Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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IMPRENSA EM QUESTãO >

As aventuras de um apresentador canalha

Por Luiz Gustavo Anversa Sprovieri em 15/01/2013 na edição 729

O pior que a imprensa pode fazer é não investigar a si própria. E foi exatamente isso que aconteceu no mórbido episódio da BBC (uma das mais respeitadas empresas de comunicação do planeta) e seu lendário apresentador (e, agora sabemos, crápula) Jimmy Savile, morto em 2011. Segundo a polícia de Londres apurou, Savile abusou sexualmente de centenas de pessoas por seis décadas. Sendo mais específico: 82% eram mulheres e mais de 70% tinham menos de 18 anos. Até agora foram listados 214 crimes. A maioria, de acordo com a promotoria, aconteceu entre 1966 e 1976, período em que o apresentador canalha estava no auge.

Para piorar a situação, Peter Spindler, comandante da investigação, afirmou que “as provas existentes já serviriam para indiciar Jimmy quando ainda estava vivo”. O apresentador não foi apenas estrela da BBC. Recebeu o nobre título de cavaleiro da rainha Elizabeth II e uma condecoração do papa João Paulo II por seu “trabalho voluntário”. Infelizmente, ele usava essas “conquistas” para se aproximar de jovens indefesos. O que embrulha o estômago foi descobrir que Jimmy Savile abusou de suas vítimas no prédio da emissora britânica e nos hospitais onde fazia sua “filantropia”.

E onde a prestigiada BBC entra nesse conto de horror? Um dos principais telejornais da emissora, o Newsnight, havia produzido em 2011 um documentário sobre os crimes de Jimmy. Misteriosamente, o material não foi ao ar. No lugar, o canal transmitiu homenagem póstuma à sua “estrela”. Em outubro do ano passado, a ITV, emissora concorrente, exibiu reportagem que denunciou o comportamento do ex-apresentador da BBC.

Erros grotescos

Para piorar ainda mais, em novembro, o mesmo Newsnight, da mesma BBC, levou ao ar falsa acusação de pedofilia contra um político.

As “investigações” da internet levaram ao ex-integrante da Casa dos Lordes Alistair McAlpine. Ele negou o envolvimento e ameaçou processar os envolvidos. A vítima reconheceu que havia se enganado e pediu desculpas públicas a McAlpine.

Depois dos erros grotescos e imperdoáveis, o diretor-geral da BBC, George Entwistle (que ficou menos de dois meses no posto, mas há mais de 20 anos na casa), pediu demissão. Seu antecessor, Mark Thompson, que ficou no cargo há oito anos, vergonhosamente não se pronunciou. Tem outra ocupação no momento: presidente do New York Times.

***

[Luiz Gustavo Anversa Sprovieri é jornalista, São Paulo, SP]

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