Terça-feira, 20 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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ENTRE ASPAS >

Jornal é fonte mais confiável, diz estudo

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 26/08/2008 na edição 500

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 25 de agosto de 2008


 


ESTUDO
Marili Ribeiro


Jornal é mais confiável do que novas mídias


‘Um estudo sobre credibilidade de mídia feito pelo Grupo CDN, agência de serviços de comunicação e relações públicas, que foi realizado neste ano pela terceira vez junto a executivos que ocupam cargos de liderança em médias e grandes empresas, mostra que, apesar de a internet crescer como meio de consulta de informações e notícias, o jornal permanece como a fonte mais confiável de informação.


Em comparação às edições anteriores, que tiveram levantamentos feitos em 2003 e 2005, os dados de 2008 confirmam a forte penetração do meio jornal no universo empresarial, ainda que haja um avanço da internet na vida dos 500 profissionais consultados. Mas um ponto a destacar é que os sites consultados são os que têm uma respeitada marca jornalística, seja a de um profissional conhecido no meio, seja a de um veículo de comunicação.


Entre razões apontadas para a permanência do jornal na preferência de leitura diária de informação estão o fato de ele apresentar matérias consistentes e esclarecedoras, contar com um corpo de profissionais capacitados e renomados e também apresentar as notícias como elas ocorrem, sem ser tendencioso nas análises do noticiário. A credibilidade é o ponto alto e sempre aparece com vantagem quando comparado aos outros canais de comunicação, como revistas, televisão, ou rádio.


No caso específico de O Estado de S.Paulo, a atual edição da pesquisa, realizada entre os dias 28 de maio e 8 de julho com 300 executivos em São Paulo e 200 no Rio de Janeiro, no quesito tradição e credibilidade da informação, o jornal aparece em primeiro lugar, com 21% das citações, à frente dos concorrentes diretos O Globo (19%) e Folha de S. Paulo (16%) e também dos jornais especializados no segmento empresarial, Valor (13%) e Gazeta Mercantil (6%).


‘O interessante nesse dado é observar a confiabilidade cruzada com a capacidade de difusão da informação, ou seja, a repercussão do veículo junto aos formadores de opinião e o fato de ele ser referência no meio empresarial’, explica Marília Stabile, sócia da CDN e coordenadora da área de pesquisas da CDN. ‘O Estado aparece confortavelmente em primeiro lugar no cruzamento desses índices.’


Há 13 anos a CDN se dedica a estabelecer referências para o mercado de serviços de comunicação empresarial sobre auditoria de imagem.


Para aprofundar o desenvolvimento dessa tarefa, a agência criou o Índice de Qualidade e Exposição na Mídia (IQEM), com a ajuda do economista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Heron do Carmo. A pesquisa de credibilidade de mídia, que realiza de tempos em tempos, visa justamente a coletar dados para alimentar o seu banco de dados.


‘É importante considerar que os executivos consultados são formadores de opinião e, como tal, têm enorme preocupação em repassar informações para os públicos que lideram, assim como trocar com os seus iguais, e o meio jornal é a ferramenta que usam’, diz Marília.


‘A pesquisa mostra que 69% dos consultados tomam decisões de mercado tendo como base as notícias que lêem no jornal. Eles mudam de opinião sobre fornecedores e negócios a partir do que é publicado. E veja que são executivos que têm acesso a outras fontes como relatórios de bancos e balanços anuais’, acrescenta Marília.


Outro ponto fundamental no papel do jornais, que tem ligação direta com a credibilidade do veículo é a valorização do espaço editorial. Ele é quatro vezes maior que o espaço ocupado pela propaganda, ainda que sejam anúncios da empresas concorrentes.


A pesquisa revela também que o grau de credibilidade da publicidade em jornais é alta, já que 75% dos executivos entrevistados afirmaram que a boa propaganda pode influenciar – para pior ou para melhor – a opinião sobre determinada empresa.’


 


 


CAMPANHA
Guilherme Scarance


Usar Lula na TV ‘‘tem peso zero’’, diz especialista


‘O horário eleitoral gratuito influencia – e muito – a opinião do eleitor, mas é uma ferramenta mal usada, por falta de foco e de compreensão do ponto de vista do eleitor. Quem avalia é o diretor do Instituto Análise, Alberto Carlos Almeida, autor de livros como A Cabeça do Brasileiro e A Cabeça do Eleitor e Por que Lula?, além de doutor em ciência política e professor universitário. ‘A exposição é maior e atinge mais gente. Então ele, de fato, é responsável por muitas mudanças de voto’, assinala.


Para o especialista em pesquisas e assessoramento de campanhas, os marqueteiros erram ao apostar no prestígio de personalidades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para alavancar a popularidade de candidatos ao longo das eleições municipais. ‘Tem peso zero’, garante. A seguir, a entrevista que concedeu ao Estado:


Qual é a importância do horário eleitoral gratuito no cenário atual?


Todos os elementos de comunicação são importantes. Debates, horário eleitoral gratuito e a campanha de rua são importantes. Agora, o horário eleitoral gratuito é mais importante, porque a exposição é maior e atinge mais gente. Então ele, de fato, é responsável por muitas mudanças de voto que vão acontecer agora. Exemplo: existem prefeitos muito bem avaliados cujos candidatos têm votação fraca. Com o horário eleitoral gratuito, o eleitor que quer continuidade, que não sabe quem é o candidato da continuidade, votará no candidato do prefeito.


O horário eleitoral pode tornar popular um político desconhecido?


Não. Eu tenho isso mapeado. Você não aumenta o nível de conhecimento durante a campanha. Isso é um grande achado e ninguém fala isso porque nunca montou esses dados. Eu não falava isso há um mês atrás, quando montei os dados. Eu achava que aumentava, mas é errado.


O sr. pode explicar melhor?


O nível de conhecimento que tem no início da campanha será o mesmo no fim. O nível de conhecimento aumenta no decorrer da vida política, depois de 1 ano, 2 anos, depois que disputa várias eleições, depois que é eleito deputado e é atuante. É um processo, não um evento isolado. E a campanha é um evento isolado, parte de um processo mais longo, de construir imagem de um candidato. O candidato pouco conhecido pode até ganhar a eleição, mas em circunstâncias extremadas.


Quais são elas?


Na maioria das vezes o candidato tem menos votos que o seu nível de conhecimento. A grande maioria, 90%, têm menos votos que o nível de conhecimento. Ter mais votos que o nível de conhecimento só em duas situações extremadas. Número 1: governo muito bem avaliado e prefeito pede para votar no candidato dele. O eleitor vota, mesmo não conhecendo bem, para dar continuidade. Número 2: um governo muito mal avaliado e o candidato de oposição desconhecido, que cresce e vence.


Então, de modo geral, o horário eleitoral serve para avançar entre eleitores que já conhecem o candidato?


Sim, ou entre quem quer continuidade, ou ainda entre quem quer mudança.


Qual é o peso de grandes figuras nacionais? Vamos citar o caso do presidente Lula. Ele terá peso em todos os locais em que apoiar um candidato ou há alguma variável?


Tem peso zero. O Franklin Delano Roosevelt, presidente dos Estados Unidos várias vezes, dizia: ‘Quando apóio um candidato sabe quantos votos transfiro? Um voto, o meu.’ Quis dizer que prestígio você não transfere. Se Lula tiver peso, não consegue eleger um candidato desconhecido e não consegue eleger um prefeito muito mal avaliado. Em algum município, Lula vai apoiar um candidato do PT muito bem avaliado e ele vai vencer. Vencerá porque está muito bem avaliado, mas todo mundo vai dizer que foi o Lula.


Então é equivocada a estratégia de levar Lula ao horário eleitoral?


É uma estratégia baseada em uma crença mágica.


Essas estratégias em curso hoje no horário eleitoral gratuito – uns se dedicando a exclusivamente apresentar propostas, enquanto outros partem para o ataque – funcionam?


O horário eleitoral gratuito é mal usado no Brasil, porque os candidatos querem falar de tudo. Existe uma formulinha equivocada: um programa sobre saúde, um sobre educação, um sobre emprego. Isso é um equívoco gigante. O eleitorado dá peso aos problemas e, quanto mais uma campanha tiver foco, quanto mais próxima e monotemática for, mais efetiva é. O horário eleitoral gratuito não é usado assim no Brasil.


As esquisitices, principalmente na propaganda dos vereadores, tiram a atenção do eleitor?


Aquilo ali é estratégia. Já que ninguém o conhece, ele acha que fazendo esquisitice vai se tornar conhecido, mas não se torna. O eleitor dá mais atenção ao principal problema dele. Se quiser reter a atenção dele, tem de falar do principal problema e de como será resolvido.


Nos EUA, há uma grande participação da internet nas eleições. No Brasil isso pesará também?


Está só começando, ainda não vai disseminar. Mas no futuro vai ter peso.’


 


 


OBAMA
Renata Miranda


Para eleitores, mídia favorece candidato


‘A cobertura que a imprensa dos EUA dá à campanha presidencial do democrata, Barack Obama, parece o sonho de qualquer candidato à Casa Branca. Os jornais dedicam páginas e páginas às atividades do senador por Illinois, seus discursos são transmitidos ao vivo pela CNN e seu rosto estampa a maioria das capas de revistas. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, a superexposição de Obama pode prejudicá-lo nas eleições de novembro, afirmam analistas.


‘A maioria das matérias publicadas sobre Obama é surpreendentemente positiva’, disse ao Estado, por telefone, o cientista político Christopher C. Hull, da Universidade Georgetown, em Washington. ‘Os americanos não são burros e percebem que a cobertura da mídia é parcial’, diz.


Após a celebrada viagem de Obama à Europa em julho, o candidato republicano, John McCain, chegou a lançar um comercial de campanha na internet para acusar os jornalistas de serem ‘apaixonados’ por Obama. No vídeo, o repórter da NBC Lee Cowan confessa que a energia do democrata é tão contagiante que ‘é difícil manter-se objetivo’. Quadros do programa humorístico Saturday Night Live também ironizaram o tratamento dado ao democrata. ‘Se você ler, assistir ou escutar a imprensa descrever a campanha de 2008, parece ser a competição mais parcial desde que Ronald Reagan derrotou Walter Mondale, em 1984’, afirmou o colunista político Dick Morris. ‘McCain sempre aparece no limiar da senilidade e apático, enquanto Obama é retratado como herói.’


O público, porém, começou a dar sinais de que está cansado da dominação de Obama nos meios de comunicação. Uma pesquisa do Instituto Pew publicada no dia 6 apontou que 48% dos americanos acreditam receber informações ‘demais’ sobre Obama. A revista Time, por exemplo, só neste ano já dedicou sete capas de suas edições para o candidato democrata. De acordo com o instituto, de 16% a 22% dos eleitores afirmam que, por causa da superexposição, têm uma imagem menos favorável do senador democrata.


‘Tanta atenção dada a Obama pode prejudicá-lo ao longo da campanha presidencial’, afirmou Hull. Uma outra pesquisa divulgada no mês passado pelo Instituto Rasmussen mostrou que 49% dos eleitores americanos acreditam que os repórteres tentarão ajudar os democratas a ganhar a eleição.


Já Peter Levine, diretor do Center for Information & Research on Civic Learning & Engagement, centro de estudos da Universidade Tufts, em Massachusetts, acredita que as pesquisas dificilmente mudarão o voto dos eleitores. ‘A cobertura da eleição parece cobertura esportiva’, afirmou Levine. ‘As reportagens falam mais de como os candidatos estão se saindo na campanha do que sobre suas reais propostas.’’


 


 


ADAPTAÇÃO
Marili Ribeiro


Revistas femininas encolhem para crescer


‘As revistas estão encolhendo de tamanho. O segmento que mais chama a atenção no gênero, denominado pelas editoras de ‘pocket’, é o das revistas femininas. Na Europa, revistas como a inglesa Glamour, a edição portuguesa da Elle, ou a americana Cosmopolitan adotaram o tamanho menor. Por aqui, o mercado ainda vive fase experimental, mas já tem casos de sucesso.


A Gloss, da Editora Abril, nascida em formato pequeno para um público jovem, entre 18 e 28 anos, completa um ano em outubro, com circulação média de 135 mil exemplares por edição. ‘É uma novidade que teve ótima aceitação tanto do público como dos anunciantes’, diz Eliana Bueno, vice-presidente de Mídia da agência de publicidade Giovanni+DraftFCB. ‘Tenho clientes como a Nívea que fazem questão de veicular seus anúncios nos dois formatos.’


Na cola do sucesso da Abril com a iniciativa, a concorrente Editora Globo passou a oferecer também uma versão reduzida da sua revista juvenil Criativa. Desde janeiro, a circulação da publicação dobrou e chegou a cerca de 50 mil exemplares, com a oferta da edição pocket.


O preço menor tem sido um atrativo poderoso. Mas há pesquisas internas das editoras que mostram que o formato também tem o poder de rejuvenescer a marca. Ele atrai principalmente jovens que querem uma revista – pelo menos na sua opinião – diferente das que as mães e tias lêem. ‘Na Europa é um sucesso pela facilidade de se ler em transportes públicos’, explica a publicitária Eliana, que acredita que a opção pocket feio para ficar.


‘O formato pequeno tem atributos tanto para o público, com a facilidade de carregar para ler em qualquer lugar, quanto para os editores, com a visibilidade que ganha nas bancas de jornais em meio a tanta oferta’, diz a diretora-editorial adjunta da Editora Globo, Cynthia de Almeida.


Na avaliação de consultores da área editorial, a adesão do consumidor ao tamanho reduzido pode ser influência da proliferação de novas mídias, que dá maior flexibilidade para a aceitação de inovações no conservador meio impresso. Há também uma questão de custos. Especialistas dizem que essa seria a razão para o encolhimento da revista Rolling Stone que, a partir de outubro, estará menor, nos padrões das atuais revistas semanais de informação. A novidade ainda não tem data para estrear no Brasil.


LANÇAMENTOS


O interesse crescente do leitor faz com que a Editora Globo estude a possibilidade de oferecer a Criativa apenas nesse novo formato a partir de 2009, e também de lançar alternativas reduzidas para duas publicações consagradas em tamanho maior . Em outubro, chegará às bancas a Crescer na versão pocket e, em novembro, será a vez da Marie Claire. Os tamanhos tradicionais serão mantidos.


Não há dúvida de que o preço menor das edições menores tem sido um fator importante para impulsionar vendas , levando títulos estagnados a voltar a crescer. Mas, para analistas, esse efeito pode ser prejudicial ao negócio no médio prazo. As edições pocket canibalizariam a versão clássica, sem trazer benefício à receita, já que seu preço é menor.


EXPERIÊNCIA


Há inclusive editoras que fizeram experimentos com versões pocket e desistiram de adotar a novidade para títulos já existentes. O temor é de perda de público da versão clássica, com preço maior, sem o ganho correspondente no formato pocket, suficiente para manter os custos da operação.


‘Por quanto estamos simulando estratégias’, diz o diretor do Núcleo de Comportamento da Editora Abril, Morris Kachani. ‘Mas vamos apostar no desempenho da Gloss. A revista atingiu suas metas antes de completar um ano. Já temos um terço das páginas com publicidade. Acreditamos que o formato seria um diferencial para atrair leitores mais jovens, a exemplo do que acontece lá fora, e fomos bem sucedidos.’


Kachani não acha, no entanto, que basta encolher as páginas para a revista ganhar um ar moderno. Para o executivo, o design da publicação tem de ser criado para o modelo, assim como o conteúdo. Aliás, pesquisa quantitativa feita à época do lançamento da Gloss mostrou que o formato era um fator praticamente tão relevante quanto o assunto da capa, ou as novidades do mercado.’


 


 


POSSE
O Estado de S. Paulo


Ministro da Cultura toma posse na quinta


‘O presidente Lula empossa na quinta-feira o novo Ministro da Cultura, o sociólogo baiano Juca Ferreira, atual interino. Secretário-executivo do MinC desde a posse de Gilberto Gil, em 2003, Ferreira será empossado às 15 horas no Palácio do Planalto. Baiano de Salvador, João Luiz da Silva Ferreira, o Juca Ferreira, foi militante estudantil e ficou 9 anos exilado no Chile, na Suécia e na França, durante a ditadura. Anistiado, voltou ao País e filiou-se ao Partido Verde, o mesmo de Gil. Ferreira foi secretário em Salvador e duas vezes vereador da cidade. Defende reformas na Lei Rouanet e a adoção de um fundo de incentivo direto para a cultura.’


 


 


TELEVISÃO
Cristina Padiglione


Record pega bastão


‘A Record não vai oferecer a nenhuma TV aberta os direitos adquiridos para transmitir, com exclusividade no Brasil, os Jogos de Inverno de Vancouver (2010), o Pan-americano de Guadalajara (2011), e a Olimpíada de Londres (2012). O grupo transmitirá o que lhe cabe pelos canais Record e Record News.


A rede de Edir Macedo pode até botar preço para revender esses eventos à TV paga, ao pay-per-view ou a portais na internet, mas, admite ao Estado, não abriu ‘negociações com as demais mídias’. Ainda.


Ontem, finada a Olimpíada de Pequim, a emissora anunciou Paulo Henrique Amorim de Londres para iniciar a campanha olímpica. Precisa informar a troca de canal a um público habituado a ver isso via Band e Globo. Juntos, os três eventos custaram à Record US$ 70 milhões.


E isso lá é conta que se pague? Não só: a rede projeta lucro. O ‘Tripé Olímpico’, pacote oferecido a cada anunciante pela bagatela de US$ 52 milhões, promete quatro anos de exposição pelos três eventos. Mas, neste momento, a Record só pode vender as cotas de Vancouver, a US$ 5,2 milhões cada, e as seis nacionais de Guadalajara, por US$ 15 milhões cada.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 25 de agosto de 2008


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


EUA vs. China


‘O estatal ‘China Daily’ era todo festa global -e nada de contar vantagem- ontem no site e antes no papel. Aqui e ali, encontrava-se alguma auto-congratulação na agência Xinhua, tipo ‘Pequim tem a maior audiência da história’ dos Jogos.


Na América derrotada, o ‘New York Times’ chegou a destacar que a ‘China cumpre desejo de dominação olímpica’, mas trocou por ‘Jogos fecham com florescimento’, todo festa global. Já ‘Washington Post’ e ‘Wall Street Journal’ foram nacionalistas. O primeiro com a manchete ‘EUA e China encerram os Jogos satisfeitos’, dizendo que ‘os EUA ganharam bastante, também’. O segundo com o enunciado ‘Passado brilhante da China oculta futuro nebuloso’, opinando que ‘o período de crescimento rápido veio de tendências que chegaram ao fim’.


MULHERES DO BRASIL


O UOL destacou que o comitê brasileiro até ‘distorce números para enaltecer campanha’.


Mas no geral o balanço do desempenho brasileiro foi pela linha ‘Mulheres do Brasil brilham em Olimpíada cor-de-rosa’, manchete da Reuters Brasil; ‘Na contramão de queda, mulheres do Brasil fazem história’, da Folha Online; e ‘As mulheres, elas roubaram a cena…’, abrindo o ‘Esporte Espetacular’. E foi só no final, nas manchetes do ‘Jornal Nacional’ de sexta e sábado, que ‘as meninas’ salvaram, mais do que roubaram a cena.


NA VILA


No Huffington Post e outros, ‘Sexo e a Vila Olímpica’, com a foto à esq. e ‘o que os atletas vêm fazendo depois’, ‘o namoro de Michael Phelps’, ‘o número extraordinário de camisinhas’


No ‘Esporte Espetacular’, ontem: ‘Tchau Pequim… Começa uma nova contagem regressiva. Bem-vindo à África’


GLOBO VS. RECORD


Galvão Bueno, nas despedidas:


– Nos orgulhamos dos patrocinadores, das agências de propaganda. Porque uma coisa é importante: é a nossa única fonte de receita, para que a gente possa investir no conteúdo que leva gratuitamente à sua casa. É mais uma grande cobertura que chega ao final. Mas já estamos preparando a próxima. E a próxima grande festa vai ser do esporte mais importante. Todo mundo vai olhar para a África. É claro que a Globo vai estar lá.


E nada dos Jogos de Londres, transmissão da Record, que ontem ancorou lá o ‘Domingo Espetacular’.


AINDA O CASAL


Nem haviam terminado os Jogos de Pequim e a atenção, do ‘NYT’ ao ‘FT’, adiantando reportagens, já estava na convenção democrata. E no esforço de ‘reunificar’, curar ‘ressentimentos’. Trata-se do casal Clinton. O segundo jornal citou que já estragaram a convenção para Al Gore e ‘são capazes de repetir’. Uma convenção bem-sucedida faz o candidato subir até dez pontos.


OBAMA E A MÍDIA


Sinal dos problemas do democrata, os colunistas Frank Rich e Maureen Dowd, do ‘NYT’, escreveram contra o suposto tratamento preferencial de John McCain pela mídia, TV em especial.


O ANO DO BLOGUEIRO


E o ‘NYT’ proclama que ‘Chegou o ano do blogueiro político’. Partidarizados, eles vão às ‘centenas’ para as duas convenções, com portas abertas tanto por democratas como por republicanos.’


 


 


GOOGLE
Ruy Castro


De frente e de perfil


‘RIO DE JANEIRO – Se você escrever entre aspas o nome ‘Álvaro Lins’ no Google, saberá que há 222.000 ocorrências dele naquele serviço de busca. Claro que não me dei ao trabalho de varejar todas, nem estou a fim de morrer de velhice consultando o Google, mas as primeiras 400 e tantas referências já dão uma idéia.


Duas delas se referem ao escritor pernambucano Álvaro Lins (1912-1975). Todas as outras tratam de seu xará, o policial paraibano, nascido em 1967, acusado de formação de quadrilha armada, lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção passiva e, agora, ex-deputado, cassado por quebra de decoro.


O currículo do primeiro Álvaro Lins é de outra natureza. Foi um grande crítico literário -pioneiro na admiração por Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, João Cabral, Guimarães Rosa e Murilo Rubião, corajoso na demolição de homens poderosos, como Gilberto Amado, e complacente com Jorge Amado, que, segundo ele, narrava bem e escrevia mal.


Álvaro Lins não tinha cânones literários. Julgava obra por obra, donde podia entusiasmar-se com um livro de estréia e decepcionar-se com o livro seguinte do mesmo escritor. Tal independência rendeu-lhe não poucos inimigos, um deles o próprio Nelson.


Como seu homônimo de hoje, Álvaro Lins teve também atuação política: em 1955, defendendo pelo ‘Correio da Manhã’ a posse de um presidente eleito (Juscelino), que os golpistas queriam abortar; e, em 1959, como embaixador do Brasil em Lisboa, dando asilo político ao general Humberto Delgado, pior inimigo do ditador Salazar.


Infelizmente, o Google só quer saber do Álvaro Lins de hoje, atualmente residindo em Bangu 8. Pior: pelo menos uma página sobre o escritor é ilustrada com a foto do ex-delegado, de frente e de perfil.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo cria unidade de gravação de surfe


‘A Globo criou uma unidade de gravação de cenas de surfe para sua próxima novela das sete, ‘Três Irmãs’. É a primeira vez que uma novela brasileira tem uma equipe especializada só para cenas aquáticas.


Segundo o diretor-geral José Luiz Villamarim, o investimento se justifica porque o surfe é central na trama, que tem nove personagens surfistas, entre eles os de Carolina Dieckmann, Marcos Palmeira. Paulo Vilhena e Rodrigo Hilbert.


‘A gente criou a ‘Unidade: Surfe’ por causa da imprevisibilidade das ondas e do surfe. Tem que captar muito material para ter algo de qualidade’, diz.


A Globo contratou um cinegrafista-surfista, Gustavo Marcolini. Ele passa o dia todo dentro d’água, com uma câmera de alta definição portátil importada especialmente para a novela. Outro cinegrafista capta as imagens da areia. Nas cenas em que há diálogos, são usados microfones especiais, sem fio.


Como as ondas são rápidas (duram de cinco a dez segundos) e muitos erros podem ocorrer (como o ator ou dublê cair), todas as seqüências são gravadas. Para facilitar a edição, o diretor descarta imagens no próprio set, com um laptop.


As gravações ocorrem três ou quatro dias por semana. O roteiro é estabelecido a partir da previsão do tempo _a emissora fica sabendo quatro dias antes se vai haver onda ou não. As locações são praias do Rio de Janeiro e de Saquarema (RJ).


ADESÃO 1


O SBT aderiu ao grupo que une Abril, Band e Record contra a Globo nas discussões do PL-29, projeto de lei que pretende criar cota de canais nacionais nos pacotes de TV paga.


ADESÃO 2


Os grupos rivalizam porque Abril, Band e Record querem que cada grupo econômico ocupe no máximo 25% dessa cota _ou seja, em um pacote com 12 canais enquadrados como de conteúdo brasileiro, a Globosat só poderia ter três. A Globo quer pelo menos 50%.


ADESÃO 3


A adesão do SBT foi motivada por outro tema polêmico: o que limita a publicidade nos canais pagos. A emissora quer que o teto seja de 15% por hora. A Globosat quer 30%. Mas encontra oposição até da Globo.


IDADE


Silvio Santos, 77, vetou a idéia de o SBT tentar contratar Daniel Filho, 70, e Nilton Travesso, 73, para a direção do departamento de teledramaturgia. Argumentou que os profissionais estão velhos demais.


BEIJO NO GORDO


Jô Soares comemora nesta semana 20 anos de programa de entrevistas. Na quarta, inverterá o papel e será entrevistado por Ana Maria Tahan, Lúcia Hippólito, Lillian Witte Fibe e Cristiana Lobo.


CEGUEIRA


O equipamento que um personagem de ‘Ciranda Pedra’ usa é um aparelho para surdez, e não um fone de ouvido de tocador de MP3. Segundo a Globo, sua zelosa produção de arte providenciou uma réplica de um aparelho de 1957.’


 


 


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