Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 22 E 23/09

Folha de S. Paulo

25/09/2007 na edição 452

JORNALISTA BALEADO
Folha de S. Paulo

Depoimento de repórter reforça a tese de atentado, diz polícia

‘Em depoimento informal à Polícia Civil do Distrito Federal, o repórter Amaury Ribeiro Júnior, 44, baleado na última quarta-feira, reforçou a tese da polícia de que o crime foi encomendado.

‘Não foi confirmado o assalto, tudo indica que o pistoleiro estava entrando para matá-lo’, disse o Diretor de Comunicação da Polícia Civil, Miguel Lucena. Segundo ele, a conversa permitiu traçar o perfil do autor do crime. A polícia espera prender hoje ao menos quatro suspeitos para interrogatório.

Ontem, o governo de Goiás enviou ao Ministério da Justiça o pedido para que 500 homens da Força Nacional de Segurança reforcem as ações de combate ao crime na divisa entre o Estado e o DF. O governador Alcides Rodrigues (PP-GO) solicita que o reforço atue em oito municípios, dentre eles, a Cidade Ocidental, onde o repórter do jornal ‘Estado de Minas’ foi baleado.

Anteontem, o jornalista foi transferido para o hospital particular Santa Luzia. O quadro de Amaury é estável e ele se recupera bem. O jornalista recebeu visita do governador José Roberto Arruda (DEM-DF). Após o encontro, Arruda se comprometeu a arcar com os custos de manutenção dos policiais da Força Nacional na região.’

CRÔNICA
Ruy Castro

Marchinhas contra o abismo

‘RIO DE JANEIRO – Há uma certa sensação de abismo no ar. Nunca antes neste país se viu tanta liberdade -o Congresso, os jornais, os tribunais, os botequins, os púlpitos, as bocas-de-fumo, os bordéis, está tudo aberto e funcionando. E, no entanto, tem-se a impressão de que isso não basta para fazer com que as coisas mudem.

O Senado absolve Renan Calheiros e deixa o país com gosto de perereca na boca; os homens de bem reagem, chamam seus absolvidores de sacripantas para baixo e ninguém se ofende. O governo precisa de um imposto imoral para cobrir seus rombos também imorais; a grita contra é de ensurdecer, mas, como se fosse uma fatalidade divina, o tal imposto será -com trocadilho- imposto do mesmo jeito. Os exemplos abundam.

Talvez os instrumentos tradicionais para espernear e para lutar pelo pudor público já não sejam eficientes. Eliminada a hipótese de jogar bombas ou ovos, só vejo uma saída: as marchinhas de Carnaval.

De 1930 a 1960, elas ajudaram o Brasil a desafogar. Entre outras questões, as marchinhas foram contra Brasília, os funcionários públicos ociosos e os puxa-sacos, e a favor de Getúlio Vargas, dos carecas e do rinoceronte Cacareco. Eu sei, nem todos esses itens eram fundamentais, mas os tempos também eram outros, menos cínicos.

Pois já se pode usar de novo a marchinha para protestar. A Fundição Progresso, na Lapa carioca, está promovendo seu terceiro concurso nacional de marchinhas. Para quem quiser se aventurar, os vencedores levam prêmio em dinheiro, matéria no ‘Fantástico’ e CD na Som Livre. As inscrições (www.fundicao.org) terminam no dia 11 de outubro e já passam de 2.000.

Se, no próximo Carnaval, uma marchinha abortar uma fraude ou derrubar um ministro, não se esqueça: eu avisei.’

CUBA
Folha de S. Paulo

Fidel aparece em entrevista na TV cubana

‘O convalescente ditador cubano, Fidel Castro, 81, apareceu ontem à noite no programa Mesa Redonda, da TV estatal cubana, depois de três meses sem imagens públicas. Usando traje esportivo nas cores da bandeira de Cuba, ele falava devagar, mas estava lúcido, atento e parecia se recuperar bem das cirurgias recentes.

Segundo a TV cubana, as imagens foram gravadas ontem mesmo. Durante cerca de uma hora, Fidel discutiu tópicos diversos, do preço do petróleo ao valor do dólar, dando os valores aproximados de quinta-feira, numa demonstração de que a entrevista não é antiga.

Ele comentou a eleição americana e o estouro da bolha imobiliária nos EUA, que chamou de ‘desoladora crise econômica’, e disse que os candidatos à Casa Branca estão financiando a campanha ‘com papéis sem lastro’. Também mostrou livros que anda lendo, entre eles ‘A Era da Turbulência’, lançado na semana passada pelo ex-presidente do Banco Central dos EUA Alan Greenspan. Disse que a obra, de 544 páginas, ‘serve para fazer exercícios de peso’.

Nos últimos meses, depois da cirurgia no intestino a que foi submetido em julho de 2006, Fidel tem escrito artigos para o jornal cubano ‘Granma’. Desde que passou o controle do governo ao irmão Raúl, há 14 meses, só é visto em fotografias e vídeos. O último deles, outra entrevista à TV estatal, foi transmitido no dia 5 de julho.

Transfusão de sangue

De Manaus, onde se reuniu anteontem com o presidente Lula, Hugo Chávez, aliado de Fidel, disse que o cubano ainda não se recuperou totalmente, mas que ‘pode viver desse jeito por mais uns cem anos’. Questionado sobre a saúde do cubano, Chávez respondeu: ‘Uma operação, duas operações, três operações, 81 anos, ele quase morreu. Fizeram transfusão de quase todo o seu sangue. Ele só continua vivo porque é Fidel’.

Há duas semanas, boatos disseminados na internet davam conta de que Fidel tinha morrido. Chegou a haver comemorações de rua da comunidade de cubanos exilada na Flórida. A entrevista de ontem veio desmentir essas especulações.

Com agências internacionais’

MÍDIA & POLÍTICA
Ranier Bragon e Andreza Matais

Congresso brasileiro reage a fala de Chávez

‘Deputados e senadores de vários partidos criticaram ontem as declarações do presidente Hugo Chávez sobre a falta de aprovação, pelo Congresso brasileiro, à entrada da Venezuela no Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Em Manaus, Chávez disse anteontem ter certeza de que o ingresso da Venezuela não foi aprovado até agora por causa ‘da mão do império, da mão norte-americana’. Embora não tenha mencionado explicitamente, o alvo da declaração é o Congresso brasileiro, responsável pela análise neste momento. O venezuelano minimizou a declaração logo depois: ‘Não impomos tempo a ninguém, mas tampouco vamos nos arrastar’.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Vieira da Cunha (PDT-RS), classificou as declarações como ‘extremamente infelizes’. A comissão vota na quarta o acordo de inclusão da Venezuela.

‘Tudo se encaminhava para a aprovação. Agora, com essas novas declarações, extremamente infelizes, estamos inseguros. Chávez poderia parar de nos criar dificuldade’, disse.

Se passar na comissão, o texto segue para a Comissão de Constituição e Justiça e, depois, para o plenário. Se aprovado, vai para o Senado.

A líder da bancada do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), afirmou defender a posição do governo de fortalecer a integração do Brasil com os países da América Latina, mas também criticou o venezuelano, dizendo que sua frase foi, ‘no mínimo, pouco inteligente’.

‘O Congresso é soberano, não vai deliberar por meio de interferência dos Estados Unidos, muito menos por causa de grito do Chávez. Não vai ser fácil aprovar isso aqui, já que há parcelas consideráveis do Senado que são contra. Esse tipo de declaração pode soar muito bem para ele dentro da Venezuela; para nós, não ajuda em nada’, disse Ideli.

A oposição no Senado defendeu a rejeição do ingresso da Venezuela no bloco. Em nota assinada pelo líder da bancada do PSDB, Arthur Virgílio (AM), o partido afirmou que ‘fará o possível e o impossível para impedir a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul’ porque, segundo o texto, aquele país caminha ‘em marcha batida rumo a um regime ditatorial’ e o Mercosul não pode ser ‘palco para as diatribes de Chávez contra os Estados Unidos’.

‘Diante de tanta fanfarronice, já estou achando melhor não aceitá-lo para não nos arrependermos dos incômodos da sua companhia’, afirmou o líder da bancada do DEM, José Agripino Maia (RN).

Na terça-feira, a Comissão de Relações Exteriores do Senado se reúne para elaborar nota em resposta a Chávez. ‘Lamentamos pela grosseria praticada pelo presidente venezuelano em agredir um Poder brasileiro. É uma demonstração de desequilíbrio e de vocação para atos autoritários’, disse Heráclito Fortes (DEM-PI), que preside a comissão.

No PMDB, lideranças do partido consideram que o ingresso da Venezuela tem que ser aprovado porque será bom para a economia nacional. ‘A Venezuela não é o Hugo Chávez. Tem que aprovar e se preparar para o debate com ele depois’, afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS). ‘Se for uma coisa para beneficiar a economia do nosso país, temos que passar por cima disso’, disse o líder da bancada no Senado, Valdir Raupp (RO).

O procurador-geral da Câmara, Alexandre Santos (PMDB-RJ), afirmou que conversaria com o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para propor a formalização de um documento cobrando explicações de Chávez.

‘Qualquer pessoa que manda fechar uma rede de televisão, como ocorreu, não sabe conviver com um Congresso como o nosso, com total liberdade’, disse Santos.

Colaborou a Folha Online, em Brasília’

TELEVISÃO
Lucas Neves

‘High School 3’ encerra história, afirma diretor

‘Atual galinha dos ovos de ouro da Disney, a franquia ‘High School Musical’ tem seu segundo filme exibido no Brasil no próximo dia 7, às 20h, no Disney Channel. A transmissão original nos EUA bateu recordes de audiência na TV paga, a trilha sonora estreou no topo da parada de discos e o conglomerado enche os bolsos com toda sorte de merchandising imaginável.

Nos últimos 15 dias, entretanto, a divulgação na internet de fotos da atriz Vanessa Hudgens (a protagonista Gabriella) como veio ao mundo tirou o sono dos executivos do estúdio -que, até então, viam na candura do elenco jovem a propaganda perfeita para seu compromisso com o ‘entretenimento para a família’.

Pouco antes do episódio, o diretor dos dois primeiros telefilmes, Kenny Ortega, falou à Folha sobre o sucesso da franquia e a preparação do terceiro título, que será lançado nos cinemas. ‘Tenho a impressão de que o terceiro filme, que deverá focar o último ano escolar dos personagens, servirá de encerramento para suas histórias. Depois dele, poderá haver outras encarnações, talvez uma próxima geração de ‘HSM’.’

Antes de passarem o bastão, Troy, Gabriella, Chad e cia. vão veranear, em ‘HSM 2’, no clube da família de Sharpay e Ryan. Todos arranjarão empregos temporários, mas Sharpay, de olho em Troy, lhe oferecerá uma função mais nobre. O novo posto o afastará dos velhos amigos. A porção musical ficará por conta de um show de talentos organizado no clube.

No hiato entre os episódios 2 e 3, as músicas e coreografias de ‘HSM’ percorrem os EUA e o mundo, num show (que passou por São Paulo em maio) e num recém-estreado espetáculo sobre patins (‘ópera-rock no gelo’, segundo Ortega), que aporta no Brasil em janeiro de 2008. O ‘bombardeio’ não pode desgastar a franquia prematuramente? ‘Existe a possibilidade, mas é fato que Mickey Mouse está aí há mais de 60 anos’, esquiva-se o diretor.

Para encerrar, Ortega resume o sucesso de ‘HSM’ como manda a cartilha Disney: ‘Isso é o que a música, a dança e mensagens do coração fazem’.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

Terra Magazine

Veja

Agência Carta Maior

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