Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

IMPRENSA EM QUESTãO > TV DE FIDEL

Entre programas educativos e seriados americanos

30/01/2007 na edição 418

Os canais de TV estatais de Cuba se orgulham de colocar no ar programas educacionais e novelas nas quais valores sociais são apresentados, mas, paradoxalmente, não se intimidam em exibir seriados americanos como New York Cops e CSI, noticia Francoise Kadri [AFP, 24/1/07]. Todos estes gêneros de programas televisivos são sucesso de audiência no país comunista, que tem alto índice de habitantes com educação superior e taxa de analfabetismo de apenas 2%. ‘A particularidade aqui é que tudo é serviço público’, opina Mayra Cue, historiadora especializada em TV. ‘A idéia não é fazer dinheiro com a TV, mas sim educar’.

Dos quatro canais de TV em Cuba, o mais popular é o Cubavision. O Telerebelde é o que tem mais programas sobre esportes. Os outros dois são canais educativos e colocam no ar documentários históricos, debates sobre temas de saúde, aulas de química e dicas de como jogar melhor xadrez, além de programas como o Mesa Redonda, no qual um painel discute temas de política, cultura e ciência.

Educação e debate

Até mesmo as telenovelas têm como foco a missão educacional. A maior parte delas é produzida localmente, com poucos recursos, e as importadas são escolhidas a dedo. ‘As novelas importadas são escolhidas tendo como base seus valores culturais, éticos ou musicais’, explica Magda Gonzalez, diretora de cinema. A novela brasileira Senhora do Destino, por exemplo, é atualmente exibida na TV cubana porque ‘promove música e identidade. Na disputa entre valores espirituais e materiais, o primeiro vence’, afirma Magda.

E como explicar então seriados como Lost e Law and Order nos canais cubanos? Para Magda, os cubanos são mais tolerantes

a certos temas polêmicos em programas estrangeiros, por não se identificarem com eles – o que facilita a motivação de um debate sobre determinadas questões. ‘Por exemplo, é menos controverso mostrar um filme americano ou francês no qual se fala de homossexualidade do que um filme produzido aqui’, diz. No ano passado, a exibição de uma novela local que tratava de temas como aids e bissexualidade atraiu críticas.

Além disso, Magda avalia que a concorrência com vídeos piratas e programas recebidos ilegalmente por satélite têm forçado a TV cubana a modernizar seu estilo. Mario Masvidal, professor de sociologia e comunicação, alega que isto pode eventualmente levar as autoridades a perder o controle sobre a mensagem que querem transmitir – o que poderia levar ao aumento de críticas ao sistema. ‘Todos querem melhorias porque a TV está ultrapassada em seu estilo e seu conteúdo, que reflete mais o ponto de vista do canal do que as demandas da audiência; mas, mudando a forma, acaba-se mudando o conteúdo’, avalia Masvidal.

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