Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > COBERTURA ESPORTIVA

Festa, violência e impunidade

Por Luciano Martins Costa em 08/12/2009 na edição 567

Depois da segunda-feira (7/12) em que as imagens da violência mancharam as comemorações no final do campeonato nacional de futebol, a imprensa faz uma abordagem rápida e superficial dos acontecimentos, e segue a vida.


Na televisão, as emissoras da Rede Globo deram destaque muito maior à invasão do campo no estádio Couto Pereira, em Curitiba, do que às cenas dos conflitos entre torcedores de facções rivais do Flamengo, que se engalfinharam nas ruas próximas ao estádio do Maracanã após a vitória contra o Grêmio de Porto Alegre.


A Rede Bandeirantes dedicou muito tempo e comentários aos dois acontecimentos, e seus comentaristas cobraram medidas das autoridades, lembrando que o Brasil precisa adotar medidas para prevenir a violência associada a jogos de futebol. Afinal, vamos sediar uma Copa do Mundo em 2014.


Nenhuma cobrança


Tudo indicava que os jornais retomariam as antigas campanhas pelo controle das torcidas organizadas. Mas nada aconteceu. Merece registro apenas a iniciativa do Globo, que na primeira página em sua edição de terça-feira (8/12), afirma que o Brasil foi ‘reprovado no teste da Copa’.


O texto constata que houve má gestão na partida final do campeonato, desde a desorganizada venda de ingressos até a confusa entrada dos torcedores no Maracanã, além das cenas de selvageria no estádio do Coritiba.


No rescaldo das cenas vergonhosas, registra-se apenas a interdição do estádio Couto Pereira e algumas ações da polícia, como a detenção de dois vândalos por desacato e o indiciamento de um motorista que causou a morte de um jovem ao fugir de uma confusão de torcedores.


Nenhum anúncio de medidas mais eficientes contra as hordas que invadem as ruas em dias de jogos de futebol, nenhuma cobrança mais efetiva das autoridades por parte da imprensa.


Problema escondido


Faz pouco mais de seis meses que o jovem corinthiano Clayton Ferreira de Souza foi espancado até a morte por torcedores do Vasco da Gama, numa das semifinais da Copa do Brasil deste ano.


Na ocasião, os jornais publicaram apenas as versões da polícia, que liberou os suspeitos, e ignorou as evidências de que havia ocorrido uma emboscada e que a própria Polícia Militar havia criado as condições para o conflito.


Não há notícias de mais investigações, e os assassinos podem contar com a impunidade.


Os clubes entram em férias, e mais uma vez o problema da violência nos estádios vai para baixo dos tapetes das redações.


***


A imprensa e o clima


Os jornais noticiam que o governo dos Estados Unidos surpreendeu o mundo ao incluir o gás carbônico como substância nociva à saúde, o que dá às autoridades americanas mandato para regular as emissões sem necessidade de consulta ao Congresso.


A notícia agitou os debates das primeiras delegações presentes ao encontro de Copenhague, segundo informes publicados na terça-feira (8/12).


Finalmente convencidos de que as mudanças climáticas são para valer, os jornais tratam de alinhar a expectativas, mas o balanço não é otimista. O noticiário segue fragmentado e a imprensa parece ainda não ter se dado conta de que há muito mais no contexto do aquecimento global do que medidas de proteção ao meio ambiente.


A cobertura da imprensa brasileira em Copenhague e as abordagens ao tema sustentabilidade serão debatidas no Observatório da Imprensa na TV.




Alberto Dines:


Geleiras derretidas, calotas polares diminuindo, estes são os ícones do aquecimento global da Conferência de Copenhagen, o maior evento de solidariedade ambiental já realizado até hoje. Mas para nós a catástrofe já começou: as inusitadas enchentes de primavera no Rio Grande do Sul e agora em Minas, e a sucessão de tormentas em Santa Catarina não são fatos isolados, rotineiros. São sintomas de um processo irreversível que pode ser atenuado desde que seja diagnosticado e enfrentado. Não apenas pelos governos, mas pela cidadania. Cada ser humano é responsável pelo destino da Terra. Você também: por isso participe da edição desta noite do Observatório da Imprensa, pela TV Brasil às 23 horas, ao vivo em rede nacional. Em São Paulo pela Net Canal 4 e 181 pela TVA.


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/12/2009 Azarias Esaú dos Santos

    Futebol têm de virar empresa(pensamento neoliberal), nada de ‘amadorismo’; têm de saber perder, e por aí vai os comentários. A emoção, a dedicação, a disponibilidade gratificante, que as pessoas dedicam aos clubes, isto não vale nada! É jogado á escanteio pelos amantes do ‘mercado’ e trocam o nome de torcedores por ‘consumidores do futebol’. É tirar sarro no povão. Quem tem de saber perder é quem ganha horrores por mês, são os cartolas que lavam dinheiro em grandes tramóias. O povo não é obrigado a saber perder. Já perdem muito, com sua mão-de-obra barata, nas conduções caras, nas enchentes. O Coritiba comemorando 100 anos e descendo prá 2ª, isso é vergonha. Passa o chapéu entre o povão que ele colabora. Mas não, vamos virar Empresa. E os recém-Empresários, frios, calculistas, afundaram o time. Eles têm de apanhar mesmo.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem