Sábado, 23 de Maio de 2015
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº851

IMPRENSA EM QUESTãO > “ERRAMOS” ENVERGONHADO

Folha publicou ficha falsa de Dilma

25/04/2009 na edição 534

A Folha de S. Paulo reconheceu neste sábado (25/4) que publicou, na edição de 5 de abril, junto com reportagem que tratava de um suposto plano para sequestrar o então ministro Delfim Netto, um documento falso sobre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O reconhecimento do jornal é boa notícia, mas poderia ter sido mais elegante. ‘Autenticidade de ficha de Dilma não é provada’, diz o título da matéria reproduzida abaixo.


Ora, o jornal informa que a ficha publicada foi recebida por e-mail, está no site ultradireitista Ternuma e não existe no Arquivo Público do Estado de São Paulo, onde estariam guardados os documentos do Dops. O correto, portanto, seria dizer que a ficha é falsa, pura e simplesmente. O reconhecimento envergonhado do erro só piora as coisas para a Folha, que por sinal não deu o mesmo espaço para desfazer o equívoco do que ele mereceu na edição de 5 de abril, quando teve chamada na primeira página do jornal. Errar é humano, reconhecer o erro é obrigação de quem erra. Com igual espaço e destaque, de preferência.


Além da questão do espaço e destaque, cabe notar que a Folha marotamente publicou, abaixo da matéria sobre o erro da ficha, uma reportagem sobre a ‘volta’ de Delúbio Soares ao PT. Cabia ali, claro, Dilma também é petista, mas é impossível não perceber a mão leve da editorialização do noticiário. É quase como se o jornal confessasse: ‘errei, mas este PT não presta mesmo…’.


***


Autenticidade de ficha de Dilma não é provada


Reproduzido da Folha de S. Paulo, 25/4/20009


‘Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil


Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar


DA SUCURSAL DO RIO


A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).


O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o ‘arquivo [do] Dops’. Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada -bem como não pode ser descartada.


A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado ‘Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto’.


Internamente, foi editada junto com entrevista da ministra sobre sua militância na juventude. Sob a imagem, uma legenda ressaltou a incorreção dos crimes relacionados: ‘Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu’.


O foco da reportagem não era a ficha, mas o plano de sequestro em 1969 do então ministro Delfim Netto (Fazenda) pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Ela afirma que desconhecia o plano.


Em carta enviada ao ombudsman da Folha anteontem, Dilma escreve: ‘Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (…) a matéria publicada tinha como título de capa ‘Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim’. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de ‘factóide’, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha.’


A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano do sequestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele.


Três dias depois da publicação da reportagem, Dilma telefonou à Folha pedindo detalhes da ficha. Dizia desconfiar de que os arquivos oficiais da ditadura poderiam estar sendo manipulados ou falsificados.


O jornal imediatamente destacou repórteres para esclarecer o caso. A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois.


No dia 17, a ministra afirmou à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que a ficha é uma ‘manipulação recente’.


Na carta que enviou ao ombudsman, Dilma escreveu: ‘Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.’


A ministra escreveu ainda: ‘O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (‘terrorismo nunca mais’), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.’


Fontes


Dilma integrou organizações de oposição aos governos militares, entre as quais a VAR-Palmares, um dos principais grupos da luta armada. A ministra não participou, no entanto, das ações descritas na ficha. ‘Nunca fiz uma ação armada’, disse na entrevista à Folha de 5 de abril. Devido à militância, foi presa e torturada.


Na apuração da reportagem do dia 5, o jornal obteve centenas de documentos com fontes diversas: Superior Tribunal Militar, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Público Mineiro, ex-militantes da luta armada e ex-funcionários de órgãos de segurança que combateram a guerrilha.


Ao classificar a origem de cada documento, o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome ‘Arquivo de SP’, quando era originária de e-mail enviado à repórter por uma fonte.


No arquivo paulista está o acervo do antigo Dops, sigla que teve vários significados, dos quais o mais marcante foi Departamento de Ordem Política e Social. Na ditadura, era a polícia política estadual.


Entre as imagens reproduzidas pelo arquivo, a pedido da Folha, não estava a ficha. ‘Essa ficha não existe no acervo’, diz o coordenador do arquivo, Carlos de Almeida Prado Bacellar. ‘Nem essa ficha nem nenhuma outra ficha de outra pessoa com esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece.’


Pelo menos desde novembro a ficha está na internet, destacadamente em sites que se opõem à provável candidatura presidencial de Dilma.


O Grupo Inconfidência, de Minas Gerais, mantém no ar uma reprodução da ficha. A entidade reúne militares e civis que defendem o regime instaurado em 1964. Seu criador, o tenente-coronel reformado do Exército Carlos Claudio Miguez, afirma que a ficha ‘está circulando na internet há mais de ano’. Sobre a autenticidade, comentou: ‘Não posso garantir. Não fomos nós que a botamos na internet’.


Pesquisadores acadêmicos, opositores da ditadura e ex-agentes de segurança, se dividem. Há quem identifique indícios de fraude e quem aponte sinais de autenticidade da ficha. Apenas parte dos acervos dos velhos Dops está nos arquivos públicos. Muitos documentos foram desviados por funcionários e hoje constituem arquivos privados.’

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/05/2010 Roberto Sidnei

    saiu tambem aquela do activia que é feito com ‘coco’, aquela do mentos que estoura na barriga do cristão, carros distribuidos ‘gratuitamente’, a mazonia que ja foi ‘internacionalizada, etc. É tanto ‘coco’ que a gente nao sabe por onde começar, muito menos onde termina. Como dizia o velho deitado… mais louco é aquele quie acredita na loucura do outro!

  2. Comentou em 02/05/2010 Roberto Sidnei

    saiu tambem aquela do activia que é feito com ‘coco’, aquela do mentos que estoura na barriga do cristão, carros distribuidos ‘gratuitamente’, a mazonia que ja foi ‘internacionalizada, etc. É tanto ‘coco’ que a gente nao sabe por onde começar, muito menos onde termina. Como dizia o velho deitado… mais louco é aquele quie acredita na loucura do outro!

  3. Comentou em 14/11/2009 Claudio Cruz Podadera

    Tudo bem que nada foi provado, ainda. Gostaria de pedir às autoridades sérias, que investigassem à fundo este caso da ministra pois, ser presidente de um país é incumbência de pessoa idonea, sem manchas ou dúvidas sobre sua conduta moral. Como dizia a minha mãe : ‘Onde há fumaça, há fogo’.
    Obrigado.

  4. Comentou em 04/05/2009 Pedro pereira Pereira

    Nova ficha da companheira EStela aparecendo por ai< aquela que não participou de nada que nunca fez nada e só estava no lugar errada na hora errada.Me parece que nesta ficha falsa seus companheiros de infortunio não levavam seu posicionamento muito a sério!!
    Parece tbem que não fazima muita questão que ela fosse parte das trocas, SErá porquê?
    Mas acho que dever ser falsa tbem. Até as eleiçoes, qualquer noticia sobre a companheira Dilma serão Falsas, menos as que forem benéficas a sua campanha. O masqueteiro do Lula Já está em açao pra transformar em trunfo o que a vida transforma em trajedia, e ainda vai culpar a oposição.

  5. Comentou em 04/05/2009 Pedro pereira Pereira

    Nova ficha da companheira EStela aparecendo por ai< aquela que não participou de nada que nunca fez nada e só estava no lugar errada na hora errada.Me parece que nesta ficha falsa seus companheiros de infortunio não levavam seu posicionamento muito a sério!!
    Parece tbem que não fazima muita questão que ela fosse parte das trocas, SErá porquê?
    Mas acho que dever ser falsa tbem. Até as eleiçoes, qualquer noticia sobre a companheira Dilma serão Falsas, menos as que forem benéficas a sua campanha. O masqueteiro do Lula Já está em açao pra transformar em trunfo o que a vida transforma em trajedia, e ainda vai culpar a oposição.

  6. Comentou em 26/04/2009 Nilson Moura Messias

    Aguardem mais falsificações. A folhinha e, simplesmente inescrupu
    losa.

  7. Comentou em 26/04/2009 jairo arco e flexa

    ‘Autenticidade de ficha de Dilma não é provada’ é de um cinismo atroz.

    Lembra uma cena do ótimo filme sobre o macartismo em Hollywood , ‘Culpado por Suspeita’, com Robert De Niro, em que se vê em ação o diretor de uma das muitas firmas picaretas que arrancavam dinheiro dos estúdios para provar que determinados artistas não eram comunistas.

    Ao cabo de uma dessas custosas ‘investigações’, o chefão do estúdio pergunta ao dono da firma picareta se descobrira, afinal, se determinado artista era ou não comunista.

    ‘Não podemos dizer que ele é comunista’, responde o pilantra. ‘Mas também não podemos garantir que ele não seja comunista’

  8. Comentou em 25/04/2009 Luciano Prado

    Quem dá como fato um panfleto apócrifo que circula pela internet há bastante tempo como sendo algo autêntico, verdadeiro age dolosamente, de má fé.

    Não se trata de erro, portanto.

    Ninguém em sã consciência pode chamar isso de jornalismo.

    É esgoto mesmo, dos mais fétidos.

    É um desaforo entregue em casa.

    Depois, vêm alguns “jornalistas” acusar os leitores e internautas de mal educados.

  9. Comentou em 25/04/2009 Ney José Pereira

    A tal ‘Casa Civil’ (ministério da Política Federal) ‘pediu [e conseguiu!] uma varredura’ nas tais ‘pastas do DOPS’ no Arquivo Público do Estado de São Paulo?. E por isso o ‘Arquivo Público do Estado de São Paulo’ ficou ‘fechado’ por 5 (cinco) dias?. Então a tal Dilma ‘falsificou o seu nome e os seus documentos’ e a tal ‘direita’ falsificou sua ‘ficha difamatória’?. E a tal Folha (de S. Paulo, hein!) publicou a tal ‘ficha difamatória’ acreditando que a tal ‘ficha difamatória’ era uma ‘cópia (oficial?)’?. Pô, eu já estava achando que a tal ministra passaria ao rol dos ‘heróis e heroínas’ que lutaram contra a ditadura -principalmente por ter participado do plano para sequestrar o então inimigo -mas, atual neocompanheiro- o tal Delfim!. Estava pensando também que a repórter Fernanda Odilla ganharia o ‘Prêmio Esso e Shell e Ipiranga e Petrobrás e Texaco’ pela ‘melhor reportagem folháctica de 2009’!. Talvez em desagravo ‘os premiadores folhácticos’ darão à repórter um ‘prêmio interno de consolação’!. Alô, seu Octavinho Frias de Oliveira (o Filho) e senhores sinecuristas e abstratos conselheiros acácios, porém alcândores, pois folhácticos da Folha (de S. Paulo, hein!): Então os seus repórteres e seus editores e seus editores-mores não sabem distinguir um documento ‘há um ano na internet’ de um documento oficial?.Afinal, esse tal erramos só saiu porque foi ‘exigido’ pelo atual ‘pudê’?.

  10. Comentou em 25/04/2009 Thomaz Magalhães

    Tem um erro, aí no desmentido. Diz a Folha que a ‘Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar’ Não lutaram, nem Dilma nem o grupo, contra a ditadura militar coisa nenhuma. Foi a favor da mundaça, no Brasil, do regime capitalista para o comunista.

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