Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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IMPRENSA EM QUESTãO > THE NEW YORK TIMES

Iceberg de erros

28/02/2012 na edição 683
Sobre artigo de Arthur S. Brisbane, de Nova York (EUA)

O ombudsman do New York Times, Arthur S. Brisbane, enumerou em sua coluna (25/2) erros em três diferentes obituários, todos corrigidos no dia 16/2: foto de outra pessoa, ano incorreto de casamento, nome com letra trocada, título incorreto do álbum de Dory Previn, cargo trocado. Erros sempre são ruins, mas correções são boas e mostram que o jornal está tentando ser responsável por eles, ressalta Brisbane. No ano passado, o NYTimes publicou 3,5 mil correções na versão impressa e outras 3,5 mil na online, onde os erros haviam sido cometidos. Estes números, no entanto, são apenas uma fração do total de falhas.

Pesquisa sobre a precisão do meio jornal, conduzida periodicamente ao longo dos últimos 75 anos, mostra que os veículos de notícias têm um índice extraordinariamente alto de erros. Um estudo de 2005 mostrou que mais de 60% dos artigos em um grupo de 14 jornais continham algum tipo de erro. Segundo pesquisas feitas após esta data, os erros aumentaram ainda mais. “Temos um problema persistente, provavelmente maior do que a maioria dos jornalistas tinha conhecimento”, afirma Scott Maier, coautor do estudo (que não incluiu o NYTimes).

De olho

Craig Silverman, autor do livroRegret the Error: How Media Mistakes Pollute the Press and Imperil Free Speech (Como os erros da mídia poluem a imprensa e põe em risco o livre discurso), acredita que o NYTimes seja o jornal mais analisado do mundo e que, provavelmente, receba mais avisos de erro do que qualquer outra organização de mídia. Além disso, é o único jornal a ter alguém em tempo integral para gerenciar o processo de correções – Greg Brock, que exerce a função desde 2006.

Brock estima, de maneira conservadora, que o NYTimes tenha em média 14 mil pedidos de correções em um ano. Os possíveis erros são repassados para uma rede de 34 editores em vários departamentos, que são encarregados de analisá-los. Se um erro óbvio for identificado, uma correção é publicada. Outras vezes, o processo demora e consome semanas de negociações entre o departamento de correções e repórteres e editores. Algumas vezes, a decisão final cabe a Philip B. Corbett, editor de padrões do jornal. Uma ferramenta do banco de dados permite que se tenha uma noção de todo o cenário de correções, permitindo que se veja os departamentos e os jornalistas que precisam de atenção – os erros podem ser, muitas vezes, resultado do excesso de tarefas.

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