Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Jornalistas curdos sofrem ameaças

02/09/2008 na edição 501

Embora o norte do Iraque, de maioria curda, aparente relativa paz, jornalistas independentes alegam que, com a instabilidade política da região, continuam a sofrer intimidação e ameaças. À primeira vista, quem caminha pelo território autônomo percebe ruas limpas e pessoas sem medo – um grande contraste às paredes de concreto e arame farpado com que a maioria dos iraquianos convive nos mais de cinco anos de conflito. Enquanto o resto do Iraque viveu um período caótico e violento depois da invasão americana em 2003, o norte curdo promoveu-se como ‘o outro Iraque – um lugar de estabilidade, prosperidade e, acima de tudo, segurança’. Ainda assim, apenas na primeira metade deste ano, cerca de 60 jornalistas foram mortos, ameaçados, atacados ou levados a julgamento na região, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Em julho, Soran Mamahamam, jornalista da revista Livin, publicada na cidade curda de Sulaimaniya, foi assassinado a tiros em Kirkuk, uma semana após ter escrito sobre o envolvimento de oficiais curdos em redes de prostituição. ‘No Curdistão não há liberdade para jornalistas. Eu tenho provas disto – a mais recente foi a morte de Soran’, afirmou Hemen Mamand, repórter de uma rádio em Arbil. ‘Não sabemos quem o matou, mas sabemos que o governo não se importou’. Mamand também sofreu ameaças após divulgar possíveis casos de corrupção no KDP, partido de Masoud Barzani, presidente do Curdistão iraquiano.

Na última década, a mídia independente desafiou os dois partidos políticos que dominam a região – o KDP e o PUK – e a liberdade de imprensa deteriorou-se cada vez mais, avalia Joel Campagna, que liderou uma missão do CPJ ao Curdistão no ano passado. O CPJ e a Anistia Internacional lançaram campanhas para chamar a atenção para tais eventos e para pressionar autoridades curdas a prender quem ameaça os jornalistas. ‘Os incidentes recentes revelaram que a região não é muito diferente de outras partes do Iraque’.

Violência contínua

Embora a violência tenha diminuído, o Iraque ainda é o lugar mais perigoso para o trabalho jornalístico, com mais de 130 jornalistas mortos em serviço desde 2003. Muitos repórteres no Curdistão alegam que o KDP, com sede em Arbil, e o PUK, controlado pelo presidente Jalal Talabani e com sede em Sulaimaniya, têm controle quase total de seus respectivos domínios curdos. ‘No Curdistão, não há um partido político de oposição. Então, o governo acha que os jornalistas são a oposição’, opina Rebin Rasul Esmail, que até 2004 era editor do Hawlati, principal jornal independente da região. Informações de Missy Ryan e Shamal Arqawi [Reuters, 26/8/08].

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