Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > CRISE DOS JORNAIS

Google cede às queixas dos jornais

Por Jane Wardell em 04/12/2009 na edição 566

O Google está permitindo que os editores de conteúdo pago limitem o número de artigos e notícias acessíveis de maneira gratuita pelos usuários de seu mecanismo de busca, uma concessão à cada vez mais descontente indústria da mídia. Houve uma intensificação nas críticas às práticas do Google por parte das empresas de mídia – principalmente na voz do presidente e diretor-executivo da News Corp., Rupert Murdoch – que se queixam do lucro que o Google obtém a partir das páginas de notícias disponíveis na rede.


Numa atualização de seu blog oficial publicada na terça- feira, Josh Cohen, gerente sênior de produtos do Google, disse que a empresa tinha lançado uma nova versão do seu programa First Click Free (primeiro clique grátis) para que os editores possam limitar o acesso gratuito dos usuários a apenas cinco artigos diários antes que seja exigida uma assinatura ou o registro do usuário.


Anteriormente, cada clique feito nestes sites por um usuário do sistema de buscas do Google era tratado como gratuito.


‘Para os usuários do Google, pode ser que seja exibida uma página solicitando a assinatura depois de terem sido acessados cinco ou mais artigos num mesmo dia no site de um editor que faça uso do First Click Free. Isto permite ao mesmo tempo que os editores se concentrem nos assinantes em potencial, aqueles que acessam seu conteúdo com regularidade’, escreveu Cohen em seu blog.


Na terça-feira (1/12), em conferência realizada em Washington, Murdoch disse que as empresas de mídia deveriam cobrar pelo acesso ao conteúdo que produzem e impedir que agregadores de notícias como o Google ‘ajam como parasitas dos esforços e investimentos alheios’.


Coexistência


Cohen destacou que as editoras e o Google podem coexistir, e apontou a possibilidade de as empresas cobrarem pelo acesso ao seu conteúdo mantendo simultaneamente a disponibilidade gratuita no Google por meio da versão atualizada do programa de cliques.


‘As duas alternativas não são mutuamente excludentes’, disse Cohen. ‘Afinal, seja para o conteúdo oferecido de forma gratuita ou para aquele disponibilizado mediante a cobrança de uma taxa, é fundamental que as pessoas sejam capazes de encontrá-lo. O Google pode ajudar nesse aspecto.’


Cohen disse que o Google começará a classificar, indexar e tratar como ‘gratuitas’ quaisquer páginas oferecidas como amostra grátis – normalmente a manchete e os primeiros parágrafos de uma matéria – pelas páginas de acesso pago. Dessa forma, os usuários teriam acesso ao mesmo conteúdo que seria exibido gratuitamente aos usuários de um determinado site de mídia, e as matérias de acesso ‘restrito a assinantes’ seriam exibidas no Google News.


‘A classificação destes artigos será submetida aos mesmos critérios das demais páginas no Google, sejam de acesso pago ou gratuito’, disse Cohen.


***


Murdoch lança conceito de um futuro ‘pago’


Mercedes Bunz*


Reproduzido do Estado de S.Paulo, 3/12/2009


Rupert Murdoch reiterou na terça-feira (1/12) sua convicção de que os usuários da internet pagarão pelo conteúdo, e terão a maior satisfação em gastar ‘pela informação, porque precisam dela para ascender socialmente’. Murdoch, dono da News Corp., dirigiu-se à autoridade reguladora das comunicações nos Estados Unidos, que definiu a reprodução de notícias na internet como um ‘roubo’, e afirmou que os modelos de empresas baseados unicamente em anúncios morreram.


‘Desde o início, os jornais prosperaram por uma única razão: porque dão aos leitores as notícias que eles querem’, disse. Murdoch afirmou que os jornais não deveriam culpar a tecnologia por seu fracasso. ‘Se nós fracassamos, fracassamos como um restaurante que prepara refeições que ninguém quer comer.’


Os clientes de sua companhia são ‘suficientemente inteligentes’ para saber que têm de pagar pelas notícias, ele afirmou num debate da Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC) sobre o futuro do jornalismo na era da internet.


Referindo-se aos seus projetos muito criticados de permitir o acesso a seus sites de jornais mediante o pagamento de assinatura, Murdoch disse que seu sucesso data de bem antes, quando ninguém acreditava que ele seria bem-sucedido nessa empreitada. E acrescentou: ‘Começamos a Fox quando todo mundo dizia que era uma coisa impossível.’


Modelo extinto


O Wall Street Journal, que faz parte de seu grupo, já cobra pelo conteúdo na internet e tem um milhão de assinantes. ‘Não hesitaremos em gastar para aplicar este modelo a todas as nossas organizações de notícias, como o Times de Londres. No Times, há jornalistas que investiram dias e semanas em seus artigos, e nossos clientes são suficientemente inteligentes para saber que não poderão ter acesso a algo se não pagarem por ele.’


‘Produzir jornalismo é uma coisa cara. Investimos enormes quantidades de dinheiro em nosso projeto, da tecnologia aos salários. Reproduzir material jornalístico não é honesto. Para sermos pouco polidos, é roubo’, afirmou. ‘Sem nós, esses copiadores teriam na sua frente páginas em branco. Agora, os produtores de conteúdo arcam com todos os custos, enquanto os copiadores desfrutam do que já está pronto.’


Murdoch afirmou que cobrar do público o que lê é a única maneira de criar novos fluxos de receitas. ‘O modelo de empresa que se baseia apenas na publicidade morreu. A publicidade online aumenta a apenas uma fração do que se perde anunciando num veículo impresso, e está submetida a uma pressão constante’.


* Do The Guardian

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Da Associated Press, em Londres

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