Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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IMPRENSA EM QUESTãO > MALÁSIA

Jornal escandaliza ao discutir posições sexuais

14/11/2006 na edição 407

Tente falar abertamente – e detalhadamente – sobre comportamento sexual na imprensa de um país de maioria muçulmana. Foi o que fez o jornal Weekend Mail, da Malásia, ao prometer aos leitores, em sua primeira página, uma reportagem que os deixaria ‘chocados’. De fato, chocadas ficaram as autoridades do país, que condenaram veementemente a publicação.

O artigo de três páginas do Weekend Mail trazia descrições detalhadas das posições sexuais favoritas dos jovens malaios – colhidas através de uma pesquisa com o público. Segundo o jornal, a pesquisa rendeu as mais diferentes posições, mas os pesquisados concordaram em um ponto: questões relacionadas a sexo devem ser discutidas abertamente no país.

Exploração vulgar

Bastou esta ousadia para que o governo repreendesse o jornal. Para o vice-primeiro-ministro, Najib Razak, a ‘exploração do sexo’ pela mídia só serve para ‘piorar nossos problemas sociais’. ‘O artigo falava desta e daquela posição – e eu não estou me referindo a posições em um jogo de futebol ou à posição no Oriente Médio’, afirmou durante reunião do partido governista. Já o ministro para Mulheres, Família e Desenvolvimento da Comunidade classificou a peça de ‘irresponsável’ e ‘vulgar’.

A editora responsável pela publicação do Weekend Mail acabou por se desculpar pela matéria e afirmou que questionaria os editores do jornal. ‘O artigo era ofensivo e desagradável’, afirmou Syed Faisal Albar, executivo-chefe da editora.

Grandes veículos de comunicação malaios, muitos deles controlados total ou parcialmente por grupos ligados aos interesses do governo, costumavam seguir uma linha conservadora em seu conteúdo. Quando o assunto é política, eles continuam pró-governo, mas alguns começaram a experimentar reportagens ao ‘estilo tablóide’ depois que o primeiro-ministro Abdullah Ahmad Badawi assumiu o poder, há três anos, e passou a encorajar debates maiores sobre questões não-políticas. Informações da Reuters [6/11/06].

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