Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Entre a notícia e o entretenimento

Por Lucas Dorta em 04/03/2016 na edição 892

No início de 2009, Thiago Leifert estreava na versão regionalizada do Globo Esporte trazendo uma linguagem mais informal para o jornalismo esportivo. Isso dividiu opiniões. Enquanto alguns achavam mais divertido esse novo formato, outros, mais conservadores, questionavam as consequências que isso poderia trazer para jornalismo esportivo.

Mais tarde veio o Jogo Aberto, também apostando na informalidade. A maioria da mídia esportiva também passou a usar um tom descontraído; a internet se aproveitou disso e as páginas voltadas ao entretenimento esportivo crescem cada vez mais. Porém, quem tem razão nessa discussão? É necessária essa escolha entre um e outro ou é possível dosar a informação e o entretenimento?

Muitas pessoas procuram na informação esportiva uma forma de relaxamento. Nesse ponto se faz necessária uma linguagem mais informal, pois o telespectador pode não enxergar o noticiário esportivo como enxerga o de economia, política, saúde e outras editorias com conteúdo mais “sisudo”. Porém, a mídia esportiva tem que tomar muito cuidado para que o “riso” não passe a ser mais importante que o jornalismo e a informação em si.

Também é importante a não obrigar todos a terem que ser engraçados, pois nem todos têm esse perfil e isso não significa que o jornalista esportivo que não se encaixar nesse novo modelo tenha que ser descartado. Pelo contrário, cada um pode ter um perfil diferente e isso é uma das vantagens que as variedades dos veículos de comunicação trouxeram – o problema é quando ele passa a fazer papel de torcedor e perde o lado profissional.

Um caso importante para essa reflexão é o Jogo Aberto, talvez um dos maiores exemplos dessa mistura de opinião com entretenimento. Mas será que o programa às vezes não ultrapassa um pouco esse limite? Vale essa reflexão ao leitor. Muitos, em alguma parte do programa, fazem o papel de torcedores ultrapassando esse limite entre a informação e o entretenimento.

Às vezes, até com uma certa apelação. Vocês não acham que a longo prazo isso pode tirar o papel crítico do jornalista e vermos cada vez mais torcedores fazendo comentários na TV quando uma pessoa busca uma reflexão mais profunda e imparcial? Se a maioria das emissoras copiar o formato do Jogo Aberto, será que os jornalistas que não têm um perfil brincalhão terão espaço? Essas são algumas reflexões importantes para estudantes de jornalismo, imprensa e telespectador.

Espaço para todos de uma forma saudável

É importante todos os perfis de jornalismo esportivo terem espaço na mídia, principalmente com o crescimento da internet, que dá espaço para muitas pessoas expressarem seu ponto de vista. Assim como na vida existe a hora certa para você descontrair e também a hora de ser mais sério. Porém, é necessária a dosagem entre a informação e entretenimento e essas coisas também podem ser feitas com imparcialidade sem ser necessário fazer papel de torcedor ou querer a toda hora bancar o engraçadinho.

Quem está certo nessa discussão do jornalismo esportivo x entretenimento? Todos. Afinal, os mais variados formatos podem ter o seu espaço desde que haja uma dosagem entre eles e que nem todos sejam forçados a serem engraçadões. É possível informar com um tom descontraído sem que o papel crítico do jornalista se torne secundário. Assim, a mídia pode ter espaço para todos de uma forma saudável.

***

Lucas Dorta é estagiário em jornalismo

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