Sábado, 18 de Janeiro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1070
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Lula critica a imprensa. Sem razão

Por Alberto Dines em 16/08/2007 na edição 446

O presidente Lula voltou a criticar a imprensa na terça-feira (7/8), informou na quarta à noite o jornal online Último Segundo. Desta vez a imprensa foi atacada por dar a impressão de que o Brasil será afetado pela turbulência nos mercados americanos.




‘Mais uma vez, Lula criticou a imprensa que, no seu diagnóstico, apresenta as notícias como se o Brasil estivesse em situação econômica catastrófica. `Se eu fosse estrangeiro, tivesse conhecimento do Brasil através da imprensa e 30 centavos no bolso, eu preferiria investir na Etiópia´, provocou. Sem mencionar diretamente a crise internacional das Bolsas de Valores, Lula disse não ver motivos para o pessimismo estampado pela mídia porque a economia do Brasil é sólida. `Antigamente, alguém dava um espirro lá fora e o Brasil pegava uma pneumonia. Hoje não é mais assim´, ponderou.


Dirigindo-se ao ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, Lula cobrou um cronograma para liberação das emendas parlamentares individuais. `Precisamos fazer isso para evitar que, nos momentos de crise, a imprensa diga que há um toma-lá-dá-cá´, advertiu. O ministro do Trabalho, Carlos Luppi, que é filiado ao PDT, assentiu com a cabeça.’ [Ver aqui a íntegra da matéria]


Mais uma vez, o presidente não tem razão. Naquela manhã, a crise no sistema financeiro internacional sequer foi destacada no alto da primeira página dos três jornalões nacionais. O mesmo aconteceu no dia anterior, segunda-feira. Ao contrário, o noticiário econômico dos últimos dez dias vem salientando a diferença entre a solidez da nossa situação macroeconômica e a sua fragilidade nas crises anteriores.


Para tirar o sono


A crítica presidencial não faz sentido: um jornal jamais conseguiria manter um ambiente de volatilidade por mais de meia hora. Seria logo desmentido e desmoralizado. O sistema financeiro mundial hoje está articulado e vigilante – basta ver a reação coordenada dos bancos centrais do primeiro mundo ao injetar de forma sincronizada quantidades formidáveis de recursos para restabelecer a liquidez e evitar que a turbulência afete a economia real.


Forçar uma crise equivale a um suicídio, nenhum jornal ou jornalista gostaria de provocar um crash, eles seriam os primeiros prejudicados. Os inimigos da nossa estabilidade são outros. Quem pode tirar o sono da equipe econômica não é a cobertura da turbulência internacional, mas a possibilidade de aprovação do ‘trem da alegria’ pela Câmara dos Deputados.


 


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