Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 23/5

Grupo espanhol quer comprar o Le Monde

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 23/05/2008 na edição 486

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 23 de maio de 2008


IMPRENSA
Folha de S. Paulo


Espanhóis querem comprar Le Monde


‘O grupo Prisa, líder do mercado de mídia na Espanha e detentor do jornal ‘El Pais’, reiterou ontem sua intenção de comprar o vespertino francês ‘Le Monde’, que passa por grave crise financeira. O Prisa, que já detém 15% do capital do diário parisiense, condicionou a compra a mudanças na direção. O principal grupo acionista do ‘Monde’ rejeitou em janeiro uma primeira proposta feita pelos espanhóis. Com uma tiragem média diária de 354 mil exemplares, o jornal planeja a demissão de 130 pessoas para sanar as contas – houve greves contra esses cortes.’


 


FANTASMA
Andreza Matais e Adriano Ceolin


Senador do Pará decide exonerar o filho de Hélio Costa


‘O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) decidiu exonerar do cargo de assistente parlamentar o filho do ministro Hélio Costa (Comunicações). A Folha revelou ontem que Eugenio Alexandre Tollendal Costa é funcionário-fantasma do Senado. Desde 2003, ele está lotado no gabinete do senador, mas ninguém o conhece no local, nem mesmo o tucano.


‘Assim que chegar a Brasília na terça-feira vou exonerá-lo. Achei que ele prestava algum serviço ao Duciomar [prefeito de Belém]. Não tenho interesse em manter alguém no meu gabinete que mora em Juiz de Fora’, afirmou.


Eugenio deve ser acomodado no gabinete do suplente do pai. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) disse à Folha que ‘está avaliando’ a possibilidade de contratá-lo. ‘Vou ver se a minha home page está precisando ser atualizada. Ele [Eugenio] é bom nisso.’


O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que vai levar o caso para a Mesa Diretora. Ele acha que é preciso impor mais regras para a nomeação de servidores em cargos de comissão fora de Brasília. ‘O fato de o Senado admitir que alguns assessores fiquem no Estado de origem do senador acaba por ocasionar um certo descontrole’, disse.


Com salário de R$ 2.649,46 por mês, Eugênio Costa afirmou anteontem que fazia assessoria de comunicação para Flexa. ‘Eu faço arte gráfica, coisa de internet.’ O senador negou ontem a informação. ‘Achei mais do que estranho ele dizer isso. Se ele faz assessoria de imprensa, deve ser para o Duciomar, não para mim.’


O tucano reiterou ontem que nunca conversou com Eugenio e que o manteve no cargo a pedido do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB-PA), de quem é suplente. Ele sustenta que Eugenio estava fazendo um trabalho para o petebista. O prefeito, no entanto, negou ter contratado Eugenio e que ele lhe prestasse algum tipo de serviço. ‘Se eu precisasse de alguém em Brasília, essa pessoa receberia pela Prefeitura de Belém. Porque eu sou o gestor e tenho cargos comissionados que posso nomear’, afirmou.


Flexa disse que, diante de versões contraditórias, decidiu demitir Eugenio. ‘Vou exonerá-lo na terça-feira.’ Ele afirmou ter considerado ‘estranho’ o prefeito não ter assumido a contratação de Eugenio, já que isso pode ser comprovado no ato de nomeação.


Um ano e dois meses depois de Eugenio ter sido contratado no gabinete de Duciomar, o então senador Hélio Costa nomeou em seu gabinete Elaine Baía. Ela trabalhou com Duciomar até abril de 2004, quando foi exonerada. Quatro meses depois, retornou ao Senado, dessa vez no gabinete de Costa. O suplente do ministro, que assumiu em 2005, a manteve no cargo de assistente parlamentar. Ela ganha o mesmo salário de Eugenio. Salgado nega uma troca de favores entre o ministro e Duciomar. Sobre se Elaine trabalha, afirmou: ‘Vai ao gabinete de vez em quando. Ajuda a fazer pesquisas’. A Folha não conseguiu localizá-la.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Programa denuncia dieta da cesta básica


‘Um dos repórteres do humorístico ‘CQC’, da Band, Rafinha Bastos, 31, está se alimentando apenas com produtos da cesta básica distribuída por governos e empresas brasileiras. Em 12 dias, ele perdeu mais do que seis dos seus 103,5 quilos.


‘Meu humor acabou em três dias. O sono alterou, tenho dormido mal e mais cedo por causa da fome. Quando luto jiu-jítsu, minha resistência muscular acaba em 15 minutos. A dieta não tem proteínas’, lamenta.


Orientado por médico e nutricionista, o jornalista pretende consumir em um mês apenas um quarto de uma cesta básica. Sua dieta se limita a uma xícara de café com leite de manhã, arroz e batata no almoço, quatro biscoitos de leite à tarde e espaguete à noite. ‘Nem dá para matar a fome’, lamenta.


Por que tanto sacrifício? ‘O governo diz que uma cesta básica é suficiente para alimentar uma família de quatro pessoas. Então vou tentar viver um mês com um quarto de uma cesta básica. Confesso que não sei se vou agüentar os 30 dias’, diz.


O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) contesta a premissa do ‘CQC’. ‘A idéia da distribuição das cestas não é de suprir totalmente a alimentação das famílias e sim de complementá-la’, afirma em nota à Folha.


As cestas do MDS são distribuídas a quilombolas, índios, sem-terra e desabrigados. Em 2007, foram 2.097.153 cestas a 402.726 famílias no país.


BOLADA 1 Com a transmissão da final da Copa dos Campeões, anteontem, a Record ficou 51 minutos em primeiro lugar na Grande SP, segundo dados preliminares. Na média das 15h40 às 18h30, teve 13,4 pontos, contra 14,6 da Globo.


BOLADA 2Para enfraquecer a rival, a Globo programou o telefilme ‘High School Musical’ _que venceu Manchester x Chelsea.


BOLADA 3 A partir de 7 de junho, volta a esquentar a disputa vespertina. A Record transmitirá a Eurocopa, torneio de seleções européias. Terá no continente dez profissionais, liderados pelos repórteres Rodrigo Viana e Roberto Thomé. Narradores e comentaristas farão as transmissões em estúdio, em São Paulo.


MÁQUINA DA VERDADE A produção do programa de Márcia Goldschmidt (Band) convidou Antonio Nardoni, pai de Alexandre Nardoni, para gravar um quadro em que suas respostas seriam analisadas por um polígrafo, também conhecido como máquina da verdade. Nardoni recusou.


NOTÍCIA FRIA Uma das manchetes do ‘Jornal da Cultura’ de anteontem era a aprovação, pela Câmara, da guarda compartilhada de filhos. A informação estava na internet na terça e nos jornais impressos de quarta-feira. Normalmente, notícias como essas a TV dá antes que jornais.


NOTÍCIA CONGELADA O SBT não deixou por menos. Reprisou um ‘SBT Repórter’ em que Marília Gabriela atuava como repórter, em 1999.’


 


Mônica Bergamo


Canal Aberto


‘Filha do presidente da Rede TV!, Amilcare Dallevo, a jornalista Andrea Dallevo, 22, está produzindo cinco vídeos institucionais da emissora, na qual já trabalham sua mãe, Faa Morena, ex-mulher de Dallevo, e a madrasta, Daniela Albuquerque. Mas vai aparecer na tela de outro canal: o documentário ‘Que Sonhos Você Tem?’, que ela dirigiu com Camila de Oliveira para a conclusão do curso de jornalismo, será exibido neste sábado em um programa da TV Cultura.


FAMÍLIA


E o vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho, levou a mulher, Luciana Gimenez, para o LA Screenings, evento no qual os estúdios americanos exibem suas novas produções para possíveis interessados. O nome da apresentadora aparece até em uma ‘lista de compradores’ no site do encontro, que acontece em Los Angeles.’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 23 de maio de 2008


CANNES
Luiz Carlos Merten


Che, resistência sem perder a ternura


‘Steven Soderbergh trouxe um historiador, Jon Lee Anderson – biógrafo de Ernesto Che Guevara -, para a coletiva de seu filme sobre o mítico guerrilheiro cubano-argentino. Che divide-se em duas partes. Na primeira, é selada a aliança de Che e Fidel Castro, começa a campanha que, a partir de Sierra Maestra, conduz a Havana e ao triunfo da revolução contra Fulgencio Batista, entremeada de cenas em preto-e-branco que simulam um documentário sobre o Che na assembléia-geral das Nações Unidas (e defendendo a revolução junto a intelectuais norte-americanos). A segunda parte concentra-se na campanha boliviana. A primeira é épica, a segunda, centrada no fracasso, acentua as crises de asma que consumiam a figura real. Por detrás do mito, Soderbergh busca o homem.


Anderson disse que existem vários Ches Guevaras. Para os países ricos, do chamado Primeiro Mundo, ele é um item de consumo, uma t-shirt que os jovens, principalmente, consomem como a de qualquer outro ídolo da cultura de massas. Para os países do Terceiro Mundo, e especialmente os da América Latina, Che é um ícone da luta revolucionária e da resistência à opressão imperialista. O Che não sai de moda, assinala Anderson, e ele acha que sua importância não fica diminuída – pelo contrário – pelo fato de os representantes das classes oprimidas estejam chegando ao poder democraticamente, pelas eleições, sem derramamento de sangue. Ele poderia citar Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e Evo Morales, mas não o fez. Generalizou.


Soderbergh citou Morales. Che foi um precursor, pregando, há 40 anos, uma luta que os camponeses e índios bolivianos não apoiaram porque, de certa forma, ainda não tinham consciência de sua força. É uma frase do filme – quase no fim da segunda parte, o Che, derrotado, faz sua autocrítica, mas também diz que, quem sabe, no futuro, as massas bolivianas não se levantarão em nome de mudanças radicais? O futuro, na coletiva, ele deixa subentendido que chegou, o que relativiza a crônica do fracasso na segunda metade de seu filme. Che termina, aliás, com um plano enigmático que é bom não antecipar, mas com certeza terá de ser objeto de análise na estréia do filme.


Havia gente pelo ladrão para ver Benício del Toro – impressionante – na pele do Che, na quarta-feira à noite. Simultaneamente à sessão de imprensa, realizava-se, no Palais, a de gala, com direito a tapete vermelho. Che tem exatamente 268 minutos, quase 4h30 de duração. Passou em duas partes, e no meio a empresa produtora – a Warner França, que concordou em financiar o filme falado em espanhol – distribuiu sanduíches e água aos jornalistas de todo o mundo. O filme deixa uma impressão estranha. A primeira parte, a épica, é para cima e tem cenas de um western em que os mocinhos ganham. A segunda, a do fracasso – mesmo que relativo -, é para baixo e o herói trágico, demasiadamente humano, morre por seus erros, mas sem transigir com sua dignidade. Soderbergh disse uma coisa interessante – que não é preciso compartilhar as idéias do Che para reconhecê-lo como um dos grandes personagens do século 20 e o seu idealismo, a sua luta pela melhoria do ‘outro’, como um marco da consciência humana.


Narrado quase como um documentário reconstituído, sem outras cenas íntimas que não aquelas que se referem ao personagem político – Che faz cinco filhos, mas não existe uma cena ‘romântica’ -, o filme desconcerta justamente na segunda parte, que parece burocrática (como narrativa), mas que é a melhor, segundo Soderbergh. Ele não fez um filme respeitoso com o mito (ponto a seu favor). Soderbergh admira o personagem, mas falta alguma coisa – o quê? A paixão? Rodrigo Santoro, rapidamente entrevistado pelo Estado – ele faz o hoje presidente Raúl Castro -, amou a humanidade do Che de Soderbergh e disse que compartilhar da equipe montada pelo diretor, formada por técnicos e artistas de todo o mundo, foi como compartilhar o sonho universalista do Che.’


 


MÚSICA
O Estado de S. Paulo


CDs perdem espaço no Reino Unido


‘Pela primeira vez na história, os músicos britânicos faturaram mais com a execução de suas músicas em rádios e na TV do que com a venda de CDs, anunciou a MCPS-PRS, entidade de direitos autorais musicais no Reino Unido. Segundo dados da entidade, foram movimentados no ano passado 562 milhões de libras pelo setor, no total. Desses, 155,5 milhões de libras são resultado de vendas a rádios, TVs e internet. A venda de produtos físicos – CDs e DVDs – representa 151,8 milhões de libras do total, 1% menos que no ano anterior. O restante dos rendimentos veio de execuções em lugares públicos e vendas para o exterior.’


 


RELIGIÃO
O Estado de S. Paulo


Anime causa revolta entre muçulmanos


‘A produtora APPP Company do Japão teve de pedir desculpas a todos os muçulmanos do mundo pelo conteúdo do anime Jojo no Kimyo na Boken (As Bizarras Aventuras de Jojo), em que seguidores religiosos são apresentados como terroristas. O mangá que deu origem à série tornou-se ainda mais conhecido depois de ser citado na série de TV Heroes, da rede americana NBC – seu personagem mais popular, Hiro Nakamura, é fã das aventuras de Jojo. A animação, que ainda rendeu um game, causou diversos protestos em fóruns online, além de receber a condenação da maior autoridade religiosa sunita, Al Azhar, no Cairo.’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Som de cinema


‘A Favorita, próxima novela das 9 da Globo, vai inaugurar uma tecnologia em novelas. A trama de José Emanuel Carneiro, que estréia dia 2, conta com um sistema de captação de áudio utilizado em produções cinematográficas.


‘A captação do áudio na gravação era feita de forma coletiva. Um único ponto de captação pegava todas as falas do elenco em cena. Depois, limpávamos os ruídos e colocávamos no ar’, explica o diretor da novela, Ricardo Waddington. ‘A captação agora será individual. Cada ator em ação terá um ponto de captação de voz. Depois, juntamos todos os áudios na edição’, continua. ‘O resultado é um som limpo, perfeito. É a primeira novela com som de cinema.’


A inovação surgiu da parceria da emissora com a família Saldanha, responsável pelo áudio de boa parte do cinema nacional. ‘Primeiramente eles nos alugaram esse equipamento e nos treinaram. Depois, nós compramos o nosso’, explica Waddington. ‘Sentia a necessidade de o áudio acompanhar a evolução que a imagem da novela teve com o HD. Essa tecnologia trouxe isso, e mesmo quem não tem TV digital vai sentir a diferença no som.’’


 


 


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Comunique-se


Sexta-feira, 23 de maio de 2008


ATENTADO
Comunique-se


Delegado de Mogi das Cruzes é afastado


‘O delegado Carlos José Ramos da Silva, responsável pelas delegacias de Mogi das Cruzes (SP) e pelo Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), foi afastado do cargo na quarta-feira (21/05). Na semana passada, o repórter Edson Ferraz, da TV Diário, afiliada local da Rede Globo, teve o carro alvejado na cidade. Ele escapou ileso, e há suspeita do envolvimento de policiais no crime.


O delegado Ramos da Silva é suspeito de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha, por supostamente comandar 13 oficiais em um esquema de extorsão de criminosos. Ramos da Silva será substituído por Sérgio Abdalla.


As três reportagens feitas por Ferraz antes do atentado abordavam o caso. No sábado (17/05), o carro que pode ter sido usado no ataque foi encontrado. A corregedoria da Polícia Civil investiga a possível relação entre o crime e o atentado.


Manifestações


Diversas entidades brasileiras e estrangeiras se manifestaram sobre o ataque contra Ferraz. O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) pediu uma investigação detalhada e independente. ‘As autoridades brasileiras devem investigar imediatamente o violento ataque e a ameaça contra Edson Ferraz’, disse o coordenador sênior do programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría.


A Artigo 19, organização internacional de promoção da liberdade de expressão, também repudiou o crime.


‘O atentado contra Edson Ferraz é mais um indício de que a violência contra jornalistas continua sendo um problema sério no Brasil, com conseqüências sérias para a liberdade de expressão e de imprensa. (…) A Artigo 19 considera que a extensão das ameaças e violência contra jornalistas pode estar subdimensionada no Brasil, devido a limitações no sistema atual de monitoramento e na cobertura reduzida desses casos, principalmente quando ocorrem em regiões mais distantes no país’, declara a instituição.


A Repórteres sem Fronteiras já havia se manifestado.’


 


 


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Direto da Redação


Sexta-feira, 23 de maio de 2008


CONTROL+C CONTROL+V
Urariano Mota


Avião atinge prédio em São Paulo, 22/5


‘Recife (PE) – Para seguir a mais recente moda no jornalismo, a coluna de hoje será escrita com o revolucionário método do Ctrl + C e Ctrl + V, mais conhecido pelo nome de copia e cola. A começar já pelo título, aí em cima, da ‘notícia’ de 20 de maio de 2008. Ao serviço.


A Globonews, canal pago de notícias da Globo, informou nesta terça-feira que um avião da companhia Pantanal caiu em um prédio comercial da zona sul de São Paulo. A emissora entrou ao vivo com imagens de um incêndio em São Paulo, informando que a causa era a queda de um avião.


‘Interrompemos a transmissão’, entrou o locutor da Globo News, ‘acaba de chegar a informação de que um avião da empresa aérea Pantanal caiu em cima de um prédio comercial’. A notícia repercutiu em todos os lugares, inclusive nas agências Reuters e France Presse despachando para o mundo: ‘Segundo a rede local TV Globo, um avião se chocou com prédio’. Foi parar no britânico Sky News e na CNN, que cortou sua transmissão para o mundo com ‘Breaking News’ sobre a queda do avião em São Paulo.


Minutos após a notícia da Globonews, a Pantanal divulgou um comunicado negando o fato, que também foi desmentido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo Corpo de Bombeiros.


O canal pago, após cerca de cinco minutos de transmissão ao vivo, passou a informar que o incêndio ocorrera em uma fábrica de colchões e que não havia vítimas. A emissora não informou a origem do erro, mas se justificou:


A respeito do incêndio ocorrido hoje à tarde em São Paulo, a Globo News, como um canal de noticias 24 horas, pôs no ar imagens do fogo assim que as captou. Como é normal em canais de notícias, apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens. A primeira informação sobre a causa do incêndio recebida pela Globo News foi a de que um avião teria se chocado com um prédio na região do Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Naquele momento bombeiros e Infraero ainda não tinham informação sobre o ocorrido. As equipes da própria Globo News constataram que não havia ocorrido queda de avião e desde então esclareceu que se tratava de um incêndio em um prédio comercial. Poucos minutos depois o Corpo de Bombeiros confirmou tratar-se de um incêndio em uma loja de colchões. Central Globo de Comunicação


Em seguida, a notícia sobre o local do incêndio foi mais uma vez reformulada, para a versão final de que se tratava, de fato, de uma loja de tapetes.


Suspendemos agora o Ctrl + C e Ctrl +V, para extrair dos fatos três coisas.


Coisa 1: observem a gradação de tamanho dos fenômenos. Primeiro, era um avião a se chocar com um edifício, um prédio – seria a nossa versão de um choque em torres gêmeas? Depois, não era bem um avião, era algo, que deixou de existir. Depois, não era um prédio, era uma casa, uma loja de colchões. Depois, ao fim, continuava a ser uma loja (alguma dúvida?), mas de tapetes. Das mil e uma noites, talvez. Dos que voam.


Coisa 2: notem que a Globo News apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens. Leram bem: apurou! E como havia bem apurado, o locutor, em seu padrão globo de qualidade, via e narrava um avião entre as chamas. Mas naquele momento, bombeiros e Infraero ainda não tinham informação sobre o ocorrido. Incompetentes, os bombeiros e Infraero. A Globo News tinha. E furou, a realidade.


Coisa 3: a lembrança de Mark Twain. Diante das manchetes que anunciavam o seu falecimento, ele convocou os repórteres e lhes disse. E faço pela última vez o Ctrl+ C e Ctrl + V.: ‘As suas notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas’.


Fim do Ctrl+ C e Ctrl + V. Essa frase é minha.’


 


 


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