Segunda-feira, 16 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº995
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IMPRENSA EM QUESTãO > A IMAGEM FIXA(que, no entanto, se move)

Estereótipos e conspirações de leitores

Por Eugênio Bucci em 01/04/2008 na edição 479



Yo no creo en conspiración de prensa, pero las conspiraciones de lectores… que las hay, las hay.


A frase acima é uma brincadeira, naturalmente. É uma paráfrase de outra, aquela que fala em brujas etc. Eu a redigi no meu melhor portunhol pensando no nível de desaforo de parte dos e-mails que chegam aos articulistas aqui do Observatório e de outros sites. São raivosos, brutais, bestiais. O pior é que se trata de uma doença generalizada e suprapartidária: da esquerda e da direita, vêm ondas de ataques igualmente deseducados, que nos agridem sem argumentar, ofendem sem pestanejar, xingam em caixa alta. Armam tocaias para jornalistas de todos os matizes, com fúria e desespero. A internet virou um ambiente inóspito, corrosivo, um beco de baixo calão. É desanimador. Às vezes a gente pensa em desistir, e se pergunta: mas então era isso? É assim que era para ser o tal jornalismo da nova era?


Tento inferir de onde viria tal profusão de injúrias e infâmias. Talvez o grande culpado não seja o cinema falado, mas a televisão. Sim, a televisão. Na forma de caricatura, lá vai a explicação da minha hipótese heterodoxa. Penso nas posturas habituais da dupla Beavis e Butt-Head diante da TV. Os dois se batem contra o monitor vomitando impropérios entre arrotos que parecem risadas e risadas que soam como arrotos. Imagino um sujeito grudado no sofá, berrando vulgaridades para a mocinha seminua que dá duro no programa de auditório e que, por certo, não pode escutá-lo. Ele não sabe que a insulta, ou, pior, supõe que a elogia. Em seu delírio, acredita que a rapariga, se o ouvisse, tomaria seu grunhido gutural por galanteio.


A televisão adestrou o sujeito anônimo, diluído na multidão, a falar sozinho entre quatro paredes. Adestrou-o com a promessa de que ele jamais seria visto nem ouvido. Ela o ensinou que seus impulsos primários eram a razão de ser dos meios de comunicação de massa. Ela o converteu para a lógica do entretenimento, segundo a qual todo critério de qualidade repousa sobre as paixões mais baixas, inconfessáveis e anônimas que ele experimenta em seu próprio corpo.


Diante do monitor, esse sujeito foi intimado, durante décadas, a vituperar para ninguém. A televisão o domesticou a persistir na ilusão de sua própria invisibilidade como se ela fosse um manto protetor. Ela o ensinou a gozar na invisibilidade. ‘Sou invisível diante da atriz’, ele comemorava. ‘Sou inaudível para o apresentador do telejornal.’ E assim, na presunção suprema do nada que significava, aprendeu a fazer micagens, sonoras ou gestuais, contra o vídeo. Para ele, o termo invisibilidade virou sinônimo de impunidade. Ele se refestelava dentro dela e, ao mesmo tempo, não a suportava – e aqui reside o nó mais complicado. Ele abominava, sem saber, sua própria invisibilidade. Ele a odiava com todas as vísceras.


O ofício cobra pedágio


A minha hipótese heterodoxa tem um quê de anedótica, eu sei, mas as anedotas têm um quê de realidade. Ela flagra o comportamento íntimo da platéia numa sociedade mediada por meios de massa, um padrão de comunicação que mascarava ou descartava sumariamente o comportamento íntimo da platéia. De repente, o que era descartável entrou em cena.


Com a transformação da tela da TV em tela da internet, deu-se um fenômeno estranho. O ser invisível de ontem revelou-se o candidato a tirano da moderníssima interatividade. Vingou-se de sua condição dos tempos do vídeo, a condição de nada. Com a internet, os seres do subterrâneo da democracia, os tais que, com seus gostos deformados pela oferta de sensacionalismo justificavam todas as excrescências do espetáculo, vieram à luz. Que coisa! Eles cospem, esbravejam, ateiam fogo ao diálogo. Eles são contra o pensamento. Querem reduzir o entorno à sua imagem e semelhança: a nada, a restos de nada. Pior: eles se fazem disfarçar de povo, de sua excelência o povo.


Venham da suposta esquerda – contra os latifundiários, por exemplo – ou da direita – contra o MST, por exemplo –, os agressores disfarçados de povo parecem iguais entre si. Ou melhor: são iguais. Inviabilizam o ambiente da comunicação. A internet vai mostrando que o público não é público – é massa, e massa truculenta. Massa antidemocrática, que despreza a dignidade humana, a própria e a dos semelhantes.


Como são mal escritas e vis as aleivosias que chegam para os jornalistas pelo correio eletrônico. Não obstante, como são capazes de ferir. Lembro-me de depoimentos de jornalistas, principalmente mulheres, sobre como as estultices que recebem da internet são capazes de ultrajá-las de fato. O nível desce aos porões do inferno. Há quem seja chamada de prostituta porque opinou contra as pretensões de um político qualquer. É incrível. O ofício do jornalismo, na era das redes interconectadas, passou a cobrar um pedágio de seus praticantes: o pedágio de ser alvo de desaforos diários.


Não venham dizer que faço aqui um queixume elitista: elitista, no limite, é o projeto político dos que agem para silenciar o debate pela intimidação dos seus profissionais. Mais que elitista, totalitário. Elitista, portanto, é quem se põe a serviço desse tipo de agressão.


E o que a imagem tem a ver com isso?


Visto como um vetor de interesses dissimulados, os jornalistas recebem bordoadas de um lado e de outro. São virtualmente – para usar o termo preciso – atropelados por hordas de destemperados fanáticos. Para certa ala de destemperados, tudo o que sai na imprensa é obra do conluio dos ‘patrões da mídia’ para desestabilizar o ‘governo de esquerda’ e promover o retorno glorioso das elites ao poder. Todo jornalista, portanto, não passaria de pau-mandado do patrão.


Claro que há nisso uma dose cavalar de preconceitos múltiplos e combinados: a idéia de que todos os patrões de todos os veículos jornalísticos estão conluiados é um preconceito (há patrões das mais diversas orientações ideológicas, muitos deles competindo entre si); a idéia de que todos se articulam com fins partidários é outro preconceito (a lógica econômica não se confunde com a lógica partidária); a idéia de que são contrários ao governo federal é outro preconceito (muitos ganham dinheiro com esse governo assim como ganhavam no passado; alguns ganham mais).


Para outra ala de destemperados, tudo o que a imprensa publica é produto do lobby sindicalista, ongueiro e comunista para matar as instituições que garantem a livre iniciativa e a liberdade de opinião. Mais preconceitos. Num extremo ou no outro, só há premissas absurdas, que abastecem os franco-atiradores de agressões verbais.


Por obra desses exércitos, as premissas absurdas ganham força. Os preconceitos ganham força. E o que são eles senão imagens distorcidas, imagens fixas e asfixiantes, deturpadas e deturpadoras? Sim, o preconceito é uma imagem, uma imagem que decorre de estereótipos, tal como os definiu o jornalista americano Walter Lippmann (1889-1974), em Public Opinion, publicado em 1922.


Lippmann ensinou que as opiniões que temos sobre isso ou aquilo se assentam como estereótipos – o que não é necessariamente negativo, mas apenas natural. Sem a condensação de sentidos promovida pelo estereótipo, seria impossível organizar o discurso e o entendimento entre as pessoas. As imagens subjetivas, aquelas que cada um traz, como ele diz, ‘dentro da cabeça’, constituem os estereótipos. O repertório de idéias de um sujeito, idéias sobre qualquer coisa, sobre fatos, personagens, países, episódios históricos, constituem um portfólio de estereótipos, originados de todas as fontes possíveis.


‘As formas estereotipadas emprestadas ao mundo não procedem apenas da arte, no sentido da pintura, da escultura e da literatura, mas também de nossos códigos morais, das filosofias sociais e das agitações políticas’, escreve Lippmann. E continua: ‘A americanização, por exemplo, pelo menos superficialmente, é a substituição dos estereótipos europeus pelos norte-americanos’.


O interessante é que Lippmann supõe uma razoabilidade nos estereótipos. Eles sintetizariam um modo de ver, um julgamento, e seriam essenciais para, digamos, fechar questão em torno de certos temas. Sem estereótipos, nesse sentido, não haveria vida em sociedade. Não haveria opiniões pessoais nem haveria a Opinião Pública, com maiúsculas, como ele mesmo diz: a Opinião Pública resulta de estereótipos compartilhados entre muitos. O estereótipo, enfim, não é um dado negativo, mas um processo mental inevitável. Surgem problemas, porém, quando um estereótipo deixa de ter parte com a razoabilidade. Lippmann não se aprofunda na idéia de preconceito, mas podemos dizer que, desvinculado da experiência comum, da vivência e da razoabilidade, o estereótipo deságua no preconceito – ou na loucura.


É mais ou menos isso, infelizmente, o que temos visto nesses ataques furibundos contra os jornalistas, vindos de um lado e de outro: eles partem de visões estereotipadas, anacronicamente estereotipadas. Em suma, partem de puro preconceito. Quem considera que todo jornalista não passa de um instrumento a serviço do Mal, esteja esse Mal à esquerda ou à direita, não entendeu nada. Não acredita na imprensa, na democracia, na produção de sentido; não acredita em comunicação.


Os agressores da honra de jornalistas têm dentro da cabeça uma imagem deturpada das funções da imprensa. No fundo, são contrários à existência da imprensa independente. Eles moralizam qualquer discordância, qualquer divergência – e condenam moralmente quem pensa com autonomia. Essas hordas prenunciam – e desejam – o obscurantismo.


O recurso do anonimato, outra vez


Temos falado muito de ética da imprensa – e nunca tratamos da ética do leitor. Os jornalistas não podem ofender as pessoas, mas alguns leitores pensam que podem ofender livremente os jornalistas. O mais inacreditável é que parecem pensar assim em nome da ética.


Ora, a ética da imprensa não existe sem a ética do público e a ética dos leitores. Em tempos em que a participação do cidadão incide sobre a própria confecção da notícia – o público deixou de ser apenas ‘receptor de conteúdos’ –, a existência de uma relação respeitosa entre leitores e profissionais dos blogs e sites jornalísticos é requisito básico. Tanto é assim que Bill Kovach e Tom Rosenstiel, na edição revisada e atualizada, lançada no ano passado, de The Elements of Journalism, apontam, no décimo elemento constitutivo do jornalismo, exatamente os direitos e responsabilidades dos cidadãos em relação à imprensa. ‘Como cidadãos’, dizem os autores, ‘temos a obrigação de buscarmos as notícias com mente aberta, aceitando novos fatos e examinando novos pontos de vista à medida que eles se apresentam.’ Se os cidadãos não fazem sua parte, a imprensa não se sustenta. A responsabilidade que cabe ao público não é cosmética. É central.


As avalanches de e-mails desaforados e ofensivos não apenas não cumprem essa responsabilidade como acabam por jogá-la no lixo. O nível desce a tal ponto que, às vezes, surge em muita gente a desconfiança de que alguns andam escrevendo para jornalistas escondidos atrás de nomes falsos e de endereços eletrônicos fajutos. Isso, se comprovado, torna o quadro mais preocupante: além de falta de formação democrática, estaríamos falando em má intenção e burla.


Jornais têm o sábio costume de exigir o número do RG para reproduzir uma carta em suas edições. Os sites não fazem a mesma exigência. Deveriam fazer. Se é mesmo verdade que alguns se valem de identidades forjadas para agredir os demais, temos aí uma situação em que o anonimato é construído como rota de fuga da responsabilidade. Outras vezes, fica no ar a impressão de que alguns leitores se articulam para agir em grupo. Haveria, nesse caso, uma ação organizada para simular uma reação natural e espontânea do público. Em lugar da manipulação da edição das notícias, teríamos então uma nova e curiosíssima modalidade de manipulação: a falsificação da reação do público. É uma hipótese, apenas uma hipótese, embora alguns jurem que isso acontece mesmo, todos os dias. De minha parte, não me cabe entrar em especulações, mas pelo que vi e vivi, retomo a frase que inventei para começar este artigo: Yo no creo en conspiración de prensa, pero las conspiraciones de lectores… que las hay, las hay.


Já é tempo de virar o disco. Já é tempo de buscar outro nível de diálogo. Já é tempo de remover do nosso meio o entulho dessas imagens preconceituosas. Uma imprensa ética exige leitores éticos, leitores comprometidos com um pacto de busca da verdade e da qualidade da interlocução. Ou vamos continuar falando sozinhos, todos ao mesmo tempo e em tempo nenhum.


***


Adendo necessário


Eugênio Bucci (incluído às 14h03 de 2/4/2008)


Diante dos vários comentários sobre o meu artigo, quero observar o seguinte:


1. O público – a reunião dos cidadãos em público – é a razão de ser do jornalismo. Já escrevi sobre isso muitas vezes. A existência do cidadão, fonte do poder e dotado do direito à informação, é quem funda o jornalismo, ou seja, só há relato jornalístico se há, também, o público soberano ao qual ele se destina. De modo nenhum, portanto, eu poderia considerar o jornalista mais importante que o leitor. Considero justamente o contrário: o jornalismo é um serviço para o público.


2. No artigo acima não manifesto nenhuma saudade do mundo antigo. Em vez disso, faço uma crítica às relações que os meios de massa firmavam com a platéia, na qual não havia lugar para o receptor ocupar o posto de enunciador da comunicação. Acredito que essa relação ‘descivilizou’ a sociedade em lugar de aprimorá-la – e essa ‘descivilização’ agora vem à tona, por vias tortas, injustas, selvagens. Muitas vezes, as manifestações que chegam por e-mail parecem vir de alguém que não sabe que vai alcançar seu interlocutor, que será ouvido por ele. Muitas vezes, parece que o remetente não leva em conta que poderá magoar aquele a quem se dirige. Isso denota que não há a expectativa de diálogo. Sequer há a expectativa da resposta. É uma pena que seja assim, mas é assim que é.


3. É claro que não generalizo nada. Logo no início, o meu texto fala em ‘parte’ dos e-mails que chegam às redações. É claro, também, que não considero o jornalismo bom, satisfatório ou melhor do que os leitores. Parte da ‘deseducação’ (‘deseducação’ política, não se trata meramente de descortesia) que aponto no público é, sim, reflexo de um ambiente rebaixado que às vezes encontramos no próprio meio jornalístico. Isso, porém, não desculpa nem leitores nem jornalistas. Ou encaramos a busca do diálogo como um valor ético ou vamos ficar patinando na armadilha de pôr a culpa no outro – ou no outro lado.


4. Passei a minha vida profissional criticando a comunicação e seus profissionais. Às vezes fui mal compreendido. Outras vezes, não. Para mim, a crítica da imprensa deve fazer parte de um esforço geral para que melhoremos os padrões pelos quais trabalhamos a informação. Foi isso e apenas isso o que me moveu ao longo da carreira. Agora, creio que é tempo de criticar também o público. Por que não? O público, hoje, é co-autor das narrativas jornalísticas, assim como os profissionais, mas muitos do público se imaginam inteiramente desobrigados com relação aos bons padrões de comunicação. Estão errados, profundamente errados. Os profissionais têm nome e endereço conhecido. Respondem pelo que escrevem. Nem sempre os leitores se apresentam com a mesma transparência. E nem sempre apresentam argumentos na direção da busca da verdade.


É, enfim, disso que procuro tratar. Que ninguém se iluda. Mais dia, menos dia, o tema será tão relevante quanto o tema da ética dentro das redações. Não será excessivo declarar aqui que eu não quis ofender ninguém, de modo algum. Quero apenas propor que olhemos a ética da imprensa – que inclui o público – também por esses novos ângulos. Afinal, estamos nisso juntos ou não? (E.B.)


 


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Formado em direito e jornalismo pela Universidade de São Paulo, é doutor em Ciências da Comunicação pela mesma universidade e autor de alguns livros, entre eles Sobre Ética e Imprensa (Companhia das Letras, 2000); foi presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/09/2008 Sérgio pereira

    É lamentavel que algumas pessoas tenham um visão tão mediocre em relação as rinhas de galo, é um esporte sim, para aqueles que não conhecem é o 2º esporte mais praticado no país, é uma questão de cultura,conheço pessoas simples do campo, vivem no campo, produzem o que se alimentam e criam suas aves combatentes, eles não praticam outros esportes, pessoas de mãos calejadas que são galistas. É fácil criticar, mas se não fosse os criadores e as rinhas com certeza as aves combatentes deixariamde existirem. Violência brutal é o desmatamento em nosso país, violência brutal é a saúde pública, nós que não temos nehum plano de saúde temos de morrer a mingua, violência brutal e a falta de segurança,hoje na zona não podemos comprar nada, pois os marginais quando sabem que vedemos ou compramos um objeto como uma moto a noite vem em nossas residências armados até os dentes e levam tudo quando não tiram vidas de pessoas honestas, isso é violência. Violência é a falta de investimento na educação básica de nosso país, apenas propaganda. Perseguir rinhas de galo é não ter o que fazer! Porque não perseguem os traficantes que destroem os nossos jovens e nossas famílias. A base de uma nação forte é a família equilibrada.

  2. Comentou em 31/05/2008 Arlindo de Almeida Jr.

    Concordo que comentários de leitores em sites jornalísticos costuma se basear em agressões verbais; entretanto várias dessas agressões são praticadas entre eles (leitores) partidários ou apartidários que se polarizam em certos tópicos. Fico frustado quando leio um artigo que não devia polarizar opiniões partidárias servir para tiroteio verbal esquerda-direita; mas não seria esse o caminho que a opinião pública expressa e impressa começa a tomar até que amadureça? Não seria também a raiva de leitores contra jornalistas uma vingança ou ressentimento sobre esta profissão que, por remunerar um cidadão para escrever opiniões em um meio de grande circulação, pode se considerar – de certo modo- elitista? O jornalista não compactua necessariamente com os outros três poderes mas tem o seu (de imprensa) e eventualmente o comercializa tal qual legisladores e governistas sobre cargos e verbas. O ódio aos jornalistas é aparentado ao ódio pelo governo e pelo congresso, mesmo considerando-se as diferenças profissionais e éticas – há jornalistas e jornalistas e deputados e deputados. Em blogs comuns, o disordante agressivo se vê convidado a abrir seu próprio blog e procurar sua turma; este já não é um comungado ao poder, não tem poder, é outro integrante do povo. Ao jornalista resta lidar com seu próprio poder e corporativismo nesse meio que não é uma climatizada redação.

  3. Comentou em 08/05/2008 Eduardo Miranda

    No dia 30 de abril o humorista e apresentador Jô Soares entrevistou a deputada Jandira Feghali em seu talk show. Jô a inquiriu a respeito de um projeto de lei que visa a produção e difusão das culturas regionais nas TVs, tanto nos canais abertos quanto em canais comunitários. O projeto, bastante louvável só pela atitude, recebeu de Jô a denominação de ‘medida autoritária’, já que para ele a difusão da cultura regional nas TVs abertas ocorre naturalmente. É difícil entender o modo como ele chegou a essa conclusão já que os fatos comprovam o contrário, mas sigamos. A atitude do platéia foi surpreendente: aplaudiram a atitude de Jandira quando esta falou da importância dessa difusão, deixando Jõ em situação constrangedora. No dia seguinte, entrei no site do programa, no portal globo.com, para rever a entrevista. A entrevista não estava lá, ainda que seja praxe do programa colocar todas as entrevistas do programa no portal. Inclusive, estavam disponíveis todas as entrevistas daquele dia. Mandei um e-mail para o programa do Jô, mas a resposta foi evasiva. Até hoje não recebi qualquer outro e-mail que me explicasse o ocorrido. A entrevista continua indisponível. Fica difícil que a emissora sustente seu discurso contra a censura quando a mesma comete justamente o erro que aponta nos outros.

  4. Comentou em 06/04/2008 fabio lopes

    Só pode ter sido no primeiro de abril. O sr. Bucci devia estar de brincadeira ou de porre ou a noite de 3i/03 deepertou sentimentos de indignação com esses selvagens que em 64 omeçavam air pras ruas manifestar opiniões a seu modo e agora invadem eesa tal de internet. Mas eugênio, é assim mesmo, quem sempre disse o que quer, agora tem de ouvir o que não quer. Será que vc não percebe que tá se compoertando como opessoal da marcha com Deus pela Liberdade? é a mesma indignação de quem se chocou com o ingresso de novos atores no grande palco da democracia? Desculpe, sou apenas mais um selvagem das baixas classes que se aproveita da internet pra desabafar. O s incomodados que não leiam.

  5. Comentou em 04/04/2008 Fábio Carvalho

    Prezado Thomaz Magalhães, cada qual com sua visão (como diria o comentador Cláudio Dias, cuja expressão tem um sentido ético). A capa de Veja não anota inconsistência alguma. ‘Daniel Dantas: o banqueiro-bomba. O seu arsenal tem até o numero da suposta conta de Lula no exterior’. O lead sustenta que ‘o banqueiro Daniel Dantas está prestes a abrir um capítulo explosivo na investigação sobre os métodos da organização criminosa que se instalou no governo e o estrago causado por ela ao país’. Esse tipo de esquentamento ante a inconsistências (= dados falsos) apuradas pela verificação do repórter é mau jornalismo, na minha opinião. O engajamento de jornalistas, seja ao golpismo ou ao chapa-branquismo, também fomenta a hostilidade de leitores e amplia o espaço das seitas.

  6. Comentou em 04/04/2008 Fábio Carvalho

    Prezado Thomaz Magalhães, não sou eu que escrevi que os dados são falsos. A reportagem ‘descobriu’ inconsistências. Donde, publique-se. A justificativa apresentada para a publicação da matéria, e que você endossa, é ‘cínica’, segundo Alberto Dines. Concordo com ele.

  7. Comentou em 04/04/2008 Thomaz Magalhães

    Caro Fábio Carvalho, está aí o que escrevi. Acima do meu cometário, você diz que os dados são falsos. Ora, a própria Veja os comentou inconsistentes. Obrigado pela atenção. Ao texto: ‘Pois é, caro Fábio, mas a reportagem não caiu não. Tanto que o tema continua em pauta até hoje. O Daniel Dantas é o fatasma do lulo-petismo até hoje. Ele manda um dossiê falso ou inconsistente para a revista de maior circulação do país, ela publica e a reportagem caiu? Caiu sim, feito uma bomba na imprensa desmaiada. Até hoje. E acho que vai adiante. Sob essa ótica, Nassif está fazendo um bom trabalho, questionando. Minha crítica a ele é querer botar a culpa na imprensa, no caso a Veja e o PIG como ele e a turma dele chamam a grande imprensa. A coisa de culpar a janela pela paisagem.

  8. Comentou em 04/04/2008 Ricardo Pierri

    É preciso ter clara a diferença entre a propaganda da Carta Capital e o financiamento da fundação Ford. Primeiro, a natureza de ambas é diferente: a propaganda é a compra de um espaço e o financiamento é a compra de uma postura. Enquanto a CC adquire um espaço no OI para dar visibilidade ao seu produto, a FF dá apoio financeiro a organizações q adotem ou apoiem determinada ideologia. Segundo, a relação da CC é com o iG, e não com o OI, enquanto a relação da FF é direta com o OI. Terceiro, a FF tem um objetivo declarado: promover sua idéia de ‘democracia’ e apoia financeiramente quem tenha o mesmo objetivo. Quarto, existe uma montanha de acusações de utilização ideológica e imperialista contra a FF, incluindo a dela ser parcialmente financiada pela cia. no final das contas, o apoio da FF é direcionado a quem a auxilia a divulgar seu sistema de valores, enquanto a propaganda da CC se dirige a quem possa dar à sua marca visibilidade, sem exigir ou condicionar o contrato a qualquer atitude do OI. São maçãs e laranjas.

  9. Comentou em 03/04/2008 Cláudio Dias

    Sr. Fábio Carvalho, primeiramente, gostaria de dizer que é bom conversar contigo e com todos aqui. E tenho procurado me manifestar sempre com equilíbrio. Agora, é necessário deixar claro: eu não insinuo, mas afirmo que é incompatível um mesmo espaço servir, simultaneamente, de crítica e de propaganda da atividade que está sob pauta. A circunstância de estar ‘no banner do IG, onde o OI está hospedado’ é irrelevante. O fato é que há propaganda da Carta Capital no sítio eletrônico do Observatório da Imprensa!!! Se é por meio de banner ou seja lá o que for, pouco interessa. O cidadão acessa o OI para buscar uma análise crítica da imprensa e dá de cara com um ‘leia Carta Capital’. Com todo respeito, é incompatível em termos éticos e é facilmente evitável. No mais, um abraço sincero.

  10. Comentou em 03/04/2008 Fábio Carvalho

    Prezado Thomaz Magalhães, o engajamento de jornalistas que, como o senhor, chegam ao cúmulo de defender a publicação de informações sabidamente falsas, faz com que leitores se comportem de modo hostil. Concordo, pois, com seu comentário.

  11. Comentou em 03/04/2008 Daniel Martínez Cavenaghi

    Antes de criticarem o OI, procurem ter mais respeito. A imparcialidade deste veículo já foi elogiada inclusive pelos editores da BBC Brasil, na seção blog dos editores no endereço http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2008/02/midia_vigiada_mas_por_quem_1.shtml. Isso não é pouca coisa. Nada impede que se faça críticas, mas que Observatório da Imprensa merece respeito, na há dúvidas.

  12. Comentou em 03/04/2008 Fernando Fernandes

    O brasileiro médio é, por definição, um ignorante. Consideram que xingamento, ofensa, zombarias compõem honestamente a liberdade de expressão. O brasileiro médio não tem poder de argumentação, nem sabem direito como é isso. Pra ele, tudo é feira. É no grito, no xingamento, na falta de educação que marca a cultura de povos menos civilizados, como o nosso infelizmente é. Esse é o ponto. Quando não há argumento, altera-se o tom (caixa alta e exclamações) e disparam xingamentos! São uns tolos cujo destino é serem ignorados. Esqueça-os, deixe que eles imaginem que seus ‘preciosos’ comentários serão suficientes para mudar o mundo.

  13. Comentou em 03/04/2008 Gilberto Scofield Jr.

    Sensacional. Absolutamente preciso no comentário sobre o desbunde geral e a ferocidade geral da turba.

  14. Comentou em 03/04/2008 Gilberto Scofield Jr.

    Sensacional. Absolutamente preciso no comentário sobre o desbunde geral e a ferocidade geral da turba.

  15. Comentou em 02/04/2008 Ivan Moraes

    ‘Diante dos vários comentários sobre o meu artigo, quero observar o seguinte’: entao ja perdeu a graca te demonizar! Tao cedo assim? Assim nao da! Eu nem falei ainda a respeito do merecidissimo colapso do formadoriat de opinionat! (Ummmm… nao da pra saber se foi colapso do formadoriat ou explosao do opinionat!) (Mas que foi merecido, isso foi!) (Duas palavras: sociedade celular.)

  16. Comentou em 02/04/2008 Thielli Bairros

    Acredito que comentários e críticas (construtivas e destrutivas) são sempre bem-vindas. Mas passar para um baixo nível, com palavras de baixo calão e sem nenhum argumento é demais! Concordo com o articulista quando pede um pouco mais de respeito…

  17. Comentou em 02/04/2008 Alberto Gusmão

    Corretíssimo Eugênio Bucci. Isso é preocupante e mostra o quanto o brasileiro é grosseiro e mal-educado. Na maioria das ocasiões, discute-se como se estivesse num boteco. Penso que essa oportunidade dada ao leitor para dar sua opinião infelizmente se tornou, ao invés de democracia, um democratismo.

  18. Comentou em 02/04/2008 Alberto Gusmão

    Corretíssimo Eugênio Bucci. Isso é preocupante e mostra o quanto o brasileiro é grosseiro e mal-educado. Na maioria das ocasiões, discute-se como se estivesse num boteco. Penso que essa oportunidade dada ao leitor para dar sua opinião infelizmente se tornou, ao invés de democracia, um democratismo.

  19. Comentou em 02/04/2008 Ricardo Pierri

    O grande problema é q os jornalistas ainda não entenderam direito q coisa é essa de internet. Antes, estavam em posição superior, agora estão na posição de (quase) iguais. Antes, escreviam com impunidade. Não havia contraditório e o leitor passou a assumir a opinião do jornalista como verdade absoluta. Era puro vaticínio, pregação, nunca um diálogo. Agora, a relação é mais horizontal (embora não totalmente), eos jornalistas continuam a vaticinar em vez de dialogar, e se surpreendem q as pessoas não gostem de serem tratadas dessa forma. É claro que existem exceções de ambos os lados: alguns jornalistas como o Caroni (entre outros do OI), por exemplo, entenderam q não basta nos ‘iluminar’ com suas conclusões e palpites e que para debater qquer coisa é preciso expor o raciocínio e as provas. Não basta dizer q ‘X é preconceito’ sem dizer como se chegou a essa conclusão. Quem discute na internet – com algumas exceções – gosta e é capaz de pensar, e a opinião deste ou daquele não lhe interessa, mas sim como ele chegou àquela opinião. No dia em q vcs sacarem isso, a coisa melhora. Sempre vai ter o troll, essa praga da rede, mas pelo menos não serão confundidos com aqueles q não aceitam ser tratados como ovelhas. Em suma: mais fatos, mais argumentos e menos sermões.

  20. Comentou em 02/04/2008 Odracir Silva

    Haha, certamente os jornalistas tupiniquins nao merecem os leitores q tem. Vejam o caso do Luis Nassif e Reinaldo Azevedo. Mostram ser tao cavalheiros e eticos. Um faz postagens c/ ameacas veladas, diz saber de casos extra-maritais, ataques de colera, e diz ter informacoes sobre o carater duvidoso do rival. O outro faz verboragia de tal maneira q realmente parece ser insano. Os dois fazem-se de vitimas… como o caro jornalista. Certamente com jornalismo deste tipo, tambem fico surpreso c/ a qualidade de comentarios q rola na web. Os leitores nao merecem os nossos cultos, educados, e eticos jornalistas. Segundo o raciocinio do caro Buci, foram os leitores q influenciaram o LN e o RA a escrever este tipo de sei-la-o-que (talvez os nassifistas e reinaldistas vao dizer q ee jornalismo, porem tenho as minhas duvidas).

  21. Comentou em 01/04/2008 Nonato barboza

    Lamentável. Colocar no mesmo lugar comum todos internautas é uma sandice. Compreensível, vindo de quem estava acostumado a não ser questionado. Os tempos são outros. Os ‘desperdiçadores de tinta’, como Schopenhauer assim chamava os escrevinhadores infames da época, agora estão tendo que provar do próprio veneno. Agora prevalece a ética da reciprocidade: escreveu cretinice a resposta vem na bucha, viu seus digitadores estúpidos!

  22. Comentou em 01/04/2008 Ivan Moraes

    ‘Já é tempo de virar o disco. Já é tempo de buscar outro nível de diálogo. Já é tempo de remover do nosso meio o entulho dessas imagens preconceituosas’: diga o aa IMPRENSA LATINA E BRASILEIRA, ambas as quais esmagaram o dialogo. Eh a media brasileira que esta monologando ha mais de uma decada.

  23. Comentou em 01/04/2008 Odracir Silva

    O caro jornalista fica a escrever q o problema sao os leitores… humm, seraa q ee verdade? Seraa q o problema nao seja soo leitores, mas tb quem escreve a noticia? talvez o problema ee a falta de cultura do brasileiro? ee isso q o jornalista estaa a insinuar? Deixa eu lhe dizer uma coisa, q talvez o caro nao saiba. Nao estamos na Franca, nao somos franceses. Todo o post parece ser um chororo danado… os ‘pobres’ jornalistas, q viviam na torre de marfim agora tem q conviver c/ criticas. Se o problema ee a qualidade das criticas, talvez o caro jornalista estaa no lugar errado. Se nao quer um feedback, entao volta p/ a academia. Ee como aquele ditado mineiro (q veio da Italia), ‘se nao aguenta o calor, que saia da cozinha’. Pelo jeito depois da implantacao do conselho federal de jornalismo, o proximo passo seria introduzir a etica dos ‘leitores’, ou como os leitores devem ler as noticias…

  24. Comentou em 01/04/2008 Odracir Silva

    O caro jornalista fica a escrever q o problema sao os leitores… humm, seraa q ee verdade? Seraa q o problema nao seja soo leitores, mas tb quem escreve a noticia? talvez o problema ee a falta de cultura do brasileiro? ee isso q o jornalista estaa a insinuar? Deixa eu lhe dizer uma coisa, q talvez o caro nao saiba. Nao estamos na Franca, nao somos franceses. Todo o post parece ser um chororo danado… os ‘pobres’ jornalistas, q viviam na torre de marfim agora tem q conviver c/ criticas. Se o problema ee a qualidade das criticas, talvez o caro jornalista estaa no lugar errado. Se nao quer um feedback, entao volta p/ a academia. Ee como aquele ditado mineiro (q veio da Italia), ‘se nao aguenta o calor, que saia da cozinha’. Pelo jeito depois da implantacao do conselho federal de jornalismo, o proximo passo seria introduzir a etica dos ‘leitores’, ou como os leitores devem ler as noticias…

  25. Comentou em 01/04/2008 Ricardo Ceragioli

    O texto ficaria mais atraente se fosse, talvez, inverso, dizendo sobre a qualidade e o respeito com que muitos internautas imprimem dia-a-dia na internet. E não são poucos. Quanto aos grandes meios, respeitosamente minha opinião é que são, sim, um conglomerado político, mais do que isso, é um poder, não constituido, mas consagrado, como muitos já sabem. Não existem apenas para lucrar com suas atividades; pelo contrário, as vezes se metem deliberadamente em prejuísos, para que ‘suas causas’ sejam atendidas. Extendendo isso também à muitos jornalistas, que jogam sua reputação no lixo para fazer valer sua opinião partidária… claro, existem também àqueles que procuram apenas ascensão no mercado de trabalho, ou mesmo por necessidade, mas que igualmente prestam o desserviço à informação. O ináceitável mesmo é quando vemos títulos, como este da nova enquete do OI: ‘A mídia consegue interpretar a opinião dos favelados?’, que chega, assim, fora de contexto, sendo que a última enquete, por ter sido voto-contrária à opinião ‘maioritária’ dos ‘profissionais’ do jornalismo, dizendo que a informação é mais confiável na internet do que nos meios oficialescos. Acho, respeitosamente, que tentam desqualificar a opinião nobre, autêntica e democrática do internauta. Isso revolta.

  26. Comentou em 01/04/2008 Eduardo Guimarães

    É inacreditável o que li. Ainda mais tendo sido escrito por quem foi. Uma generalização absurda sobre o público da internet, sobre os leitores em geral, e uma absolvição espantosa de grandes meios de comunicação que, com argumentos, prova-se diariamente que estão unidos aos interesses de um grupo político específico. Já li coisas assim em miríades de textos da grande imprensa. Além de não ter acrescentado nada ao debate, coloca a classe jornalística num pedestal e o resto (os leitores) na lama. Lamentável.

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