Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 24 E 25/03

Fazendo Média

27/03/2007 na edição 426

SEGUNDO MANDATO
Mário Augusto Jakobskind

Hélio Costa continua a serviço da Globo, 26/03/07

‘Hélio Costa está protagonizando um bate-boca com o Embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Montoya, que pode se transformar num incidente diplomático se não houver uma retratação pública por parte do ministro das Comunicações.

No afã de responder as críticas sobre a questão da TV pública, Costa, sem mais nem menos, investiu contra o governo da Venezuela. O Ministro, que na prática é um adversário da democratização dos meios de comunicação aqui no Brasil – disso o movimento social não tem mais dúvidas – talvez para agradar a empresa em que foi funcionário e numa demonstração concreta de que não rompeu os vínculos com a mesma, a Rede Globo, fez críticas à TV pública da Venezuela nos mesmos moldes dos editoriais do jornal das Organizações Globo, que Chávez acusou ser inimigo do povo brasileiro e da integração latino-americana.

O Ministro, revelando falta de compostura para exercer um cargo da natureza que ocupa – pois ao criticar os que o atacam envolve países com quem o Brasil mantém boas relações diplomáticas – vociferou contra ‘a TV estatal que o Chávez faz, a TV estatal que se faz em Cuba ou a que se fazia na Polônia e na antiga União Soviética’. Costa disse ainda que ‘estive nesses lugares para saber perfeitamente qual a diferença entre estatal e pública’. Ele pode até ter estado, mas não entendeu nada em termos da Venezuela, como garante o representante do governo Chávez no Brasil.

O embaixador Montoya considerou as declarações ‘insultuosas e perigosas’ e acrescentou: ‘O tom e o contexto no qual o ministro localiza sua afirmação, contra todo o bom senso e respeito que requer o exercício da boa diplomacia’, induz a uma ‘falsa matriz sobre a realidade da mídia venezuelana’, ou seja, à conclusão de que ‘meios estatais na Venezuela são iguais a instrumento de marketing presidencial’.

‘O que nos alivia um pouco o mal-estar por este desatino político e diplomático do ministro Costa’, escreveu o embaixador, ‘é sua óbvia ignorância sobre o que sucede na Venezuela em matéria de meios de comunicação social, além de sua equivocada conceituação sobre o caráter social dos mesmos’.

Repetindo chavões da mídia conservadora

Costa repete o que a mídia conservadora, e as Organizações Globo em especial, divulga quase diariamente, com o objetivo de queimar o processo de transformação que ocorre na Venezuela. É o senso comum, também repetido pelo Departamento de Estado norte-americano. E, finalmente, o embaixador venezuelano no Brasil explicou ao desinformado Costa que ‘as televisões estatais venezuelanas não são do presidente Hugo Chávez’ nem são utilizadas para ‘a realização de marketing presidencial ou pessoal’.

É claro que o Ministro Hélio Costa, que entende bem de iniciativa privada, como lembrou também o embaixador Montoya em sua nota, não vai levar em conta o esclarecimento do embaixador da Venezuela. Ele prefere optar pelo ideário das Organizações Globo, talvez no fundo a inspiradora de toda a investida de Costa contra os meios de comunicação públicos da Venezuela.

Já que estamos falando de Venezuela, em seu programa Alô Presidente Hugo Chávez alertou, com base em leitura de jornais russos, que não está excluída a hipótese dos Estados Unidos empreenderem uma ação militar contra o Irã, nos primeiros dias de abril, já na Semana Santa. Em se tratando de George W. Bush, todo o cuidado é pouco. Deste cuidado não deve ser excluído Lula, que se encontrará novamente com Bush, desta vez em Camp David, no próximo dia 31. Espera-se que o Presidente brasileiro ponha os pés no chão e não continue o seu deslumbramento para com o conto do etanol…

Socialismo do século XXI

O socialismo do século XXI avança na Venezuela, para desespero do império e dos que estão perdendo privilégios, inclusive no campo, tema que o Presidente Chávez se referiu na edição do Alô Presidente deste domingo, 25 de março.

E podem crer numa coisa: a cada avanço do processo de transformação na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Argentina e na Nicarágua, mais os articulistas da mídia conservadora serão acionados para a elaboração de editorais críticos aos governos dos referidos países. No último domingo, O Globo não fugiu à rotina.

Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor. Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus, repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente da Rádio Centenária de Montevideo, além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989 a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988 a 1989). Atualmente é correspondente do semanário uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato. É autor, entre outros, dos livros América Que Não Está na Mídia (Adia, 2006), Dossiê Tim Lopes – Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América Latina – Histórias de Dominação e Libertação (Papirus, 1985) e Cuba – apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba (Ato Editorial, 1986).’



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