos.


Geraldo Alckmin, no entanto, ainda detém um índice de rejeição muito baixo, metade dos obtidos por Marta e Kassab; disputou há dois anos uma campanha presidencial e bateu o presidente Lula na capital paulista. Resta saber se todo esse capital político resistirá à ação das duas poderosas máquinas eleitorais que o tucano terá de derrotar se pretende tornar-se prefeito.’


 


 


Melchiades Filho


Te vi na TV


‘BRASÍLIA – A mais recente bateria de pesquisas do Datafolha comprovou que a propaganda nas TVs e rádios continua uma ferramenta eleitoral poderosa, senão decisiva.


(Por semanas, desdenhou-se da eficácia dos programas, em uma cruzada alimentada pelos próprios partidos políticos, interessados em baixar os honorários dos marqueteiros e equipes de comunicação.)


Em São Paulo, caiu a distância do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para o tucano Geraldo Alckmin, de 21 para 10 pontos percentuais.


No Rio, Eduardo Paes (PMDB) subiu de 9% para 17% e cavou um triplo empate com Marcelo Crivella (PRB) e Jandira Feghali (PC do B).


Para azar dos adversários da aliança entre PSDB e PT, o candidato ‘flex’ Marcio Lacerda (PSB) arrancou em Belo Horizonte. Com um salto de 15 pontos, foi a 21% e superou a comunista Jô Moraes.


No topo das intenções de voto, nada mudou em Salvador. Mas Walter Pinheiro (PT) deu sinal de vida e passou de 7% para 13%.


Em Recife, o petista João da Costa (37%) não só desbancou Mendonça Filho (DEM) como já esboça possível vitória no primeiro turno.


A candidata à reeleição Luizianne Lins (PT) desgarrou de Moroni Torgan (DEM) e agora aparece na frente em Fortaleza, no limite da margem de erro -35% a 29%.


O Datafolha flagrou só três dias de campanha nas TVs e rádios. Mas, segundo o instituto, eles bastaram para ‘contaminar’ os cenários.


Afinal, há algo em comum entre Kassab, Paes, Lacerda, Pinheiro, Costa e Luizianne: mais tempo de propaganda que os rivais diretos.


Ao se meter na vida das pessoas e lembrá-las da votação, os programas, ainda que péssimos, têm um efeito mobilizador. Depois do anticlímax da Olimpíada e do fim do mistério da novela das oito, do que falar na fila do ônibus, no churrasco na laje, no café da repartição?


Por isso, também, a queda abrupta de indecisos nas capitais: 43%, contra 58% no ‘round’ anterior.’


 


 


Marcos Nobre


O efeito Lula


‘O ÚLTIMO Datafolha foi definitivo para convencer quem ainda tinha dúvidas sobre a importância e a eficácia do horário eleitoral no rádio e na TV.


Um dia antes da divulgação da pesquisa, em sua coluna no jornal ‘Valor Econômico’, Maria Cristina Fernandes já havia mostrado que o eleitorado assiste à campanha na TV sobretudo para se informar.


Lembrou que a estréia da campanha televisiva teve audiência de 57%, superior à do ‘Jornal Nacional’. Trouxe ainda a importante conclusão de um extenso levantamento do professor Luiz Lourenço: nos ‘municípios onde há horário eleitoral gratuito, o patamar de indecisos cai dez pontos percentuais com o início da programação’; onde não há, ‘o patamar de indefinidos permanece alto ao longo da campanha e só cai às vésperas das urnas’.


Por que isso acontece? As campanhas perseguem os altos padrões técnicos da própria TV brasileira. E é bem provável que haja regozijo do eleitorado em ver poderosos se sujeitando a esses padrões para pedir votos. Uma vingança efêmera pelo descaso com que se trata a cidadania em todos os outros momentos da vida política.


Mas, ao contrário do que diz a lenda, ninguém confunde horário eleitoral com novela. Todo mundo sabe bem que é artifício. No início do horário eleitoral, o que se busca é aquela informação considerada essencial para decidir o voto. Pelo menos em um primeiro momento.


Olhando com atenção para as cidades pesquisadas, vê-se que a informação que fez a diferença foi a identificação de uma determinada candidatura com Lula.


O próprio Lula repetiu que não pretende participar das campanhas. Mas, se o apoio explícito de Lula a uma única candidatura foi a exceção, os saltos nas intenções de voto se explicam pela capacidade de determinadas candidaturas de convencer o eleitorado de que contam com seu apoio.


Isso mostra, em um primeiro momento, o acerto do cálculo eleitoral de Lula em estimular candidaturas unitárias da sua base. Essa unidade não foi alcançada principalmente porque a lógica dessas eleições municipais é já a do pós-Lula: uma tentativa de conseguir o melhor posicionamento possível para 2010. Daí a fragmentação e a divisão de forças nessas eleições, talvez só comparáveis àquelas anteriores à estabilização política do Plano Real.


Por outro lado, é razoável imaginar que o efeito Lula venha a se esgotar logo nesses primeiros dias de horário eleitoral. Depois desse primeiro empurrão federal, as campanhas devem tomar rumos muito mais locais. Mas uma boa largada é muitas vezes decisiva.


 


 


Na internet, Ciro afirma que gestão petista é ‘fuleiragem’


Impedido de aparecer na propaganda eleitoral de sua ex-mulher, Patrícia Saboya (PDT), à Prefeitura de Fortaleza, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) gravou um vídeo produzido por seu filho mais velho e postado ontem no site YouTube em que classifica a gestão da petista Luizianne Lins de ‘fuleiragem’.


Para Ciro, Patrícia tem direito de usar na campanha imagens em que aparece ao lado dele, do presidente Lula e do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). ‘A história da sua mãe pertence a ela’, diz Ciro a seu filho com Patrícia, no vídeo. ‘Ela tem o direito de contar essa história, e os coronéizinhos de saia ou de botina vão ter que engolir isso aí.’


Ontem, a Justiça decidiu proibir a exibição das imagens de Ciro, Cid e Lula na propaganda de Patrícia, alegando que eles não são de siglas da coligação do PDT. No Ceará, ‘fuleiragem’ significa algo de má qualidade.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Os três clãs


‘O ‘Washington Post’ deu até na manchete on-line, ‘Hillary conclama à unidade’ ao falar à delegação de Nova York, antes da convenção. O Huffington Post se animou e postou o enunciado ‘Finalizando o acordo’.


Mas os blogs de ‘New York Times’ e de outros já destacavam Ted Kennedy, que ‘voou secretamente’ a Denver. Ele foi apresentado pela sobrinha Caroline e tomou o palco, em discurso de tirar o fôlego, na CNN. E o Drudge Report alardeou então que a presença dos Kennedy foi ‘esforço para tirar o foco dos Clinton’.


E de fato, no alto do ‘NYT’, àquela altura, ‘Três clãs democratas se misturam com estranhamento’. Ou melhor, ‘enquanto os Kennedy celebram seu legado e cedem o palco, os Clinton enfrentam sua saída do foco de luz’ para ‘papéis coadjuvantes’. E o terceiro clã, dos Obama, passa a dominar o Partido Democrata.


RUBIN LÁ?


O ‘Financial Times’ achou significativo o bastante para levar à manchete on-line: o Citigroup fechou o comitê executivo dirigido por Robert Rubin, que foi secretário do Tesouro de Bill Clinton. Os assessores dizem que ‘não sugere que ele queira voltar à atividade política’. Mas sim, ‘ele tem ajudado Obama’.


‘CELEB’


O Huffington Post listou as celebridades já avistadas em Denver. Entre outros, Sheryl Crow, Spike Lee, Lawrence Fishburne, Susan Sarandon, Anne Hathaway. E vêm por aí Jennifer Lopez, Annette Bening, Quentin Tarantino, Charlize Theron, Black Eyed Peas. A AP deu até uma lista das ‘festas de celebridades’.


A MORTE


Jon Stewart, âncora do ‘Daily Show’, falou em Denver ao ‘WP’ e deu por ‘obsoletos’ os telejornais das grandes redes -que ele parodia- e previu que ‘vão morrer’. Também os canais de notícias, que dão ‘a falsa impressão’ de ‘dirigirem as narrativas’. Quanto à Fox News, é um ‘apêndice republicano’


À ESPERA DO ‘BIG ONE’


Minutos antes da convenção democrata, as manchetes dos sites de ‘NYT’ e ‘Wall Street Journal’ só tinham olhos para as ‘preocupações bancárias’ que ‘derrubaram os mercados, de novo’. Para começar, no destaque do ‘FT’, as ações do Lehman Brothers desabaram 6,7%. E no destaque dos outros dois, a AIG, ‘a maior seguradora do mundo’, caiu 5,5%, ainda por conta da crise de crédito.


DE OLHO NOS EUA


A Petrobras derrubou de novo a Bovespa, agora por conta do ‘vaivém do pré-sal’, segundo o UOL. Em parte pelo mesmo vaivém, a estatal é alvo de cobertura diária de agências como a Bloomberg, ontem com três reportagens.


No final de semana, de Dow Jones a Thomson Reuters, a cobertura de uma entrevista do presidente da Petrobras atirou para todo lado. O que mais ecoou foi seu conselho de que os EUA, como sugerem as petroleiras por lá e os políticos já aceitam, ‘deveriam explorar reservas no mar’.


RAZOÁVEL!


Lula, no ‘Café’, chamou de ‘razoável’ a participação nos Jogos. Por aqui, recebeu só a atenção do site Vermelho, do PC do B do ministro do esporte, que tinha prometido muito mais. Foi a manchete.


NÃO DESISTE


No exterior, ecoou mais, encabeçando as buscas de Brasil por Yahoo e Google. A AP deu o enunciado ‘Lula esperava mais’. Na AFP, ‘frustrado no placar olímpico, mira a Olimpíada de 2016’.


SEM EDUCAÇÃO


A Reuters despachou longa ‘análise’ dizendo que a ‘educação assombra’ o país. ‘A classe média em expansão leva o Brasil a estar ombro a ombro com os pesos pesados, mas a educação pobre mina sua capacidade de competir.’’


 


 


TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo


BNDES dá R$ 404,5 mi para fusão na informática


‘O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou apoio financeiro de R$ 404,5 milhões para a Totvs, empresa do setor de informática e a maior em desenvolvimento de software aplicativo de gestão integrada de recursos. Os recursos serão usados para viabilizar a fusão da Totvs com a Datasul, de Joinville, a segunda maior empresa no segmento de aplicativos. A operação criará a nona maior empresa de software de gestão empresarial integrada no mundo.


A operação faz parte do Programa para o Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e Serviços de Tecnologia da Informação (Prosoft-Empresa). O banco entrará com R$ 200 milhões sob a forma de renda variável, via subscrição pela BNDESPar, braço financeiro do banco de fomento, de debêntures (títulos de dívida) que podem ser convertidos em ações. Os outros R$ 204,5 milhões serão financiados.


A Totvs foi a primeira empresa do segmento de software a abrir capital. A BNDESPar tem 7,6% das ações ordinárias da empresa. Nos últimos anos, a Totvs havia adquirido outras empresas do setor. Em 2006, ela comprou a RM Sistemas para ampliar a linha de produtos e serviços. Em 2007, comprou 70% do capital da Midbyte Informática, da área de desenvolvimento de software para varejo, e 100% do capital social da BCS Informática. No ano passado ela também constituiu uma subsidiária em Portugal, denominada Eurototvs.


De acordo com o BNDES, o negócio é importante para fortalecer o setor nacional de software porque permite o aumento da competitividade das empresas brasileiras nos mercados interno e externo. ‘A fusão entre as duas líderes está em consonância com a meta da Política de Desenvolvimento Produtivo, do governo federal, de criação de grupos nacionais sólidos no setor de software, com potencial de faturamento superior a R$ 1 bilhão/ano’, informou o banco, em nota.


A Totvs conta hoje com 3.200 empregados, um total que poderá subir para 4.000 até 2010. Segundo o BNDES, os recursos também permitirão o investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, em treinamento de pessoal e qualidade de processos e produtos.


Com a operação, a carteira do Prosoft, que inclui as modalidades Empresa, Comercialização e Exportação, chega a R$ 1,3 bilhão, com 214 operações. O Prosoft-Empresa soma 56 operações (R$ 986 milhões).’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record agora quer vôlei e ginástica olímpica


‘Depois de comprar com exclusividade o Pan de 2011 e a Olimpíada de 2012, a Record se prepara para tirar da Globo os direitos de campeonatos nacionais de esportes olímpicos, como vôlei, judô e ginástica.


A emissora conta com esses esportes para ‘acostumar’ o telespectador à idéia de que os próximos Pan e Jogos Olímpicos não serão na Globo nem na Band. Será uma forma também de aproveitar os até 300 profissionais que pretende contratar até 2012, por causa dos eventos.


A Record acredita que a Globo perderá o interesse por esses esportes, que costuma exibir no ‘Esporte Espetacular’. A emissora, como a Globo, comprará os direitos, mas não necessariamente transmitirá os eventos. Passará boa parte deles para a Record News, limitando-se a fazer uma intensa cobertura jornalística.


Os Jogos de Pequim foram catastróficos para a Record. Durante a Olimpíada, a média da emissora entre 7h e 0h foi de 7,5 pontos no Ibope da Grande São Paulo, contra 8,3 nos mesmos dias de julho. Assim, a Record se aproximou do SBT, que caiu de 7,2 para 6,8 pontos. Tivesse a Record caído mais um décimo de ponto, já haveria empate por arredondamento com a rede de Silvio Santos.


Na média das 24 horas, a Band cresceu 77% com a Olimpíada, em relação a julho. A audiência da Globo subiu 17%. O total de televisores ligados aumentou dois pontos (5,6%).


DIETA 1


Para não promover um evento que será transmitido pela Record, a Globo cortou trechos da cerimônia de encerramento da Olimpíada de Pequim que faziam referência aos Jogos de 2012, em Londres. Dos quase 16 minutos de imagens alusivas a Londres mostradas pela Band, a Globo só apresentou pouco mais de um minuto e meio. Nem David Beckham apareceu.


DIETA 2


A Globo afirma que não mostrou a íntegra da cerimônia, no domingo de manhã, porque não transmitiu todo o evento ao vivo. No horário, exibiu F-1.


IGREJA FAZ MAL


Agora locada a uma igreja evangélica, a Rede 21 ficou 20 horas dando traço absoluto (0,0), no Ibope da Grande São Paulo, na última quinta.


TENTAÇÃO


A Record estuda produzir uma versão do reality show ‘Temptation Island’, já apresentado pelo SBT, sem sucesso, como ‘Ilha da Sedução’.


CORPO 1


Drauzio Varella retorna ao ‘Fantástico’ no próximo dia 14. Apresentará uma série original do Channel 4, da Inglaterra, que faz uma viagem pelo corpo humano a partir das mais modernas imagens da medicina.


CORPO 2


O documentário será dividido em cinco episódios. O primeiro mostra a fertilização in vitro e explica que ninguém sabe exatamente o que sentimos na hora do nascimento, embora, segundo os cientistas, ocorra uma descarga de adrenalina mais intensa do que a de um ataque cardíaco.’


 


 


Folha de S. Paulo


Série vê evolução das HQs no Brasil


‘Personagens marcantes de diferentes fases dos quadrinhos brasileiros, Chiquinho, Lamparina, Judoka, Anjo, Cebolinha e Rê Bordosa têm encontro marcado a partir de hoje. Mas longe de gibis e cartuns: sua história e a de seus criadores é passada a limpo na série ‘Quadrinhos’, que estréia no Canal Brasil. O primeiro capítulo, ‘A Nona Arte’, lembra os primórdios das HQs no país, em meados do século 19, com as ilustrações de Ângelo Agostini. Também estão lá as figuras de ‘O Tico-Tico’, de J. Carlos, que popularizaram a arte seqüencial por aqui. O surgimento de editoras (como Ebal e Brasil América) voltadas para esse segmento é outro ponto abordado. Na semana que vem, a série rememora a aposta em histórias de terror entre as décadas de 50 e 70 e a então recorrente associação do gênero com o erotismo. Carlos Zéfiro (pseudônimo de Alcides Caminha), mestre do traço picante, é o principal reverenciado. Os três últimos episódios tratarão, respectivamente, da força do segmento infantil no Brasil, da geração engajada que marcava terreno nas brechas da ditadura militar e da linhagem de super-heróis verde-amarelos que ganharam a televisão e o cinema -além de gerarem convites para desenhistas irem trabalhar no exterior.


QUADRINHOS


Quando: hoje, às 21h (também amanhã, às 15h30, e sábado, às 12h)


Onde: no Canal Brasil


Classificação indicativa: livre’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 26 de agosto de 2008


 


TECNOLOGIA
Michael Fitzgerald, The New York Times


Futuro nas telas de PCs e celulares


‘Inovações com freqüência produzem outras inovações, e o uso inteligente da tecnologia de tela sensível ao toque pela Apple em seu iPhone deixou os fabricantes desse tipo de telas salivando. E o setor, que um dia foi relegado a nichos, hoje vê potencial para deslanchar.


O mercado de telas sensíveis ao toque (touch screen) cresceu discretamente durante anos, seja em aplicações comerciais, como sistemas de ponto- de-venda em restaurantes, leitoras de assinatura em cartões de crédito ou caixas eletrônicos, seja em dispositivos de consumo como sistemas de posicionamento global (GPS) e plataformas de jogos. Mas as telas sensíveis ao toque não haviam empolgado muito em usos mais cotidianos, como telefones, computadores e outros produtos eletrônicos – pelo menos até agora.


‘A Apple mudou a mentalidade geral sobre o toque’, diz Geoff Walker, diretor-global de gestão de produtos da unidade Elo TouchSystems, da Tyco Electronics, grande vendedora de telas sensíveis ao toque. A possibilidade de os usuários de iPhone poderem facilmente redimensionar fotos com uma simples pressão ou toque da ponta dos dedos é ‘fantástica’, diz.


Em particular, a Apple mudou as mentalidades sobre a chamada tecnologia multitoque. Uma tela multitoque é exatamente o que parece ser: uma tela capaz de aceitar comandos com toques múltiplos simultâneos. A Apple usa telas multitoque em que uma pequenina carga elétrica reage ao campo elétrico do corpo humano, e não à pressão. Há outros tipos de tecnologia de toque, mas todas são dos tipos mais caros de tecnologia, segundo analistas.


DEDO OU CANETA


Os preços altos causaram uma certa estagnação da tecnologia multitoque antes da chegada do iPhone ao mercado. Mas o sucesso do produto animou outras companhias a explorar as telas multitoque. É o caso da N-trig (pronuncia-se ‘intrigue’), uma companhia israelense, criada há oito anos, que faz telas multitoque que podem ser acionadas com uma caneta ou com um dedo. A capacidade de trabalhar com ambos convenceu a fabricante de computadores Dell a colocar telas N-trig no Latitude XT, um computador híbrido menor que um laptop, mas maior que um modelo ultraportátil.


‘Não usamos pintura de dedo em nossas escrivaninhas para escrever anotações’, diz Roy Stedman, estrategista de tecnologia da Dell. Stedman visualiza coisas como usar um dedo para ‘segurar’ uma pasta e outro para inserir uma mensagem de e-mail nela, ou ajustar o volume de um PC ‘girando’ um botão em vez de usar o mouse nele.


A N-trig está se sentindo revigorada pelo iPhone. ‘Na última parte de 2006, tive esse sucesso com a Dell, mas outros fabricantes disseram ?Toque, não sei?’, disse Amihai Ben-David, presidente executivo da N-trig. Aí veio o anúncio do iPhone em janeiro de 2007, e essas mesmas companhias começaram a ligar para ele. Ele disse que as telas da companhia aparecerão no próximo ano em um notebook, um PC e um novo tipo de telefone. Na última quarta-feira, a Intel apresentou uma tela N-trig num computador conceito chamado UrbanMax.


Segundo Ben-David, à medida que o preço das telas cair nos próximos cinco anos, a maioria dos aparelhos móveis vai migrar para essas telas.


Mas Joseph W. Deal, presidente e CEO da Wacom Technology, que fabrica telas sensíveis ao toque e ferramentas de comandos eletrônicos, tem dúvidas. Ele está no setor há 15 anos, tempo suficiente para ter visto outras tecnologias de toque não conseguirem chegar ao uso convencional.


Para o multitoque dar certo, disse, ‘o custo vai ter de baixar substancialmente’. Analistas do setor também dizem que pode levar anos para a tecnologia multitoque se firmar. Mesmo no mercado de telefones celulares, é provável que as telas sensíveis ao toque de todos os tipos estarão em apenas 30% dos telefones em 2013, segundo a iSuppli, a empresa de pesquisa de mercado.’


 


 


LIVROS
Marili Ribeiro


Livraria Cultura cria loja só para a Cia. das Letras


‘A ambição do empresário Pedro Herz e de seus dois filhos, que tocam as lojas da Livraria Cultura, é transformar o Conjunto Nacional, em São Paulo, em um centro livreiro.


A estréia desse projeto vai acontecer no próximo dia 10 de setembro, com a abertura de mais uma livraria no local. Não mais uma unidade nos atuais padrões da rede, que tem sete endereços espalhados pelo Brasil e,em novembro, terá mais um no gênero megalivraria no Shopping Bourbon Pompéia, também em São Paulo. Será uma livraria peculiar porque vai vender apenas os livros do catálogo da editora Cia. das Letras.


A nova loja, no velho endereço que desde 1969 abrigou a Livraria Cultura dentro do Conjunto Nacional, vai ganhar um codinome. Será a ‘Livraria Cia. das Letras por Livraria Cultura’. Inaugura, assim, uma iniciativa que, segundo Hertz, é única no mundo. ‘Nas minhas viagens em torno dos negócios do mercado livreiro já vi promotoras de editoras dentro de grandes livrarias, mas não tenho registro de uma livraria exclusiva dedicada apenas a uma editora’, disse.


A idéia começou a ganhar forma quando o espaço, que ficou vazio com a a abertura da megalivraria no lado oposto no mesmo Conjunto Nacional, começou a ter candidatos para ocupá-lo. Na opinião dos Herz, ele não merecia ter como destino abrigar uma camisaria, ou uma lanchonete ou qualquer outro varejo. ‘Achamos que valeria a pena arriscar e abrir ali uma área onde se encontrasse 100% do catálogo de uma grande editora, dona de um trabalho vigoroso e respeitado no setor.’


Procurado pelos Herz, o editor e presidente da Cia. das Letras, Luiz Schwarcz, se encantou com a proposta de ter um espaço especial para expor todos os seus livros. São mais de 2,4 mil títulos dos quais, como ele enfatiza, mais de 80% estão ‘vivos’. Ou seja, são sempre reeditados, ainda que não sejam sucessos de venda.


Schwarcz estudou por dois meses o negócio e se dispôs a pagar uma taxa fixa para incentivar a iniciativa – que tem contrato por dois anos e todos os custos operacionais assumidos pela Livraria Cultura. Ninguém revela valores.


‘Teremos uma melhora da exposição do nosso catálogo e, com certeza, esse novo modelo de atuação poderá impulsionar o mercado de qualidade, aquele que não se baseia somente nas novidades e nos lançamentos de best sellers’, diz Schwarcz. ‘Sei que os Herz já estudam outras parcerias e têm o sonho de transformar o Conjunto Nacional em um centro livreiro.’


Pedro Herz prefere não falar sobre novos projetos. Mas admite ter outros dois espaços em vista. ‘Por enquanto, vamos aprender um pouco mais como isso funciona, para enveredarmos por novos contatos com outras editoras.’ Para ele, há afinidades na parceria com a Cia das Letras.’


 


 


CINEMA
Lauro Lisboa Garcia


Guardiães do bom samba


‘Marisa Monte faz hoje pela Velha Guarda da Portela, esses guardiães do bom samba, o que Paulinho da Viola fez cerca de 40 anos atrás – e continua de outra forma. O trabalho dos dois – que se encontram em momentos felizes no documentário O Mistério do Samba, que estréia sexta-feira – pela preservação daquele gênero de samba genial, que tende a desaparecer, segundo os próprios integrantes da Velha Guarda, vai muito além dos discos que produziram e lançaram, respectivamente, em 1970 (Portela, Passado de Glória) e 2000 (Tudo Azul).


Hoje e amanhã, no Sesc Pinheiros, e sexta no Circo Voador (no Rio), Marisa participa do show que marca o lançamento do filme, ao lado da Velha Guarda e dos jovens portelenses Teresa Cristina e Diogo Nogueira. Os ingressos estão esgotados. Marisa vai cantar com a Velha Guarda quatro músicas: Volta (inédita de Manacéa, que está no filme), Volta Meu Amor (Manacéa/Áurea Maria), que está em Tudo Azul, Sofrimento de Quem Ama (Alberto Nolato), do álbum produzido por Paulinho, e Esta Melodia (Bubu da Portela/Jamelão), que gravou em Anil, Amarelo, Azul, Cor-de-Rosa e Carvão.


Outros dos 24 sambas que estão no roteiro – parte do qual a reportagem do Estado teve a oportunidade de ver/ouvir num ensaio no Estúdio Floresta – são Vivo Isolado do Mundo (Alcides Dias Lopes), Recado (Casquinha/Paulinho da Viola), A Chuva Cai (Argemiro/Casquinha), Tudo Azul (Ventura), Lenço (Chico Santana/Monarco), O Mundo É Assim (Alvaiade). Não falta, claro, o ‘hino’ Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida, de Paulinho da Viola. Mauro Diniz, que toca na banda de Marisa, canta algumas músicas de Monarco, que está doente e não vai poder participar dos shows em São Paulo.


Nem tudo o que está no filme (com cerca de 50 sambas) está no show. E vice-versa. ‘O show tem intersecção do trabalho de todos nós com eles, diz Marisa. Teresa Cristina, por exemplo canta uma música do Candeia que ela gravou’, diz Marisa. Diogo, filho do grande João Nogueira (1941-2000), é novo destaque da escola. Os sambas-enredo escolhidos para os dois últimos carnavais foram os dele. Mas a escola de samba, ao contrário do que atravessa as fronteiras para o imaginário nacional, não vive só em função do carnaval.


O filme de Carolina e Lula mostra justamente o outro lado, o do universo cotidiano que tem no samba o elo mais forte entre seus adoráveis personagens, como Surica, que considera Paulinho da Viola, o ‘cartão de visitas’ da Portela. Ela também acha que esse gênero de samba, o de terreiro, tende a acabar. ‘Marisa conseguiu resgatar alguns sambas que eram inéditos, mas ainda tem muita coisa.’ Sem desmerecer as outras velhas-guardas, a cantora Surica diz que tem orgulho de pertencer a essa ala da Portela e de preservar a arte de sambistas como Manacéia (1921-1995) e Candeia (1935-1978). ‘Dizem que não existe velha-guarda igual à nossa porque só cantamos músicas dos próprios compositores da Portela. Isso é uma jóia rara. E também temos uma disciplina que mantemos até hoje.’


‘A nossa sorte é que existem pessoas de um nível de Marisa Monte, que têm o cuidado de preservar essa coisa com respaldo muito grande’, diz o cavaquinista Mauro Diniz. ‘Os veículos de comunicação não dão muita oportunidade para esse tipo de samba, você não ouve tocando por aí. Você só encontra em algumas rodas de samba do subúrbio, como a da Tia Doca.’


Ele diz que a safra de compositores das escolas está ficando reduzida, falta ‘material de reposição’. A concorrência com o funk e o hip-hop entre os jovens também prejudica a manutenção da tradição de bons sambas. ‘Antigamente, quando se falava em morro, automaticamente associava com o samba, hoje, no Rio, tem outros movimentos, então fica um pouco dividido.’


Na opinião da cantora Áurea Maria, filha de Manacéia, o que faz a história da Portela ser tão grande é ‘a essência de cada um e também as melodias lindas, que são uma fonte de realimentação’. ‘Isso rejuvenesce todo mundo. Acho que isso é um dos mistérios do samba.’


Marisa afirma que poucas coisas na vida a emocionam tanto quanto a Velha Guarda da Portela. A união musical entre elas remonta a 1991, quando a cantora e compositora convidou as pastoras Surica, Doca e Eunice, para fazerem coro em Ensaboa (Cartola), no disco Mais. Em 1994 foi a vez da Velha Guarda inteira participar de Esta Melodia, no CD Cor-de-Rosa e Carvão. Doca, Surica e Eunice a reencontraram no DVD Barulhinho Bom, em momento emocionante que reaparece em O Mistério do Samba. Marisa também produziu discos individuais de Argemiro Patrocínio (1922- 2003) e Jair do Cavaquinho (1923- 2006), lançados em 2002.


O projeto do documentário para o cinema começou paralelamente à produção do antológico Tudo Azul. Amigos de Marisa, os diretores Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda se interessaram pelo projeto e passaram a registrar as imagens e produzir o filme por conta própria. Só no ano passado é que veio patrocínio da Natura, que bancou a finalização e o lançamento.


Marisa é o fio condutor do filme e aparece fazendo algumas entrevistas, descobrindo preciosidades (como uma caixa de fitas com sambas antigos de Manacéia, revelada pela filha Áurea) e também cantando nas rodas de samba com a Velha Guarda e Zeca Pagodinho, e em duos com Paulinho da Viola. A cantora esclarece que não se trata de um filme sobre a Portela, nem sobre Oswaldo Cruz, bairro onde nasceu a escola de samba.


‘É um filme muito focado no valor humano, na expressão artística desses sambistas, na maneira de eles se relacionarem com a música, com a arte. Tem vários assuntos importantes: como o samba entrou na vida deles, quais eram suas primeiras referências musicais, como começaram a compor, de onde vinha a inspiração para eles, como eram as profissões deles (já que deixam claro que não tinham a música como principal ocupação), a relação com a escola, o papel da mulher’, diz Marisa.


‘Começamos a entrevistá-los sobre assuntos existenciais: sobre solidão, o amor, sobre envelhecer, assuntos relativos à existência de todos nós. O filme é divertido, é leve, mas muito profundo também, porque as pessoas retratadas têm uma experiência muito rica de vida.’ Daí a quantidade impressionante de sambas antológicos que, como diz Marisa, faz a vida da gente um tanto melhor.’


 


 


Arnaldo Jabor


O Mistério do Samba é a riqueza da pobreza


‘Eu sou um pobre homem da Rua Guimarães, hoje Almirante Ari Parreiras, ali no Rocha. E sempre me lembrava do ritmo dos subúrbios do Rio, dos tempos mortos, dos terrenos baldios de capim, das valas, das casinhas geminadas, das mangueiras, de um passado que parecia se mover em câmera lenta, em que os dias eram divididos em manhãs, plena luz, entardecer e noites mais escuras e mais estreladas.


Esta semana reencontrei meu passado infantil, pelas mãos de minha filha Carolina. Isso. Fui ver, com temor e dúvida, o documentário O Mistério do Samba, produzido pela Conspiração Filmes, patrocinado pela poética empresa Natura, sob a inspiração de Marisa Monte e dirigido por Carolina Jabor, minha filha (‘uh hu hu h u!’) e Lula Buarque de Hollanda. E caí para trás. Não porque ela seja minha filha, nem porque conheço o talento de Lula desde pequeno, nem porque vi a Marisa estrear ainda menina, não; o filme é excepcional. Digo isso sem tremor de nepotismo explícito. É um grande barato, um dos melhores documentos poéticos que tenho visto no País.


Filmado durante dez anos, produtores e diretores acompanharam a vida e a arte dos sambistas da Velha Guarda da Portela e mostram, com carinho e respeito, o mistério do nascimento do samba. Registraram o que sobrou de 1926, da antiga ‘Vai como Pode’ – as personagens que participaram do parto do samba, como se filmassem a nascente, o olho d?água do grande ‘rio que passou em nossa vida e levou nosso coração’. Sim, porque aqueles homens e mulheres ali, muitos com mais de 80 anos, estavam no início da misteriosa música riquíssima que a pobreza fez, com seus operários, vendedores de rua, carpinteiros, contínuos, lavadores de carro.


Hoje, o morro, os subúrbios nos preocupam como berços de violência, tráfico, balas perdidas… mas este filme (as platéias aplaudem de pé dançando ao final) recupera a delicadeza minimalista das letras e melodias de 50, 60 anos atrás, a riqueza da pobreza, a música feita com a simplicidade do pão, da comida, dos amores baldios, da cerveja, do apito do trem passando. Os sambas da velha-guarda salvaram suas vidas. Que seria deles se não cantassem?


Não é um filme sobre o passado; é sobre um presente que nascia. Não é um filme de lamento sobre alguma coisa acabada, mas sobre a vitalidade que tem de continuar, que resiste nos subúrbios, apesar da violência da indústria cultural de massas e da boçalidade dos pagodes de jabás e de boquinhas de garrafa ou axés de multidões burras. No filme estão todos os grandes artistas: o espírito de Manacea, Jair do Cavaquinho, Argemiro Patrocínio, Casquinha, Monarco, o filho mais moço Paulinho da Viola, protegidos por Tia Surica e Tia Doca, nele está Zeca Pagodinho, preservando em corpo e alma o espírito desse tempo, hoje. A Portela aparece nas pequenas coisas: sapatos brancos e pretos, as mãos gastas, os rostos comidos pelo tempo, mas vivos de alegria, os pés descalços, os retratos na parede, a comida, as cervejas, os cavaquinhos e pandeiros.


Há uma cena em que Zeca conta uma das farras na casa de Argemiro Patrocínio. É incrível como sua pronúncia arrastada e esperta, seus gestos matreiros, as pausas, as elipses de sua fala narram o vaivém da malandragem, do cafajestismo poético, um delicado e amoroso machismo, a fala no ritmo de letra de samba. O filme preserva o modo de vida suburbano do Rio, seus homens e mulheres criando arte, com a sabedoria calma que só a desesperança traz.


Como diz o Zuenir no jornal: ‘um emocionante documento sobre o enigma que envolve a criação artística, como pessoas sem condições materiais são capazes de produzir tantas obras geniais…’ Este filme nos evoca na hora o Buena Vista Social Club. Mas acho que o filme de Wim Wenders é maravilhoso na música dos grandes esquecidos que havia em Cuba, como Compay Segundo, Rubem Gonzalez e Ibrahim Ferrer, principalmente pela direção musical de Ry Cooder, mas a cinematografia de Wim, considero mediana e inferior à deste filme, no qual a montagem por associação livre e analogia forma um conjunto com significação poética, além do registro cultural. O Mistério do Samba não lamenta, não evoca, não chora por um passado, e, principalmente, não denuncia. Na cabeça da gente, documentário é para denunciar tragédias ou dramas vivos. Até pode, em documentários essenciais como Notícias de Uma Guerra Particular, de João Moreira Salles, mas, num país como o nosso, surge um novo tipo de documentário tendendo para a ficção, documentários que, em vez de denunciar, querem salvar realidades e fatos, como em Santiago, de João Moreira Salles, trabalhos do Eduardo Coutinho e outros. Aos poucos, as pessoas vão virando personagens, vamos nos apaixonando por elas, aos poucos o documento ganha uma poética ficcional.


Também sinto que o mundo da Portela foi ditando o próprio estilo do filme de Carolina e Lula Buarque. O filme aprendeu com os atores, a criação sem o oportunismo do sucesso, a criação pelo prazer e necessidade. O ritmo digno e lento daquelas pessoas, seus quintais, seus quartos pobres, seus botequins dando para a vida, para os trens que passam no silêncio das tardes influenciaram o estilo do trabalho. O resultado é um filme que ‘é’. Que não é ‘sobre’ nada; o filme nasce puro como um samba composto num daqueles botequins, na silenciosa dança do ‘miudinho’ que tia Eunice ensina às meninas, soprando um beijo entre as mãos, como uma ave.


Ao terminar a sessão (poucas vezes vi tanto entusiasmo em platéias) me vieram duas frases à cabeça. Uma do Godard: ‘Todo grande filme de ficção tende para o documentário; todo grande documentário tende para a ficção. Ou seja, todos os caminhos levam a Roma, Cidade Aberta.’


E a outra frase é de Marisa Monte: ‘Queria fazer esse filme pela certeza de que a vida ia ser melhor com esses sambas.’ Pois, melhorou, Marisa.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Projeto veta letrinhas em comerciais


‘Mais um projeto de lei que tramita na Câmara promete polêmica junto ao mercado anunciante. Trata-se da proposta do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), que proíbe a exibição de letras pequenas nos comerciais de televisão, aquelas que geralmente aparecem no final de propagandas de medicamentos com dizeres como: ‘Se persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado’.


A proposta quer que toda e qualquer informação sobre o produto anunciado, seja ela obrigatória ou não, seja divulgada de forma clara e objetiva no filme publicitário, sem parecer mensagem subliminar.


O projeto também proíbe mensagens na tela com letrinhas pequenas, colocadas em segundo ou terceiro plano, como as que aparecem em anúncios de pacotes promocionais de viagens, de concursos e premiações e de cartão de crédito.


Para o mercado, a proposta é cerceadora de liberdade, uma vez que determina a forma que as informações da peça publicitária devem ser oferecidas ao público.


O projeto segue agora para votação conclusiva na comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática na Câmara.’


 


 


 


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