Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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IMPRENSA EM QUESTãO >

E a imprensa fez que não viu

Por Alberto Dines em 27/10/2008 na edição 508

Ao votar no domingo (26/10) pela manhã em São Bernardo do Campo, o presidente Lula da Silva gabou-se de que estas eleições ‘foram atípicas porque ninguém falou mal do governo federal’ [ver aqui]


O presidente é hábil, gosta de antecipar-se, mas agora foi apressado, apressado e incorreto: quem deveria criticar o governo federal – e mais precisamente a Presidência da República – é a imprensa. E a nossa imprensa não abriu o bico simplesmente porque tem medo do presidente. Medo este agravado pela catástrofe financeira mundial que logo deverá envolver os grandes e médios grupos de comunicação.


A grande verdade é que também nestas eleições o presidente Lula interferiu indevidamente em favor de seus candidatos. Em 2004, também em São Paulo e também em favor de Marta Suplicy, o presidente chegou a ser multado pela Justiça Eleitoral, fato inédito.


A interferência de agora começa com o estranho ‘licenciamento’ de Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete da Presidência da República, para participar da coordenação da campanha da candidata petista.


O que significa exatamente este licenciamento? As pessoas de repente esquecerão que Gilberto Carvalho é um dos mais próximos assessores da Presidência e que dentro de dias voltará a ocupar o gabinete vizinho ao do presidente? Licenciamento significa apenas abrir mão do salário por alguns dias?


Antes de tudo


A imprensa engoliu o fato, sequer o estranhou, mas devia: talvez não constitua infração, mas foi impróprio, indevido, antiético.


Também as duas manifestações ostensivas em favor da sua candidata foram irregulares. Insinuar que Marta militou na campanha pela liberdade (ao contrário de Kassab) é incorreto, ela só filiou-se ao PT em 1983 e até 1995 envolveu-se apenas com a sua carreira profissional. E aquela história do Dia Nacional da Hipocrisia, justamente quando a sociedade revoltava-se com a baixaria contra a vida pessoal do adversário, não é o que se poderia chamar de ‘jogo limpo’.


O presidente da República é eleitor, vota, tem direito a preferências, mas é antes de tudo um magistrado, cabe a ele dar o exemplo de isenção, equilíbrio. Nossa mídia tem muitas culpas no cartório, está à beira do abismo. Por isso preferiu olhar para o outro lado.

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