Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Jornal chamado às falas

Por Alberto Dines em 07/12/2009 na edição 566

É inédita a rigorosa cobrança do ombudsman da Folha de S.Paulo na edição de domingo (6/12). A repreensão ao jornal foi motivada pelo inominável gesto de publicar sem qualquer averiguação o artigo do colunista Cesar Benjamin sobre comportamentos pessoais do presidente da República num episódio ocorrido há 15 anos.


Sem qualquer adjetivação, objetivo e firme, Carlos Eduardo Lins da Silva foi duro com o jornal: ‘Só quem crê dispor de certezas prévias inabaláveis, como os fanáticos religiosos ou políticos (muitas vezes são a mesma coisa), pode se achar capaz de distinguir verdade e mentira com base só em palavras.’


Se o artigo publicado no dia 27/11 foi chocante, sua repercussão foi pior ainda: das 219 mensagens dos leitores dirigidas ao ouvidor, apenas nove elogiaram o jornal pela coragem de publicar a indecência. As 210 restantes condenaram a Folha em termos bem mais veementes (a julgar pelas cartas publicadas pelo próprio jornal) do que os utilizados pelo comedido Lins da Silva. Estes dados são suficientes para dimensionar e qualificar um dos maiores deslizes éticos cometidos pela grande imprensa nos últimos anos [ver, neste Observatório, ‘A imprensa aloprou‘).


Mérito e deméritos


Foi um serial killing, aberração serial cometida arrogantemente ao longo de dez dias consecutivos: a Folha errou ao publicar o texto, errou no dia seguinte, incapaz de desculpar-se perante os leitores, errou quando não prestou atenção à primeira e breve reprimenda do ombudsman (domingo, 29/11), errou quando localizou o pivô do episódio e colocou em sua boca uma condenação ao texto e não à decisão de publicá-lo, e errou ao silenciar por tanto tempo diante de um desvio de conduta destas proporções. O ouvidor identificou outros erros, todos gerados pela mesma onipotência.


A Folha, finalmente, acertou ao honrar o compromisso com o seu ombudsman de publicar suas opiniões sem qualquer constrangimento. É um mérito que não deve ser esquecido em meio a tantos e tão perturbadores deméritos.

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