Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Estão todos se lixando

Por Luciano Martins Costa em 12/05/2009 na edição 537

Ninguém confia nos partidos políticos. Nem mesmo os políticos. Essa é a conclusão a que se pode chegar após a leitura cruzada do noticiário sobre as dificuldades para a realização de uma reforma política e as repercussões da declaração do deputado gaúcho Sérgio Moraes, aquele que está ‘se lixando’ para a opinião pública.


Moraes, o boquirroto, passou a representar a desfaçatez com que alguns congressistas tratam aqueles que lhes confiaram o mandato. Por outro lado, os impasses para a realização de uma reforma capaz de melhorar o nível do Congresso Nacional revelam que nem mesmo os parlamentares confiam no Parlamento.


Em entrevista publicada na terça-feira (12/5) pelo Estado de S.Paulo, o senador Pedro Simon, do PMDB do Rio Grande do Sul, declara que faltam boas intenções no projeto de reforma política. De certa maneira, ele repete o que os jornais já insinuam desde o início dos debates sobre o assunto: que o financiamento público de campanha não resolveria o problema das relações espúrias de congressistas com empresas doadoras nem ajudaria a fazer uma seleção mais criteriosa de candidatos. Os partidos pegam as verbas do fundo partidário e distribuem para quem querem nas vésperas das eleições, afirmou.


Doações ocultas


O noticiário dos jornais parece dar razão a Pedro Simon. Nenhum dos principais caciques da política tem entrado no debate, pois eles sabem que, do jeito que está, o poder segue seguro em suas mãos. E, se mudar, e vier o financiamento público de campanha com listas fechadas de candidatos, seu poder ficará ainda maior, pois eles dirão quem poderá e quem não poderá ser candidato.


Seria uma forma de mudar para tudo continuar na mesma. Ainda mais se for levado em conta que a maioria das empresas que fazem doações a políticos prefere camuflar a identidade dos destinatários do dinheiro.


Segundo a Folha de S.Paulo, em 2008, as empreiteiras, os bancos e empresas de coleta de lixo preferiram fazer doações ocultas, dirigidas oficialmente aos partidos, durante as campanhas municipais. O dinheiro entra nas contas do partido, mas já chega com a destinação carimbada para o político que, depois de eleito, vai defender os interesses dos doadores.


É assim que funciona, e assim parece que vai continuar.


Falta representatividade


Afinal, parece que o deputado Sérgio Moraes tem razão: ninguém dá bola para a opinião pública. O próprio deputado, que declarou estar se lixando para a imprensa e para a opinião pública, não teme ter barrada sua reeleição: ele é financiado pela indústria do tabaco e se elege numa cidade gaúcha de 110 mil habitantes. Não está nem um pouco preocupado com a repercussão nacional de sua desfaçatez.


Uma reforma política para valer teria que determinar uma representatividade mais autêntica aos parlamentares. Mas quem vai promover a mudança, se os encarregados são os principais beneficiários do sistema?


Todos os outros escândalos que envolvem a política nacional têm a mesma origem: os supostos representantes do povo são financiados por setores específicos para representar seus interesses.




Alberto Dines


A farra das passagens aéreas no Congresso é coisa antiga, as mordomias e privilégios estão incorporados à vida do Legislativo. A imprensa não olhava ou, se olhava, era complacente. Alguma coisa aconteceu quando José Sarney e Michel Temer foram escolhidos para presidir novamente o Senado e a Câmara.


E o que aconteceu não foi o ‘estalo do Vieira’, mas outro tipo de estalo. Aqueles que perderam a disputa colocaram a boca no trombone, mas como o trombone é um instrumento democrático, todos passaram a servir-se dele – e começaram as primeiras denúncias.


Logo a imprensa descobriu um site jornalístico chamado Congresso em Foco que não necessitava recorrer a vazamentos de grampos telefônicos, apenas fazia cruzamento de dados. E com esses cruzamentos de dados apareceram os escândalos, nunca houve tantos como agora. Se a imprensa tivesse atuado há mais tempo a desmoralização do Legislativo seria tão grande?


Assista ao Observatório da Imprensa na TV e você entenderá algo que a imprensa não está explicando. Nesta terça-feira (12/5) às 22h40 pela TV Brasil, ao vivo em rede nacional. Pela Net, canais 4 (SP), 16 (DF), 18 (RJ e MA); pela Sky-Direct TV, canal 116; pela TVA digital, canal 181.

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