Segunda-feira, 23 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 19 E 20/4

Folha de S. Paulo

22/04/2008 na edição 482

CASO ISABELLA NARDONI
Clóvis Rossi

Os talibãs de São Paulo

‘PARIS – Antes de escrever, preparo a mala para o retorno ao Brasil. Aterrorizado. De perto, o país -ou pelo menos a parte em que me toca viver, a cidade de São Paulo- sempre me pareceu primitivo, bárbaro. Com as óbvias ilhas de luz ou de sentido comum, mas, no essencial, selvagem.

O caso da menina Isabella parece ter levado a um mergulho ainda mais acentuado na barbárie. A reportagem de Laura Capriglione e Ricardo Westin sobre os tipos que se acotovelavam diante da delegacia em que o pai e a madrasta da menina estavam depondo é um compêndio completo sobre o regresso à selva, à lei da selva mais exatamente, de uma fatia dos paulistanos.

O texto é um desses momentos em que a essência básica do jornalismo, que é ver, ouvir e contar, joga luz nos subterrâneos da alma de uma cidade que se tornou crescentemente inóspita. Talvez a reação fosse a mesma em qualquer outra cidade do mundo, mas parece evidente que São Paulo e sua selvageria cotidiana atiçam, cutucam, os piores demônios que se escondem nos recônditos da alma.

O pior é que viajei após um texto em que criticava a condenação antecipada do pai e da madrasta pela polícia, sem que tivesse havido, naqueles primeiros momentos, qualquer investigação séria que permitisse acusar ou inocentar quem quer que fosse.

Dizia, então, que, se o casal fosse culpado, acabaria sendo condenado cedo ou tarde. Mas, se fosse inocente, teria sido condenado irremediavelmente, sem provas, sem julgamento, sem investigação.

Vinte dias depois, volto diante de um cenário ainda mais selvagem: o casal foi preso, julgado, condenado e linchado (simbolicamente, mas quase literalmente) a cada dia.

Já não apenas pela polícia, mas pelo público ou, ao menos, a parte dele que vai à porta da delegacia ou pela massa que se cala diante da vitória dos talibãs de São Paulo.’

 

ENTREVISTA/CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA

Folha de S. Paulo

Jornal precisa encontrar seu novo papel, diz ombudsman

‘NOVO OMBUDSMAN DA FOLHA , Carlos Eduardo Lins da Silva, crê que os jornais brasileiros vivem um momento contraditório. Pelo lado bom, não sofrem da crise de credibilidade que acomete os diários norte-americanos. Pelo ruim, estão perdendo o poder de influenciar a opinião pública. Segundo ele, está na hora de os jornais decidirem que papel vão ter na concorrência com outros meios, como a internet, as rádios e a TV. Defende que o futuro está num produto mais focado, com menos assuntos e mais analítico.

Lins da Silva passa a atender os leitores e a redigir uma crítica interna na próxima terça-feira, dia 22. Sua primeira coluna dominical será publicada no dia 27 no caderno Brasil. Na entrevista abaixo, ele fala da proliferação de blogs, da cobertura do caso Isabella e do impasse que culminou com a não-renovação do mandato do ocupante anterior do cargo.

FOLHA -Jornais brasileiros e americanos vivem situações opostas. Lá eles perdem circulação e receita com publicidade. Aqui cresceram as vendas e o volume de anúncios. Qual a razão desse descolamento?

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA – O que acontece no Brasil é uma coisa ilusória e acho que os jornalistas brasileiros não deveriam se iludir com esse bom momento. Primeiro, porque a internet não está muito disseminada aqui como nos EUA. Segundo, nós estamos vivendo esse boom da economia que eu acho que é passageiro. Nos EUA, ao contrário, a internet é quase universal e a economia está começando a sofrer os primeiros tropeços. Na minha opinião, é irreversível a tendência de os jornais impressos perderem circulação.

FOLHA – É a internet que tirará esse público dos jornais?

LINS DA SILVA – Eu acho que a internet já está tirando público e publicidade dos jornais. E será assim se o jornal impresso não revir a sua existência.

FOLHA – Você não acredita que possa crescer o número de leitores de jornais impressos com mais pessoas alfabetizadas e com mais dinheiro no bolso? Nos EUA, nos anos 60, 80% dos americanos com 18 anos ou mais liam jornais durante a semana. Hoje, ainda são cerca de 50%. O Brasil nunca chegou nem perto disso.

LINS DA SILVA – O problema é que no Brasil o crescimento dos meios de comunicação foi atropelado. Nos EUA, o desenvolvimento do capitalismo foi mais ou menos ordeiro. Houve a afluência monetária, que atingiu grande parte da população. Houve a conquista de direitos trabalhistas, que garantiu mais tempo para o lazer. Houve a alfabetização universal. Tudo isso levou a que quase todo mundo lesse jornal. Depois disso surgiu a televisão, a internet. No Brasil, não houve distribuição homogênea de riqueza, ainda há muitos analfabetos e você teve, antes de a leitura de jornais se universalizar, a chegada da televisão e da internet. Então, acho que essa universalização nunca vai ocorrer.

FOLHA – Para enfrentar a perda de circulação, alguns jornais americanos apostam na hiperlocalidade. Focam cada vez mais na própria comunidade. Essa será uma tendência para o Brasil?

LINS DA SILVA – Não sei se isso vai funcionar nem nos EUA. Há uma outra diferença entre os jornais americanos e brasileiros, que é a questão da credibilidade. Lá, eles passam por um momento de perda da credibilidade. Aqui, não. Mas, voltando à questão, não sei se essa é uma solução para os jornais impressos. Porque, também para o provimento da informação local, a internet é um meio mais adequado. Você pode comprar seu ingresso de cinema pela internet. Você pode saber o cardápio do restaurante pela internet. Você não tem como prestar esse tipo de serviço nas páginas do jornal.

Para mim, a saída para o jornal impresso é apostar na profundidade, na qualidade e ter mais foco, tratar de menos assuntos. Porque isso a internet não pode dar. O jornal impresso precisa procurar o tipo de conteúdo em que ele se sai melhor, em vez de insistir em competir com a internet naquilo que ela pode oferecer com mais comodidade para o leitor.

FOLHA – Alguns jornais ingleses tentam esse modelo mais focado e mais aprofundado, mas não obtêm mais leitores com isso.

LINS DA SILVA – Eu acho natural que esse modelo que eu defendo tenha menos leitores que o modelo atual. Porque esse novo jornal não deverá atender a todo o universo de possíveis leitores. Ele deve ser dirigido para uma parcela mais específica da população. Pode ter menos circulação, mas gastará menos com papel e poderá ter mais publicidade, focada para aquele público. E o mais importante, ele pode ter mais influência social do que esse jornal dirigido ao público em geral, que é muito caro para ser produzido.

FOLHA – Do ponto de vista da qualidade da informação, deixando de lado circulação e publicidade, você acha que os jornais brasileiros vivem um bom ou mau momento?

LINS DA SILVA – Acho que vive um bom momento, uma vez que não perderam credibilidade, como aconteceu nos EUA. Por outro lado, acho que os jornais brasileiros perderam o poder de influenciar. O maior exemplo foi a eleição presidencial de 2006. Era claro que a maioria dos jornais preferia que Lula não tivesse vencido. No entanto, Lula teve dois terços dos votos. Da mesma forma, no momento do mensalão, a maioria dos jornais de qualidade no Brasil preferia que o desfecho fosse outro.

FOLHA – Qual é o grande desafio dos jornais impressos hoje?

LINS DA SILVA – É definir qual papel terão. Principalmente para manter a influência. O jornal terá que encontrar seu lugar, como o rádio encontrou. Muitos diziam que o rádio morreria com a chegada da televisão. Não foi o que aconteceu. Hoje o rádio está num ótimo momento. Ele descobriu que seu espaço não era mais ser como a Rádio Nacional foi em meados do século passado: o centro das atenções da família no horário nobre da noite. Perdeu audiência, sim. Na época, 80% escutavam a Rádio Nacional. Hoje, 1%. O mesmo vai acontecer com o jornal impresso.

FOLHA – A internet trouxe mais participação dos leitores. Você vê futuro nessas experiências que usam o leitor como provedor de conteúdo?

LINS DA SILVA – Sou bastante cético com relação a isso. Essa suposta democratização da internet, que permitiria ao cidadão ser repórter, é muita demagogia. O público precisa de informação apurada com rigor, com método. Só algumas pessoas, que têm jeito e experiência, conseguem fazer isso.

FOLHA – Este será um ano eleitoral no Brasil. Com isso, o ombudsman deve ser muito procurado por assessores de políticos e também por leitores que acreditam que o jornal está protegendo esse ou aquele candidato. Como você pretende fazer essa fiscalização da neutralidade do jornal e, ao mesmo tempo, separar o que é paixão política, ou interesse de assessores, da opinião mais objetiva de leitores?

LINS DA SILVA – Esse será um dos meus desafios. Eu acho que o jornal tem o direito de endossar um candidato. Não acho que deva, mas tem o direito. Por outro lado, no noticiário, o jornal não tem o direito de endossar um candidato. Ele tem que fazer uma cobertura o mais próximo possível do isento. Como você sabe, não existe objetividade absoluta. Mas existe algo próximo disso, que é equilibrar o espaço dado aos candidatos, não adjetivar, dar enfoque mais ou menos justo para os principais concorrentes.

Eu não gosto muito da palavra fiscalização, mas a observação que vou fazer será baseada nisso. Tem que haver equilíbrio e o máximo de isenção possível. É claro que nunca ninguém ficará satisfeito. Mas a medida do sucesso é sempre ser atacado de todos os lados. Quando mais ataques o jornal receber de todos os lados, mais próximo do equilíbrio ele estará.

FOLHA – A internet permitiu também a proliferação de blogs, muitos com enfoque político. Você acha que esses blogs já conseguem influenciar a opinião pública?

LINS DA SILVA – No Brasil, com certeza não. Nos EUA, sim. Essa influência está sendo sentida na eleição presidencial. No entanto, eu acho que é uma influência ruim, perniciosa. Os blogs tendem a acirrar as divisões. Por exemplo, eu acho que essa disputa entre a Hillary Clinton e o Barack Obama está sendo prejudicada pela divisão que os blogs atiçam entre negros e brancos, entre mulheres e homens, entre trabalhadores industriais e profissionais liberais, que é a divisão que se estabeleceu na demografia eleitoral da Hillary e do Obama.

No Brasil, é parecido, mas é muito menor porque é pequeno o número de pessoas com acesso à internet e que lêem esses blogs. Mas cria-se um mal-estar por causa do radicalismo de alguns deles, que não argumentam, ofendem. Descem a um nível que nem se pode chamar de debate. E isso contamina o tal formador da opinião pública, que muitas vezes lê esses blogs e acaba sendo contagiado pelo radicalismo, o que cria situações artificiais.

A disputa entre petistas e tucanos é muito artificial porque não há tanta coisa que distancie um partido de outro. Mas ela é muito prejudicada pelas pessoas que lêem e até participam desses blogs e se dividem de uma forma muito odiosa.

FOLHA – O ombudsman anterior, Mário Magalhães, condicionou sua permanência no cargo a que o jornal voltasse atrás de decisão tomada no ano passado de não mais divulgar na internet a crítica interna, que, no entender da Direção de Redação, estava sendo usada pela concorrência e instrumentalizada por jornalistas ligados ao Planalto. Você acha que a crítica deveria ser pública?

LINS DA SILVA – Do ponto de vista do ombudsman, acho que essa questão é irrelevante. Do ponto de vista do jornal, inócua. Irrelevante porque qualquer coisa importante da crítica interna poderá estar na coluna de domingo, que é pública. O leitor, então, não perderá nada.

Já para o jornal, acho que a medida é inócua porque o fato de ser restrita à Redação não vai impedir que a concorrência e grupos políticos tenham acesso a ela. É impossível impedir que algo que seja distribuído a mais de uma centena de jornalistas não vaze para fora do jornal. Acho que o impasse foi gerado por uma questão que não precisaria tê-lo provocado, nem de um lado nem de outro.

O que lamento muito, porque considero que o Mário estava fazendo um bom serviço como ombudsman e isso beneficiava o leitor e o jornal.

FOLHA – Os últimos ombudsmans focaram suas colunas dominicais na cobertura da Folha. Você fará o mesmo ou pretende fazer uma análise mais ampla de toda a mídia?

LINS DA SILVA – Não tratarei na crítica dominical de nenhum outro veículo específico porque não tenho mandato para isso. Meu compromisso é com a Folha e não serei ombudsman dos concorrentes, da televisão ou da internet. Mas, ocasionalmente, posso tratar da mídia em geral porque acho que será interessante para o leitor.

FOLHA – Você assume o posto de ombudsman na terça, mas sempre foi um leitor atento. O que mais te irrita nos jornais?

LINS DA SILVA – O que mais me irrita é superficialidade. Depois, erros de português. E isso é uma bobagem, um pedantismo meu, porque erro de português não é tão importante assim. Em terceiro lugar, me irritam muito invencionices de texto. A tentativa de chamar a atenção com o que o repórter considera engraçado. Por exemplo, começar um texto com uma brincadeira que só me fará perder alguns segundos com algo que não tenha nenhum sentido. Também me irritam algumas opiniões muito ralas, que não acrescentam nada para o leitor.

FOLHA – Como você avalia o trabalho dos meios de comunicação na cobertura do caso Isabella?

LINS DA SILVA – Acho que os jornais estão preocupados em não repetir erros, como ocorreram na cobertura de outros casos policiais que mobilizaram a opinião pública. O que é muito positivo. Há preocupação com aspectos éticos. Mas acho absurdo o que o Clóvis Rossi chama de cenas de jornalismo explícito. Eu vi a saída da prisão do casal suspeito e não consigo encontrar sentido naquele batalhão de cinegrafistas em cima de motocicletas colocando a câmara no vidro do carro em que eles estavam. Não sei qual o valor informativo que pode ter uma imagem como aquela.

Só não sei se isso é evitável, porque o público parece querer esse tipo de cobertura. A mídia, nessas horas, acaba estimulando o que há de pior nos instintos humanos, de morbidez e curiosidade doentia.

Mas aqui há uma questão. Será que o jornalismo sério precisa mesmo entregar o que o público quer, ou diz querer? Na minha opinião, jornalismo sério tem que atender a demanda do público, mas tem também que liderar. É preciso haver uma troca entre o meio de comunicação e seu consumidor para que o jornal atenda os desejos dos leitores, mas também ajude a melhorar a qualidade desses desejos.’

 

CUBA
Flávia Marreiro

Cubanos absorvem discurso da ´mudança sem loucuras´

‘´Por que aquele prédio vai ser [reparado] primeiro? Só queremos ser informados do que acontece, dos critérios. Não saber das coisas na rua ou pela antena´, diz uma senhora, cabelos curtos descoloridos, entre um punhado de gente reunida quase na esquina da rua Obispo, na parte antiga de Havana. A antena é uma referência às parabólicas que captam as TVs de Miami.

Em certo momento, a mesma senhora cita o discurso de Raúl Castro ao assumir formalmente o poder em Cuba, há menos de dois meses, prometendo resolver ´as necessidades básicas materiais e espirituais da população` -essa, como outras, frases repetidas quase literalmente por cubanos nas ruas.

A reunião, ao ar livre, na noite da última quarta-feira, foi uma prestação de contas do CDR (Comitê de Defesa da Revolução) da quadra, parte da rede montada nos anos 60 pelo ditador Fidel Castro -grupos de vizinhos que fazem vigilância na rua, trabalho político e serviços comunitários, além de muitas vezes terem dedurado os que saíam da linha estrita traçada pelo regime.

Rotina na vida cubana, os encontros parecem ter sido contaminados pela brisa de mudança e promessas de tolerância à divergência de opinião sopradas pelos discursos de Raúl, acompanhadas das recentes medidas liberalizantes, como a venda de celulares e DVDs, antes vetados aos cubanos.

´Meu sobrinho, que já tinha celular comprado com um estrangeiro, me avisou e vim comprar o meu. Assim posso falar com minha irmã na Espanha. Posso mandar uma mensagem: me liga!´, explica a dona-de-casa Berta Fernández, 42, com a aquisição nas mãos (os telefones recebem ligações do exterior sem custos até dezembro). Ela diz que está até otimista, que espera outras medidas como essa. Tudo muito devagar, ´sem loucuras´.

Pelo mais barato aparelho com linha pré-paga, o cubano desembolsa 171 pesos conversíveis, os CUC (cotados a US$ 0,89), que estão nos bolsos dos funcionários de firmas estrangeiras, dos que ganham abonos de incentivo em algumas estatais e de quem recebe de parentes que vivem no exterior ou opera no mercado negro.

´Pior é proibição´

Mas até quem não adquiriu os produtos liberados entrou no clima de otimismo cauteloso, ajudado pelos elogios aos ônibus comprados da China, estreados em Havana neste ano. Se os ´camelos` -caminhões que puxavam apertadas cabines duplas adaptadas para até 400 passageiros- foram o símbolo da debacle pós-soviética, os Yutong chineses são símbolo da recuperação relativa.

´Quem pode, que compre, eu não posso, mas pior é proibição´, diz o taxista Ernesto, repetindo que os ajustes maiores na economia vêm depois.

As duas moedas -o peso cubano pago nos empregos estatais e a moeda forte que compra quase tudo- são apontadas como principal nó da vida cubana. ´Se acabar a moeda dupla e todo mundo tiver dinheiro, as lojas vão ficar sem nada, peladas´, completa Ernesto.

A idéia é ecoada pelo livreiro de 70 anos, na praça das Armas: ´É preciso produzir mais para ter mais. Isso diz todo economista, não é só Raúl´. Espera mudanças mais profundas? ´Not in my lifetime´, gargalha, em inglês mesmo, ´não enquanto eu estiver vivo´.

Mas o clima se enche de ceticismo na conversa com uma vendedora da tradicional sorveteria Coppelia. ´Dizem que estamos em transição, dizem´, enfatiza a jovem de 26 anos, que já comprara o DVD no mercado negro e é fã da série americana ´Prison Break´, pirateada.

´Os mais velhos dizem que têm esperança porque já viveram várias fases, antes e dentro da revolução. Eu só vivi isso aqui e é muito duro. A roupa que eu quero é em CUC, o xampu é em CUC, tudo. Quero ver para crer´, afirma, sorriso aberto, duas faixas de sombra glitter na pele negra.

Também reclamam jovens estudantes de odontologia da Universidade de Havana, que sonham em ser enviados ao exterior. ´A melhor boate, a Duvil, é 5 CUC. Se vou lá não compro sapatos. Se entro, não dá para beber nada´, diz Luis, 20.

´Além de terem crescido na fase mais complicada de Cuba, há uma abismo cada vez maior entre eles e quem comanda o país´, diz sobre os jovens Roberto Veiga, ele também um otimista moderado, editor da revista ´Espacio Laical´, ligada à Igreja Católica, um dos poucos meios não-estatais e críticos da ilha.

´As pessoas estão mais animadas para falar, isso é certo´, completa Veiga. O ´Granma´, do PC, ainda que não tenha publicado a maioria das medidas de Raúl nem reportado os debates setoriais convocados por ele, também fala aqui e ali de mudanças e passou a publicar cartas dos leitores.

Vai sair no ´Granma´?

Outras fases de debates já existiram na vida cubana. A diferença, diz um conhecedor da ilha, é que as únicas críticas reproduzidas antes eram as feitas pelo próprio Fidel. ´Quantas vezes estivemos numa reunião em que todos votamos unanimemente, e apesar disso, nos corredores, ouvíamos os que se opunham à decisão?´, questionava carta na sexta no jornal.

Na reunião de quarta-feira, do CDR de Havana Velha, um rapaz, pequeno e agitado, apontou para seu edifício-cortiço logo atrás, sem banheiros individuais, com teto a ponto de cair. Duvidou que as reclamações saíssem no ´Granma´. Como a sua vizinha, disse que era mais bem informado pela ´antena´. Provocou risos contidos.

O dirigente prometeu cimento para as reformas mais urgentes e encerrou a reunião. Em rodinhas, alguns ainda reverberavam o que disseram a senhora e o rapaz, enquanto os demais subiam aos prédios, lotados de roupas nas varandas.’

 

***

Artigos de Fidel fream análises mais ousadas

‘Responder qual a influência hoje de Fidel Castro, mescla de homem forte e pai espiritual onipresente na ilha por quase 50 anos, é para alguns cubanos uma tarefa delicada. A presença concreta do ditador, afastado do poder pela doença em 2006 e formalmente fora do cargo de presidente do Conselho de Estado desde fevereiro, resume-se aos artigos quase semanais para a imprensa estatal.

Alguns preferem dizer que não há diferenças marcantes entre os dois irmãos, que Fidel, 81, segue sendo consultado nas decisões importantes por Raúl, 76. ´Não é igual com Raúl, que respeito. Com ele é como conhecer uma mãe já adulto, a gente não gosta igual´, compara, olhos lacrimejantes, Anita Rodríguez, 40, gerente de uma cooperativa agrícola privada e defensora da revolução, da qual louva o sistema de saúde onde leva o filho com síndrome de Down.

Mesmo um decepcionado, como um vendedor ilegal de material elétrico em Havana, que pensa em deixar o país, diz que era melhor ter Fidel discursando ao vivo. ´Eu não sou comunista, sou fidelista.´

China e URSS

Um estivador de 41 anos puxa assunto com a reportagem: ´Há diferenças. Fidel era fanático pela União Soviética. Raúl é fanático pela China´, diz.

Também entre os analistas se discute a profundidade das diferenças entre os irmãos Castro e qual a relação deles agora. A tese que tem mais adeptos é a que apresenta os dois como parte de um mesmo projeto. Fidel, com ênfase na ´batalha ideológica´, menos confortável com desejos de consumo dos cubanos, mas, como o irmão Raúl, vendo como necessárias mudanças econômicas. Para muitos, essa vigilância ideológica funciona como freio.

Fidel está atento aos escritos que questionam mais profundamente o regime. Nesta semana, o artigo foi contra as ´concessões à ideologia` do inimigo. O alvo, muito provavelmente, era um texto do jornalista Luis Sexto, do ´Juventud Rebelde´. ´O sujeito que se acostumou a ditar, de seu birô, o que plantar e como colher talvez não goste que os produtores ganhem autonomia´, escreveu Sexto.’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

Novo reality show da Globo vai revelar chef de cozinha

‘A Globo prepara o projeto de um reality show que irá revelar um novo chef de cozinha. O reality será exibido dentro do ´Mais Você´, de Ana Maria Braga, desde o final do ano passado sob a direção artística de J.B. de Oliveira, o Boninho, o ´big boss` do ´Big Brother Brasil´.

O programa terá 12 participantes, todos aspirantes a chefs de cozinha, profissional que pode ser definido como um ´artista das panelas` -ele cria o cardápio, dá personalidade a um restaurante e comanda a equipe de cozinheiros.

Ainda sem nome e sem formato definido, o reality show terá duração de 11 semanas, período em que os participantes terão que permanecer em um ´alojamento` no Projac, no Rio, mas não confinados.

O vencedor receberá um prêmio em dinheiro e um estágio de um ano em um famoso restaurante de São Paulo. As inscrições para os interessados em participar do programa devem começar no final de maio.

Boninho diz que ainda não encontrou o ´tom` do reality show, mas já adianta que irá fugir do estilo do badalado Gordon Ramsey e seu ´Hell´s Kitchen´, programa exibido no Brasil pelo GNT, em que aspirantes a chef são humilhados.

´Pessoalmente, conheço alguns estilos de grandes chefs, como [o do francês] Alain Ducasse, que também é muito exigente. O clima brasileiro é mais light e assim vai ser o projeto. Mas é lógico que vamos forçar a barra nas provas e puxar os dramas pessoais para dar um molho especial´, conta Boninho, apreciador da alta culinária.

MULHERENGO, MAS ÉTICO

Em ´A Favorita´, sua primeira novela das oito, Carmo Dalla Vecchia (foto), 37, irá encarnar um repórter, mas não um repórter qualquer. ´O Zé Bob é um jornalista investigativo. Tipo jornalista gonzo, que suja o sapato, dá sua opinião, escreve em primeira pessoa´, conta o ator, que acompanhou repórteres para aprender o que não deve fazer no ar. Carmo será a pedra no sapato de Milton Gonçalves, um político corrupto. E um tremendo ´pegador` -vai se envolver com Patrícia Pillar, Cláudia Raia, Taís Araújo e Christine Fernandes. ´Ele é mulherengo, mas superético, não engana ninguém´, esclarece.

MARIA-BOMBEIRO

No ar como apresentadora do reality show ´Troca de Família´, a atriz Ana Paula Tabalipa já grava a próxima novela da Record, ´Chamas da Vida´, prevista para estrear em junho. Ela interpretará Raíssa, uma personagem original na TV. Raíssa tem fixação por bombeiros. Será chamada de maria-bombeiro, a versão farda-e-mangueira da maria-chuteira. A garota quer de qualquer forma namorar um bombeiro e perde a linha quando vê um. Dá em cima de Milhem Cortaz, Roger Gobeth e Gabriel Gracindo. Quando ouve uma sirene, sai correndo para ver a operação. Lá, finge passar mal para chamar a atenção dos bombeiros, que, conhecedores da figura, a desprezam.

PASSAPORTE

Novo humorístico da Band, o ´CQC` (de ´Custe o Que Custar´) irá cobrir a Olimpíada de Pequim, em agosto. De uma forma irreverente, é claro. A idéia é produzir dois programas especiais na China. Antes disso, em maio, o repórter Rafael Cortez viajará para o Peru, onde ocorrerá cúpula com chefes de Estado de América Latina e Europa.

PROCESSO

Diretora musical de ´Revelação´, a cantora Laura Finocchiaro ouviu 3.000 músicas para montar a trilha sonora da próxima novela do SBT. Dessas, ela pré-selecionou 300. Ao final, restarão pouco mais de 30. Cada núcleo da novela terá uma identidade musical. Laura despontou na TV em 2001, quando fez a trilha de ´Casa dos Artistas´, um sucesso.

Pergunta indiscreta

FOLHA – Você está ficando loira. O que quer dizer com isso?

LUCIANA GIMENEZ (apresentadora do ´Superpop´) – Marilyn Monroe dizia que as loiras se divertem mais. Então, estou querendo ver se é verdade. Mas eu nunca fui e não estou ficando loira. São só luzes, até porque o que não falta na TV brasileira é loira. Tem que dar uma mudada de vez em quando, para o marido não enjoar.’

 

Lucas Neves

De mudança para Hollywood, ´Nip/Tuck` faz sátira de si mesmo

‘Sensação da hora na TV norte-americana, a sátira ao culto às aparências hollywoodiano acaba de ganhar mais uma adepta: a série ´Nip/ Tuck´.

Na quinta temporada, que estréia na próxima quarta-feira na Fox, os cirurgiões plásticos Christian Troy e Sean McNamara trocam Miami por Los Angeles e juntam-se ao cordão de ´Dirt´, ´Extras´, ´Entourage` e cia.

´Tiramos um sarro com Los Angeles, a indústria e nosso próprio programa´, adianta a atriz Kelly Carlson, que encarna a ex-atriz pornô Kimber e veio ao Brasil badalar o programa. ´E temos uma inversão de papéis entre Sean, que fica famoso com sua participação na série médica ´Corações e Bisturis´, e Christian, relegado ao segundo plano e acossado por sua vaidade. Além disso, Christian e [a ex-mulher de Sean] Julia ficam juntos por um tempo e ela se envolve com uma mulher.`

Para Kimber (que já foi desfigurada por um serial killer, serviu de molde a uma boneca adaptada ao ´entretenimento` masculino e teve uma fase cocainômana), o ano cinco reserva mais dramas: ela ficará viciada em metanfetamina.

´Claro que não me aproximo dela pelas escolhas que faz quanto a drogas e sexo. Tento achar uma ligação no nível emocional, no que diz respeito aos relacionamentos, que são sua motivação para viver. E é por isso que as mulheres se identificam tanto com Kimber: ela é muito franca no que diz respeito a suas inseguranças e seus sentimentos´, diz Carlson.

Sincera também é a atriz quanto a suas aspirações nos palcos, espaço tido como escola de interpretação. ´No nosso negócio, é melhor ter feito teatro, porque as pessoas tendem a respeitar mais. Mas, devo dizer, eu odeio aquilo, não quero estar lá, tampouco consigo assistir.`

Roteiro sobre Polanski

Longe das próteses de silicone e seringas de botox de ´Nip/ Tuck´, ela é roteirista diletante. ´Escrevi o argumento de um filme sobre a relação da atriz Sharon Tate [morta em 1969 por um maníaco] com [o cineasta] Roman Polanski. Eram a síntese do homem e da mulher, e de como coabitam. Poderia falar sobre isso por horas, é tão psicológico…`

Não é o caso, Kelly -sobretudo porque só temos 15 minutos. Voltemos à série que a trouxe aos trópicos: como encara a cirurgia plástica? Já fez? ´Pode melhorar a vida de alguém, mas também destruí-la.

Antes de fazer, você tem que entender o porquê daquilo, se há outras questões envolvidas, como auto-estima. Mas, se você é saudável, está na curva dos 40 e um pouco preocupado com as coisas que começam a cair, coloque Botox. E daí?´, responde, um tanto evasiva.

Insisto, com a fala-assinatura dos cirurgiões de ´Nip/ Tuck´: conte-me o que você não gosta em você (´Tell me what you don´t like about yourself´). ´Queria ter pernas mais compridas. Mas não posso consertar isso, né?`

NIP/TUCK

Quando: quarta, às 22h

Onde: na Fox’

 

Vinícius Queiroz Galvão

Milton Neves reestréia após conflito

‘Milton Neves estréia hoje a mesa-redonda ´Terceiro Tempo´, às 21h30, na Band, um tanto descontente com o apresentador, empresário e publicitário Roberto Justus.

A saia justa surgiu quando Neves deixou a Record para assinar um contrato milionário com o publicitário. Justus tinha fechado acordo para produzir o programa de esporte e outra atração diária para a Band por meio da Brainers, da qual era sócio.

Justus acabou se afastando da produtora, segundo diz, por ´conflito de interesses´, já que faria programas para outras emissoras enquanto comanda ´O Aprendiz` na Record.

O acerto com Justus previa até que o pastor R.R. Soares deixaria de ocupar o horário nobre da Band para dar espaço ao programa de Neves.

Tudo deu para trás, e o apresentador ficou sem lugar até assinar diretamente com a direção da Band um outro contrato. Segundo ele, o contrato ´é muito inferior em relação ao que tinha com Justus´. Quanto? ´Não posso falar.´

Sobre o descontentamento com o publicitário, afirma: ´Diria que não fiquei feliz. Sobre Roberto Justus, não falo absolutamente nada. Apenas me permito, daqui a um dia, uma semana, um mês, um ano, dez anos, caso ele dirija a palavra a mim, não acreditar no que ele disser. Isso está na mão de advogados´.

E Justus dá a sua versão: ´Talvez seja melhor não dirigir a palavra a ele, então. É um negócio como outro qualquer, que não deu certo por motivos alheios à minha vontade´.

´Artista´

Segundo o publicitário, o contrato previa que, além de R.R. Soares sair do horário, fosse atingida uma cota mínima de patrocinadores. Se até março essas exigências não fossem cumpridas, diz Justus, o contrato não entraria em vigor.

´Um artista como ele [Neves] tem uma sensibilidade um pouco diferente, fica chateado com algumas coisas´, completa Justus, que alega não ter tirado o apresentador da Record. ´Ele já estava saindo. Não tinha mais futebol na emissora.´

´Terceiro Tempo´, marca que acompanha Milton Neves desde 1982, quando o programa no rádio começou, volta com formato igual e o mesmo conteúdo de debates.

A mesa-redonda desta noite terá apenas homens, que deverão reclamar da excessiva presença masculina, de forma a puxar um gancho para escolha da nova ´miltete´. A ex-assistente de estúdio Renata Fan, que já havia migrado para a Band, não está no programa.

A nova garota será escolhida pelo público entre ´quatro ou cinco` modelos selecionadas entre 30 candidatas.

´Vamos fazer uma votação com a opinião do público, numa interatividade igualzinha à do ´Big Brother´, explica o apresentador.’

 

Bia Abramo

Televisão em trânsito

‘A IMAGEM está se tornando mais ou menos típica: passageiros de ônibus e metrô viajam de fones de ouvido e olhos numa tela de LCD. Os fones voltaram às ruas com a disseminação e popularização dos preços dos tocadores de MP3. Circulando por São Paulo a pé, de metrô e de ônibus, esbarra-se a toda hora em pessoas de todas as idades ouvindo sua trilha sonora particular, os fios surgindo de mochilas, bolsas e bolsos.

No interior dos ônibus e vagões do metrô, as telas de LCD substituem as janelas e os poucos livros, revistas e jornais como alvo dos olhares. Em São Paulo, há dois serviços de TV que cobrem várias linhas de ônibus da região metropolitana, e um para a linha verde do metrô.

Há algo que sugere isolamento e alienação nesse transitar de olhos e ouvidos atentos a estímulos outros, alheio aos acontecimentos reais, plugado nos virtuais. De certa forma, é como se o sujeito que anda de ônibus, grudado nas imagens oferecidas por essas TVs e escutando o seu som, quisesse não estar lá. Mas há também uma nota simpática, de manifestação de uma vontade de deixar a viagem no transporte coletivo mais divertida e leve.

As TVs (ou sistemas audiovisuais) dos ônibus e do metrô oferecem um cardápio diversificado de conteúdo. A TVMinuto, da linha verde, concentra-se mais em dropes de notícias (imagens paradas e legendas) combinados com dicas de programação cultural pela cidade (e acessíveis pelo metrô).

A TVO, que cobre 164 linhas de ônibus, ousa mais na ´programação´; tem animação (pelo menos uma ótima, os Pinguinics), piadas, poemas visuais, receitas simples, miniperfis de motoristas e cobradores, em vídeos de até um minuto e meio. A BusTV vai mais ou menos na mesma linha, mas, ao contrário das outras duas, tem som, o que pode ser um tanto impositivo e incômodo.

O tipo de conteúdo que pode ser encaixado nesses sistemas é, evidentemente, limitadíssimo pelas diversas restrições tecnológicas e técnicas, mas, mesmo assim, poderiam se experimentar outros formatos de pequenas narrativas, até mesmo seriadas (para quem sempre pega ônibus mais ou menos no mesmo horário). Quem está em trânsito está sempre mais disponível à distração.

E, claro, é muito interessante que essa imagem futurista -pelo menos no imaginário da década de 80, graças a ´Blade Runner´, os anos 2000 estariam invadidos por telas onipresentes- esteja associada aos transportes coletivos, uma espécie de bode expiatório do caos urbano paulistano e símbolo da precariedade e do atraso da cidade.’

 

Inácio Araujo

Eastwood mostra guerra midiática

‘Nunca existe apenas uma guerra na guerra, parece nos dizer Clint Eastwood em ´A Conquista da Honra` (HBO, 19h35). Ela é pelo menos duas: a real, onde as pessoas morrem, e a outra, simbólica, que só existe pelos jornais.

Em uma, o essencial é fincar uma bandeira americana no árido solo de Iwo Jima, uma ilha que não serve para nada, exceto a guerra. Em outra, o essencial é a foto da bandeira sendo fincada, que, publicada nos jornais americanos, engajará as pessoas na guerra (sobretudo doadores de dinheiro). Esta segunda é uma guerra fotográfica, ou de informação, ou, para usar o termo mais a propósito hoje, midiática.

Em suma, a informação nunca é inocente. Que o diga, para começar, o índio, obrigado a deixar o front para participar de uma turnê pelo país, representando sempre o momento em que a bandeira americana é fincada em solo japonês. A representação toma então o lugar da realidade. Ela é uma festa permanente. E tão necessária, segundo os militares, quanto os sacrifícios na batalha.

Mas todos os envolvidos sabem muito bem distinguir uma coisa da outra, seja para se aproveitar da situação, seja para desesperar-se com ela. O fato é que a verdade da guerra se esgarça, perde-se até desaparecer definitivamente. Até reduzir-se pateticamente à palavra ´herói´, vazia, e à foto tirada ao lado de crianças que não sabem do que se está falando. Os Estados são ladrões de realidade.’

 

Thiago Ney

Na TV, Zé do Caixão busca o ´oculto`

‘Há vários talk-shows na TV, mas nem todos têm como prioridade dar espaço para Lobão comentar experiências com pomba-gira ou Bruna Lombardi contar que já viu disco voador. É mais ou menos esse o tom de ´O Estranho Mundo de Zé do Caixão´, programa de entrevistas e variedades pilotado pelo personagem criado pelo cineasta José Mojica Marins.

Mojica é um novo David Letterman? Não, porque Mojica não está nem aí para David Letterman -ele nem sabe quem é David Letterman. Mojica não costuma assistir a talk-shows na TV -´Só o do Jô, quando não está passando nenhum bom filme de terror no horário´. ´Gosto mesmo é dos telejornais, vejo todos.` ´O Estranho Mundo de Zé do Caixão` estréia na próxima sexta-feira, apropriadamente à meia-noite, no Canal Brasil.

A primeira temporada, com 26 programas, já foi em grande parte gravada. Pelo cenário estilizado (com duas portentosas poltronas de veludo vermelho, um caixão em pé e caveiras na mesa) passaram, além de Lobão e Bruna Lombardi, o cartunista Angeli, os músicos João Gordo, Supla, Pitty e NXZero, a neo-escritora Bruna Surfistinha e os estilistas Ronaldo Esper e Alexandre Herchcovitch, entre outros. ´Adorei fazer. Só teve fera.

Eles se sentiram bem, porque é um programa de entrevistas diferenciado. Eu mostro um lado desconhecido, oculto, dessas pessoas, que elas não têm a chance de mostrar na TV. Todos entraram no clima.`

Nos episódios vistos pela Folha, Mojica (ou Zé do Caixão) mostra-se à vontade no papel de entrevistador. Faz algumas perguntas recorrentes, que rendem momentos engraçados.

O cineasta diz que improvisa bastante no talk-show. ´Se me preparar, estraga tudo. Você tem de estar liberto´, defende.

´Quando me contratam para shows, eu falo sobre política, cinema, morte, extraterrestres… Depende do público. Só fui vaiado uma vez, em Recife. O produtor do evento me disse que era para uma platéia de intelectuais, queria que eu falasse sobre a obra de Orson Welles. O público achou chato e começou a vaiar. Aí mudei a linha do show, ganhei o público e saí de lá aplaudido.`

Além de entrevistas, ´O Estranho Mundo de Zé do Caixão` é preenchido por reportagens externas (como nas comemorações do Ano Novo chinês, na Liberdade) e por quadros como ´Infernet` (com conselhos sentimentais) e ´A Praga` (em que Zé do Caixão roga uma praga em políticos, servidores públicos e outros tipos).

História na TV

A TV não é estranha a Mojica, 72 anos completados em março. Foi júri do Raul Gil, do Bolinha, esteve nos programas ´O Estranho Mundo de Zé do Caixão` (TV Tupi), ´Além, Muito Além do Além` (Bandeirantes), ´Show do Outro Mundo` (TV Tupi e, depois, Record), ´Cine Trash` (Band). Em todos encarnando Zé do Caixão.

´Não tenho nenhum problema com o personagem. Às vezes, me recuso a tirar fotos como Zé do Caixão, não porque não goste dele, mas porque faz um calor danado aquela capa, a cartola… O Herchcovitch fez para mim uma roupa para ser usada no inverno. Disse que vai fazer uma para o verão.`

Além do cinema e da TV, Mojica quer empreender novo projeto. É a ´Seita dos Paranormais´, com ´roqueiros, góticos, pessoas de todos os tipos que gostam do sobrenatural´.

´Quero fazer uma passeata pelo centro de São Paulo com 333 mulheres e 333 homens [666 é conhecido como o ´número da besta´]. Vou chamar de seita, mas pode ser associação, clube. Para discutir misticismo, cemitérios…`

O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO

Quando: estréia à 0h de sexta para sábado (reprises à 1h30 de domingo e às 3h30 de quinta)

Onde: no Canal Brasil’

 

***

´A mulher queria sexo no necrotério`

‘Em seu talk-show que vai ao ar na próxima sexta-feira no Canal Brasil, Zé do Caixão costuma fazer algumas perguntas recorrentes aos entrevistados. Abaixo, Mojica dá as suas respostas a algumas dessas questões.

FOLHA – O sr. já teve relacionamento com pessoas esquisitas, estranhas?

JOSÉ MOJICA MARINS – Já, já. Tive uma mulher -da qual gostava muito, mas que hoje é casada- que queria ter relação sexual num necrotério, ao lado de dois cadáveres. Não foi fácil achar o necrotério…

FOLHA – Quando criança, o sr. teve experiências místicas, sobrenaturais?

MOJICA – Sim, algumas. Eu fui criado nos fundos de um cinema. Quando tinha três anos e meio, o projetista me levou à sala. Estava passando um filme pornô de lésbicas. A primeira cena de cinema que vi foi a de uma vagina aberta… Até hoje tenho tentado reconstruir essa cena em algum filme meu, mas ainda não consegui…

FOLHA – Qual o seu cineasta favorito?

MOJICA – Admiro Spielberg por um filme dele, ´Poltergeist` [na verdade o filme é dirigido por Tobe Hooper; o roteiro é de Spielberg]. E gosto de ´O Bebê de Rosemary´, do Polanski. É a melhor fita de terror do cinema.

FOLHA – Qual seu cantor e cantora favoritos?

MOJICA – De cantora, Dalva de Oliveira. Tinha uma voz fantástica, mas infelizmente foi escravizada pelo álcool e pelas drogas. E Francisco Alves. Por isso muita gente me chama de antiquado…’

 

REFORMULAÇÃO
Folha de S. Paulo

Folha lança revista ´Serafina` no domingo

‘A Folha lança no próximo domingo, dia 27, a Serafina, revista que vai acompanhar os assuntos e as personalidades que movimentam o cenário social no Brasil e no exterior.

Na edição de estréia, os colunistas da Folha Ruy Castro e Guilherme Barros e o correspondente do jornal em Washington, Sérgio Dávila, assinam entrevistas e perfis.

Entre os colaboradores da Serafina estão também Mônica Bergamo, Alcino Leite Neto e Barbara Gancia.

´O desafio a que a Serafina se propõe é passear pelo universo de nomes em evidência com atitude Folha, ou seja, primando por apuração jornalística sólida, imparcialidade e irreverência´, diz Lulie Macedo, 31, editora da Serafina.

Com um projeto gráfico leve e moderno, a revista terá como destaque vasto material fotográfico, assinado por profissionais de prestígio.

No primeiro número, o fotógrafo Klaus Mitteldorf apresenta um ensaio realizado na confeitaria Colombo, no Rio, com uma atriz brasileira.

´Embora seja sofisticado, o projeto gráfico é sobretudo limpo. Ao trabalhar a fotografia como elemento gráfico, o design se renova, estimulando a curiosidade do leitor´, afirma Ana Starling, diretora de criação do estúdio BIZU, responsável pela parte gráfica.

Com circulação em São Paulo, Rio e Brasília, a revista terá periodicidade mensal. Excepcionalmente, o segundo número sairá já em 4/5.

Mais novidades

No próximo domingo, a Revista da Folha apresenta novidades editoriais, priorizando temas de São Paulo. Além de investir em reportagens que retratam o cotidiano da cidade e dos seus personagens, bem como seus problemas e desafios, a Revista passará a comportar um guia diferenciado: o ´Domingo a Domingo´.

Segundo a editora da Revista da Folha, Eliane Trindade, 39, trata-se de um roteiro que vai oferecer mais do que dicas gastronômicas e culturais.

´Lá estarão as melhores indicações para o leitor aproveitar não só o domingo´, explica ela.

Entre as novas seções, estão ´O Mais Pedido´, um perfil dos pratos de maior sucesso dos restaurantes. Já ´É Dez` traz um mapa destacando uma dezena de programas nos quatro cantos da metrópole.

Ao final, o leitor da Revista da Folha terá à sua disposição pelo menos 50 dicas de lazer.’

 

 

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

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