Domingo, 21 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Frateschi contesta matéria
da Folha sobre PT e PCC

Por Rodrigo Luchiari em 24/08/2006 na edição 395

Nota de Paulo Frateschi, presidente estadual do PT-SP, sobre matéria do jornal Folha de S.Paulo veiculada hoje (23/8) sob a manchete ‘Inquérito investiga se há ligação entre PCC e petistas’:




‘Tomei conhecimento em meados de julho de que o PSDB tinha em seu poder gravações que poderiam vincular o PT ao PCC. Logo que estas informações chegaram, alguns órgãos de imprensa passaram a me procurar para saber qual a opinião do partido sobre uma suposta gravação em que presos, ligados a uma facção criminosa, davam ordens por telefone para matança de qualquer político, exceto os do PT.


Na época, o repórter da Folha André Caramante solicitou a minha assessoria uma entrevista, afirmando ter em seu poder estas gravações. Solicitei que fosse encaminhada uma cópia e tive meu pedido negado. Respondi, então, por meio da seguinte nota:




O Partido dos Trabalhadores irá se manifestar assim que essas gravações fizerem parte de procedimento formal de investigação dos órgãos competentes e a partir delas tomar conhecimento de seu inteiro teor. Por ora, reafirmamos nossa intransigente posição na defesa da ordem pública e na severa repressão ao crime organizado.


A Folha e o jornalista silenciaram. Nos dias e nas semanas seguintes a matéria ‘dormiu’ na gaveta do repórter. Governos estadual e federal buscaram conjuntamente alternativas para colocar fim ao caos da segurança no estado. O secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, totalmente contrariado porque não queria que o seu governo aceitasse ajuda do governo federal, perdeu a compostura e atacou diretamente o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos que, com o governador do estado, Claudio Lembo, trabalhava conjuntamente em busca de uma saída para a crise.


Saulo desafiou o ministro afirmando: ‘Está desafiado cargo por cargo. O ministro da Justiça faltou com a verdade ao dizer que viria o dinheiro’. Perdeu o desafio, mas não cumpriu com a palavra empenhada e permanece secretário. Acuado, foi ao programa Canal Livre Eleições, da TV Bandeirantes, e voltou ao ataque ao PT, fazendo novamente ligações entre PCC e PT. Indagado pelos jornalistas se havia alguma prova ou indício, afirmou que sim, que havia até um inquérito (quando foi aberto?). O PT de imediato apresentou notícia-crime contra Saulo.


A TV Bandeirantes abriu espaço para que o partido rebatesse as declarações irresponsáveis do secretário. Na segunda-feira (21/8) participei do mesmo programa, em que apontei fatos públicos e verídicos que comprovam que, se existe alguém que cultiva ligação com bandidos, é o secretário, e não o PT. Isto deve tê-lo incomodado. A reação foi imediata.


Na tarde de ontem, a matéria que ‘dormia’ na redação da Folha e que já havia sido amplamente divulgada pelo site Terra Magazine 14 dias atrás, com teor semelhante, volta à pauta.


Novamente, recebi pedido do jornalista André Caramante para que concedesse entrevista sobre o conteúdo das gravações. O editor de Cotidiano da Folha, Rogério Gentile, proibiu que o repórter me enviasse cópia da fita ou mesmo sua transcrição, autorizando apenas que eu tomasse conhecimento de seu conteúdo pelo telefone. Como presidente do Partido dos Trabalhadores no estado de São Paulo, não posso me pronunciar sobre gravações que qualquer repórter queira colocar para eu ouvir, ainda mais via telefone. Chega a ser desrespeitoso esperar que eu aceite esta situação e ainda faça comentários a respeito. Algumas partes da gravação foram ditadas pelo repórter a meu assessor.


Em seguida, enviei ao repórter algumas perguntas que buscavam apenas duas coisas: esclarecimento e proteção contra armadilhas comuns contra o PT em períodos eleitorais.


Ao invés de o jornal disponibilizar as informações solicitadas e que seriam publicadas horas mais tarde, como a origem da gravação, a abertura de inquérito (apesar de omitir a data) e o fato de a obtenção da conversa ter sido amparada por determinação judicial, para que eu pudesse defender o partido desta arapuca, preferiu o jornal tomar parte do plano arquitetado por Saulo de Castro.


O PT não tem qualquer ligação com o PCC. Este caso é um escândalo, como foi o caso Abílio Diniz. Trata- se de uma manobra eleitoreira, com objetivo claro de impor desgaste ao PT.


E a Folha não pode compactuar com tão vil propósito.’


Paulo Frateschi


Presidente estadual PT-SP


Como está claro na nota de Frateschi, o PT recusou-se a emitir qualquer opinião sobre a gravação em poder da Folha por acreditar que se tratava de mais uma armação contra o partido. O jornal se omitiu de prestar qualquer informação. O questionário citado pela reportagem foi uma clara provocação ao repórter na tentativa de demovê-lo da idéia de publicar a matéria. Foi um alerta. Os sinais eram claros.


Como não havíamos nos pronunciado da primeira vez que procurados sob a alegação de a gravação não fazer parte de um processo formal de investigação, o repórter da Folha certamente comunicou isso a sua fonte.


No dia seguinte à entrevista de Frateschi ao programa Canal Livre Eleições, na noite de segunda-feira, no qual foi intransigente na defesa do Partido dos Trabalhadores e duro em relação ao secretário Saulo de Castro, o repórter recebeu comunicado da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que afirmava:




‘Sobre a ameaça de atentados a políticos, quero lhe passar a seguinte nota da SSP: O teor da gravação em que criminosos ordenam ataques a políticos do PSDB chegou ao conhecimento do Deic. Como a interceptação não foi feita por aquele departamento, o Deic aguarda autorização judicial para usar a gravação em inquérito policial já em andamento. Assessoria de Imprensa SSP/SP’.


Era a senha para que se pudesse desengavetar a matéria e pressionar o PT

******

Assessoria PT-SP

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