Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

IMPRENSA EM QUESTãO > MÍDIA & MERCADO  

NYT conquista mais assinantes digitais e amplia circulação

Por Nelson de Sá em 30/10/2012 na edição 718
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 26/10/2012

A New York Times Co. informou ontem, ao divulgar seu balanço do terceiro trimestre, que o número de assinaturas digitais cresceu 11% em relação ao trimestre anterior, atingindo 566 mil. Os dados abrangem o “NYT” e sua edição externa, “International Herald Tribune”.

Mas o resultado das assinaturas veio dentro da expectativa, segundo analistas, ao contrário da publicidade, que veio bem abaixo.

No fim do dia, as ações da NYT Co. fecharam com queda de 21,97% em Nova York, causada pela redução de 8,9% na receita publicitária, em comparação com o mesmo período de 2011.

A redução ocorreu tanto na publicidade impressa (10,9%) quanto na digital (2,2%).

Com isso, o lucro líquido ficou em US$ 2,28 milhões, queda de 85% ante o terceiro trimestre de 2011.

Um analista do banco de investimentos Evercore Partners sublinhou que a queda

na publicidade impressa foi maior que nos concorrentes e descreveu o trimestre como “muito desapontador”.

Já um analista do UBS destacou a queda na publicidade digital, que indica melhor o futuro, “no fim das contas”.

“Paywall”

O presidente da NYT Co. e publisher do “New York Times”, Arthur Sulzberger Jr., comentou que, “embora os resultados reflitam a pressão persistente nas receitas publicitárias, a receita de circulação cresceu [7,4% ante o mesmo período de 2011], comandada pela expansão contínua da base de assinantes digitais”, que se apresenta “robusta”.

Acrescentou que “os investidores que adotam perspectiva de longo prazo estão satisfeitos com o acúmulo de reservas”, resultado da venda de ativos nos últimos meses, como o site About.com, “e esperam que eventualmente seja feito algo de bom e inteligente, para os acionistas, com o dinheiro”.

Segundo ele, os investidores de longo prazo também “gostam que o modelo [do jornal] esteja se direcionando para a circulação”, não mais publicidade, com a adoção do “paywall” (muro de pagamento) poroso.

Thompson

Sulzberger também abordou a polêmica em torno do executivo que convidou para assumir a função de presidente-executivo da NYT Co., Mark Thompson, a partir do mês que vem.

Ex-diretor-geral da BBC, Thompson vem sendo questionado sobre seu papel no escândalo de acobertamento de pedofilia de um dos principais apresentadores da rede britânica, Jimmy Saville, que teria se estendido por décadas.

Segundo o publisher do “NYT”, o executivo “tem altos padrões éticos e é a pessoa ideal para liderar a nossa empresa”. Relata que Thompson fez à direção do jornal um relato detalhado de suas ações no caso.

Mas o jornal prossegue na cobertura do escândalo “com objetividade e rigor”, o que é instigado publicamente pela nova ombudsman, Margaret Sullivan, e enviou ontem para Londres o chefe de sua equipe de jornalismo investigativo, Matthew Purdy.

***

[Nelson de Sá, da Folha de S.Paulo]

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