Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 10/10

Deputado Paulo Renato
submeteu artigo a banqueiro

Por Textos selecionados por Luiz Antonio Magalhães em 11/10/2007 na edição 454


Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 10 de outubro de 2007


MÍDIA & POLÍTICA
Folha de S. Paulo


Paulo Renato submete artigo a banco


‘O deputado federal Paulo Renato (PSDB-SP) submeteu à apreciação da presidência do banco Bradesco um texto assinado por ele e enviado anteontem à Folha para publicação. No artigo, ainda inédito, o deputado critica a intenção do governo federal de passar o Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) para o controle do Banco do Brasil.


O texto foi enviado ao jornal por e-mail. Por engano, o corpo da mensagem trouxe uma correspondência eletrônica anterior, na qual o parlamentar escrevera ao presidente do Bradesco, Márcio Cypriano: ‘Em anexo, vai o artigo revisto. Procurei colocá-lo dentro dos limites do espaço da Folha. Por favor, veja se está correto e se você concorda, ou tem alguma observação. Muito obrigado, Paulo Renato Souza’.


Ouvido ontem pela Folha, o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, afirmou: ‘O deputado Paulo Renato me ligou perguntando se eu poderia ler um artigo que ele tinha escrito sobre bancos. O receio dele era de o artigo ter algum erro, já que tinha muitas questões e termos técnicos. Eu disse que podia ler e ele me mandou o artigo. Eu achei bom o artigo. Muito bem escrito, por sinal. Foi só isso’.


Intitulado ‘Tentáculos da reestatização’, o texto foi enviado dois dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter participado, em Florianópolis (SC), de um evento no qual dirigentes do BB se comprometeram a incorporar o Besc, federalizado na década de 90.


No texto, o ex-ministro da Educação (1995-2002) Paulo Renato reclama da ausência de um processo licitatório para definir os novos donos do Besc. Ele também critica supostas estratégias que estariam sendo empregadas pelo BB para expandir seus negócios no território nacional, o que seria, segundo ele, uma ‘nítida ofensa às regras concorrenciais’.


O deputado Paulo Renato disse ontem à reportagem que não mantém nem manteve contratos com o grupo Bradesco por meio de sua empresa de consultoria, a Paulo Renato Souza Consultores. Afirmou que buscava apenas uma opinião técnica sobre o assunto.


‘Eu tinha encontrado com o Márcio num almoço, comentei com ele que iria fazer esse artigo e pedi ajuda para ele para ver se não estava dizendo uma barbaridade sobre os temas que eu estava tratando. E ele se dispôs a me ajudar’, disse.


Indagado sobre o verbo que utilizou, ao perguntar a Cypriano se ele ‘concordava’ com o texto, o parlamentar afirmou: ‘Se concorda com os argumentos que eu coloquei no artigo’.


O parlamentar disse ter feito o mesmo em relação a um artigo que produziu sobre a companhia siderúrgica Vale do Rio Doce: ‘Eu escrevi um artigo sobre a Vale do Rio Doce comparando com a Petrobras. Eu pedi os dados, obviamente, para o pessoal da Vale. Mandei o artigo [à Vale] para ver se eu tinha interpretado direito os dados que ele tinha mandado. A mesma coisa fiz agora’, afirmou.


‘Em economia, tem que se ter cuidado, pois os conceitos podem não estar precisos’, disse ele, que foi professor titular de economia da Unicamp.’


PLAYBOY NA POLÍTICA
Ruy Castro


O vizinho do lado


‘RIO DE JANEIRO – Um dos segredos do sucesso da ‘Playboy’, quando Hugh Hefner a lançou, nos Estados Unidos, em 1953, era a idéia de que a moça do pôster fosse ‘the girl next door’ -a garota da porta ao lado, supondo que o leitor tivesse vários vizinhos por andar, ou a vizinha do lado.


Foi um achado. Nas revistas masculinas de até então, essa moça era uma prostituta, vedete, lutadora de catch, dançarina de strip-tease ou corista de hula-hula -sempre muito maquiada, para disfarçar as olheiras de insônia ou de pancada, e posando com roupas e acessórios óbvios: suéteres, baby-dolls, revólveres, chicotes, espigas de milho etc. Enfim, uma profissional, que deixava pouco à fantasia.


Hefner apostou na fantasia e venceu. Sua garota do pôster devia parecer uma garota mesmo, não uma mulher feita e agressiva, uma vamp fatal e predadora. Ao contrário, ao sorrir para a câmera, ela oferecia sua nudez com um frescor e naturalidade de quem de fato morava na porta ao lado e o leitor não se envergonharia de, um dia, pedi-la em casamento. Era tão ‘família’ quanto, com todo respeito, a irmã dele.


Mas, de 1968 para cá, a coisa mudou. A ‘garota da porta ao lado’ leu Simone de Beauvoir, aderiu à revolução sexual, ficou disponível e deixou de ser uma fantasia. Com isso, as estrelas do cinema, da TV e do escândalo do momento, não importa que mais maduras, é que passaram a açular a libido.


A jornalista Mônica Veloso atende aos dois conceitos. Foi o pivô de um escândalo político e tem alguma coisa da vizinha do lado. Passa a impressão de que poderíamos encontrá-la no supermercado, na seção de pêssegos em calda, ou na drogaria comprando fraldas, por sua recente condição de gestante. Mas deu a sorte, ou o azar -varia conforme o gosto-, de ter como vizinho o Renan Calheiros.’


Andreza Matais


Playboy de Mônica Veloso bate recorde de vendas na banca do Congresso


‘Estopim da crise envolvendo Renan Calheiros (PMDB-AL), sua ex-amante Mônica Veloso reapareceu ontem no Congresso e, desta vez, bem mais à vontade. Na capa da revista ‘Playboy’, Mônica voltou a chamar a atenção dos parlamentares, assessores e servidores que compraram num período de dez horas, 150 revistas, um recorde na história da banca.


O gerente da banca localizada na entrada principal do Congresso, José Erinaldo, 33, disse que nunca foi tão grande o movimento de assessores por lá. ‘Teve um que levou três, mas eles não contam de jeito nenhum para quem estão levando a revista’, afirmou. Em duas horas, 40 revistas foram vendidas.


Renan preferiu não comentar. Ao ser questionado por jornalistas, fechou a cara.


Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) confessou que entrou numa banca, ainda em São Paulo, e, meio constrangido, chamou o vendedor num canto. ‘Posso lhe fazer uma pergunta indiscreta? Já chegou a revista da Mônica Veloso?’, sussurrou. ‘Já’, respondeu o vendedor. ‘Então me de uma’, disse encerrando a conversa.


Ao saber pela imprensa sobre o lançamento da revista, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), não escondeu sua satisfação. ‘Vou comprar agora mesmo senão esgota.


Estamos todos esperando isso há muito tempo’, disse.


Depois explicou que seu interesse era para saber o que ela ‘dizia’ na revista.


Se for por isso, o senador ficará frustrado, porque a jornalista fez nenhum comentário sobre o caso extraconjugal que teve com o senador ou sobre a origem do dinheiro que recebia dele como pensão.


Até o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), confessou sua curiosidade. ‘Não comprei a minha ainda. Quero ver se alguém me empresta…’


O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) foi um dos primeiros a chegar na banca ontem, mas disse que seu propósito era trocar dinheiro para pagar o táxi. Os deputados Maurício Rands (PT-PE) e Bruno Araújo (PSDB-PE) foram juntos à banca. ‘É uma mulher bonita, mas você vê que tem muito recurso de computador’, afirmou Rands.


‘Não compro. Acho que a população acaba misturando as coisas e achando que o Congresso é um prostíbulo’, esbravejou o deputado Carlito Merrs (PT-SC).


Colaborou LULA MARQUES, da Sucursal de Brasília’


***


Caso que derrubou ministro britânico em 63 inspirou ensaio com jornalista


‘Uma das fotos do ensaio do fotógrafo J.R. Duran com Mônica Veloso para a revista ‘Playboy’ inspira-se numa das imagens mais famosas dos anos 60 -uma fotografia da garota de programa Christine Keeler, pivô do escândalo Profumo.


Em 4 de junho de 1963, o então ministro da Defesa britânico, John Profumo, renunciou ao cargo em meio ao escândalo provocado por seu relacionamento extraconjugal com Keeler, que mantinha simultaneamente um caso com o adido naval soviético Eugene Ivanov.


A suspeita de que a moça extraía segredos militares de Profumo e os repassava aos soviéticos num dos períodos mais tensos da Guerra Fria -a crise dos mísseis em Cuba, que quase levou à guerra entre EUA e URSS, havia ocorrido oito meses antes- nunca foi provada, mas arruinou sua carreira política e contribuiu, quatro meses depois, para derrubar o primeiro-ministro Harold Macmillan. Perdoado em 1975, Profumo morreu no ano passado, aos 91.


De família aristocrática e herói da Segunda Guerra, John Dennis Profumo entrou para o Parlamento em 1940. Casado com a atriz Valerie Hobson desde 1954, iniciou seu relacionamento com Keeler em 1961. Quando sua relação veio à público, Profumo negou no Parlamento que houvesse qualquer ‘inconveniência’ em seu relacionamento. Foi contestado pela própria Keeler, o que tornou sua situação insustentável.


A foto de Keeler foi tirada em maio de 1963, no auge do escândalo, por Lewis Morley, para promover um filme sobre o caso. Uma das cópias foi roubada e saiu no ‘Sunday Mirror’.’


HUCK & FERRÉZ
Elio Gaspari


O socialismo precisa de um Rolex


‘Na semana dos 40 anos da morte do Che, Luciano Huck faz lembrar a herança do guerrilheiro


O CIDADÃO terminou suas pesquisas na biblioteca de Londres e vai para casa, no Soho (rua Dean, 23). Passa um sujeito, mostra-lhe uma faca e pede o relógio. Ao narrar o caso à sua mulher, ele diz:


‘Estou com 41 anos e a expectativa de vida neste inferno capitalista é de 40. A nossa dieta ultrapassa as 2.300 calorias que o proletariado consome. As condições de higiene e saúde desta cidade são infernais. Aos jovens restam poucas alternativas fora da sífilis e das prisões australianas. São as contradições do capitalismo e, por causa delas, fui assaltado por um garoto’.


Pode ser que Karl Marx tenha dito diferente:


‘Jenny, um lúmpen roubou meu relógio’.


Pobre Luciano Huck. Foi assaltado por dois sujeitos que, de revólver na mão, tomaram-lhe o Rolex. Reclamou num artigo publicado na Folha do dia 1º e teria feito melhor negócio se saísse por aí, cumprindo ‘missões’ em cima de motoqueiros. Foi acusado de ganhar muito e, portanto, ser fonte da violência. Mais: quem manda ‘pendurar o equivalente a várias casas populares no pulso’? Disse que ‘isso não está certo’ e perguntaram-lhe o que devem dizer as pessoas que vivem de salário mínimo. Fechando o ciclo, num artigo marginal-chique, o rapper Ferréz respondeu com o olhar dos assaltantes e os óculos de Madre Teresa de Calcutá: ‘Não vejo motivo para reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo para ambas as partes’.


Está mais ou menos entendido que o partido democrata perdeu a confiança dos americanos nos anos 80 porque deixou-se confundir com os defensores de bandidos. Cada um pode achar o que quiser (desde que não tome o relógio alheio), mas nesse caminho a discussão da segurança pública brasileira caminha para a formação de duas tropas, ambas julgando-se elite do seja lá o que for. Grita-se, para que tudo continue como está. O filme ensina: o traficante foucaultiano da PUC não foi para a cadeia e o PM larápio e covarde voltou para a tropa.


Por ser um profissional bem-sucedido e ter ganho um Rolex de presente da mulher (a apresentadora Angélica, igualmente bem-sucedida), Huck foi transformado num obelisco da desigualdade social brasileira.


Infelizmente, assaltos não melhoram o índice de Gini. No caso do Rolex do apresentador, especular o destino do dinheiro de sua venda é um exercício carnavalesco. Pode-se sonhar que tenha ido para uma família carente, mas é mais provável que tenha servido para fechar um trato de droga. Que tal as duas coisas, meio a meio? Uma coisa é certa, o Rolex voltará ao pulso de alguém disposto a pagar por ele.


Quis o Padre Eterno que esse debate indigente acontecesse logo na semana do 40º aniversário da execução de Ernesto Che Guevara, o Guerrilheiro Heróico. Se Angélica dissesse que deu o Rolex a Huck como parte dessas celebrações, a discussão ganharia um denso conteúdo ideológico.


Quando o Che foi assassinado, no mato boliviano, tinha dois Rolex. Um, modelo GMT Master, era dele. O outro, marcado com um X, era uma lembrança que tirara do pulso de um combatente agonizante. (O índice de com-Rolex dos guerrilheiros cubanos na Bolívia era de 12%, certamente um dos mais altos do mundo.)


Os relógios eram dois, mas há três por aí. Quem quiser pesquisar a herança de Guevara, pode começar investigando esse mistério.’


TV PÚBLICA
Kennedy Alencar


TV pública quer R$ 60 mi com publicidade


‘Além dos R$ 350 milhões previstos no Orçamento de 2008, a rede pública de TV terá como meta obter no próximo R$ 60 milhões em venda de publicidade institucional (estatais e empresas privadas) e por meio de leis de incentivo à cultura que prevêem dedução fiscal a patrocinadores.


Segundo a Folha apurou, a MP (medida provisória) que criará a rede pública será publicada amanhã se a Câmara aprovar hoje em segundo turno a emenda constitucional que prorroga até 2011 a CPMF.


Já há estudos para que a TV pública amplie orçamento com recursos de fundos federais, mas não há previsão de qual receita poderia ser obtida por esse expediente. Os fundos deverão ser utilizados para bancar projetos específicos. Exemplo: séries de interesse de suas áreas ou programas isolados. Para eventual uso dos fundos, leis precisarão ser mudadas.


Ainda em relação ao modelo de financiamento, a MP preverá a possibilidade de doações de pessoas jurídicas e físicas à rede pública. Com todas essas possibilidades de financiamentos, o governo espera obter em 2008 recursos superiores a R$ 410 milhões (R$ 350 milhões de recursos orçamentários mais R$ 60 milhões de publicidade institucional e patrocínio cultural).


Adesão à rede


As tevês estatais estaduais poderão aderir à rede nacional de três formas. Se optarem pela categoria de ‘membro pleno’ poderão receber recursos e novos equipamentos, mas será obrigatória a adesão ao modelo de gestão da rede nacional (conselho curador com poder de derrubar a diretoria).


Na categoria de ‘associada’, as tevês estaduais poderão reproduzir a programação da rede nacional, mas não receberão verbas e equipamentos por isso e não serão obrigadas a mudar o modelo de gestão.


Por último, haverá a categoria ‘parceiro’, que se referirá a projetos específicos. Exemplo: um programa de uma tevê estadual que a rede pública queira transmitir e vice-versa. O melhor exemplo é o ‘Roda Viva’ da TV Cultura, emissora paulista, que é levado ao ar pela TV Nacional, de propriedade do governo federal.


A rede pública terá um canal em São Paulo, já previsto no modelo de transmissão digital que terá início no país a partir de 2 de dezembro -esta é a data de inauguração oficial da rede pública.


A MP extinguirá duas empresas, a Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto), uma organização social que leva ao ar a TV Educativa do Rio e a TV Educativa do Maranhão, e a Radiobras, estatal federal. Os patrimônios da Acerp e da Radiobras resultarão na EBC (Empresa Brasil de Comunicação).


A EBC, portanto, terá quatro canais federais para sua programação. Já há tratativas com as tevês dos Estados de Minas e da Bahia para retransmissão. Até 2 de dezembro, a direção da EBC quer que outras emissoras estaduais integrem a rede.


Já há casos de Estados que gostariam que suas emissoras fossem federalizadas, o que a rede pública estuda como fazer.


Por ora, tem prevalecido a opinião de que a rede pública seja chamada de TV Brasil. Mas há estudos a respeito de marcas de fantasia. Para tocar a rede pública ao longo de 2007, serão usados os orçamentos da Acerp e da Radiobras -R$ 220 milhões para todo o ano.’


Folha de S. Paulo


Equipamento para TV digital terá IPI zero


‘A compra de equipamentos para a transmissão e recepção do sinal da TV digital pelas emissoras de televisão não pagará IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), segundo decreto publicado ontem no ‘Diário Oficial’ da União.


A alíquota, que variava de 14% a 20%, ficará zerada por tempo indeterminado e o benefício já está valendo. Pelas previsões do governo, a transmissão de TV digital começa em 2 de dezembro por São Paulo (capital) e depois será ampliada gradualmente para o país.


‘O decreto é um sinal positivo do governo e reforça o compromisso com a implantação da TV digital. A medida se insere num contexto maior de desoneração para o setor que ainda precisa avançar em outros pontos’, diz o presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Daniel Pimentel Slaviero.


A desoneração atende ao lobby das emissoras de TV que haviam conseguido incluir a isenção do IPI para equipamentos durante a tramitação, no Congresso Nacional, da medida provisória que tratou das regras da TV digital.


O Executivo, no entanto, vetou a isenção e se comprometeu a baixar um decreto concedendo o benefício. A diferença é que agora o governo garantiu a alíquota zero para esses produtos e pode, a qualquer momento, voltar a taxar essas compras. Se fosse dada a isenção, o benefício seria o mesmo na prática, mas não poderia ser desfeito com facilidade.


Segundo Slaviero, o setor já encaminhou ao governo proposta para desoneração do Imposto de Importação e aguarda uma resposta da Camex (Câmara de Comércio Exterior) para os ‘próximos dias’.


As emissoras de TV também consideram necessário que o governo reduza a tributação sobre o equipamento usado na produção de programas, como câmeras e mesas de edição, e aqueles usados no rádio digital.


O coordenador de tributos sobre a produção e comércio exterior da Receita Federal, Helder Chaves, diz que não há estimativa de perda de receitas com a desoneração porque, como a TV digital está sendo implementada, essa arrecadação não existe atualmente. Ele diz que a intenção do governo é manter a isenção do IPI até que a indústria nacional seja capaz de fabricar esses equipamentos e substituir os importados.’


INTERNET
Folha de S. Paulo


Cidade natal de Lula terá banda larga sem fio


‘A cidade de Garanhuns (PE), onde nasceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, receberá o projeto Cidade Digital, do Ministério das Comunicações, que prevê interligação on-line de serviços públicos e conexão banda larga sem fio para os 128,4 mil habitantes da localidade.


A terra natal de Lula será a terceira localidade brasileira a ser incluída no programa. As duas outras foram Piraí (RJ) e Tiradentes (MG), onde o projeto já está em funcionamento. Procurado pela Folha, o Ministério das Comunicações não soube explicar os critérios para a escolha das cidades beneficiadas.


Segundo a assessoria da pasta, o projeto consistirá na ligação de escolas, unidades de saúde, delegacias, bombeiros e outros postos públicos pela internet, com tecnologia WiMax, de rede sem fio. A população terá acesso à internet em banda larga.


Hoje, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, assina a entrada de Garanhuns no projeto.’


Gustavo Villas Boas


Caminho particular


‘Função é o que não falta. Sozinho, o Internet Explorer 7 (IE) vem com recursos que agilizam e organizam a navegação e defendem seu computador. Com as extensões -pequenos programas que adicionam funcionalidades-, ele transforma a experiência on-line em algo personalizado.


O mesmo vale para o Firefox 2, principal concorrente do navegador da Microsoft. E não são truques para especialistas; muita gente não usa porque não sabe que existe.


Por exemplo, quem gosta de música investe nos add-ons (como são chamadas as extensões) para integrar tocadores e internet pelo navegador.


Os exploradores ganham mapas pessoais para se guiar pela imensidão de páginas. E têm até comunidade on-line quase sem site: tudo gira em torno dos browsers -outro nome para os programas responsáveis pela popularização da internet.


História de combate


A disputa por esse mercado tem até verbete próprio na Wikipédia: ‘browser wars’, ou guerra dos browsers. A primeira foi travada pelo moribundo Netscape e pelo Explorer. Atualmente se desenrola a segunda, entre IE e Firefox. Os internautas saem ganhando, já que a batalha exige armas: aperfeiçoamentos constantes.


O Firefox (www.firefox.com) é um software que pode ser modificado por qualquer um com conhecimento e corre na frente quando o assunto é inovação. O Internet Explorer (www.microsoft.com/brasil/windows/ie/default.mspx) domina o mercado -77% do bolo, ante 15% do concorrente, de acordo com a Hitwise- e tem por trás a gigante Microsoft.


5%


era a fatia de mercado, em setembro, do navegador Safari, o terceiro mais utilizado, de acordo com a Hitslink; abaixo dele, nenhum tinha mais de 1%’


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CAMPUS EDITION É FIREFOX PARA ESTUDANTES


‘Com ‘preço amigável a estudantes’ (é grátis), o navegador Firefox Campus Edition (www.mozilla.com/en-US/add-ons/campus) vem com funções instaladas para tentar agradar aos universitários: controlador de músicas, descobridor de sites e, principalmente, uma ferramenta que ajuda o aluno a gerenciar suas referências bibliográficas e eletrônicas.’


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Especulação ronda o Google Phone, que ainda não existe


‘Muito tem se especulado sobre um possível GPhone ou Google Phone, nome que simboliza a entrada do Google no mercado de telefonia.


O blogueiro Miguel Helft, do ‘New York Times’, comentou que conseguiu compilar mais de ‘duas dúzias’ de posts somente do site SearchEngineLand que mencionavam o projeto e, em um exercício de futurologia, descrevem fisicamente como seria o GPhone.


Em post de segunda-feira, Helft conta que, segundo fontes que têm acesso a projetos do Google, a empresa está desenvolvendo softwares para celulares -e não um aparelho.


A essência desse projeto, sobre o qual a gigante da internet não comenta, seria um sistema operacional e uma plataforma com especificações de como o hardware deve ser construído.


O Google também estaria investindo em aplicações móveis, que deverão funcionar no maior número possível de celulares -ação semelhante à que a Microsoft fez com o Windows Mobile e à que a Symbiam fez com o seu sistema operacional.


Ninguém ainda falou realmente sobre o Microsoft Phone, embora o Motorola Q e o Palm Treo utilizem o sistema Windows Mobile.


Depois, há a possibilidade de o Google decidir produzir e co-produzir telefones em parceria com alguns fabricantes. Isso poderia incomodar o CEO do Google, Eric Schmidt, que faz parte do conselho da Apple.


Nesse caso, realmente passaria a existir um Google Phone. Mas, até agora, falar do GPhone é exercício de futurologia.


HALO 3


A Microsoft informou que Halo 3 faturou US$ 300 milhões pelo mundo na primeira semana de vendas, tornando-se um dos jogos mais vendidos do ano e ajudando a ampliar as vendas do console da empresa, o Xbox 360.


MULTA


A Justiça de Minnesota decidiu, na semana passada, que a norte-americana Jammie Thomas terá de pagar US$ 222 mil a seis gravadoras, condenada por ter baixado, ilegalmente, 24 músicas protegidas por direitos autorais. O valor representa cinco vezes a renda anual da mulher.


BONANÇA


Apesar dos problemas pessoais, Britney Spears tem ao menos um motivo para comemorar: o single ‘Gimme More’, de seu novo disco, foi baixado 179 mil vezes na primeira semana de vendas pela rede.


JOOST PARA TODOS


Aperfeiçoada, a versão beta do software de TV pela internet está disponível gratuitamente para qualquer usuário. Até 30 de setembro, o programa (www.joost.com), criado pelos mesmos fundadores do Skype e do Kazaa, só podia ser testado por quem recebesse um convite.


EXPOSIÇÃO FLICKR


Uma equipe do site virá dos EUA para o Brasil, no dia 23, para um encontro no Mube (Museu Brasileiro da Escultura). Usuários poderão participar e adicionar fotos de paisagens do país no grupo www.flickr.com/groups/seubrasil; 27 delas ficarão expostas de 24 a 31 de outubro.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Armada espanhola


‘No enunciado da Folha Online e também de Globo Online, UOL e até do Terra, ‘Espanhóis dominam’. Levaram seis dos sete trechos em disputa. E foram, numa das manchetes, ‘as rodovias mais cobiçadas’. O resultado vem após o espanhol Santander se tornar o segundo banco privado do Brasil -e dias antes da decisão sobre a hegemonia da Telefônica no celular.


O mais importante, para o ‘Financial Times’, é o ‘sinal da aceitação pelo governo da necessidade de investimento privado em serviços públicos’. Ou, na manchete sorridente do ‘Jornal Nacional’, que abriu citando as privatizações de FHC, ‘Sob nova direção’.


Já na Record, ‘Menos de R$ 1: é o pedágio na estrada que liga São Paulo a Belo Horizonte’. Foi também o que ‘surpreendeu’ o site espanhol ‘El Economista’.


EM PORTUGUÊS


O espanhol ‘El País’ destacou ontem na página inicial, sobre si mesmo, que ‘será o jornal global em espanhol’. Será o novo lema ao lado do logotipo, a partir do dia 21. Vai passar por mudanças para atingir ‘um público sem fronteiras de idade nem geográficas’. E quer ‘reforçar a liderança na Ibero-América’. Ou melhor, ‘o jornal é um dos pilares para a construção do maior grupo global de educação e informação em espanhol e em português’.


DOHA, O CONFRONTO


Nas reportagens de ‘FT’ e agências, ontem, ‘Países em desenvolvimento descartam cortes na Rodada Doha’. Na verdade, ‘grandes cortes’. Foi a ‘coalizão de Brasil, Índia, África do Sul e Argentina’, junto com ‘todos os membros africanos da Organização Mundial do Comércio’. No dizer do Itamaraty, ontem no ‘Valor’, ‘entre Doha e Mercosul, o Brasil escolhe o Mercosul’. Para o jornal, foi ‘uma das mais duras reações do país na negociação global’, diante da recente pressão. Como resultado, os membros da OMC ‘decidiram não convocar reunião ministerial neste ano’.


SUSAN E OS CULPADOS


De pronto, a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, surgiu em destaque nos sites de busca de Brasil, dizendo, pelo título da AP, que ‘a Índia e o Brasil estão matando a Rodada Doha’. E seu documento ‘pode ser o começo do fim’ ou ‘sinaliza o fim’ das negociações etc. etc.


VEM O SECRETÁRIO


E hoje, segundo as agências, o secretário de Comércio dos EUA encontra o chanceler Celso Amorim, em Brasília. Na agenda, a Rodada Doha -e a garantia de que os EUA ‘vão crescer em bom ritmo’.


VAIVÉM EUROPEU


Já o comissário europeu de comércio fugiu de comentar os emergentes. Deixou para o ministro francês, que saiu dizendo que Brasil e outros não podem mais ser tratados como ‘em desenvolvimento’.


Por outro lado, é ‘consenso universal que está com os americanos a chave de Doha’.


E AS SUAS AMEAÇAS


E também ontem a União Européia ameaçou, pelas agências, ‘banir’ a compra de carne do Brasil, por supostas dúvidas quanto aos ‘padrões de segurança’ -e por pressão dos pecuaristas irlandeses.


SUL-SUL-SUL


Após os embates da Rodada Doha em Genebra, Brasil, Índia e África do Sul, destacam sites africanos, seguem para a cúpula da semana que vem. Na descrição da France Presse, ‘as potências emergentes’ vão rever comércio. Brasil e Índia também vão à Nigéria ‘rica em petróleo’.


‘Seguir o exemplo de Che significa agora olhar para a frente’.


Da manchete do cubano ‘GRANMA’, ontem, sobre foto de Raúl Castro, que comanda o país no lugar do irmão, Fidel.


‘MINHA VIDA’


Ignacio Ramonet escreve hoje no ‘Guardian’ sobre o ‘último superstar da política’, Fidel, e o futuro de Cuba em sua ‘segunda vida política’. Especula que em maio a ilha pode ter novo presidente, Raúl, mas ‘vai seguir seu caminho singular até muito depois de [Fidel] ter partido’, sem ‘modelo chinês’. Ramonet é citado como ‘co-autor com Fidel Castro do vindouro ‘Fidel Castro: Minha Vida’.’


INGLATERRA
Folha de S. Paulo


Britânica BBC demitirá 12% de seu pessoal para se ajustar ao orçamento


‘DA REDAÇÃO – A rede britânica de comunicação BBC cortará cerca de 12% de seu pessoal, ou aproximadamente 2.800 funcionários. As demissões na empresa pública devem ser anunciadas por seu diretor-geral, Mark Thompson, no próximo dia 17, segundo informa o periódico ‘Guardian’.


De acordo com outro jornal, o ‘Financial Times’, Thompson pretende reduzir os gastos da BBC, nos próximos cinco anos, em 6% de seu orçamento de mais de 3 bilhões de libras (R$ 11 bilhões) anuais. O motivo, diz o FT, foi a fixação da licença para uso de TV, em janeiro deste ano, num valor que não repôs a inflação. Conseqüentemente, Thompson terá 2 bilhões de libras a menos do que havia planejado gastar nos próximos cinco anos.


A licença pelo uso dos aparelhos de TV (ou ‘TV licence’) é paga pelos contribuintes do Reino Unido e financia as atividades da BBC -fixada pelo governo, atualmente a taxa é de 135,50 libras por ano para aparelhos de TV coloridos.


As demissões afetarão principalmente o ‘factual programming’, divisão da rede de TV que engloba diversos programas que não se enquadram nas categorias de entretenimento ou dramaturgia. Este será o segundo grande corte na BBC em menos de três anos -em março de 2005, 3.780 pessoas foram demitidas.


O ‘Financial Times’ conta que um grupo de gerentes de escalão intermediário da rede que está descontente com o modo como Thompson vem gerenciando a crise discute a realização de uma greve em protesto pelos cortes.


A crise não é a primeira na BBC. Em setembro deste ano, o produtor de uma das principais séries infantis da emissora foi demitido por acobertar uma fraude em uma votação.


No último dia 5, Peter Fincham, responsável pela qualidade do canal BBC1, renunciou devido a um documentário com a rainha Elizabeth 2ª. No programa, uma edição de cenas insinuou que a rainha havia deixado uma sessão de fotos após discutir com a fotógrafa Annie Leibovitz, em março. A rainha não abandonou a sessão.


A BBC tem atualmente 23 mil funcionários.


Com o ‘Financial Times’’


TELEVISÃO
Laura Mattos


‘Pânico’ tem quase 1 hora de comercial; equipe reclama


‘O ‘Pânico na TV’ virou um programa de televendas. No último domingo, das duas horas e 15 minutos em que permaneceu no ar, apenas pouco mais da metade foi dedicado às piadas, enquanto intervalos comerciais e merchandisings ocuparam 51 minutos.


Foram 16 ações de merchandising -aquelas na qual os comediantes interrompem o programa para anunciar um produto-, entre elas a da Kaiser, da Coca-Cola, da Suzuki, da Intelig e das cuecas Mash.


Os humoristas chegaram até a satirizar o excesso de propaganda, dizendo que o ‘Pânico’ está mais para Shop Tour (canal só de vendas).


Mas, nos bastidores, a cúpula do programa não vê a menor graça nisso, segundo a Folha apurou. Sustenta que o espaço dado a comerciais -40% da duração- é o dobro da média de outros programas, como ‘Domingão do Faustão’. A venda do espaço é realizada pela Rede TV!, e, apesar de receberem uma porcentagem pelas publicidades, os humoristas temem que a falta de limites possa cansar o telespectador e derrubar a audiência.


‘Dança do Siri’


No último domingo, o ‘Pânico na TV’ registrou pouco mais de sete pontos no Ibope, resultado que fica na média de seu desempenho normal (cada ponto corresponde a 55 mil domicílios na Grande São Paulo).


Internamente, a avaliação é que, uma vez que recentemente não houve uma subida significativa no Ibope, o interesse do mercado publicitário pode ter aumentado em razão da forte repercussão da ‘Dança do Siri’ -brincadeira na qual os humoristas do ‘Pânico’ fazem famosos dançar de um lado para o outro, imitando um siri.


Contrato


Apesar do mal-estar, a equipe do ‘Pânico na TV’ não pode exigir um limite da Rede TV!. O último contrato assinado entre o grupo e a emissora, que prevê a exibição do ‘Pânico’ no canal até 2009, estipula que o lucro comercial será dividido, mas não dá aos humoristas poder de restringir a publicidade.


A Rede TV! foi procurada pela Folha por meio de sua assessoria de imprensa. Mas, até o fechamento desta edição, não havia se pronunciado.’


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 10 de outubro de 2007


PLAYBOY NA POLÍTICA
Ana Paula Scinocca


‘Playboy’ chega ao Congresso


‘As duas bancas de jornal do Congresso registraram ontem um elevado quórum de anônimos servidores do Legislativo, encarregados de comprar a revista Playboy que trouxe na capa a jornalista Mônica Veloso, pivô da crise que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A banca principal, da chapelaria, na entrada do Congresso, vendeu 40 edições em quatro horas – o dobro da média mensal. Até o final da tarde, 150 dos 200 exemplares disponíveis já tinham sido vendidos.


‘Foi um verdadeiro fuá. Nunca pensei que a chegada da revista da Mônica fosse gerar tanta curiosidade aqui’, disse um dos funcionários da banca da chapelaria, José Erinaldo Silva Pereira, prevendo reabastecimento para os próximos dias.


Pela manhã, suas excelências usaram laranjas para manter o decoro. Ninguém quis se expor, dizem funcionários das bancas da chapelaria e do Anexo 4. ‘Fica chato aparecerem aqui para fazer esse tipo de compra’, analisou um deles.


Mais tarde, sem constrangimento, os deputados pernambucanos Maurício Hands e Bruno Araújo, um petista e o outro tucano, ignoraram as divergências partidárias e deixaram-se fotografar com a revista.


Eles, porém, foram a exceção. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), por exemplo, ao se deparar com o plantão de fotógrafos e cinegrafistas, saiu de mãos abanando. Indagado se tinha visto a revista, o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), driblou: ‘O assunto é tão perigoso que nem na revista quero ver. Uma foto vendo a revista já dá uma pensão.’


Nos corredores do Congresso, no dia mais tenso desde o início da crise envolvendo Renan, o assunto foi um dos mais comentados. Nem quem estava no plenário do Senado, apesar da sessão tensa, deixou de espiar. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), como flagraram os fotógrafos, recorreu à internet para conferir os cliques.’


***


Jaques Wagner lança programa de rádio


‘O governador baiano, Jaques Wagner (PT), lançou ontem o programa de rádio Conversa Com o Governador, nos moldes do Café Com o Presidente, transmitido às segundas-feiras. O programa de Wagner irá ao ar às terças-feiras. Na estréia, o governador falou sobre a divisão da Bahia – posicionando-se contra -, a adesão ao Pronasci e o fim do contrato entre o governo estadual e o Bradesco.’


VENEZUELA
Simone Iwasso


Venezuela dificulta reunião de jornalistas


‘Pela primeira vez, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) poderá ter de mudar o país escolhido para sediar uma de suas reuniões anuais por pressões governamentais. A entidade pretendia reunir-se em março na Venezuela, mas, após negativas de hotéis de Caracas, Ilha Margarita e Maracaibo, o evento poderá ser organizado em outro país.


‘Todos os hotéis que contatamos dizem que não podem nos hospedar, sem dar explicações. Em Maracaibo, um havia aceitado, mas depois nos ligou dizendo que não poderia mais nos receber. Enxergamos isso como uma pressão externa, uma vez que a entidade tem uma posição bem clara sobre os problemas que envolvem a liberdade de expressão e o governo na Venezuela’, explica Julio Muñoz, diretor da SIP.


‘Nunca tivemos um problema como esse. Então, o tema será discutido por nosso comitê-executivo e poderemos escolher outro país para sediar a próxima reunião’, explica.


Os locais que sediam as reuniões da SIP são determinados após convites feitos pelos veículos de comunicação e por jornalistas locais. Ele conta que, no caso da Venezuela, há alguns anos jornais e revistas convidavam a entidade para debater o tema. Era um país que estava na lista de espera para sediar um encontro.


CUBA


De acordo com Muñoz, até hoje o único país onde a SIP tentou organizar o encontro e não conseguiu foi Cuba. ‘Já pedimos visto várias vezes para tentar entrar lá e organizar um evento jornalístico lá, mas nunca recebemos autorização’, lembrou.


O problema será um dos temas discutidos pela entidade no encontro geral que começará na sexta-feira, em Miami. O objetivo é avaliar avanços e retrocessos na liberdade de imprensa na América Latina nos últimos seis meses. O evento reunirá mais de 500 representantes de jornais e editoras durante uma semana.


Entre os tópicos a serem abordados e que preocupam a entidade estão a prisão de jornalistas independentes em Cuba, o fechamento da Radio Caracas Televisión em maio na Venezuela e o assassinato de oito jornalistas, além do desaparecimento de outros dois em diversas regiões da América Latina.’


TELEVISÃO
Leila Reis


‘Deus me livre de sair na rua e ninguém notar!’


‘Ano que vem, Cláudia Jimenez completa 30 anos de TV Globo. Aos 48 anos, a atriz que conquista ‘velhos e crianças’ como a anja trapalhona Custódia da novela Sete Pecados, critica os artistas ‘que passam uma parte da vida tentando aparecer e depois outra parte reclamando do incômodo do assédio’. Nesta entrevista ao Caderno 2, Cláudia fala de seus acertos e erros, conta que queria fazer uma sitcom, não gosta de sátira – ‘Qualquer um pode fazer rir quando se veste de Fátima Bernardes e de William Bonner’ – e que, daqui a dez anos, se vê capa da Playboy.


Custódia é mais trapalhona, romântica ou ingênua?


Ela é tudo, porque Walcyr Carrasco quer que seja uma anja que não sabe nada desta Terra. A confusão piora agora que ela tem de agir como humana, porque perdeu seus poderes.


Você vai acabar a novela no altar?


Não sei, não sou de ficar ligando para autor. Imagina se os 70 atores da novela fizessem isso. Não fico querendo controlar o destino da personagem. Como atriz, faço o meu papel o melhor que posso e pronto.


É mais divertido ser anja como Custódia ou diaba, como Edileuza?


Edileuza não era diaba, era uma empregada irreverente que trabalhava para um bando de picaretas. Prefiro fazer a Custódia, uma personagem mais leve, que pega todo tipo de espectador, velhos e crianças. Minha popularidade com crianças não era assim desde que eu fazia a Cacilda, da Escolinha do Professor Raimundo. Adoro crianças, por isso faço a Custódia meio ingênua, que leva esporro de todo mundo.


Qual é o seu pecado capital?


A gula.


O mesmo da Cláudia Raia…


Ah, é? Mas só eu tenho como provar.


Que trabalho te frustrou?


Consuelo, de América. Foi uma personagem que não consegui fazer direito, porque não sei fazer gente sofrida. Não passo tão despercebida para fazer interpretações realistas. Comédia é que gosto de fazer e as pessoas gostam de ver.


Foi uma roubada?


Não, as pessoas adoravam a personagem. Mas senti que podia ter feito melhor se tivesse mais experiência em coisas realistas.


Como faz as escolhas profissionais?


Como escorpiana, sigo minha intuição. Às vezes, já sei que não vai dar certo, mas não tenho forças para dizer ‘não’. O que conta para mim são as pessoas. Tem gente que faz qualquer coisa para estar no ar, eu não. Para mim, importa o ambiente. Trabalho é bom se eu estiver em harmonia, com gente da minha tribo.


Quem é sua tribo?


Jorge Fernando (diretor de ‘Sete Pecados’), que namorei na adolescência. Nós éramos do subúrbio, eu era apaixonada. Ele me aceita por inteira, conhece todas as minhas chatices.


O desespero por audiência está provocando mais pressão no elenco?


Eu não sinto, porque não me preocupo com ibope. Não me importo se gravo mais ou menos. Quando entro em uma novela, fico à disposição dela pelos oito meses.


Está mais fácil ou difícil fazer rir atualmente?


Sou comediante e, deixando a falsa modéstia de lado, não encontro muita dificuldade. O retorno que recebo na rua é absurdo. Os homens gritam: ‘Você quer ver a minha tatuagem?’ E as senhoras: ‘Queria uma anja como você.’


Como enfrenta o assédio do público?


Nunca sofri uma abordagem agressiva por parte do público, sou tratada como uma rainha. Acho uma pena as pessoas que passam uma parte da vida tentando aparecer e quando conseguem passam outra parte reclamando do incômodo do assédio. O público é meu patrão, se ele não me quiser, a TV Globo também não vai me querer. Deus me livre de sair na rua e ninguém me notar! Estou na TV desde 1978, quando fiz Viva o Gordo. Trabalhei 12 anos com Chico Anysio, 5 com o Jô Soares e 2 no Sai de Baixo.


Como você avalia o humor produzido pela TV hoje?


Tem gosto para tudo. Gosto da Grande Família e gostava de Os Normais.


O que você odeia?


Não gosto de sátira, porque brincar com a atualidade é mais fácil do que fazer personagem. Qualquer um pode fazer rir quando se veste de Fátima Bernardes e de William Bonner, só que isso nada mais é do que faturar em cima do que alguém fez. Humor bacana é criar personagens como faz o Chico Anysio.


Você é uma das melhores comediantes da sua geração. Por que a Globo não te ofereceu ainda um programa?


Já quiseram me dar um monte. Agora mesmo estava tratando de um programa escrito pela Fernanda Young e pelo Alexandre Machado, mas parei quando o Walcyr Carrasco me chamou para fazer a novela. Não tenho essa vaidade de querer um programa com meu nome. Mas como fiz uma Sorbonne do humor na Escolinha ao trabalhar com Lúcio Mauro, Rogério Cardoso, Walter Stuart, Brandão Filho, queria um espaço para usar tudo isso. Quero fazer uma coisa nova, causar gargalhadas.


Você não apresenta projetos?


Não tenho essa coisa empreendedora da Regina Casé, a grande estrela da Globo. Disse para a Regina que queria ser como ela, sabe o que ela me respondeu? ‘Se eu não fizer isso, ninguém me chama para trabalhar.’ Sempre quis fazer sitcom, explorando o humor do cotidiano. Mas é difícil, porque a gente chega para um diretor e um autor toda entusiasmada com uma idéia e é atropelada pelo estilo e pela história que eles já têm na cabeça. Ainda não rolou a generosidade de um diretor ouvir o que penso e saber o que quero.


Como você se vê daqui a dez anos?


Estarei com 58 anos… me vejo na capa da Playboy. Com todos os recursos técnicos que existem agora, vou aparecer muito bem…’


***


Silva: ‘Não é Dirceu’


‘Autor diz que seu vilão tem vida própria


Em resposta à carta que Clara Becker, ex-mulher de José Dirceu, tornou pública pelo jornal Folha de S.Paulo, o autor da novela das 9 da Globo, Duas Caras, Aguinaldo Silva esclarece em seu blog (http://bloglog.globo.com/aguinaldosilva/) que Adalberto Rangel ‘não é José Dirceu’.


Silva deu entrevistas em que citava Dirceu como inspirador para a plástica a que submeteu o vilão da história, Adalberto (Dalton Vigh). E Clara se manifestou para dizer que o ex-marido nunca foi vilão na vida real.


‘Um ficcionista sempre se inspira em fatos reais que ele viveu, ou dos quais ouviu falar; e este das plásticas feitas pelo ex-líder estudantil e ex-ministro forte do primeiro governo Lula pra mudar de rosto e identidade é notório’, esclarece o autor. Silva diz que Clara ‘ comete um pecado habitual dos telespectadores, que é confundir o que acontece na novela com a verdade’. ‘Não estou falando do ex-marido dela, e sim de um personagem que criei e cuja vida é de minhas inteiras imaginação e responsabilidade.’


Silva é o primeiro novelista a comentar seu enredo e audiência em blog. Mas já tem candidato a atriz e roteirista usando o espaço de comentários para lhe pedir uma chance profissional.


Floresta cenográfica


Eis aí a autora Glória Perez, criadora da minissérie Amazônia, endossando o cenário do estande que a Globo montou na MipCom, feira de audiovisual em Cannes. O tema, dizem os organizadores, teria aumentado em 15% a visitação à ‘lojinha’ da Globo.


entre-linhas


A Band festeja bons resultados que garantem o terceiro lugar em audiência em alguns horários em cima do SBT, segundo medição na Grande São Paulo. O Jornal da Band alcançou 6 pontos na terça-feira.


A que ponto chegou o Big Brother Brasil: candidato baiano a uma vaga na oitava edição do reality da Globo, veja bem, candidato a candidato, já tem até assessoria de imprensa.


Soou estranho o comentário de Arnaldo César Coelho que, depois de explicar um lance de impedimento, elogiou ‘o abdome bem definido da bandeirinha’, no clássico São Paulo X Corinthians no último domingo.


Além de Globo e Record, produtoras independentes brasileiras também levaram seus peixes para oferecer na MipCom, feira de produtos televisivos em Cannes. Entre elas, a TV Pingüim e a Mixer.


Anteontem, o AXN veiculava propagandas de Jericho enquanto a série estava sendo exibida. Às 21h30, a publicidade anunciava: ‘Jericho, hoje, às 21 horas.’ Para piorar, a propaganda mostrava uma cena do final do episódio que estava no ar.


O Eurochannel iniciou sua transmissão em Portugal. O sinal que vai para lá é o mesmo do Brasil.


Wagner Moura merecia parâmetro melhor: o ator concorre com Roberto Justus e o ex-BBB Alemão na categoria ‘homem do ano na TV’ em eleição promovida pela revista VIP.’


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