Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Dona Vitória e a “vitória” da Veja

Por Alberto Dines em 01/09/2005 na edição 344

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Enquanto se discute se o nosso jornalismo é efetivamente investigativo, uma coisa é certa: o jornalismo investigativo já tem a sua padroeira. O nome verdadeiro não se sabe, sabe-se apenas que Vitória, Dona Vitória, é o nome de guerra desta cidadã exemplar que talvez pouco saiba sobre a função da imprensa, mas deu uma aula de jornalismo investigativo ao longo de dois anos documentando com a sua câmera de vídeo o tráfico de drogas que corria solto perto do seu apartamento em Copacabana. No dia em que puder sair do anonimato, Dona Vitória deverá receber dois prêmios: um de cidadania e outro de jornalismo.


A Veja desta semana está comemorando uma vitória no Supremo Tribunal Federal. Numa decisão histórica, o ministro Celso de Mello rechaçou a ação movida por um advogado que considerou reportagens publicadas recentemente pela revista como crimes contra a segurança nacional e contra a pessoa do chefe da nação. A alegria da Veja por esta vitória no STF foi compartilhada por diversos jornais brasileiros. Todos saudaram a vitória da liberdade de expressão. Mas todos esqueceram de informar que reportagens foram estas, o que diziam? Quem foi o autor da ação? Como é que se pode comemorar abstratamente a consagração do direito de informar sem informações concretas sobre a razão da festa?


Tudo indica que o furacão Katrina deve amainar nos próximos dias, mas o nosso furacão político parece que tem fôlego para continuar a sua devastação. Mais de 100 dias depois de começado, percebe-se que terminou a fase um, a fase do barulho e do espanto, e antes do começo da fase dois pode-se ensaiar um balanço.


Qual a razão do tremendo rebuliço que causou na vida nacional? Por que uma crise política teve tamanha repercussão e ainda promete tantas emoções? Enquanto os analistas políticos fazem suas avaliações, cabe a nós examinar a questão sob a ótica da imprensa.


Esta foi a primeira crise coberta em tempo real. Por mais espantosas que fossem as manchetes ou capas, jornais e revistas já estavam superados na véspera pela transmissão ao vivo das televisões por assinatura, pelas rádios noticiosas e sobretudo pela internet.


Ainda que estejamos longe de alcançar os padrões europeus ou americanos de inclusão digital, nossos portais de notícias na internet estão desempenhando um papel importantíssimo no acompanhamento da crise. E dentro dos portais apareceu uma novidade: os blogs, os diários dos jornalistas que acompanham os fatos minuto a minuto.


Não foi uma invenção das empresas jornalísticas nem imposição do mercado. Foi uma iniciativa dos jornalistas que resolveram aproveitar a tecnologia no lugar de serem escravizados por ela. Significa que os blogs são bons para os jornalistas, mas será que são bons para o jornalismo?

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