Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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‘Folha’ tropeça no Datafolha

Por Alberto Dines em 24/10/2014 na edição 821

Continua o inferno astral do jornalão paulista: depois da censura ao colunista Xico Sá por alegada tentativa de “proselitismo” em favor da candidata Dilma Rousseff (ver “Pluralismo sem bizantinismo”), a Folha de S.Paulo surpreendeu o seu leitorado com a manchete da capa de quarta-feira (22/10): “Otimismo com economia dispara e beneficia Dilma na disputa eleitoral”.

Otimismo na economia, cara-pálida? Onde? Quando? De que jeito?

Alfineta no dia seguinte a experimentada Eliane Cantanhêde: “A percepção de melhora na economia em 2015 não encontra respaldo na mais elementar análise da realidade” (Folha, 23/10, pág. A2). A colunista da nobilíssima Página Dois foi ouvir o analista de pesquisas Antonio Lavareda e registrou a sua explicação: os eleitores de ambos os candidatos dão como certa uma melhora na economia a partir de 1º de janeiro. Logo, a soma das expectativas dos grupos rivais deu ao redator do jornal (ou a seu colega no instituto pesquisas) o direito de usar o verbo-padrão das situações de euforia – “disparar”.

Para evitar que a credibilidade das empresas coirmãs despenque simultaneamente, a manchete de capa da Folha no dia seguinte (quinta, 23/10) foi na direção contrária: “Governo adia divulgação de resultados negativos”.

A pisada na bola foi de tal porte que o Globo,na mesma quinta-feira, rompeu o pacto de não-agressão avalizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e dedicou ao escorregão do concorrente uma página inteira com um título arrasa-quarteirão: “Para economistas, ainda é cedo para otimismo” (23/10, “País”, pág.11).

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