Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > THE WASHINGTON POST

Insatisfação com a cobertura de protestos

06/02/2007 na edição 419

Ao cobrir protestos em áreas abertas, jornalistas sabem de antemão que os organizadores inflacionam o número de participantes e que sempre haverá reclamações, não importa como a manifestação seja descrita, sentencia Deborah Howell em sua coluna de domingo [4/2/07]. Recentemente, diversos leitores entraram em contato com a ombudsman para reclamar que uma matéria publicada no dia 22/1 havia minimizado uma passeata antiaborto e que uma passeata antiguerra ocorrida no dia 27/1 havia sido supervalorizada.

‘Na semana passada, o Post colocou a passeata pró-vida na página A10. Já a matéria sobre o protesto antiguerra está no meio da primeira página. Não é tendencioso?’, questionou o leitor John Billing. A passeata antiaborto ocorre anualmente no dia 22 /1, data da decisão de 1973 da Suprema Corte que permitiu a legalização do aborto. Este é o 34º aniversário da decisão – o que, para Deborah, não justifica colocar o evento na primeira página. Já a manifestação antiguerra mereceu maior destaque pela controvérsia em relação à guerra no Iraque e ao fato de o presidente Bush ter decidido mandar mais tropas para o conflito no país. No passado, o Post foi criticado por não dar o devido valor a tais protestos antiguerra.

Estimativas proibidas

A diagramação não foi o único motivo de reclamações. Alguns leitores questionaram a veracidade da estimativa do número de participantes. Os repórteres de ambas as matérias afirmaram que as passeatas atraíram ‘milhares de pessoas’. Os organizadores do protesto antiaborto não forneceram estimativas, mas os do antiguerra – United for Peace and Justice – afirmaram em seu sítio que 500 mil pessoas estiveram no parque National Mall.

Deborah alega que teria sido mais simples ter uma estimativa oficial da polícia ou do Serviço Nacional de Administração de Parques – este último costumava usar um sistema de fotos aéreas para contabilizar o número de pessoas, mas foi proibido pelo Congresso de fazer estimativas de participantes, depois de controvérsias na Marcha de Um Milhão, em 1995.

O editor-executivo do Post, Leonard Downie Junior, afirmou que o diário costuma usar fotos para obter o número de pessoas que participaram de protestos no Mall. A ombudsman chegou a olhar as fotos das passeatas, mas não viu nada que pudesse dar uma dica do número exato de participantes. O jornal não pôde usar um helicóptero para fazer fotos aéreas por causa de regras antiterror.

Segundo um policial que não quis se identificar, os dois protestos de janeiro devem ter reunido em torno de 50 mil pessoas. David Barna, chefe de relações públicas do Serviço Nacional de Administração de Parques, lamenta que não se possa mais fazer tais estimativas, pois seu valor histórico é importante.

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