Jornalismo, para que serve | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
Menu

IMPRENSA EM QUESTãO > VENEZUELA NA MÍDIA

Jornalismo, para que serve

Por Alberto Dines em 20/11/2009 na edição 564

O que impressiona no programa sobre a Venezuela exibido pelo Observatório da Imprensa na TV (terça, 17/11; ver aqui) é, em primeiro lugar, a intensidade da polarização em torno da mídia. Mentes lúcidas, racionais, extremamente sofisticadas, não conseguem esconder o dramático impasse.


Independente das posições, pró ou contra Hugo Chávez, todos os venezuelanos ouvidos concordam num ponto: não existe possibilidade de diálogo. Já não existe necessidade de se fazer um bom jornalismo porque na Venezuela ninguém quer jornalismo, todos querem propaganda.


No entanto, este quadro pré-ruptura não consegue motivar a mídia latino-americana e internacional. Somos obrigados a reconhecer que a cobertura desta guerra midiática na Venezuela está igualmente intoxicada pelos ressentimentos e preconceitos que correm fora dela.


Poder de persuasão


Surge, então, a grande questão: por que razão os grandes veículos, brasileiros e estrangeiros, não conseguem aquele mínimo de equilíbrio para reproduzir ao menos o inexorável caminhar para o abismo? Será tão difícil reunir e comparar opiniões divergentes, sem tomar partido?


Já que no interior da sociedade venezuelana os ânimos estão tão exaltados, fora dela, em outros contextos e continentes, não seria possível repetir a experiência do Observatório da Imprensa com mais recursos e para audiências maiores? Falta disposição, falta senso de urgência ou simplesmente falta solidariedade?


A verdade é que ser solidário com a Venezuela, neste momento, significa não tomar partido algum e, assim, escapar da terrível compulsão maniqueísta. A terceira via nada tem de escapista, ao contrário, é a única alternativa capaz de mostrar aos beligerantes que existem outras dinâmicas além da confrontação.


Não adianta convocar a OEA, a Unesco, a ONU ou o Tribunal de Haia. É preciso convocar a própria mídia internacional para exibir o seu poder de persuasão. E se este potencial já está esgotado, teremos que admitir que o jornalismo já não faz sentido.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/11/2009 Ney José Pereira

    Nem FHC nem Renan Calheiros tiveram filhos (filho ou filha) com ‘jornalistas’!. FHC e Renan Calheiros tiveram filhos (filho ou filha) com suas amásias ou com suas concubinas ou com suas… (namoradas)!. Que por acaso eram ‘jornalistas’!. Por acaso?!.

  2. Comentou em 21/11/2009 Wendel Anastácio

    ‘É preciso convocar a própria mídia internacional para exibir o seu poder de persuasão. E se este potencial já está esgotado, teremos que admitir que o jornalismo já não faz sentido.’
    É Sr. Dinis, realmente é triste mas é vero! E não há a quem culpar a não ser a ele mesmo!Só para citar, lembremos o golpe fracassado da Venezuela patrocinado pela mídia e com o aplauso de suas co-irmãs do continente, e da mídia conservadora mundial!
    O Sr. mesmo, que ao se referir ao Presidente Hugo Chaves em seus artigos, o chama de ‘caudilho’, ‘aprendiz de feiticeiro’, et, etc, etc.
    Enfim, uma pergunta: Quem escreverá o epitáfio da mídia? Querem uma sugestão? Que tal ‘ Aquí jaz contra sua vontade, alguém que cavou seu próprio túmulo’.
    Em tempo: Convocar a mídia internacional, seria cômico se não fosse trágico!.

  3. Comentou em 20/11/2009 Lau Mendes

    Os cometários dos leitores falam mais que o ‘post’. Não haverá voluntarios neste incendio provocado pela própria midia.Depende só dela,acostumada que estava, incendiária louca e descontrolada,a sentar e rir do alvoroço que provoca com ‘manchetes e furos’,acabou por incendiar seu assento,sua credibilidade e futuro.Pois que ela,se quizer, que apague da memória dos leitores as lambanças que tem praticado.

  4. Comentou em 20/11/2009 Jaime Collier Coeli

    O jornalismo sempre foi o coliseu do choque entre propaganda e contra-propagand. Serão diferentes uma da outra? Identificam-se? É ingenuidade culpar o jornalismo, de fato apenas uma encenação de realidades culturais mais profundas. Portanto, não há ‘remedio’ para o jornalismo, que se resume à expressão do significado antropologico da palavra ‘cultural’. Sistemas religiosos, politicos, normas esteticas, não superam o estágio de retratarem, em preto e branco,o momento historico vivido por uma sociedade. O pior é que qualquer aprimoramento esbarra no problema social da ‘autoridade’, seja ela estabelecida politica ou de maneira religiosa, porque a transformação sempre será acusada de anarquica. Basta observar como os regimes ‘revolucionarios’ se apegam ao poder discricionario. Como reconhecer que Hitler, /Stalin e Churchill são apenas farinha do mesmo saco?

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem