Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 22 E 23/09

Folha de S. Paulo

25/09/2007 na edição 452

MÍDIA & POLÍTICA
Renan Calheiros

Vozes isoladas

‘QUANDO VOZES isoladas querem falar mais alto que a legitimidade popular, na ânsia de abalar e enfraquecer instituições democráticas, o que está em jogo são os pilares de nossa Constituição, é a própria base da cidadania. Porque são vozes isoladas -e mal-intencionadas- que têm propalado a idéia absurda de acabar com o Senado Federal e instituir o unicameralismo no Brasil.

O Senado nunca aceitou -e nunca aceitará- o papel de mero coadjuvante nas decisões nacionais. Nunca fugiu -nem fugirá- de sua responsabilidade de legislar e fiscalizar os atos da União. Nunca abriu mão -nem abrirá- de sua isenção, de sua autonomia. É por isso, aliás, que fez questão de aprovar o orçamento impositivo e restringir a edição abusiva de medidas provisórias, que tumultuam o processo legislativo e ferem a soberania do Parlamento.

É essa atitude de maturidade e de equilíbrio que engrandece a atuação do Senado como Casa da Federação -sempre pronta a impedir que as diferenças de peso econômico e político entre as unidades federativas ampliem nossas desigualdades regionais. Não podemos esquecer que a redução de tais desigualdades é um dos objetivos fundamentais da República brasileira. E é condição básica para que possamos trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável.

Um pouco de história e um mínimo de senso político jogam por terra a proposta do unicameralismo.

Nosso Parlamento nasceu bicameral não apenas em razão da forma federativa do Brasil -a Câmara representa os interesses do povo, e o Senado, os interesses dos Estados e do Distrito Federal. O bicameralismo tem também o enorme mérito de evitar eventuais excessos de uma ou outra câmara. Se a Câmara dos Deputados ou o Senado propuser legislação injusta, aprovar ou rejeitar qualquer matéria com base em pressões ilegítimas ou sob emoção, haverá sempre a garantia de revisão pela outra Casa.

Mais. A memória do Senado se confunde com a memória da República e da democracia brasileiras. Nos períodos de instabilidade e até de ruptura, sempre soube reclamar a autonomia entre os Poderes, o respeito à oposição, a vigência dos direitos e garantias individuais. Foi assim na Revolução de 30, no Estado Novo, na morte de Getúlio, na instauração do regime militar. Nos momentos de renovação política, em que reconquistamos as liberdades democráticas, a atuação dos senadores também foi decisiva.

Nos últimos 180 anos, nossa Casa tem sido firme e coerente na defesa de uma Federação representativa, democrática. E não abrirá mão da responsabilidade em nenhuma hipótese. A missão primordial -e insubstituível- do Senado é garantir igualdade entre entes desiguais. É impedir que unidades da Federação usem o peso de seu poderio como rolo compressor sobre as regiões mais pobres.

Convém alertar também que cabem privativamente ao Senado decisões da maior importância, como o julgamento do presidente e do vice-presidente da República em crimes de responsabilidade, a autorização de empréstimos externos e a fixação de limites e condições para operações de crédito da União, Estados, Distrito Federal e municípios.

Investir contra o Senado Federal é investir contra o equilíbrio federativo, é investir contra o Parlamento e a democracia. Acima de quaisquer divergências partidárias, acima de quaisquer interesses políticos, o Senado sempre primou pela maturidade, pelo diálogo e pelo entendimento.

As divergências partidárias e o jogo de interesses políticos não vão deixar de existir. Mas é o interesse do país, a defesa de nossas instituições e de nossas conquistas democráticas que devem ter a última palavra na Casa.

A democracia, por natureza, nunca é perfeita. Costuma ter excessos, exigir aperfeiçoamentos. É esse seu maior mérito. Aperfeiçoar a democracia, no entanto, é completamente diferente de investir contra ela, completamente diferente de investir contra suas instituições. Não é o Senado ou o Congresso Nacional que devem ser atacados. É nosso sistema político-eleitoral -completamente falido- que precisa ser revisto, aprimorado. A mídia, com todo seu poder de influência, não pode nem irá, jamais, substituir a representatividade do Legislativo.

Triste o país que sucumbe a apelos demagógicos e chantagens políticas. O Senado não se deixará jamais pressionar pelos que desrespeitam a democracia e atropelam a opinião pública.

RENAN CALHEIROS, 52, senador (PMDB-AL), é o presidente do Senado. Foi deputado federal pelo PMDB-AL (1983-91), líder do governo na Câmara dos Deputados (governo Collor) e ministro da Justiça (governo FHC).’

Antônio Ermírio de Moraes

Liberdade de Imprensa

‘NÃO GOSTO muito de dar opiniões sobre o país dos outros. Temos problemas suficientes para nos ocupar aqui no Brasil. Mas certas medidas são preocupantes, porque ferem os princípios fundamentais do ser humano.

O presidente Hugo Chávez determinou que todas as escolas da Venezuela, públicas e privadas, têm de disseminar em seus alunos as idéias do chamado socialismo do século 21. Nas suas palavras, ‘a educação venezuelana tem de ser livre dos valores individualistas do sistema de ensino capitalista.

Quem não seguir essa orientação terá a escola fechada. Haverá intervenções e nacionalizações. Nós [o governo] assumiremos as crianças’ (‘Chávez faz ameaças a escolas’, ‘O Estado de S. Paulo’, 18/9/2007).

Para dar curso a esse plano, foi organizado um corpo de inspetores, cuja função é verificar o conteúdo ministrado pelos professores. Está sendo preparada uma padronização dos livros didáticos a que toda escola terá de se submeter a partir de 2008.

Não é a primeira vez que o presidente Chávez intervém na economia e na sociedade venezuelana. Juízes já foram afastados, a Corte Suprema foi toda trocada, a televisão privada foi estatizada, empresas estrangeiras foram nacionalizadas. O presidente Chávez ‘ganhou’ do Congresso a ‘ley habilitante’, que lhe permite governar por decreto.

Agora chegou a vez das crianças. É demais. No mundo civilizado, costuma-se confiar na capacidade de discernimento das pessoas. O socialismo será a escolha natural das crianças se, quando adultas, vierem a considerar esse o melhor regime para o progresso da Venezuela. Por que tirar-lhes a possibilidade de conhecer idéias diferentes? Por que forçar a homogeneidade num mundo que, a duras penas, aprendeu a valorizar a diversidade?

A Venezuela é um país de boa tradição política. Chegou a ser o berço da democracia cristã da América Latina. Com 26 milhões de habitantes, o país tem um PIB de US$ 150 bilhões. O petróleo é o seu carro-chefe. Por muitos anos haverá dinheiro para que se ofereça uma educação de boa qualidade às crianças e aos adolescentes.

Diante de todos esses fatores favoráveis, assiste-se ao garroteamento da liberdade da juventude. Nenhum povo merece ser educado numa escola de uma só idéia. Vivemos na sociedade do conhecimento, na qual o trabalho é feito em grupo e com base em conhecimentos multidisciplinares. Sinceramente, não esperava ver isso em um país vizinho do Brasil, onde, felizmente, desfrutamos de liberdade para exprimir o que pensamos.

ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES escreve aos domingos nesta coluna.’

CRÔNICA
Carlos Heitor Cony

Toda uma mulher

‘RIO DE JANEIRO – Gabriel García Márquez disse que precisava de um ano para escrever um livro de 400 páginas. Confessou que a mesma história, em forma de bolero, poderia ser escrita em meia hora e no espaço de três minutos e meio, tamanho de uma faixa musical.

A atualidade brasileira anda muito redundante, com os mesmos personagens e as mesmas mutretas. Hoje é domingo e vou descansar, falando de bolero -um assunto que já passou de moda.

O tango é o hino da dor de cotovelo, dos cabelos desgrenhados, da fuga das amadas. As guarânias se institucionalizaram como as canções da distância. Parentes próximas do samba, as rumbas continham aquela dose de sacanagem crioula, de quadris violentos, excitava a luxúria de diversas gerações.

E o samba, por ser coisa nossa, ficou na base do instantâneo, da piada, precisamos de uma roupa para ir ao samba que alguém nos convidou. ‘Amélia’ é uma crônica, não é uma mulher -embora seja dito que ela era mulher de verdade.

Mulher mesmo, só o bolero soube cantar. O nudo de los braços, o frenesi, a perfídia, as noches de ronda -tudo cheira a fêmea, e cheira bem. O gênero envelheceu, cantaram-se novos temas, até Jesus Cristo virou superstar em ritmo pop. Aprecio o nosso Salvador, mas aprecio muito mais a mulher.

Volta e meia, quando me afundo em fossas retroativas, gosto daquele repertório cafona de Agostín Lara e Maria Gréver, a obra quase erudita de Ernesto Lecuona. Não há trilha musical mais autêntica para cantar a mulher, principalmente a mulher dos outros, a mulher-mulher, ‘sensitiva mujer de alabastro’. Aquela que nos visita nos momentos de delírio e que às vezes nos visita mesmo, em carne e osso -mais carne do que osso-, e sempre fluida, incerta, toda.’

TELEVISÃO
Daniel Castro

‘Duas Caras’ terá triângulo amoroso com homossexual

‘Próxima novela das oito, ‘Duas Caras’ manterá a ‘tradição’ das últimas tramas do horário e terá personagem gay. A novidade será a abordagem.

Leona Cavalli, 36, será Dália e trocará o traficante Ronildo (Rodrigo Hilbert) por Bernardinho (Thiago Mendonça, o Luciano de ‘Dois Filhos de Francisco’). Dono de restaurante numa escola de samba, ele a ajudará a largar as drogas.

‘Fica claro que eles se amam, não podem viver um sem o outro, mas têm a mesma preferência: gostam de homens. É um pouco a história de ‘O Feitiço de Áquila’ [1985]. Sempre achei o filme uma metáfora do amor impossível entre héteros e homos. Ao longo da novela, de tanto se tocarem, acaba pintando um clima e os dois transam. Aí a amizade será abalada pelo sexo’, conta Aguinaldo Silva, autor de ‘Duas Caras’.

A relação também será perturbada por Eraldo (Alexandre Slaviero), um preguiçoso que se interessará por Dália. Bernardinho dará em cima de Eraldo para mostrar à amada que ele não é o machão que ela imagina. ‘Não haverá relacionamento explícito de Eraldo com Bernardinho’, adianta Slaviero, 23.

‘DUAS CARAS’ SERÁ A 32ª NOVELA DA GLOBO COM PERSONAGEM HOMOSSEXUAL

Arquiteta estréia show na Band

A arquiteta e decoradora Bya Barros, 46, uma das mais badaladas do país, vai virar apresentadora. Em outubro, estréia o ‘Bya Barros’ (‘com y’, frisa), dominical de meia hora na Band (não, não é um horário comprado).

‘É um sonho. Quero passar para as pessoas tudo o que aprendi em 26 anos, ensiná-las a morar melhor. Vou falar de decoração e mostrar imóveis de alto padrão’, conta.

Bya diz que o ‘Bya’ também será ‘uma imobiliária eletrônica’: ‘Até fiz curso de corretora’.

ESPELHO

Apesar da maratona de gravações que enfrentou na semana passada (em que sua Bebel trapaceou e tentou fugir da polícia, mas acabou presa), Camila Pitanga arrumou um tempinho para brincar de maquiadora nos bastidores sempre animados de ‘Paraíso Tropical’. Na foto, ela aplica cores na supervisora de caracterização da novela das oito da Globo, Carmen Bastos -que, aliás, adorou o resultado.

PRÊMIO

O autor Silvio de Abreu e os atores Tony Ramos e Maria Flor serão homenageados pela ONU pela abordagem sobre o tráfico de mulheres em ‘Belíssima’. Eles receberão prêmio do escritório da ONU que combate esse crime em seminário em Brasília, no próximo dia 2.

VIDA E OBRA

Doutor em telenovelas pela USP, Mauro Alencar produziu um vídeo com cenas das principais novelas de Janete Clair (‘Selva de Pedra’ entre elas) para exibir no 5º Congresso Mundial da Indústria da Telenovela e Ficção, que ocorrerá em Barcelona (Espanha), em outubro.

PERGUNTA INDISCRETA

FOLHA – Você toma todas nas festas que cobre?

AMAURY JUNIOR (apresentador da Rede TV!) – Não. Mas há algumas ações comerciais que exigem brindes no ar. Aí não finjo, faço mesmo a degustação. Mas nunca entrei no ar ‘lubrificado’. Ao contrário, prefiro meus convidados um pouco ‘lubrificados’, pois é quando eles, eufóricos, falam mais e se encorajam a fazer revelações. Quando há excessos, a gente corta na edição. A minha capacidade etílica é deplorável: mais de dois drinques e eu simplesmente apago de sono.’

Laura Mattos e Thiago Ney

Filho de Rita Lee estréia na TV como apresentador

‘Boa parte da história do rock brasileiro passou pela casa de Beto Lee. Chegou a hora de Beto Lee retribuir a visita. Aos 30 anos, o primogênito de Rita Lee e de Roberto de Carvalho estreará como apresentador de TV com ‘Que Rock É Esse?’, série de 13 episódios que entra no ar em 4 de outubro, às 21h45, no Multishow.

Começa com Mutantes e termina com a volta dos Mutantes. E o que Beto acha da volta da banda, sem sua mãe nos vocais?

‘Prefiro não comentar, mas não acho que aquilo seja Mutantes’, comenta. ‘Mutantes, para mim, tem outra formação, outro significado.’

Beto, pelo visto, puxou à mãe. Fala palavrão e não tem medo de polêmicas. Na entrevista à Folha, citou ironicamente Junior (da Sandy) e Wanessa Camargo, filhos de famosos como ele. Lembrou a infância, quando seus pais iam às reuniões da escola, como qualquer um, mas também faziam festinhas pouco convencionais.

‘Todo mundo que freqüentava a casa dos meus pais era putaria. ‘Nego’ acordava no sofá no dia seguinte, eu lá, criança: ‘Quem é esse cara, mãe?’

SEM FAUSTÃO Já fiz bastante jingles e lancei dois discos. Na verdade, não emplacou, fui abaixo do radar, nunca toquei no ‘Faustão’, essas coisas. Não sei por que, velho. Eu toco em qualquer lugar, no boteco, na tua casa, faço MPB, Música Por Breja. Eu não abuso de certas coisas [usar os pais para divulgar seu trabalho], abuso quando é certo abusar. Agora estou querendo fazer três discos ao mesmo tempo, me deu a louca, em parte por esquizofrenia, outra por hiperatividade. Como não tenho gravadora, ninguém enchendo o meu saco, vou fazendo devagar. Fazer disco, cara, é que nem cagar um abacaxi.

ROCK RIDÍCULO Rock vai do sublime ao ridículo em menos de um segundo. Sou kissmaníaco, mas tem algo mais ridículo do que um gordo numa roupinha de dragão cuspindo fogo e mostrando a língua? Mas é sublime ao mesmo tempo. Rock tem uma coisa meio bobinha, não tem que ser intelectual. Quer integridade? Vai escutar orquestra sinfônica. Não tem que politizar.

ROUBADAS E DROGAS A Larika [antiga banda de Beto] foi uma zoeira de colégio, um bando de moleque com testosterona. Continuo encarando as latrinas de São Paulo, o que é legal. Você toca num palco para 9.000 pessoas [shows de Rita Lee] e num boteco pro barman e o cachorro dele. Já encarei todas as roubadas. Tipo parar na estrada com o carro cheio de equipamento e o seguro vencido, e a polícia querer apreender o carro e achar um fumo, essas merdas. Aí você molha a mão do gambé e ele te libera, essas bostas. Duvido que a Wanessa Camargo encarou uma parada dessa, duvido que o Junior [da Sandy] carregue o amplificador no ombro, monte ali, tome choque quando canta no bar.

INFÂNCIA E DROGAS Fiz coisas normais, que todas as crianças fazem, e coisas anormais. Mas minha mãe ia na escola, na reunião. Eles são pais normais, não é aquela coisa de vida de cigano, que deixa o filho solto ali. Mas tudo era muito aberto, sempre foi. Minha mãe não é exemplo pra ninguém, eu não sou exemplo pra ninguém, mas acho que tem que ter um sangue frio pra tratar de tudo com filho. Foi assim que aconteceu comigo, eles nunca tiveram pudores de esconder nada, e toda vez que eu perguntava o que era, eles falavam ‘Isso é isso, faz isso, isso e isso por causa disso, disso e disso’. [Quando criança, viu seus pais cheirando cocaína, fumando maconha?] Vi, vi, vi. E todo mundo que freqüentava a casa dos meus pais era putaria. ‘Nêgo’ acordava no sofá no dia seguinte, eu lá, criança: ‘Quem é esse cara, mãe?’. Você fica exposto a isso, porém, eu e meus irmãos, com a informação que nos foi dada, ficamos espertos. Dos três, eu sou o único que experimentei certas coisas aqui e ali, mas com outra cabeça, graças às informações que eles me deram.

RETARDADO Não faço terapia, não. É mais fácil quando você se aceita como um retardado, não precisa um cara falar isso pra você e ainda cobrar caro [risos]. Tenho meus poucos vícios, todo mundo tem. Foda-se se é açúcar, maconha ou cocaína.

VOVÓ RITA Depois que tive minha filha, que vai fazer dois anos, dei uma freada. Não fumo na frente dela, nem cigarro. Minha mãe sempre quis ser avó. Às vezes, parava o show e perguntava: ‘Quando vai me dar um neto?’ Ficava com cara de cu [risos].

EM CASA Meus pais são casados há 30 anos, mas moram em casas separadas há 11. Até tentaram morar juntos, mas viram que não era a solução. Ela mora em uma apartamento e meu pai em outro, no andar de baixo. Eu entendo por um lado esse lance. Minha mãe falou outro dia: ‘Pô, você vê o cara cagar na tua frente, espremer espinha… Perde um pouco do mistério’.’

***

ESPECIAL TRAZ SHOWS ANTIGOS E ENTREVISTAS

‘A série ‘Que Rock É Esse?’ usará imagens históricas e entrevistas com gente como Nelson Motta, Edgard Scandurra e Lobão para mapear a história do gênero no Brasil. ‘Ando Meio Desligado’, o episódio inicial, tratará do período pré-anos 80. Já o último, ‘O Amanhã’, vem de 2006 até os dias de hoje.

O diretor do programa, Rodrigo Carelli (ex-MTV e ‘Casa dos Artistas’), escolheu Beto Lee como apresentador após ver um piloto (teste) de um programa enviado ao Multishow pelo músico. ‘Era também sobre música. Não sei falar de outra coisa, né, bicho. Conhecer rock para mim é uma continuação da vida caseira. Eu ia a shows com meus pais e será bacana me aprofundar’, afirma.’

Laura Mattos

Novos canais prometem ajudar espectador a se dar bem na firma

‘‘Aqui no Brasil, há uma idéia equivocada de que não se pode falar de negócio no final de semana. Por que não? Falar de negócios é divertido e pode ter espaço nos finais de semana tanto quanto teatro e cinema.’

A frase do parágrafo acima é de Carlos Alberto Júlio, presidente da HSM do Brasil. A empresa, especializada em capacitação de executivos, colocou no ar em agosto um canal de TV com programação voltada ao mundo dos negócios 24 horas por dia. Os programas vão desde documentários sobre grandes empresas, como ‘A Trilogia da Coca’, até uma entrevista de Bill Gates, da Microsoft, a estudantes. Um prato cheio… ao menos àqueles que concordam ser divertido falar de negócios nos dias de folga.

A TV para executivos é a mais nova segmentação da televisão por assinatura no Brasil. Além do canal da HSM, o ManagemenTV, será lançado em 1º de outubro o Ideal, produzido pelo Grupo Abril (que edita revistas como ‘Exame’ e ‘Veja’).

São canais que visam o mesmo público-alvo e vendem idéias semelhantes: a de fornecer conteúdo para melhorar a formação dos executivos e, conseqüentemente, ajudá-los a se dar bem nas empresas. ‘O canal informa e forma. É um MBA forever’, diz Júlio, referindo-se à pós-graduação quase obrigatória a executivos top.

Entretenimento

‘Nosso slogan é ‘entretenimento que gera conhecimento’, conta Maria Tereza Gomes, diretora de produção e programação do Ideal.

A principal diferença entre os canais é que a programação do Ideal é majoritariamente produzida no Brasil, enquanto o ManagemenTV, que visa o mercado internacional, reservará no máximo uma hora por dia para programas nacionais.

Além disso, o canal da HSM, veiculado na Sky, custa R$ 39,90 por mês, além da assinatura da operadora, enquanto o da Abril ficará disponível a todos os pacotes da TVA.

A produção dos programas do Ideal é quase toda concentrada em uma casa no bairro do Sumaré (São Paulo), próximo à MTV (da qual a Abril é sócia). Dentre os apresentadores, há dois nomes mais conhecidos do público, o da jornalista Mona Dorf (ex-Globo) e o da ex-modelo e apresentadora Laura Wie (ex-Cultura e Canal 21).

Dorf comandará o ‘Confraria Ideal’, em que três ou quatro convidados debatem um tema. Já foram gravados, por exemplo, um sobre MBA e outro a respeito de executivos que correm maratonas. Wie está à frente do ‘Muito +’, que mostra ‘o lado mais leve e divertido do mundo dos negócios’. ‘Pode ser sobre spas de luxo, iates, charutos ou galerias de arte’, conta a bela apresentadora.

O Ideal terá ainda um game comandado pelo consultor Gutemberg Macedo. Espécie de Roberto Justus (‘O Aprendiz’) de peixeira, ele é implacável com os erros dos candidatos.

A programação do ManagemenTV é importada de produtoras internacionais, a maioria norte-americana, e legendada em português para o Brasil e espanhol aos países da América Latina onde o canal também está presente.’

***

OS CANAIS ‘FIRMA’

‘IDEAL

Estréia: 1º/10, às 20h30

Exibição: TVA

Quem faz: Grupo Abril

Programação: documentários, games, reality shows e revistas eletrônicas sobre o mundo dos negócios; a maioria da produção é nacional; Ex: ‘Trajetória Ideal’, ‘Pergunte ao Headhunter’, ‘SOS Carreira’, ‘Siga o Mestre’

MANAGEMENTV

No ar: desde agosto

Quem faz: HSM (empresa internacional de origem brasileira que capacita executivos)

Exibição: no Brasil: Sky (canal à la carte, R$ 39,90/ mês); presente na Argentina, México, Colômbia, Peru e Chile

Programação: 24 horas/dia de programas sobre negócios, a maioria feita nos EUA, com legendas em português para o Brasil e espanhol para os outros países; conteúdo nacional limitado a uma hora/dia; Ex: ‘Onde Está o Chefe?’, ‘Limites da Engenharia’, ‘Negócios 360º’, ‘Pense Grande’’

Tereza Novaes

Record News entra no ar com Lula

‘O Record News entra no ar na quinta, ocupando o lugar da Rede Mulher, transmitida em São Paulo no 42 UHF e no 20 da TVA. O canal de notícias da Record estréia às 20h do dia 27, mesma data e horário em que a emissora fez sua primeira transmissão, há 54 anos.

Embora já divulgue o número do canal na Net digital (93), ainda não há um acordo para a transmissão da Record News pela empresa. A TVA incluiu o canal na grade.

A primeira atração será uma entrevista com o presidente Lula, conduzida pelos jornalistas Eduardo Ribeiro, Adriana Araújo e Christina Lemos. A entrevista deve ser gravada no dia anterior à transmissão, no Palácio do Planalto.

Para montar a infra-estrutura do canal, a Record investiu US$ 7 milhões (R$ 13 milhões). Um ‘newsroom’ foi construído na sede da Record, em São Paulo, com mil m2 e dois estúdios.

Foram contratados 150 jornalistas e cem profissionais para a equipe técnica. No total, a Record terá no Brasil mil jornalistas trabalhando para as duas emissoras.

A programação ao vivo será veiculada entre 6h e 1h, e o restante será preenchido com reprises. A Record News vai reapresentar também os melhores momentos de dois programas da Record, ‘Hoje em Dia’ e ‘Tudo a Ver’.

O canal vai exibir ainda o ‘60 Minutes’, produzido pela americana CBS, e documentários dos britânicos da BBC.

Estão previstas na grade seis edições do ‘Hora News’ (telejornal com 30 minutos de duração) espalhadas pela programação. Haverá ainda três programas de variedades: ‘Mulher’, destinado ao público feminino, ‘Aldeia Global’, sobre turismo e esportes radicais, e ‘Zapping’, que enfoca o mundo das celebridades.

Na faixa das 22h, será exibido o ‘Entrevista Record’, com temas e apresentadores diferentes a cada dia. Entre eles, estão Lorena Calabria (música), Paulo Henrique Amorim (entretenimento), Celso Freitas (bastidores da notícia) e Rodrigo Vianna (mundo).

Além dos programas produzidos em São Paulo, a nova emissora terá três telejornais regionais, de segunda a sexta, que serão ancorados em Salvador, Porto Alegre e Rio. Esses três jornais são o destaque da grade de programação e vão cobrir as regiões Norte/Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste, respectivamente.

Outro programa, que vai tratar somente de meteorologia, de segunda a sexta, às 8h, ganhou destaque na apresentação do canal, na última terça.

Segundo o diretor de jornalismo da Record e da Record News, Douglas Tavolaro, o novo canal será ‘sério e imparcial, com uma pegada para o ‘hard news’, com aprofundamento’.

O site do canal vai colocar no ar todas as matérias da emissora uma hora depois de elas terem sido veiculadas.’

Bia Abramo

Sobreviventes do mundo do espetáculo

‘‘GRANDES PROGRAMAS de TV não nascem todos os dias, crianças, sim’. A frase vem de um esquete criado cinco anos atrás pelo comediante Jamie Kennedy, em que dois executivos de TV apresentam a pais incrédulos seu projeto de um reality show. A paródia coincide com a popularidade dos programas de competição por sobrevivência, como ‘Survivor’, e, claro, com o que passou pela cabeça de gente do lado de cá e do lado de lá da TV: ‘E se inventarem um reality show com, digamos, crianças’?

Pois a CBS inventou e conseguiu convencer 40 pais e mães, à base de um contrato leonino, a deixarem seus filhos participar. O primeiro episódio de ‘Kid Nation’ foi ao ar na última quarta-feira. O vídeo promocional, amplamente divulgado, na TV e na internet, explica do que se trata: 40 crianças entre 8 e 15 anos, vivendo sem adultos em uma cidade cenográfica, Bonanza, por 40 dias.

À diferença dos reality shows adultos, elas não são eliminadas e podem ir para casa se quiserem. À semelhança, as crianças são divididas em grupos, têm que competir por privilégios, são instadas a querer ganhar prêmios em dinheiro e a inventar maneiras de se organizar e suprir suas necessidades básicas.

A emissora negou como pôde as críticas que, claro, começaram a pipocar aqui e ali. No meio dos talk shows mais ou menos indignados com denúncias de que algumas crianças teriam ingerido alvejante e uma outra teria queimado o rosto com gordura quente, além de outras, mais graves, de exploração de trabalho infantil, um espectador anônimo, num desses videocasts espalhados no YouTube, resumia o que deve ter animado a enfrentar a polêmica com ‘consciência limpa’: ‘Uma mistura de ‘Survivor’ e ‘O Senhor das Moscas’, quem não vai querer ver?’.

O comentarista refere-se ao romance de William Golding, que conta como um grupo de garotos sobrevive a um acidente aéreo e se vê numa ilha deserta. O impacto do livro consiste em acompanhar a deterioração dos valores civilizatórios dentro de um grupo homogêneo e, em tese, menos afetado pelo mal por ser constituído de crianças. É esquemático, mas lá ainda estamos no reino da elaboração literária, onde, mesmo que os personagens cheguem a extremos da experiência, não passam de criações mentais .

Em ‘Kid Nation’, nem mesmo essa distinção será possível. O espetáculo de crianças treinadas pela mídia e para a mídia já é, em si, muito triste. Junta-se a isso a perversidade intrínseca do reality show, que conduz pessoas reais a se transformarem em simulacros de suas personalidades e aí temos um problema bem maior do que uma intoxicação por ingestão de cloro.’

Inácio Araujo

TV paga se entrega a modelo único

‘Não será diminuir a grandeza do cinema americano lembrar a miserável condição a que nos reduz a TV paga no Brasil. Com a notória exceção do Canal Brasil, nenhum outro se dedica a filmes não-americanos.

Certo, existe a TV5 francesa e existe a promessa da Net de que essa emissora logo voltará a exibir filmes legendados. É verdade, também, que os canais Telecine, de tempos em tempos, exibem filmes não-americanos. Hoje mesmo passam ‘Trair e Coçar É Só Começar’ (Telecine Pipoca, 18h15), uma comédia brasileira calamitosa; e ‘Família Rodante’ (Telecine Cult, 20h10), um belo título argentino.

O problema é que tudo, nas TVs pagas, é submetido ao mercado. E o mercado não é senão uma força do hábito. Que mercado haverá para o filme japonês, ou o iraniano, ou o alemão, ou o chinês, ou o israelense, que não o das respectivas colônias -quando muito?

O grosso do público não entende mais, por exemplo, que pode haver outras maneiras de ritmar um filme que não o de ‘A Supremacia Bourne’ (TNT, 22h) ou mesmo do belo ‘Superman, o Retorno’ (HBO, 19h15). O que não vai rápido é visto como anomalia.

É verdade que essa distorção começa no circuito de salas e na existência de um modelo que quer ser único. A TV acompanha e acentua. Nesse mundo dito de trocas globais, o cinema é quem menos parece comportar troca, ele que é arte de troca por excelência.’

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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