Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

IMPRENSA EM QUESTãO > COBERTURA ELEITORAL

Jornais comem poeira

Por Alberto Dines em 20/08/2010 na edição 603

Além da disputa entre os presidenciáveis, há um outro confronto em curso. Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva candidatam-se a sucessores do presidente Lula. Ao mesmo tempo será decidido o futuro da mídia brasileira. A hegemonia ficará com os jornais, com a TV ou a internet?


A entrada da TV foi de grande efeito: o espetáculo político ganhou uma nova dimensão a partir das entrevistas na bancada do Jornal Nacional da Rede Globo. A internet ainda não encontrou uma maneira de mostrar o seu poderio. Mesmo o debate Folha-UOL de quarta-feira (18/8) – primeiro no gênero no Brasil – não conseguiu eletrizar porque na realidade foi uma reinvenção da TV, sem os seus atributos e com todas as precariedades da web brasileira.


O fato de ter sido acessado em 127 países (como a Folha gabou-se na edição de quinta, 19) não chega a impressionar porque não se conhecem a duração e a quantidade de acessos. A edição do Observatório da Imprensa na TV Brasil também é acompanhada ao vivo por internautas do exterior, o mesmo acontece com ouvintes de países vizinhos que captam nossos comentários radiofônicos retransmitidos por emissoras brasileiras nas regiões fronteiriças.


Ilusões tecnológicas


Quem ainda não deu o ar de sua graça foi o meio jornal. Sem a vantagem da instantaneidade e, em compensação, com a capacidade de pautar o debate já que não está sujeito às limitações legais impostas às concessionárias de rádio e TV, o jornal vê-se obrigado a correr atrás do horário eleitoral e dos embates eletrônicos.


A aposta num grande elenco de opinionistas e celebridades em detrimento da reportagem investigativa escancara aqui os equívocos das empresas de jornalismo impresso – que nos últimos anos trocaram seus atributos históricos por miragens tecnológicas com prazos de validade limitados.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/08/2010 Marcos Fae

    Cerca de 80% da demanda da mídia impressa brasileira são vendedores de carros, corretores de imoveis e interessados na parte policial e futriqueira da vida alheia, número coincidentemente proximo a aprovação do atual governo. Estes assuntos são fornecidos em cadernos separados e o que sempre sobra nos ambientes onde são ofertados são de politica, economia, literatura e afins, e provavelmente os leitores/eleitores do momento será o país do futuro do futuro próximo, que pena.

  2. Comentou em 20/08/2010 Ibsen Marques

    Continuo discordando do Dines quanto a importância da TV no processo eleitoral majoritário. No máximo ajuda incautos a escolher candidatos simpáticos, boa praças e bons humoristas para os cargos minoritários, já que por ela é impossível conhecer minimamente esses candidatos. A verdade é que desacredito do processo eleitoral e do sistema democrático brasileiro.

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