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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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IMPRENSA EM QUESTãO > MENSALÃO DO GDF

Escândalo para todos

30/11/2009 na edição 565

Todos os principais jornais do país se rendem às evidências de que o governo do Distrito Federal esconde há anos uma quadrilha especializada em saquear o dinheiro público.


As imagens mostrando o governador José Roberto Arruda e seus aliados recebendo dinheiro – um deles escondendo pacotes nas meias – são fortes demais para serem ignoradas. Mas há uma tendência clara no noticiário, de limitar o caso ao atual governo, quando sobram evidências de que se trata de um esquema que vem de outros carnavais. No mínimo, o escândalo envolve o ex-governador Joaquim Roriz e o empresário Paulo Octávio, personagens que já freqüentaram outras histórias de corrupção.


Dos três jornais de circulação nacional, apenas a Folha de S.Paulo dá mais atenção ao fato de que o escândalo pode afetar profundamente um dos principais partidos de oposição, o Democratas, cujos representantes têm se destacado por denunciar os pecados de outras agremiações.


Por outro lado, o Globo é o que mais se limita aos dados factuais, evitando apostar nas evidências das imagens que a própria emissora do grupo divulgou. O título da manchete de segunda-feira (30/11) é um primor de distanciamento: afirma que o Tribunal Superior Eleitoral ‘vê indícios de caixa 2’ em Brasília.


Quanto aos jornais da Capital Federal, destaque para o esforço do Correio Braziliense para conter o escândalo entre os deputados distritais e aliviar a pressão sobre o governador Arruda.


Marca escondida


Nenhum jornal se dispôs a fazer um retrato do sistema eleitoral e suas falcatruas, agora que ficou mais do que evidente que nenhum dos grandes partidos passa incólume pelo teste da probidade.


O caixa 2 é prática generalizada.


Talvez fosse o caso de a imprensa deixar bem claro aos seus leitores como funcionam os esquemas e o que são, na verdade, os profissionais que a imprensa chama de ‘marqueteiros de campanha’.


Também está na hora de contar que, se há corruptos, existem os corruptores.


O escândalo de Brasília tem o carimbo da Microsoft e outras empresas, mas a participação da gigante da tecnologia está bem escondida no noticiário.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/12/2009 Fransérgio Coutinho

    é o DEMsalão!!! Se eu fosse o Serra colocaria um galho de ARRUDA atrás da orelha. kkk

  2. Comentou em 30/11/2009 André Luiz da Silva

    Parabéns pelo texto. Cabe apenas lembrar que não é de hj que este ‘partido’ desfila nas páginas policiais do roubo.
    Todas as vezes que aparece um ‘escandalo’ de corrupção sempre ocorre que estamos diante de dois problemas (e não de um).
    O primeiro é o da corrupção em si, que como o Sr. aponta muito bem tem duas faces. Uma mostra a cara (do partido em questão) – essa sempre é diferente. A outra mostra a coroa (os corruptores) que é sempre a mesma. Daí a dificuldade de se punir os corruptores, uma vez que corrompem também o judiciário.
    O outro problema é o da imprensa: a forma leviana, parcial e descontextualizada com que tratam estes ‘escandalos’ como se fossem casos isolados. mas não é para menos, os mega-grupos midiaticos também são corrompidos.

  3. Comentou em 30/11/2009 André Luiz da Silva

    Parabéns pelo texto. Cabe apenas lembrar que não é de hj que este ‘partido’ desfila nas páginas policiais do roubo.
    Todas as vezes que aparece um ‘escandalo’ de corrupção sempre ocorre que estamos diante de dois problemas (e não de um).
    O primeiro é o da corrupção em si, que como o Sr. aponta muito bem tem duas faces. Uma mostra a cara (do partido em questão) – essa sempre é diferente. A outra mostra a coroa (os corruptores) que é sempre a mesma. Daí a dificuldade de se punir os corruptores, uma vez que corrompem também o judiciário.
    O outro problema é o da imprensa: a forma leviana, parcial e descontextualizada com que tratam estes ‘escandalos’ como se fossem casos isolados. mas não é para menos, os mega-grupos midiaticos também são corrompidos.

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