Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

IMPRENSA EM QUESTãO > RODA VIVA

Gabi, Lula, Dunga, Brasil!

Por Luiz Fernando Vianna em 08/07/2010 na edição 597

É curioso um comercial que vem sendo veiculado na TV.


‘Eu sou Marília Gabriela, jornalista. Acredito no Brasil como a Vivo acredita’, diz a estrela da campanha. A mensagem permite digressionar por veredas que se aproximam.


Primeira: por que ressaltar ‘jornalista’? Talvez porque, apesar de nossos tropeços, a imprensa ainda apareça em pesquisas entre os setores em que a população mais confia. Os principais fatos recentes da história brasileira foram revelados pelos meios de comunicação.


Mas como confiar numa jornalista que faz propaganda de celular, perfume masculino, margarina e software, entre outros produtos? Marília Gabriela parece tão atraente às agências de publicidade porque une seus talentos de apresentadora e atriz à credibilidade geral da imprensa.


Segunda: a empresa de telefonia, no momento disputada por espanhóis e portugueses, é mais uma a ressaltar sua ‘brasilidade’.


Aversão à imprensa


Outras companhias têm feito o mesmo em campanhas publicitárias, aproveitando os bons índices econômicos do país. Poucas coisas devem deixar Lula tão feliz quanto ver esses comerciais, alguns de empresas sobre as quais ele fez explícita pressão durante a crise internacional, caso da Vale.


É o mesmo Lula que, com frequência, reclama das notícias que não lê -a se crer no que disse à Piauí. E cuja candidata a sucedê-lo enviou anteontem ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um programa de governo atacando o ‘monopólio da mídia’ e, diante da repercussão em veículos diversos, correu para retirar a menção. Publicidade é bom, jornalismo nem tanto.


E onde marketing, ‘brasilidade’ e aversão à imprensa se encontram: nos ‘guerreiros’ defendendo as cores de uma cerveja, raivosamente orientados por Dunga, que detesta repórteres. Deu no que deu.

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/07/2010 Marcelo Idiarte

    Impressão minha ou Luiz Fernando Vianna no fim quer dizer que essa publicidade toda pro-Brasil – da qual sobrevive inclusive a Folha de S.Paulo (a menos que esta não veicule em suas páginas propagandas da Vivo, Brahma etc.) – é voltada para sustentar o desempenho do Governo Lula? Este é um daqueles textos que escrevemos nas redações do ginásio (hoje ‘ensino médio’) e que certos professores olhavam e diziam ‘você um dia vai ser escritor ou jornalista’. Tem gente que acreditou e virou jornalista mesmo. Até porque os cursos no Brasil ajudam.

  2. Comentou em 08/07/2010 RUY Acquaviva Carrano Junior

    Sr. Luiz Fernando Vianna, tentar convencer as pessoas que a imprensa não é tendenciosa e partidarizada é uma tarefa mais difícil do que os doze trabalhos de Hércules juntos.

    As empresas usam a excelente situação econômica e os enormes progressos sociais conquistados no Governo Lula porque são fatos objetivos e candentes.

    Por outro lado a imprensa ignora esses fatos e apresenta um quadro fantasioso e irreal para tentr influir no processo político.

    Ao colocar a frase ‘Publicidade é bom, jornalismo nem tanto’ o Sr. faz esse mesmo jogo.

    Não é verdade que haja ‘aversão à imprensa’, mas sim aversãoapo uso tendencioso e partidarizado da imprensa, quando escondido atrás de uma MENTIRA de isenção, à qual o Sr. parece fazer coro neste texto.

    Aversão à imprensa tem o oligopólio que domina a grande imprensa e a usa como instrumento político através da mentira, além dos maus profissionais que se submetem a esse jogo sujo.

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