Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Ligações perigosas

Por Celso Fernandes em 04/08/2009 na edição 549

Tá, tudo bem! Já que passamos algo que semi-ilesos pela República das Bananas e pelo Império dos Abacaxis, havemos de dizer que a ferida dói, mas cicatriza. Como não tem outro remédio sobre as prateleiras, nem mesmo daqueles do tipo caseiro, tudo isso o que ouvimos através dos microfones – até de karaokês – de vossas excelências em ação, é fato e não podemos negar. Mais ainda quando falamos da novela da minha vida ou da minha vida que se tornou uma novela. Amor relâmpago, sempre em xeque-mate? Opash? Apache? Caminho das Índias? A aeróbica global? (O que é que o Chico ‘Namit’ Anysio foi fazer lá, hein?) E quanto à febre da nossa tornada Bollywood nacional? Das nossas eternas Patricinhas de Beverly Rios… Delicatessen, decadência, amor genérico, por natureza do que está no script ou daquele que nasceu com a gente desde pequenininhos? Ou yes! Temos call centers. Estamos salvos de ter que ir às compras! Temos fones de ouvidos. Ofertas, oferendas em demasia. Pechinchas. Bugigangas. GPS´s. Musiquinha do gás. Beautiful girls! Cheerleaders.

Mergulhamos no jabá internacional e comemos para lá de McSalsichas importadas, que é para ver se a língua estrangeira entra sem ter que decorar nada, estudar. Não fossem os espinhos ou daquilo que infelizmente despenca do telhado, bem que a Susan Boyle merecia a varinha mágica. Enquanto uns gozam, os outros relaxam, e por onde andará Marta, hein? Voa passarinho, voa…

A propósito, tem ainda aquela do ‘Diga-me com quem tu andas’? Pois, daquela do ‘Me engana que eu gosto’, nem o pobre do José nem a (in)fielmente tua Maria escaparam da malvadeza do santo julgo em pessoa. Como dizia um velho amigo de escola: ‘É a maldade do povo.’ E como sempre estamos olhando do lado vizinho (não há quem escape) ou do por que dessa tela tão grande na minha sala de estar, digo por a+b que é para poder te enxergar melhor, Chapeuzinho! A cor? Isso não importa e, sim, a doce e suave inspiração ainda que vista em terceira e quarta dimensão.

Juros e dividendos

Aliás, estrelas mudam ou não mudam de lugar pelo pico de audiência? Pintando ou não o sete, tal aquelas vermelhas, reluzentes, acaloradas e bem cheias (na época, há quem se recorde) do mais puro fervor… Vai vendo, mas também vai lendo, poxa vida! Sejamos call centers. Ainda que pela curta hipnose televisiva, auditiva e da consagrada Net que está no meio de nós! E se tudo é fato e de direito, grife-se lá na ênfase da envergadura com que a coisa anda, não esqueça que para se ter talento não é só pretender ser aspirante ao ‘cargo de’. Temos vaga para o ‘sub’ do ‘sub’? Uma ‘boca’, só para iniciar, para não ficar parado igual poste? Desenrolar o novelo de lã é fácil. O duro é enrolar tudo como estava novamente. Sopa de jiló no café da manhã desce bem e faz muito bem para a saúde do bolso. Não vem que não tem, que a vara pode ser curta mas temos que cutucar.

O quê? Serodia? (Algo assim também de uma pseudo-tradução de velho, antigo; que já se sabe há muito tempo?)

Agora, quanto ao que é de mais excelente – e por pura excelência, claríssimo – no Reino das Abobrinhas, vale o quanto pesa e não tem nada a ver com aquela marca de sabonete. Do pote de leite, certamente que derramado, e das espremidas moedinhas no porquinho do meu cofre, passamos adiante. Brigamos, isto sim, é com os juros e dividendos até mesmo na hora da nossa sorte amém!

Tá de brincadeira?

E como talvez fiquemos mesmo no costumeiro rodízio de pizza vindo nos mais variados sabores e em climas nunca sonegados, não recordo, não me lembro, não sei. Cansei. Sou call. Importado. Center. Na hora do mata fome, da ligação a cobrar, ter que apertar a ‘estrelinha’ do fone, antes de discar o zero, perto daquela inventada (e ora desativada ‘Fome zero’), sem querer alterar a ordem dos fatores, melhor almoçá-los antes que nos jantem! E acaso não tenhas dado conta do tamanho do rombo, nossa pindorama não pode – e nem deve – continuar sempre amanhecida. Tome intento, que depois da lei do anti-tabagismo, aonde é que a cobra vai soltar suas baforadas, hein? E onde, na briga de foice, foi-se o tempo em que o sujeito (batizado de cabra macho, decerto nascido com a prosopopéia do ‘aquilo’ roxo) tinha que passar dessa para melhor só para poder entrar para a história.

Alguém ao telefone? Com quem quer falar? Comprar cupons vencidos, ah, não! Tá de brincadeira comigo, é? Também sou call. Sou center. (Des)ocupado.

******

Jornalista, poeta e escritor, autor de As duas faces de Laura, O Sedutor, Sonho de Poeta (Ed. Edicon), entre outros

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