Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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ENTRE ASPAS >

Edir Macedo liga denúncia a crescimento da Record

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 18/08/2009 na edição 551


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas. 
 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 17 de agosto de 2009 


 


GUERRA NA TELINHA


Folha de S. Paulo


Bispo liga denúncia a crescimento da Record


‘O bispo Edir Macedo afirmou ontem, na primeira entrevista desde que a Justiça acolheu denúncia contra a Igreja Universal do Reino de Deus, que as acusações surgiram em razão do crescimento da TV Record, ligada à igreja. A entrevista foi ao ar no ‘Repórter Record’, ontem à noite.


‘Antes, eles [a TV Globo] tinham medo que eu fosse candidato a presidente da República. Hoje, têm medo que a Record chegue ao primeiro lugar’, afirmou Macedo.


O líder da Universal acusou parte da mídia de ‘preconceito religioso’ e disse que as denúncias não o afetaram em absolutamente nada. Segundo ele, a igreja deve crescer neste momento em que é ‘atacada’.


O bispo também afirmou que o dinheiro da Universal não vai para a Record -acusação feita pelo Ministério Público-, mas para a construção de templos e obras e ações de caridade.


A reportagem deixou clara a ligação entre a Universal e a Record. Em imagem da repórter no avião de carreira a caminho de Miami, exclusivamente para a entrevista, ela diz que está pensando nas perguntas que terá de fazer ao ‘chefe’. A entrevista tentou mostrar o bispo como um homem simples e bem-humorado, que ‘chegou dirigindo o próprio carro’.


Macedo defendeu o uso de aviões particulares pela Universal, dando a entender que poderia ser alvo de tentativas de assassinato. ‘Se eu não tivesse avião, os outros passageiros estariam correndo risco de vida’, afirmou, dizendo que o crescimento da Universal ‘está incomodando os poderosos, que estão aí há muitos séculos’.


O líder da Universal afirmou que sua ‘maior ambição é colocar a Record lá em cima’. ‘Nós vamos arrebentar’, disse.


Além da entrevista, o programa voltou a atacar a Globo, que, por sua vez, no ‘Fantástico’, falou de fieis que se dizem ludibriados pela Universal.


Ataque a promotor


A Record também atacou Roberto Porto, um dos quatro promotores que fizeram a denúncia acatada pela Justiça paulista. O ‘Repórter Record’ questionou sua isenção e afirmou que Porto foi punido por beneficiar a TV Globo.


O promotor ficou afastado do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) de novembro de 2003 a abril de 2004, por causa da divulgação de uma gravação do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, reclamando do Regime Disciplinar Diferenciado na penitenciária de Presidente Bernardes. A entrevista foi levada ao ar pela TV Globo.


A Folha deixou recado no celular do promotor ontem à noite, mas ele não ligou de volta até a conclusão desta edição. A assessoria do Ministério Público afirmou que a entidade só deve se manifestar hoje.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


EUA & Petrobras


‘O Valor Online atravessou o fim de semana com a manchete ‘Petrobras pode investir mais que o previsto este ano’, passando dos R$ 60 bilhões. No primeiro semestre, de crise, não faltou dinheiro e foram R$ 32 bilhões em equipamento para o pré-sal.


E o americano ‘Investor’s Business Daily’ publicou longo editorial em defesa da concessão de US$ 10 bilhões de crédito para a Petrobras investir no mesmo pré-sal, como anunciou o estatal Eximbank há duas semanas, via Bloomberg e outras agências. O jornal argumenta com ‘fatores estratégicos’ como contraposição aos mesmos US$ 10 bilhões oferecidos pela China à Petrobras -e também a compra eventual de petróleo, agora que a Venezuela passou ‘México e Arábia Saudita’ como fornecedora dos EUA.


WAL-MART E A CLASSE C


Segundo destaque na capa do ‘Wall Street Journal’ de sexta, só abaixo da manchete, a longa reportagem ‘Depois dos erros iniciais, Wal-Mart pensa localmente para agir globalmente’ descreve como ‘a São Paulo engasgada de trânsito se mostrou inóspita às lojas vastas que dominam o subúrbio americano’. O que funcionou e agora serve de modelo para o investimento da rede na Índia são os pequenos mercados Todo Dia, que o ‘WSJ’ visitou de Carapicuíba a Salvador. Um ‘formato muito próximo do povo’ e que permitiu à gigante americana atingir a ‘classe média emergente’.


Na foto destacada pelo jornal (acima), um grupo de percussão é ‘exemplo dos programas inusitados da Wal-Mart para criar fidelidade na comunidade’.


INVISÍVEIS


Na revista de fim de semana do ‘Financial Times’, a longa reportagem ‘Como a migração transformou Martha’s Vineyard’, ilha em Massachusetts que é destino de verão para milionários e políticos célebres, inclusive ‘os Obama’, este ano. ‘Hoje, ela depende de milhares de brasileiros para o trabalho pesado, na maioria ilegais’ e que já enfrentam reação.


‘FT’ perfila o primeiro a se instalar, Lyndon Johnson Pereira, natural de Goiabeira e que voltou à cidade mineira, onde o jornal foi encontrá-lo, rico. O texto fecha dizendo que ‘em poucos dias Obama chega para as férias e provavelmente também não vai notar os trabalhadores invisíveis que fazem a ilha funcionar’, ele que ‘adiou a reforma da imigração para 2010, pelo menos’.


GOLPE? QUE GOLPE?


Eliane Cantanhêde informou anteontem na Folha que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse que o avião que o sequestrou em 28 de junho fez um pouso na base aérea americana no país, entre a decolagem na capital e o desembarque na Costa Rica.


A Associated Press passou o fim de semana atrás da confirmação, com quatro correspondentes, até destacar, nos sites de ‘New York Times’ e ‘Washington Post’, que o porta-voz do Comando Sul dos EUA respondeu ‘por e-mail’ que os militares americanos ‘não tomaram parte nem conhecimento das decisões feitas para o avião aterrissar, reabastecer e levantar voo’.


DISTENSÃO


Eliane Cantanhêde, em videocast na Folha Online, avaliou como ‘gol da política externa brasileira’ o encontro da Unasul, quando o país questionou o acordo das bases entre Colômbia e EUA, mas também enfrentou a Venezuela que queria ‘incendiar’ a reunião.


O colombiano ‘El Tiempo’ detalhou o acordo a ser assinado, com trechos como ‘sob nenhuma circunstância poderá haver uma base militar estadunidense na Colômbia’ e ‘EUA não poderão realizar operações da Colômbia até outros países’. Nas agências, após sugerir um acordo semelhante com o Brasil, o presidente Álvaro Uribe propôs negociações para ‘restabelecer relações’ com o Equador de Rafael Correa, que aceitou.


ESTRATÉGIA


AP e a chinesa Xinhua cobriram a reunião do chanceler brasileiro com o presidente do Peru para reafirmar a ‘aliança estratégica’ nos ‘temas regionais’


DE FHC A SERRA


AP, Reuters e outras cobriram a reunião dos do ex-presidente e do governador com o presidente do México, em evento que fez a defesa de um ‘tratado bilateral de comércio’’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Guerra da audiência chega aos ônibus de São Paulo


‘A Globo lança hoje um serviço de TV para ônibus em São Paulo. Inicialmente, serão 300 veículos transmitindo uma programação pré-gravada, mas atualizada todos os dias.


O ‘programa’, de uma hora, será reprisado continuamente. Trará resumos dos capítulos do dia anterior das novelas -’Malhação’, ‘Paraíso’, ‘Caras & Bocas’ e ‘Caminho das Índias’- e ‘informações de caráter de prestação de serviços’.


Outros 30 ônibus transmitirão o sinal digital da Globo, ou seja, terão a programação da emissora em tempo real. Cada ônibus terá dois monitores de LCD de 24 polegadas. As linhas que terão o serviço não foram divulgadas pela emissora.


O lançamento da Globo leva para os ônibus a guerra da audiência. A rede acelerou a entrada em vigor do projeto, em desenvolvimento há alguns meses, ao saber que a Record planeja algo semelhante. A Record, que pretendia ser mais rápida, confirma o projeto, mas diz que ainda é ‘confidencial’.


Ao levar sua programação para os ônibus, a Globo garante um público que perde horas todos os dias no trânsito. É uma forma de fidelizar a audiência e de atrair público que normalmente não vê TV. É também uma tentativa de conquistar telespectadores que migraram para as novelas da Record.


Os ônibus que carregarão a Globo são de viações que têm contrato com a empresa Bus Mídia. A Globo diz que não terá custos com a operação. A receita da Bus Mídia virá de publicidade, que terá de seguir o manual de práticas comerciais da Globo.. A emissora também negocia com cooperativas de táxi.


CARA NOVA


Angélica e Luciano Huck, que apresentavam o ‘Criança Esperança’ dominical, serão âncoras do show do sábado. Ana Maria Braga, que dividia com o casal o programa de domingo, está fora da edição deste ano, porque está em férias..


EFEMÉRIDE O ‘Vídeo Show’ comemora hoje sua 5.000ª edição com a presença de ex-apresentadores (Cissa Guimarães, Renata Ceribelli e Ana Furtado) e de Ney Latorraca, revivendo Barbosa, personagem do ‘TV Pirata’.


ARRAIAL


Todos os eliminados de ‘A Fazenda’ voltarão a ser confinados no próximo sábado, na última festa da primeira edição do programa.


ABALO


O interesse da Record por César Tralli esfriou depois que o jornalista fez reportagens, na semana passada, sobre as investigações contra a Igreja Universal e a emissora.


REFORÇO


As denúncias contra a Universal não tiveram impacto negativo sobre a audiência da Record. Pelo contrário, o desempenho da emissora na semana passada foi ligeiramente melhor do que na semana anterior. O da Globo, que a atacou (e também foi atacada), também.


HOMENAGEM


A próxima temporada de ‘Ó Paí, Ó’, da Globo, fará homenagem a Michael Jackson. Lázaro Ramos vai cantar ‘Black or White’ com Carlinhos Brown.’


 


 


Janaina Lage


National Geographic visita favela carioca


‘O escritor Chris Ryan elegeu o Rio de Janeiro como um dos locais para a série de documentários ‘Shadow Soldiers’ (soldados das sombras).. A guerra do Bope (Batalhão de Operações Especiais) contra o tráfico de drogas nas favelas do Rio foi exibida neste mês no canal National Geographic, nos EUA.


Chris Ryan, na verdade um pseudônimo para o militar Colin Armstrong, ficou famoso ao se tornar o único membro da missão ‘Bravo Two Zero’ da força aérea especial britânica, a SAS, a sobreviver e escapar na primeira guerra do Golfo, em 1991. Depois disso, ele se tornou escritor.


Nas próximas semanas estão previstos episódios na Colômbia, no México e nos EUA. No Rio, ele acompanhou as operações do batalhão durante uma semana e participou de uma invasão à Vila Cruzeiro, favela na zona norte da cidade.


O retrato da criminalidade e do papel da polícia na série é bastante estereotipado. A começar pela narração em voz dramática de cada passo da equipe e do sotaque do narrador que chama o batalhão de ‘bópp’. Frases como ‘as favelas do Rio são uma zona de guerra’ e ‘as gangues cariocas são o seu futuro, eles são do Comando Vermelho’ dão o tom do documentário.


Ryan tece elogios ao ‘caveirão’, o veículo blindado da PM usado durante as operações em favelas, e constata a falta de recursos da corporação.


O documentário alterna explicações sobre a origem dos fuzis AK-47, usados pelos traficantes, com o fascínio pelo misticismo da corporação. Um dos membros do Bope mostra uma caveira, o símbolo do batalhão, que o salvou de um tiro durante uma incursão policial. A bala teria batido na caveira que faz parte da faca do policial.


O documentário não tem conclusão, apenas a constatação de que a guerra contra o tráfico no Rio é pior do que Ryan esperava.’


 


 


INTERNET


Bruna Bittencourt


Ascensão e queda do MySpace


‘Em 2007, a jornalista Julia Angwin mal sabia o que era MySpace. Até que foi incumbida de escrever sobre a aquisição do site pela News Corporation -um dos maiores grupos de comunicação do mundo. Angwin é editora de tecnologia do ‘Wall Street Journal’.


Conforme avançou em sua pesquisa, Angwin percebeu que tinha mais do que uma reportagem e, em março deste ano, lançou, nos EUA, ‘Stealing MySpace – The Battle to Control the Most Popular Website in America’ (roubar o MySpace – a batalha para controlar o site mais poderoso dos EUA).


No livro, Angwin aborda da ascensão do site, criado por Chris DeWolfe e Tom Anderson em 2003, à sua turbulenta venda, em 2005. Angwin lembra como a dupla tomou emprestadas algumas das melhores ideias já existentes na web para criar o site, além de polêmicas envolvendo os dois.


O MySpace ficou conhecido como uma rede social para bandas e fãs e serviu de trampolim para artistas. Angwin defende que o legado do site ultrapassa a música. ‘O MySpace deu para comunidades virtuais uma popularidade de massa. Foi a primeira experiência de muitas pessoas com redes sociais. Hoje há redes sociais para qualquer coisa’, disse Angwin à Folha.


Em abril do ano passado, no entanto, o MySpace começou a se despedir de sua hegemonia: foi superado, em relação aos seus visitantes únicos, pelo Facebook, que se tornou a maior rede social dos EUA e do mundo. Como Angwin aponta, a queda do MySpace foi ‘dramática’ neste ano.


‘O MySpace tinha o mercado mais jovem e não percebeu que o Facebook, que detém o público universitário, tomaria o seu, que iria para a faculdade. Eles foram muito cegos.. Nunca tentaram nem manter as pessoas.’


Angwin afirma que o MySpace foi negligente em relação às empresas que desenvolvem aplicativos e, quando o Facebook ofereceu uma acordo melhor, elas deixaram o site. ‘O software do MySpace é grosseiro, eles não o atualizaram por anos. Não é muito amigável [navegar no endereço]’, avalia.


Em julho, o MySpace reduziu em 30% seus funcionários e fechou escritórios que tinha em diversos países, inclusive no Brasil. ‘Imagino que o Facebook seja enorme no Brasil, mas não tenha escritório no país [o site estuda a abertura de um no ano que vem]. Eles foram muito otimistas.’


Esboçando uma reação, o magnata australiano Rupert Murdoch, dono da News Corp, disse em entrevista ao ‘Wall Street Journal’ que o MySpace será bem diferente do Facebook. ‘Eles vão continuar buscando mais experiências de entretenimento, mas não sei o quão dramáticas essas mudanças serão’, diz Angwin. Procurado pela Folha, o MySpace disse que não se manifestará sobre o futuro da empresa.


Angwin não acredita em uma virada do MySpace. ‘Não consigo lembrar de uma empresa de internet que tenha caído tão rápido e se recuperado.’ E não hesita em escolher sua rede social. ‘Eu tentei muito, mas ninguém que eu conheço está lá. Tenho 30 amigos no MySpace e centenas no Facebook.’’


 


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 17 de agosto de 2009 


 


30 ANOS


Felipe Recondo


ANJ discute o futuro do jornalismo no Brasil


‘A Associação Nacional de Jornais (ANJ) promove amanhã, em Brasília, um debate sobre a liberdade de expressão e o futuro do jornalismo brasileiro. O evento é parte das comemorações dos 30 anos da entidade, comemorados hoje.


Dentre os principais temas a serem discutidos, está a liminar concedida pela desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubaram a Lei de Imprensa e a exigência do diploma para jornalistas.


O repórter Iason Athanasiadis-Fowden, do jornal Washington Times, preso por 20 dias durante os protestos no Irã após a conturbada reeleição do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, em junho deste ano, foi convidado para dar seu testemunho sobre o cerceamento à liberdade de expressão no país.


Discutem também o destino do jornalismo e a liberdade de expressão o colunista do Estado Daniel Piza, o ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, o diretor-geral de Produto do Grupo RBS, Marcelo Rech, e os colunistas de O Globo Merval Pereira e do Correio Braziliense Alon Feuerwerker.


Antes do debate, a entidade entregará o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa ao deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), autor da ação no STF que resultou no fim da Lei de Imprensa.


Apesar de as decisões recentes do Supremo confirmarem a disposição da Constituição de garantir a liberdade de imprensa, as liminares em favor da censura a jornais são preocupantes.


CASOS


‘Temos a lamentar as seguidas decisões do Judiciário, em sua primeira instância, de exercer a censura prévia. Dos 31 casos contra a liberdade de imprensa sobre os quais a ANJ se manifestou nos últimos 12 meses, 16 são decorrentes desse tipo de decisão’, afirma a presidente da ANJ, Judith Britto.


Decisões como a que censurou o Estado, diz a presidente da ANJ, não resistem à revisão do Judiciário. Ficam restritas a juízes da primeira instância, mas provocam estragos.


‘Pessoas alegam que determinada informação vai lhes ser prejudicial e previamente alguns juízes impedem o meio de comunicação de veiculá-la. Na instância seguinte, a liminar cai, mas aí o mal já está feito’, completou (leia artigo sobre a censura nesta página).


Além disso, ela afirma, o prejuízo provocado por essas liminares não fica restrito ao jornal ou meio de comunicação que foi alvo da ação. ‘Pode parecer censura que afeta apenas um jornal, mas na verdade afeta a imprensa, os jornalistas e o jornalismo’, disse Judith Brito.’


 


 


CENSURA


João Antonio Wiegerinck


Censura e devido processo legal


‘A Constituição Federal reserva em seu artigo 5°, inciso LIV, o direito assegurado ao devido processo legal e à liberdade. Devido porque é prestação obrigatória do Estado brasileiro para com seus administrados, pautado na impessoalidade e busca da verdade real; processo porque é um conjunto de atos em sequência prevista; e legal porque os diplomas infraconstitucionais regulam tanto o processo em si como os fatos anteriores e incidentes ao mesmo.


Quando se trata da manutenção do devido processo legal, alguns pedidos considerados como exceção podem ser solicitados ao magistrado encarregado da condução da lide. Um destes pedidos é o segredo de Justiça. O segredo de Justiça é solicitado com o objetivo de se evitar fraude de uma das partes, a qual poderia se valer das informações contidas no processo para eventualmente tirar vantagem das informações e deixar de cumprir futura condenação, ou ainda, fraudar situação de direito ou estado, como simular documentos ou desfazer-se de outros comprometedores.


Assim, o segredo de Justiça tem por objetivo vetar informação. Por óbvio, quando tal objetivo tem como escopo instrumento da imprensa, ou seja, calar instituição voltada justamente à informação, de plano já se questiona a existência ou não de um Estado democrático de direito, no qual a liberdade de expressão é dos valores mais protegidos e caros à cidadania, amplo senso. A única justificativa para se impor o silêncio a um órgãos de comunicação e informação diante dos direitos e garantias constitucionais seria o comprometimento das investigação ou o resultado final a ser atingido pelo Judiciário.


No atual quadro da infundada decisão de censura contra o jornal O Estado de S. Paulo, o representante do Judiciário não encontra qualquer justificativa para embasar o absurdo cerceamento. Nada do que foi divulgado compromete o processo em si, a apuração das denúncias ou o final da lide. Aliás, não fosse o trabalho da imprensa, as denúncias não teriam bases sólidas para causar tanta preocupação aos envolvidos.


O Brasil vem crescendo, vem amadurecendo sua condição de Estado adolescente ao apurar suas falhas e se responsabilizar por elas. Economicamente mais estável, administrativamente mais transparente. Outrora, as investigações eram prejudicadas e as situações, todas elas, encobertas. O que se espera e exige é um Judiciário comprometido com a Justiça e a liberdade. O coronelismo e seus frutos não podem vingar no amadurecimento do País.


Qualquer instituição pública deve primar no exemplo. O Senado não é exceção. Em paralelo com o Executivo, exerce a gestão do Estado diretamente. Os eleitores não se esquecerão de quem busca a sombra e de quem a fornece. Em nome da Constituição, vida longa à liberdade de expressão, de imprensa e à informação.


*João Antonio Wiegerinck é professor de direito constitucional do Mackenzie’


 


 


ELEIÇÕES


O Estado de S. Paulo


PSDC terá 5 minutos de propaganda na TV


‘O Partido Social Democrata Cristão (PSDC) conseguiu autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para veiculação de propaganda partidária no dia 21 de janeiro de 2010. A transmissão, de cinco minutos, terá como geradoras a TV e a rádio Bandeirantes de São Paulo. Considerando que no próximo ano haverá eleições gerais, a Lei 9504/95 determina que a transmissão de propagandas partidárias ocorrerá apenas no primeiro semestre.’


 


 


AFEGANISTÃO


O Estado de S. Paulo


Candidatos buscam o voto feminino em debate na TV


‘Num país em que menos de oito anos atrás as mulheres não podiam estudar, trabalhar nem sair às ruas desacompanhadas de um homem e sem vestir uma burca, não deixa de ser uma mudança notável: os três candidatos a presidente que participaram ontem de debate pela televisão esforçaram-se para atrair o voto feminino.


A promessa mais tentadora foi a de Hamid Karzai, o primeiro presidente afegão a participar de um debate eleitoral na TV: aumentar a proporção de funcionárias públicas, dos atuais 21% para 40%.


Os outros candidatos não quiseram ficar atrás. Ashrafi Ghani, ex-ministro das Finanças no governo Karzai, disse que, se eleito, oferecerá dois ministérios a mulheres. ‘O Islã garante muitos direitos para as mulheres’, enfatizou Ghani, quarto colocado, com 6%, na última pesquisa do Instituto Republicano Internacional (IRI), organização apartidária americana.


O ex-ministro do Planejamento e deputado Ramazan Bashardost lembrou que foi o primeiro a empregar mulheres em seu ministério. ‘Não devemos ver as mulheres como cidadãos de segunda classe, mas como seres humanos, que têm o direito de trabalhar’, disse Bashardost, terceiro colocado na pesquisa, com 10%.


Duas mulheres estão entre os 36 candidatos a presidente, mas sem nenhuma chance. Há também muitas candidatas aos conselhos das províncias, estimuladas por uma lei que destina 25% das cadeiras para as mulheres.


NOVA LEI


Karzai lidera todas as pesquisas. Na do IRI, divulgada na sexta-feira, ele aparece com 44% das intenções de voto. Em segundo lugar vem o médico Abdullah Abdullah, com 26%. Abdullah foi chanceler de Karzai e não compareceu ao debate de ontem.


Na semana passada, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou Karzai de ter aprovado, na calada da noite, uma lei que legaliza a discriminação contra as mulheres da minoria xiita. A lei teria sido publicada no Diário Oficial do Afeganistão em 27 de julho, o que levou a HRW chamou de ‘manobra eleitoral de Karzai.


A lei é uma nova versão da que foi adotada em março pelos parlamentares afegãos e assinada por Karzai, mas que não havia entrado em vigor em razão da indignação de muitos países e organização de defesa dos direitos humanos, que acusaram o texto de legalizar o estupro doméstico.


PERMISSÃO


No entanto, muita coisa foi mantida no novo texto, inclusive o direito de um marido retirar qualquer sustento material da esposa, até mesmo a comida, se ela se recusar a satisfazer suas demandas sexuais.


Também permaneceu o artigo que obriga as mulheres a pedir permissão ao marido para trabalhar e permite que um estuprador seja absolvido de qualquer acusação se pagar uma quantia em dinheiro.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Amaury Jr. ‘ganha’ helicóptero


‘Rei do telecolunismo social, e também conhecido por seus ‘informerciais’ disfarçados de eventos, Amaury Jr. conseguiu uma das maiores permutas da TV. Sua atração acaba de ganhar um helicóptero só dela, que ficará à disposição do apresentador em troca de uma pequena citação do fabricante aqui, outra acolá, no ar.


Já em uso pelo Programa Amaury Jr., o helicóptero, avaliado em R$ 4 milhões, levará o apresentador em eventos a até 400 quilômetros de São Paulo, funcionando também como uma espécie de estrela do programa. ‘Claro que vamos filmar minha chegada de helicóptero, que já está todo logotipado’, conta Amaury. ‘Fizemos um esquema comercial com essa empresa, uma espécie de permuta, de comodato.’


Proprietária de dois helicópteros, a RedeTV! tentou evitar que a permuta da nova aeronave vazasse. O Estado apurou que a emissora queria que parecesse que o helicóptero fora locado ou comprado por ela.


Procurada, a RedeTV!, por meio de sua assessoria, diz que Amaury fez um acordo operacional ‘independente’ do helicóptero, por meio de seu programa.’


 


 


 


 


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UOL Notícias


Segunda-feira, 17 de agosto de 2009 


 


CRISE SARNEY


Claudia Andrade


Sarney se defende de acusação sobre imóveis em SP e diz que jornal faz campanha ‘nazista’


‘O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), usou mais uma vez um discurso no plenário da Casa para se defender de acusações. Nesta segunda-feira (17), o peemedebista usou o microfone para atacar ‘O Estado de S.Paulo’ e se defender da denúncia publicada pelo jornal de que ele teria apartamentos em São Paulo pagos por uma empreiteira.


Sarney se defende de acusação e diz sofrer campanha nazista


‘É com grande tristeza que vejo ‘O Estado de S.Paulo’ hoje, depois de uma decadência financeira que o levou a terceirizar sua administração, terceirizar sua redação, sua experiência e sua respeitabilidade. Transformou-se em um jornal que passou a ser, em vez de um jornal lido e respeitável, um tablóide londrino’, comparou.


O Tribunal de Justiça do Distrito Federal proíbe desde o início do mês o jornal ‘O Estado de S. Paulo’ de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga, entre outros, Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.


‘O jornal vem se empenhando em uma campanha sistemática contra mim, uma sistemática nazista de acabar com a imagem da pessoa até levar para a câmara de gás. Felizmente não temos câmara de gás no Brasil’.


No início da noite o jornal informou que não vai responder aos ataques do presidente do Senado.


Ainda no plenário, o senador Pedro Simon (RS), do mesmo partido de Sarney, defendeu a cobertura do jornal paulista. Simon voltou a pedir, da tribuna do Senado, a renúncia de Sarney da Presidência da Casa.


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse por meio do microblog Twitter que é ‘inexplicável’ que Sarney ‘fique contra o esclarecimento’ das últimas acusações.


Imóvel ‘modesto’


Sarney pediu para os colegas ‘refletirem’ sobre o fato antes de falar em investigação. Disse que o apartamento que comprou ‘ainda durante a construção’ é um imóvel ‘modesto’, de 85 m2.


‘Eu comprei o primeiro apartamento ali em 1977 para ali morarem meus filhos. Esse apartamento, muitos colegas meus já foram lá e se admiraram: ‘Como é que o presidente Sarney mora num apartamento de uma sala muito pequena e dois quartos?’ E eu, quando vou a São Paulo me hospedo lá’. O peemedebista disse que ‘devia ser louvado’ por economizar diárias ao ficar em seu apartamento em São Paulo.


Liberdade de imprensa


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, cobrou do Tribunal de Justiça do Distrito Federal rapidez no julgamento da liminar que proíbe o jornal O Estado de S. Paulo de publicar reportagens sobre o empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).


José Sarney afirmou ainda que seu filho Fernando Sarney adquiriu outro imóvel no mesmo prédio pela ‘facilidade’, para que seus netos ficassem perto dos primos. ‘Meu filho colocou (o imóvel) no Imposto de Renda. A escritura ainda não foi passada porque ainda está sendo feito o pagamento. Mas meus filhos se defenderão por eles mesmos’.


‘O que me traz à tribuna é que alguns colegas meus foram muito apressados, não procuraram nem saber do que se tratava e já pedem investigação sobre os imóveis de Sarney’, reclamou citando, entre outros, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e Demóstenes Torres (DEM-GO). ‘Por causa de uma notícia de jornal instaurar uma investigação? Se alguém comprasse algum imóvel, se houvesse algum pagamento de imposto que não tivesse sido feito, se soubesse você denunciaria à Receita Federal. Mas o que tem isso com o Senado?’


O presidente do Senado também reclamou do vácuo criado com a revogação da Lei de Imprensa, decidida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). ‘A Constituição diz que nós temos direito à privacidade. E este país rasga a Constituição, porque nenhum de nós tem mais garantia à privacidade. Não temos lei de imprensa, não temos direito de resposta. O que devemos fazer? Submeter-nos a isso aqui que nós estamos vendo.’’


 


 


 


 


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