Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > SOLIDARIEDADE AO HAITI

Lições de Zilda Arns

Por Luciano Martins Costa em 15/01/2010 na edição 572

A morte trágica da médica Zilda Arns Neumann (1934-2010), criadora da Comissão Pastoral da Criança, chama atenção da imprensa para o papel que o Brasil vem desempenhando no Haiti desde 2004.


A estratégia de combinar os confrontos armados contra as gangues que dominavam o país, com o atendimento de necessidades básicas da população, criou uma empatia entre os haitianos e os soldados e voluntários brasileiros.


A presença de Zilda Arns, que indica a estruturação de uma organização humanitária cujo modelo tem sido bem sucedido no Brasil, aponta para uma nova etapa da missão brasileira.


O Brasil entrou no Haiti quando forças militares de grandes potências haviam falhado. Substituiu o policiamento violento e os confrontos pela busca da compreensão sobre como funciona o país, que nunca viveu um período de democracia com estabilidade: dos 42 presidentes que já teve em sua história política, o Haiti viu 30 serem depostos ou assassinados, segundo relatam os jornais.


A ‘diplomacia do futebol’, com a partida amistosa da seleção brasileira contra a seleção haitiana, demonstrou o potencial de aglutinação das ações baseadas no esporte e na aproximação.


Eficiência comprovada


Quando o governo brasileiro fala em ‘adotar’ o Haiti, está apontando para uma relação muito diversa das ocupações colonialistas que marcaram o mundo até o século passado.


Trata-se de uma extensão da diplomacia que já vigora nas fronteiras com nossos vizinhos mais pobres da América do Sul, onde instituições não governamentais financiadas pelo Brasil atuam preventivamente no combate à pobreza e na prevenção de doenças.


Por outro lado, a tragédia aponta para a possibilidade de um novo papel das forças armadas, exatamente quando o Programa Nacional de Direitos Humanos provoca grandes controvérsias com relação à história recente de atrocidades cometidas internamente por representantes do poder militar.


O Brasil que se apresenta ao mundo como um dos líderes do socorro ao Haiti ainda tem muitos problemas a resolver em seu próprio território. Mas mostrou que possui uma receita de eficiência comprovada na ação pastoral liderada por Zilda Arns: ensinar aos desprovidos que eles mesmos podem tomar posse de seus destinos.


 


Leia também


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Luz na catástrofe; o último discurso — Luciano Martins Costa

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