Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CONGRESSO EM LISBOA > EUA vs. FIDEL

Jornalistas pagos para escrever
contra Cuba são demitidos

Por Claudio Julio Tognolli em 04/10/2006 na edição 311

Jesus Diaz Jr, publisher do jornal americano The Miami Herald, deixou seu cargo na terça-feira (3/9), como conseqüência da recente revelação de que jornalistas da publicação em espanhol daquele matutino, o El Nuevo Herald, eram pagos pelo governo dos EUA para atacar o governo de Cuba. Diaz também se demitiu do cargo de presidente da empresa Miami Herald Media Co. Em carta aos leitores, o editor disse que a empresa que publica os jornais deveria recontratar os jornalistas demitidos. O cargo será assumido por David Landsberg, que vinha ocupando o cargo de gerente-geral, informou a The McClatchy Company, empresa do conglomerado e que tem base em Sacramento, Califórnia.


Uma reportagem publicada em 8 de setembro passado, na edição online do jornal, afirmava que o governo americano pagou milhares de dólares durante vários anos a pelo menos dez jornalistas de Miami para que veiculassem histórias negativas sobre Cuba e seu líder, Fidel Castro. Esses jornalistas, segundo The Miami Herald, recebiam pagamentos regulares do governo dos Estados Unidos para produzir programas na rádio e na TV Martí.


As duas emissoras, administradas pelo governo americano, transmitem notícias e programas em espanhol para Cuba e, conforme a reportagem, têm o objetivo de ‘minar o governo comunista de Fidel Castro e promover a democracia e a liberdade em Cuba.’


‘Sagrada confiança’


Segundo o The Miami Herald, os três jornalistas que recebiam as somas mais altas trabalhavam para o El Nuevo Herald, jornal de língua espanhola publicado pela mesma empresa. Um deles, Pablo Alfonso, que tem uma coluna de opinião no El Nuevo Herald, recebeu US$ 175 mil para apresentar programas nas duas emissoras. O repórter Wilfredo Cancio Isla recebeu US$ 15 mil, e a freelancer Olga Connor, US$ 71 mil. Os três foram demitidos e não comentaram o assunto.


Na época, Jesus Diaz Jr. acusou os jornalistas envolvidos de violarem a ‘sagrada confiança’ do público. Um porta-voz das emissoras administradas pelo governo dos EUA, Joe O’Connell negou qualquer irregularidade e afirmou que os jornalistas simplesmente foram pagos por suas contribuições e seu conhecimento a respeito da política cubana.

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Repórter especial do Consultor Jurídico

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/10/2006 Ocimar Santiago Ramires

    Meu querido Cláudio,
    Se o motivo é ‘promover a democracia e a liberdade em Cuba’, então nada mais legítimo né? Ou não? Afinal de contas, não é de hoje que vemos posta em prática a ‘doutrina’ de que os fins justificam os meios. E como escreveu Madame Roland: Quantos crimes se cometem em nome da liberdade…
    Nenhum regime político nesse mundo é perfeito. Senso comum? Chavão? Pode até ser, mas tem muita gente, cujos interesses não podem ser contrariados, que fazem questão de salientar que o dos outros é o inferno. Seu argumento? A força. Seja das armas ou da informação…

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