Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TAMANHO DO ESTADO

Imprensa entre a omissão e o preconceito

Por Luciano Martins Costa em 01/03/2010 na edição 578

O tema que atravessou a semana, mesmo com o terremoto no Chile e o tsunami político que devastou o Partido Democratas em Brasília, é a questão do tamanho do Estado e seu papel na economia.


Os jornais colocaram o tema na agenda a partir do anúncio de que o governo federal pretende reativar a Telebrás para usá-la no Programa Nacional de Banda Larga.


Também chapiscaram seu discurso contra o poder do Estado nos comentários sobre o programa do Partido dos Trabalhadores, classificado como ‘radical’ por quase toda a imprensa.


Na edição que circula nesta semana, a revista Veja requenta o assunto, introduzindo perguntas sobre o papel do Estado na entrevista com o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. A revista de maior circulação do país tenta lidar com a aparente contradição – para os valores que costuma defender – do fato de que o banco estatal cumpriu papel fundamental na defesa da economia brasileira contra a crise financeira internacional.


Políticas públicas


Raros representantes da chamada grande imprensa oferecem a seus leitores um debate minimamente inteligente sobre o tamanho do Estado e suas funções na economia de um país. Mas com certeza nenhuma publicação se apresentou tão tosca quanto a revista Época.


Utilizando como metáfora a figura dos mortos que retornam das sombras para aterrorizar os vivos, a revista do grupo Globo compara a Telebrás ao personagem Freddy Krueger, dos filmes de terror, afirmando que a estatal ameaça voltar do além-túmulo para assombrar o setor de telecomunicações.


Época também cita a acusação de que o lobista e ex-ministro José Dirceu teria tentado beneficiar um cliente no Programa Nacional de Banda Larga, afirmando que o episódio expõe ‘o lado nebuloso’ do discurso a favor do Estado forte.


Nebuloso é o papel que a imprensa vem fazendo, ao ignorar o fato de que foram os recursos do Estado, e não da iniciativa privada, que protegeram a economia nacional na crise financeira de 2008 e 2009. Também nos Estados Unidos e outros países ricos, foi a mão do Estado que combateu a crise.


Da mesma forma, foram políticas públicas, de iniciativa federal e, em muitos casos, de iniciativa de governadores de estados, e não ações empresariais, que promoveram o resgate de milhões de brasileiros da miséria nos últimos anos.


Mais e melhor


Na contramão da chamada grande imprensa, a revista CartaCapital lembra, muito apropriadamente, que rejeitar o papel do Estado na economia é renegar a própria história do capitalismo brasileiro.


CSN, Embraer, Petrobras e outras empresas que ajudaram a fundar o Brasil moderno nasceram de iniciativas estatais.


O tema é, portanto, muito mais complexo e o leitor merece mais do que isso que a maioria da imprensa vem oferecendo.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/03/2010 Carlos N Mendes

    Nós paulistas trocamos – ou fomos trocados – a Embratel e a Telebrás pela Telefonica. O mais interessante é que os mesmos jornais e revistas que diziam que essa troca seria boa criticam a Telefonica, mas esquecem o nome de quem fez essa barbaridade; desvincularam cria e criador. Os mesmos jornais que nos lembram diariamente – podemos esquecer – do ‘mensalão do PT’. E as companhias elétricas? Minha memória anda me traindo ou, além se terem sido vendidas em troca da famosa ‘moeda podre’, receberam aumentos trimestrais de 20 por cento ao longo de, quantos anos mesmo? Por quê será que nossa energia, vinda diretamente da água que cai loucamente de nossos céus, custa mais cara por quilowatt que a energia americana, que basicamente é nuclear e termoelétrica? Não, não precisa falar do Apagão (o original, claro, não a pálida imitação.). Deve ter alguém feliz com a privatização, mas duvido que tenha renda mensal inferior a R$ 20.000 reais.

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