Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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ENTRE ASPAS >

Internauta condenado por racismo no Orkut

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 25/08/2009 na edição 552


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 25 de agosto de 2009 


 


INTERNET


Folha de S. Paulo


Justiça condena internauta por racismo no Orkut


‘A Justiça Federal no Pará condenou um homem a dois anos e meio de prisão por racismo contra índios no Orkut. A pena será convertida em prestação de serviços à Funai (Fundação Nacional do Índio).


O condenado, identificado apenas como Reinaldo, ainda foi multado em R$ 20 mil. Cabe recurso. Ele participava da comunidade virtual ‘Índios… Eu Consigo Viver Sem’.


Denúncia da Procuradoria dizia que, no grupo, ele se expressava ‘de forma extremamente racista e preconceituosa, em detrimento da imagem dos indígenas’. Em uma de suas mensagens no site, Reinaldo dizia que os índios são ‘incapazes, não têm responsabilidade civil, portanto não existem’.


Em sua defesa, Reinaldo alegou que não teve vontade de ofender os índios e incitar outros a agirem de maneira preconceituosa.’


 


 


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Paulo Coelho coloca livros inéditos em blog


‘O escritor Paulo Coelho disponibilizou ontem, em seu blog, três livros cujos direitos ele diz não pretender vender a editoras nos próximos dois anos. Os textos podem ser baixados de graça, no formato PDF, em português, inglês e outros idiomas, pela página paulocoelhoblog. com/internet-books. ‘É meu presente para vocês’, ele escreveu no Twitter ontem, quando completou 62 anos.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


China, Brasil & EUA


‘O editor da ‘Far Eastern Economic Review’, de Hong Kong, escreveu no ‘Wall Street Journal’ sobre ‘o jogo chinês na América Latina’, com foto de Lula e Hu Jintao. Hugo Restall avalia que ‘os grandes investimentos da China no ‘quintal’ são desafio aos EUA’, mas também oportunidade. ‘É a arena mais importante dos financiamentos chineses, para aumentar sua influência em recursos naturais’, mas haveria motivos para manter a calma, por exemplo, ‘o interesse é pragmático, não ideológico’. Sublinha o efeito da importação da China na indústria têxtil do Brasil e sugere aos EUA ‘jogar os dois lados um contra o outro, pois sua economia é complementar a ambas’.


Por outro lado, no ‘China Daily’, o chanceler Yang Jiechi deu entrevista pelos 60 anos da revolução e ressaltou o ‘fortalecimento da cooperação com potências emergentes como Brasil e Índia’. Diz que ‘preservar a unidade com os países em desenvolvimento é a pedra fundamental da diplomacia da China’.


BRASIL & NIGÉRIA


O site ISN Security Watch postou análise sobre a ‘Promessa de paz do Brasil à Nigéria’, com a oferta de tecnologia agrícola e de biocombustíveis -que o texto contrapõe à ‘trilha de violência e opressão’, por focar o Norte, em conflito. Projeto semelhante no Sul, da Petrobras, teria garantido paz na área.


RIO VS. BRASIL?


Como ‘twits’ e blogs de Brasília postaram desde logo, Dilma Rousseff e José Serra não foram ao encontro econômico de ‘O Globo’. Presentes, Sérgio Cabral e Aécio Neves, no destaque do G1, ‘discordam sobre o pré-sal’. Cabral quer manter os royalties. Para Aécio, ‘o Brasil também tem que ser beneficiado’.


DO CLIMA AO COMÉRCIO


A nova ‘Foreign Affairs’ destaca a ‘Contagem regressiva do clima’ e remete à conferência de Copenhague, em dezembro. Em suma, ‘os EUA estão acordando para o aquecimento’. O texto principal sugere evitar um tratado global e ‘buscar objetivos de corte de emissão tanto nos países ricos como no mundo em desenvolvimento’.


Por outro lado, no ‘China Daily’, Zhang Jianping, do Instituto para a Pesquisa Econômica Internacional, lançou um ataque à ‘fantasia verde’ dos EUA -que já levou ao projeto de tarifa de carbono aprovado na Câmara, ‘ato protecionista que estimula guerra comercial’. Ressalta a dívida de carbono dos EUA ‘através da história’ e diz que a nova estratégica americana visa a ‘enfraquecer as vantagens comerciais de China, Índia e Brasil’.


ARGENTINA E A DEFESA


O ministro Nelson Jobim foi à TV argentina ‘detalhar o plano estratégico do Brasil para defender as reservas de petróleo submarinas e a Amazônia’. Sobre esta, ‘queremos deixar claro que a visão é de proteção da Amazônia pelos brasileiros, em favor do mundo’. Nos relatos locais, destaque à cobrança dos EUA pelo Brasil, para que decisões como as bases na Colômbia sejam ‘conversadas antes’, neste ‘continente sensível’.


ÀS ARMAS


No espanhol ‘El País’, ‘falta mais de um ano para a luta renhida entre o PT de Lula e o governador do poderoso Estado de São Paulo, José Serra, mas não há um minuto a perder’, na campanha que ‘já começou’.


A longa reportagem de Francho Barón viaja até Maracanaú, no Ceará, para retratar ‘uma das maiores armas, o reconhecido Bolsa Família’.


NO CAPÃO


‘SPTV’ e ‘SP Record’ mostraram, mas foi no exterior que ecoou mais a ação na favela do Capão Redondo, São Paulo. A imagem acima foi uma das ‘fotos do dia’ no ‘WSJ’ e surgiu na BBC, com link na home, falando dos coquetéis Molotov’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Ronaldo vira arma de Silvio Santos na guerra com Gugu


‘O jogador Ronaldo Nazário, do Corinthians, grava amanhã participação no ‘Programa Silvio Santos’. Será a principal arma do dono do SBT para tentar neutralizar a estreia do ex-pupilo Gugu Liberato na Record, domingo, a partir das 20h.


A princípio, Ronaldo irá apenas participar de um bate-papo com Silvio Santos, que pretendia manter a gravação em sigilo, para surpreender a Record.


Domingo, o SBT estreará o novo programa de Eliana Michaelichen, que se chamará ‘Eliana’. Mas, ‘por uma estratégia de programação’, só deverá divulgar o horário na sexta ou no sábado. A permanência do ‘Domingo Legal’ era uma incógnita até ontem à tarde.


Anteontem, o ‘Domingo Legal’ foi ao ar das 12h às 16h01 e o ‘Programa Silvio Santos’, das 16h57 às 22h11. Se for mantido esse horário, o programa do dono do SBT irá competir com o de Gugu Liberato por mais de duas horas.


A participação de Ronaldo no ‘Programa Silvio Santos’ será uma forma de o jogador compensar o recuo em gravar um comercial para o SBT. Em maio, Ronaldo assinou contrato em que se comprometia a gravar comerciais para duas empresas do Grupo Silvio Santos, o que incluía o SBT.


Após pressão da Globo, o craque voltou atrás. Irá agora gravar dois comerciais institucionais para o grupo -e não para uma empresa específica.


Na Record, o ‘Programa do Gugu’ será como o antigo ‘Domingo Legal’ em cenário novo. Terá quadros como o ‘De Volta para Minha Terra’ e ‘Construindo um Sonho’, além de R$ 100 mil em prêmios.


MENOS 1


A Globo minimizou a audiência da final de ‘A Fazenda’, da Record. Para setores da emissora, ‘Fantástico’ e ‘No Limite’ conseguiram impedir altos ibopes para a concorrente.


MENOS 2


A final de ‘A Fazenda’ marcou 21 pontos, com picos de 31. Um resultado modesto se comparado com ‘Casa dos Artistas’, em 2001, no SBT. O programa de Silvio Santos bateu o ‘Fantástico’ (o que ‘A Fazenda’ não fez) e cravou 47 de média na final, com picos de 55.


MENOS 3


O ‘Hoje Em Dia’, com participantes de ‘A Fazenda’, perdeu força ontem. Deu 10 pontos na prévia de SP. Na quinta, tinha marcado 14.


CRIME E POLÍTICA 1


A cúpula da Record aprovou a sinopse de ‘Ribeirão do Tempo’, de Marcílio Moraes (‘Vidas Opostas’). Será a próxima novela da rede, substituta de ‘Poder Paralelo’. A direção caberá a Edgard Miranda. As gravações começam em outubro.


CRIME E POLÍTICA 2


‘Ribeirão do Tempo’ se passará em uma pequena cidade que se alvoroça com a chegada de um grande empreendimento, um resort. Terá uma série de assassinatos que, mais tarde, se revelarão conectados a uma conspiração política.


INSEGURANÇA


O jornalista Roberto Cabrini está tendo dificuldades para levar profissionais do ‘Repórter Record’ para o SBT.’


 


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 25 de agosto de 2009 


 


CUBA


O Estado de S. Paulo


Bem disposto, Fidel reaparece em vídeo


‘Após um ano de poucas imagens, Cuba divulgou nos últimos dois dias fotos e um vídeo de Fidel Castro.


Em oito fotos publicadas na edição de ontem do jornal oficial Granma, o comandante aparece animado – um sinal de que, enquanto o país afunda em uma nova crise econômica, Fidel segue lúcido como copiloto de seu irmão, o presidente Raúl Castro,


As fotos foram tiradas por Alex Castro, filho de Fidel, durante um encontro, no sábado, com jovens advogados venezuelanos. Segundo uma nota ao lado das imagens, ele conversou sobre ‘temas atuais’, como as mudanças climáticas e os planos sociais de Caracas e parecia bem mais disposto do que em outras ocasiões.


No domingo, foi divulgado um vídeo do encontro (o primeiro em 14 meses), no qual ele aparece bem disposto, sorridente, dando autógrafos e, claro, vestindo seu tradicional agasalho esportivo. O Granma também publicou diversas fotos de um encontro de Fidel com o presidente equatoriano, Rafael Correa, que ocorreu na sexta-feira.


O ex-presidente cubano, de 83 anos, não aparece em público desde que ficou doente, há três anos, e deixou o poder. E ainda que ninguém espere que Fidel retome o poder, muitos confiam em seu papel como assessor de Raúl para tirar o país de uma severa crise econômica.


Dan Erikson, especialista em Cuba do centro de estudos Diálogo Interamericano, acredita que a exposição de Fidel busca compensar os escassos resultados das reformas econômicas de Raúl. ‘O governo está invocando mais uma vez a lenda de Fidel para fortalecer a base da política, num momento em que Cuba enfrenta desafios econômicos monumentais.’’


 


 


Tutty Vasquez


Adidas perde Fidel


‘O mundo do marketing esportivo deve estar chocado: Fidel Castro rompeu, ao que tudo indica unilateralmente, com o fabricante de agasalhos que complementava sua aposentadoria – em troca, como se sabe, o ex-presidente vestia Adidas tantas vezes precisasse vir a público confirmar que estava vivo. Posou de garoto-propaganda da grife pela última vez no dia 17 de junho de 2008, no papel de anfitrião bem-disposto de Hugo Chávez em Havana.


Sumido desde então, reapareceu em dose dupla no último fim de semana: primeiro ao lado do líder equatoriano Rafael Correa numa foto em manga de camisa, sem logomarca de patrocinador; em seguida, com estudantes venezuelanos, em imagens da TV cubana que o flagraram todo pimpão metido num vistoso casaco esportivo com a logomarca da concorrência.


É isso mesmo: o ‘comandante’ trocou a Adidas pela Puma – não é possível que só eu tenha me dado conta disso! O mundo do marketing esportivo também deve estar chocado. Ou não, né?’


 


 


TECNOLOGIA


Renato Cruz


Interatividade chega à TV digital


‘O software de interatividade Ginga é a única tecnologia genuinamente nacional da TV digital nipo-brasileira, que estreou no País em 2 de dezembro de 2007. Até agora, não está disponível comercialmente. Mas, depois de meses e meses de resistência e contratempos, está finalmente pronto, com a norma publicada, os produtos desenvolvidos e a adesão dos radiodifusores, que começaram a ver no Ginga uma maneira de aumentar a receita e de enfrentar a concorrência dos serviços interativos, como a internet.


‘Consideramos a interatividade como um conteúdo que será tão importante em alguns anos como o vídeo o e o áudio são hoje para nossos telespectadores’, afirmou Raymundo Barros, diretor de Engenharia da TV Globo São Paulo. ‘Entendemos a interatividade com uma excelente ferramenta para aumentar a atratividade de nossos conteúdos.’


Pouca gente viu (já que os equipamentos com o Ginga completo ainda não estão no mercado), mas as grandes redes já têm interatividade no ar. A Rede Globo, por exemplo, transmite uma aplicação que acompanha a novela ‘Caminho das Índias’, que traz informações que são como extras de DVD.


‘Temos cinco redes e pelo menos cinco empresas de software que já desenvolvem aplicações interativas’, afirmou Frederico Nogueira, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que reúne emissoras, indústria e governo. ‘Em setembro, deve chegar ao mercado o primeiro televisor com receptor embutido e o Ginga.’


A especificação técnica do Ginga foi finalizada em abril. A publicação da norma demorou bastante porque, entre outros problemas, os pesquisadores brasileiros descobriram que a primeira versão do software exigia o pagamento de royalties internacionais pouco antes do lançamento da TV digital no Brasil, há quase dois anos. As emissoras testam conversores com o Ginga completo de fabricantes como LG, Tecsys e Visiontec. A interatividade deve ser a principal atração do evento SET Broadcast & Cable 2009, que começa amanhã em São Paulo.


Vinte e duas cidades brasileiras já têm transmissões de TV digital, o que equivale a uma população de 57 milhões de pessoas. Segundo as estimativas do fórum, foram vendidos cerca de 1,6 milhão de receptores de TV digital, o que inclui conversores, televisores com receptor integrado, televisores portáteis, receptores para computador e celulares com recepção digital.


Apesar de o fórum não divulgar dados separados por tipo de equipamento, a mobilidade foi, até agora, o principal atrativo da TV digital brasileira, com uma procura maior de celulares e receptores para computador do que de conversores. Cresce o número de modelos de aparelhos de TV com receptor embutido, o que deve acelerar a adoção.


‘Esperamos que, em 2010, sejam vendidos 1 milhão de TVs e conversores com interatividade’, afirmou David Britto, diretor técnico da TQTVD, empresa especializada em software para TV digital. Esses equipamentos podem ser ligados em redes de banda larga ou modems de celular de terceira geração (3G), permitindo que o espectador envie informações para a emissora. ‘A aplicação do ?Caminho das Índias? já tem uma enquete.’


Quando a TV digital foi lançada no País, o principal atrativo era a alta definição, que oferece uma qualidade de imagem maior do que a analógica, adequada para os televisores de tela grande de LCD ou plasma. Acontece que esse tipo de aparelho ainda é inacessível para a maior parte da população, que não viu vantagem na adoção da tecnologia.


A ênfase na alta definição foi uma opção dos radiodifusores, pois, entre as características da TV digital, era a que trazia potencial de mudança no mercado. Logo eles perceberam, no entanto, que a alta definição exige um investimento que não se traduz em aumento de receita publicitária. ‘A alta definição não traz essa oportunidade’, reconheceu Nogueira, do Fórum SBTVD..


A mobilidade, com a recepção de TV digital aberta nos celulares, foi enxergada como uma vantagem pelos consumidores. Apesar de ainda essa audiência não ser medida, também representa um potencial de ampliar o faturamento, pois pode trazer para a televisão espectadores que estão fora de casa.


A interatividade também tem potencial de aumentar receita, com serviços como comércio eletrônico via televisão e publicidade diferenciada.’


 


 


SÃO PAULO


Elvis Pereira e Renato Machado


2 mil desalojados após reintegração


‘Um grupo com cerca de 1,2 mil pessoas permaneceu acampado com os pertences na calçada, na noite de ontem, após elas terem sido desalojadas pela reintegração de posse de um terreno na região do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Pela manhã, houve confronto entre esses moradores, que eram da antiga Favela Olga Benário, e a Polícia Militar (PM). Resultado: três pessoas detidas, moradores atingidos por balas de borracha e um policial atropelado.


O processo de reintegração do terreno, que pertence à Viação Campo Limpo, começou por volta de 6 horas, quando os policiais chegaram para acompanhar dois oficiais de Justiça. No local, havia 800 barracos, onde viviam cerca de 2 mil pessoas. Participaram da operação aproximadamente 250 agentes, entre integrantes do 37º Batalhão da PM e da Tropa de Choque, além de unidades dos bombeiros.


Um grupo de moradores montou barricadas nos dois extremos da Rua Ana Aslan, principais entradas da favela. Pneus e dois automóveis foram incendiados para dificultar a entrada – um deles estava com dois botijões de gás e explodiu a poucos metros dos policiais. Além disso, os moradores atiraram pedras, rojões e coquetéis molotov contra os agentes.


O foragido Henrique José Oliveira, de 21 anos, tentou furar um bloqueio da PM e jogou a moto contra um soldado, que teve uma fratura na perna. Oliveira era procurado por tráfico. Outros dois jovens, cujos nomes não foram revelados, assinaram termos circunstanciados por terem sido surpreendidos com coquetel molotov. ‘Fomos atacados. Por isso precisamos dispersar o grupo, mas somente utilizamos armas não letais na operação, bombas de gás e armas com balas de borracha’, disse o coronel Augusto Botelho, um dos responsáveis pela operação. Inicialmente, no entanto, os comandantes haviam informado que não havia sido utilizada bala de borracha, discurso alterado após moradores mostrarem marcas de tiro.


Os invasores afirmam que um grupo de fora da favela iniciou o confronto para evitar a entrada dos policiais. A própria PM reconhece que traficantes podem ter organizado o protesto. Alguns barracos foram incendiados, obrigando moradores a sair, deixando para trás todos os seus pertences. ‘Eles começaram a tocar fogo em tudo e não consegui tirar nada.. Olha lá minha geladeira, meus móveis e minhas roupas todas queimadas’, diz a auxiliar de serviços gerais Selenita Ferreira dos Santos, de 47 anos.


Equipes dos bombeiros apagavam os focos de incêndio, que surgiram ao longo de toda a tarde. A PM afirma que foram os moradores atearam fogo, para dificultar a reintegração de posse. Os moradores, por outro lado, afirmam que os barracos começaram a queimar por causa das bombas.


DESESPERO


Em alguns casos, o fogo avançava quando ainda havia gente dentro dos barracos, até mesmo crianças. O aposentado Edivaldo Manoel Correia estava com o filho de uma amiga em sua casa, quando o fogo começou a destruir o casebre. Paraplégico desde que caiu de uma obra, ele teve de pedir ajuda, gritando, a quem passava. ‘Dei sorte que um amigo voltou para tentar recuperar a televisão e me viu. Ele saiu empurrando minha cadeira no meio de madeiras queimando’, diz o aposentado, que iria passar a noite na rua. ‘Só conseguiram salvar meu colchão de água e uma televisão. O resto foi tudo perdido. Minha casa vai ser a calçada’, completa.


As pessoas que conseguiram retirar pertences os amontoaram em uma calçada em frente à antiga favela. A Viação Campo Limpo disponibilizou caminhões para transportar os materiais para um depósito da Prefeitura, no Parque Lídia. No entanto, a maioria precisou passar a noite na calçada. A Secretaria Municipal de Habitação informou que tentou, sem sucesso, adiar a desocupação. A pasta assegurou que a operação não prejudicará as negociações com as famílias para a concessão de verba para aluguel por seis meses e para os programas para o financiamento de imóveis populares.


Os moradores agora despejados rejeitaram vagas em albergues oferecidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social, assim como passagens para voltarem às cidades de origem. ‘Como o terreno é propriedade particular, nosso trabalho é de apoio’, ressaltou a pasta, em nota.


A decisão pela reintegração de posse foi emitida após um recurso impetrado pela Viação Campo Limpo no Tribunal de Justiça (TJ). O primeiro pedido de liminar havia sido negado. Mas os problemas judiciais do terreno podem não ter terminado, pois também corre na Justiça uma ação da Defensoria Pública contra a reintegração. Os defensores afirmam que o terreno ‘é reconhecido legalmente como não utilizado ou subutilizado’. ‘No Plano Diretor, ele está cadastrado como Zeis (Zona Especial de Interesse Social), então ele não poderia voltar para a empresa. Temos informação de que está desocupado há 20 anos’, diz o defensor Carlos Henrique Loureiro.’


 


 


***


Fotógrafos são ameaçados e têm câmeras roubadas


‘Durante a reintegração de posse, dois repórteres fotográficos tiveram seus equipamentos roubados e foram mantidos em cárcere privado em um barraco da Favela Olga Benário. O fotógrafo Filipe Araujo, do Estado, e um profissional do jornal Diário de S. Paulo (que não quis ser identificado) foram abordados por cinco homens – dois deles estavam armados – e levados para dentro da favela.


Os fotógrafos acompanhavam alguns moradores que voltavam para os barracos em chamas para recuperar seus pertences. Os dois foram abordados pelo grupo armado e com camisetas envolvendo o rosto. Eles foram levados para um barraco ao lado de outro que estava sendo incendiado.


Os criminosos pediram que eles jogassem os equipamentos no chão e depois os guardaram em mochilas. Dois dos bandidos foram embora com o material, enquanto os outros três permaneceram mais alguns tempo no barraco. Em seguida, os outros também saíram, ameaçando atirar se os reféns abrissem a porta. No entanto, o incêndio começou a se alastrar e os dois fotógrafos deixaram o local, procurando ajuda de policiais.


A coordenadora do Fórum do Movimento por Habitação e Meio Ambiente de São Paulo, Felícia Mendes Dias, de 51 anos, refutou o envolvimento de moradores no roubo. ‘Não é orientação do movimento e ninguém garante que sejam pessoas nossas’, defendeu. A PM afirma que os jornalistas entraram na favela sem orientação das autoridades. ‘Eles tentaram encontrar um ângulo diferente para a foto, mas sem avisar os policiais. Claro que era perigoso’, diz o coronel Augusto Botelho.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Cassetas, enfim, de bem com a vida


‘Se Bussunda estivesse vivo, o diretor José Lavigne ganharia aqui, como em outras tantas reportagens, o status de 9 º casseta. Foi justamente esse ‘se’ que assombrou os humoristas durante muito tempo. Após enfrentar uma longa fase de luto, e pior, sem se dar conta dele, os cassetas voltaram às boas com a criação e a audiência. Completando 500 edições no ar, o programa bateu, nas duas últimas semanas, o seu recorde, retornando à casa dos 30 pontos de ibope. Fruto de uma nova fase, de mais empenho do grupo, justifica Lavigne.


Em entrevista ao Estado, o diretor fala pela primeira vez da crise de abstinência de Bussunda e faz mea-culpa. ‘Apelamos muito para a escatologia nessa época pela falta de criatividade que nos abateu.’


É só impressão ou vocês agora estão investindo mais em participações especiais?


Não, o que aumentou foi a qualidade das participações. Teve um momento em que a gente teve diversas participações: sertanejos, pagodeiros, jogadores, que de alguma forma têm um certo ibope, mas não trazem prestígio. Há algumas semanas, tivemos dona Fernanda Montenegro participando do programa. Não tem a ver com ibope, tem a ver com emprestar prestígio ao programa, com a chancela desse momento. Mas nosso melhor ibope do ano, que foi na casa dos 30 pontos, não tinha convidado. O que fica do programa nesses anos todos são os bons personagens que a gente criou. Quando você pensa em Casseta você não se lembra do convidado. Lembra do seu Creysson, do Marrentinho Carioca… Mas claro que agora a gente também pensa assim: ‘Você não quer vir não, otário? A Fernanda Montenegro já veio’. (risos)


Você já levaram muitos ‘nãos’ de gente famosa?


Pouca gente não aceitou vir. Roberto Carlos. (risos) No nosso programa ele não vem. Somos fãs dele, mas tem um limite para essas coisas, tanto dele como nosso. Ele é rei, e como todo rei, tem um protocolo. E nós temos o nosso. Se ele viesse, os dois lados teriam de abrir mão de muita coisa. Mas não dá para trazer o Roberto e fazer um programa completamente chapa branca…


Casseta e Grande Família são exceções nesses tempos em que a Globo investe tanto em formatos curtos e programas de temporadas.. Essa estabilidade é confortável?


Temos consciência de que somos um pilar da programação. São 18 anos, mais de 500 edições fazendo uma espécie de revista de humor da programação. Se pensarmos, todos os caras que jogam na seleção brasileira hoje nos assistem desde criança, cresceram vendo Casseta & Planeta. Eles viram a gente fazer a Copa de 94, de 98. Temos segurança absoluta quanto a nosso histórico dentro da Globo e dentro da TV brasileira. Mas isso não garante ninguém. Não somos o museu Casseta & Planeta, somos o Casseta & Planeta Urgente!, em que o próximo programa, usando um clichê, será sempre o programa mais difícil . Não dá para relaxar. Temos uma lojinha muito bem estabelecida, na esquina com a novela das oito, mas não queremos passar o ponto.


Como se viraram sem o Bussunda?


Agora eu posso analisar melhor o que passou, consigo enxergar melhor as coisas. Meses depois da morte dele, eu ainda não sabia isso que vou te falar. Foi um back enorme. Perdemos a ingenuidade. Até ali, éramos adolescentes, imortais. Não víamos a morte. Não víamos um fim para nada. Não pensávamos: ‘Estamos há 15 anos no ar e um dia..’ Era só um ano depois do outro e assim ia. Não tinha avaliação de futuro, de nada… Aí o Bussunda morreu e tivemos de forçar a barra. Principalmente nos seis meses seguintes, pois tínhamos um programa, tínhamos que acabar o filme. Mas ficamos, de alguma forma, com medo de criar, de arriscar, de colocar um novo personagem no ar. Era um medo, uma dificuldade estranha. Bloqueio, mesmo. Tinha uma dor, um luto que a gente não percebia, mas existia e era gigante. Não paramos o barco, mas ligamos o ‘Depois a gente pensa nisso!’


Não dava para substituir os personagens feitos por ele?


A maioria, não. Perdemos o Massaranduba, o Tabajara Futebol Clube, que não existe sem o Marrentinho Carioca. Perdemos patrimônio artístico. Demoramos para fazer o Ronalducho e o Lula de novo, e não é a mesma coisa. Apelamos muito para a escatologia nessa época por conta de falta de ideias. Pode notar: quando o Casseta está muito escatológico é que rolou preguiça. A escatologia é nosso automático ligado, sem pensar muito, funcionamos assim. Nessa fase nossa produção caiu bastante. Naquela época, todo mundo buscou um escape do Casseta em outros projetos. Só agora eu vejo isso. Quando essa dor foi passando, voltamos a criar e a coisa voltou a andar para frente.


Por isso vocês voltaram à casa dos 30 pontos de audiência?


Sim, isso é resultado de trabalho feito com prazer. De alguma forma, a gente foi perdendo ponto a ponto de audiência. O público não entende o que não está bom, ele simplesmente muda de canal. O programa está trabalhado atualmente minuto a minuto. Foi assim que retomamos ibope. Estamos recuperando, mesmo com a Record e sua Fazenda.


A paródia de Caminho das Índias também é responsável por esse aumento de audiência?


Ah sim… Já estamos até preocupados quando a novela acabar. Ela é um achado. É rica demais para fazer piadas. Novela sempre é a melhor audiência do programa, tanto que é sempre o que abre o Casseta. E acho genial a Globo permitir isso, fazer essa casadinha da novela das 9, que termina, com a paródia dela. É ótimo.


Vocês usam os mesmos figurinos e cenários da novela?


Claro que não (risos). A gente faz parecido. Não podemos usar o mesmo, e eles têm muito mais grana. Na nossa, é tudo menor. A casa do Opash da novela é toda de madeira recortada, a nossa é um ploter colado que só parece aquele recorte (risos). Nosso orçamento é outro, nosso Raj é outro (risos).


No início do ano vocês falaram que deixariam a política de lado, mas voltaram atrás. Por quê?


A culpa é dos políticos, a gente tentou, mas eles aprontam depois. Estabelecemos então que para a gente brincar, tem que ter um bom personagem, um cara que todo mundo conheça. No caso do Sarney, virou um personagem. Colocamos um bigodudo lá, todo mundo sabe quem é. Já o lance de denúncia não é com os cassetas.


Acha que o Pânico e CQC se inspiraram em vocês de alguma forma?


São propostas completamente diferentes. Não tenho dúvida que, pela idade do Casseta, esses meninos do Pânico foram criados vendo a gente. Eles se apropriaram de certa forma dessa linguagem de molecagem criada por nós, mas de um jeito diferente. Os cassetas são autores, escritores, temos texto, produção, cenários. No caso do Pânico, eles são performáticos. Eles não têm um texto, eles têm só uma pauta. Nós nunca fomos grosseiros com as pessoas. Nossas babaquices são outras. (risos) No caso do CQC, tem o Marcelo Tas, que é mais antigo que a gente (risos). Se a gente tem 18 de TV, ele tem 38 (risos). Sem trocadilhos, ele é uma cabeça grande, privilegiada, pensa muito, trabalha com mídias novas e sempre teve uma preocupação política.


Mas hoje esses programas correm atrás dos políticos na Câmara como vocês faziam?


Sim, e nem fazemos mais. Sabe por quê? Porque esses deputados são ridículos. A gente chegava lá no anexo 2 e eles faziam fila para serem zoados. Querem aparecer. Não vamos dar corda para isso. Era outro tempo.


Mas te incomoda ver referências dos cassetas nesses programas ?


Não, pelo contrário. Fico lisonjeado. Mas insisto que o CQC nada tem a ver com a gente.


Em 18 anos, vocês devem ter recebido muitos convites para mudar de emissora. Por que não aceitaram?


Queremos fazer um programa bom. Em qual outra emissora conseguiríamos isso? Quando trouxemos o Cazé para a Globo, uma das coisas de que muito me arrependo, aprendi que esses impulsos não levam a nada.Cazé estava menos disposto a ouvir do que a gente pensava que ele estaria.. Quando percebeu que o programa não ia emplacar começou a querer zonear, testar limites. Claro que não rolou. Mas foi bom para a gente aprender.’


 


 


Cristina Padiglione


Globo testa mais 3D


‘A Globo ainda não sabe qual será o destino desse tal ‘3D’, tecnologia que leva ao espectador imagens em três dimensões, mas vem acelerando a produção do gênero. Algumas cenas da próxima novela das 9, Viver a Vida, vêm sendo captadas para finalização em 3D. A ideia é que os funcionários da casa estejam familiarizados com o serviço quando a demanda chegar.


‘O 3D gera qualidade para os nossos programas. Isso pode até vir a ser um canal pago porque é uma produção que custa mais caro’: a hipótese foi cogitada pelo diretor da Central Globo de Engenharia, Fernando Bittencourt, após uma apresentação que ele fez a jornalistas, na última sexta-feira, no Projac, contextualizando o avanço da Globo rumo ao fim da era analógica no País.


No momento, a emissora testa duas opções no campo da interatividade: um menu traz informações adicionais sobre o programa em exibição; o outro oferece links para outros produtos do grupo, como BBB ou mesmo o G1, portal de notícias na web.


E isso não afasta o telespectador da TV? ‘A TV já dá acesso a outros conteúdos, isso é inevitável. Nosso propósito é frear a evasão para a concorrência’, diz.’


 


 


 


 


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