Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > IMPRENSA E A CONFECOM

Lições de manipulação

Por Alberto Dines em 21/12/2009 na edição 568

A grande imprensa não participou da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), cobriu o evento com evidente má vontade e agora não poupa munição para combater algumas de suas propostas.


Este comportamento está longe de ser considerado modelar, mas algumas das propostas aprovadas pelo plenário estão sendo visivelmente deturpadas. É o caso da criação do Conselho Nacional de Jornalistas, uma espécie de Ordem de Jornalistas, proposta pela Fenaj e assemelhada à Ordem dos Advogados. Os jornais de quinta-feira (17/12), reproduziram corretamente o nome que teria a nova entidade, convém repetir, Conselho Nacional de Jornalistas.


Dias depois, sobretudo no fim de semana, o nome foi deliberadamente adulterado para Conselho Federal de Jornalismo. Por quê? Para confundi-lo com o Conselho proposto pela mesma Fenaj em agosto de 2004 e logo retirado diante da veemente reação que provocou, inclusive deste Observatório da Imprensa.


Informação correta


Na ocasião, alguns de nossos observadores manifestaram a opinião de que o Jornalismo não pode ser regulamentado, regulado ou controlado, mas um Conselho de Jornalistas com rigorosos exames de acesso – como acontece com os advogados – poderia servir para contornar impasses históricos, inclusive o da precariedade do ensino de jornalismo nas universidades privadas.


A Fenaj preferiu arquivar a idéia para evitar maiores desgastes. Agora, diante da decisão do STF que não apenas acabou com a exigência do diploma de jornalismo mas até extinguiu a profissão, a idéia do Conselho de Jornalistas merece ser examinada e discutida com serenidade.


Mesmo que a maioria das entidades empresariais decida condenar a nova entidade, a sociedade brasileira merece da sua imprensa uma informação correta, não distorcida e não manipulada.


Esta grosseira confusão de nomes não foi acidental e não faz justiça a uma imprensa que se considera acima do bem e do mal.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/01/2010 José Oliveira Ribas Ribas

    Se tivessemos um governo forte uo uma sociedade consciente, não teriamos a grande midia mandando nas decisões do País.

  2. Comentou em 22/12/2009 Luiz Fernando Mendes de Santana

    Prezado Dines,

    A Grande Mídia que tanto fala em democracia, quando convidada a participar de um evento democrático, recusou.
    A Grande Mídia, que tanto fala em liberdade de imprensa e opõe-se veementemente a censura, censurou, pois não informou.
    Agora, depois de terminado o evento, critica o que foi democraticamente aprovado, distorce o que não lhe interessa e propaga que foi um evento ‘chapa branca’.
    É a visão de democracia das famílias midiáticas que controlam os meios de comunicação no Brasil.

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